LIVRO DE RESUMOS II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Sumário Apresentação Histórico do evento Local do evento Comissão Organizadora Patrocínio Palestras Apresentações orais Painéis Participantes II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação A II Jornada Fluminense de Produtos Naturais será realizada de 09 a 12 de maio de 2012 e terá como principal objetivo enfatizar e valorizar o estudo multidisciplinar na área de Química de Produtos Naturais, reunindo profissionais e estudantes com o intuito de proporcionar a integração das várias áreas do conhecimento dos Produtos Naturais. Serão apresentados e discutidos os aspectos relevantes e atuais da pesquisa no Estado, além dos trabalhos realizados por profissionais e pesquisadores nacionais e estrangeiros. Durante a II JFPN, haverá apresentação de trabalhos na forma de conferências, apresentações orais e painéis. Um Dia de Campo Temático será reservado para excursões para os diferentes biomas que caracterizam a região de Arraial do Cabo. As áreas abordadas serão: 1) Fitoquímica e Quimiossistemática 2) Atividade Biológica e Farmacológica de Produtos Naturais 3) Isolamento e Elucidação Estrutural de Produtos Naturais 4) Química de Organismos Marinhos 5) Química de Microorganismos 6) Etnobotânica 7) Ecologia Química Histórico do evento Com o crescimento do interesse das pesquisas na área de Química de Produtos Naturais (QPN), principalmente devido à exploração do potencial biotecnológico dessas substâncias e pela necessidade do conhecimento e da conservação da biodiversidade brasileira, o Rio de Janeiro se destaca historicamente pela importante contribuição científica à área. A criação da Jornada Fluminense de Produtos Naturais nasceu da necessidade de se criar um momento para a discussão das pesquisas realizadas no nosso estado, do conhecimento dos grupos de trabalho e do estabelecimento do atual papel dessas pesquisas no cenário nacional. Com a temática “Em Busca de Produtos de Nossa Diversidade Biológica” a primeira e única versão do Evento reuniu em abril de 2008, no Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (NUPEM) – UFRJ-Campus Macaé, cerca de 200 pessoas. Neste Evento estiveram presentes representantes de todos os grupos de ensino e pesquisa na área de QPN e afins do Estado do Rio de Janeiro, além de representantes de todos os principais órgãos de fomento do país. Os melhores trabalhos apresentados foram premiados com o Prêmio Kaplan de Produtos Naturais. A criação desse prêmio foi uma forma de homenagear a Professora Maria Auxiliadora Kaplan, professora emérita da UFRJ, uma das maiores pesquisadoras brasileiras da área. O último dia do Evento foi marcado por duas divertidas excursões de campo a importantes biomas da região: o Arquipélago de Santana e região serrana do Sana. Local do evento A II JFPN será realizada nas dependências do Hotel "A Ressurgência" de propriedade da Marinha do Brasil, localizado na Praia dos Anjos, s/n, Arraial do Cabo, RJ. Tel: (22) 2622-9005. O auditório do hotel possui uma capacidade de receber até 160 pessoas em suas dependências, número total de participantes esperados para inscrição no evento. Para obter maiores informações e mapa de acesso, por favor, visite o site http://www.arraialdocabo-rj.com.br/. Cidade do Evento Localizada a 140 km do Rio de Janeiro, a cidade de Arraial do Cabo é conhecida como o Paraíso do Atlântico. A cidade reúne algumas das mais belas paisagens de nosso litoral: dunas, restingas, lagoas, praias e costões paradisíacos. A cidade é um importante pólo turístico no Estado e é conhecida nacionalmente como a capital do mergulho. A cidade abriga o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, um importante centro de pesquisas da Marinha brasileira e um porto nacional. O turismo atualmente é a principal atividade econômica da região, principalmente após o fechamento da Companhia Brasileira Álcalis S/A. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 A principal via de acesso é a Rodovia Amaral Peixoto, que recorta os 40 km de todo o litoral. O acesso à cidade, a partir da cidade do Rio de Janeiro pode ser por via aérea ou terrestre. A cidade de Cabo Frio, vizinha de Arraial do Cabo, recebe voos nacionais e internacionais. Comissão organizadora Coordenação Profa. Angélica Ribeiro Soares, NUPEM/UFRJ-Macaé Prof. Renato Crespo Pereira, IB/UFF Comitê Científico Alessandra Leda Valverde – LaProMar/UFF Heitor Monteiro Duarte, NUPEM, UFRJ-Macaé Lísia Mônica Gestinari, NUPEM, UFRJ-Macaé Renato Crespo Pereira - UFF Michelle Frazão Muzitano, UFRJ-Macaé Ricardo Coutinho, IEAPM Ana Claudia Macedo Vieira, UFRJ Nelima Romeiro, UFRJ-Macaé Comissão Técnica Angélica Ribeiro Soares, NUPEM, UFRJ-Macaé Daniela Bueno Sudatti, UFF Lísia Mônica Gestinari, NUPEM, UFRJ-Macaé Michelle Frazão Muzitano, UFRJ-Macaé Renato Crespo Pereira, UFF Ricardo Coutinho, IEAPM Tatiana Konno, NUPEM, UFRJ-Macaé Nathália P. Nocchi Carneiro, NUPEM, UFRJ-Macaé Ana Claudia Macedo Vieira, UFRJ Monitores Nayara Nocchi Ellen Fonseca Anny Muniz Viviane Souza Juliana Ferrari II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Mayara Antunes Karen Dutra II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Patrocínio II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestras Palestras (C1-C17) C1 Fernando Echeverri C2 Maria Auxiliadora C. Kaplan C3 Elisabeth A. Mansur de Oliveira Cultura de tecidos aplicada a plantas medicinais C4 Suzana Guimarães Leitão ETNOFARMACOLOGIA X TRIAGEM RANDÔMICA NA BUSCA DE PLANTAS ATIVAS CONTRA O Mycobacterium tuberculosis C5 THE SEARCHING OF BIOACTIVE COMPOUNDS FOR HEALTH, CROP PROTECTION AND HUMAN WELFARE PRODUTOS NATURAIS NO BRASIL Mário Geraldo A IMPORTÂNCIA DA DETERMINAÇÃO ESTRUTURAL EM PESQUISAS DE de Carvalho PRODUTOS NATURAIS. C6 Ivana Correa Ramos Leal C7 Marc Yves Chalom C8 Manuel Norte Martín RED TIDE TOXINS:STRUCTURE, MODE OF ACTION AND BIOSYNTHESIS C9 Luzineide W. Tinoco ESTRATÉGIAS PARA A IDENTIFICAÇÃO RÁPIDA E EFICIENTE DE PRODUTOS NATURAIS EM EXTRATOS BRUTOS POR RMN C10 EXTRAÇÃO DE METABÓLITOS POR MICRO-ONDAS:UMA NOVA VISÃO DOS QUÍMICOS DE PRODUTOS NATURAIS Em busca da próxima droga milagrosa: Técnicas para análises de produtos naturais, botânicos e nutracêuticos Nelilma Correia MODELAGEM MOLECULAR COMO FERRAMENTA PARA O ESTUDO DE Romeiro PRODUTOS NATURAIS BIOATIVOS C11 Hosana M. Debonsi Variações do metabolismo secundário de micro-organismos marinhos quando submetidos a experimentos de eliciação química e/ou epigenética C12 Fernando Batista da Costa ESTUDOS INTEGRADOS "IN VIVO", "IN VITRO" E "IN SILICO" NA BUSCA POR MATRIZES VEGETAIS E MOLÉCULAS BIOATIVAS C13 Erwan Plouguerné C14 THE BROWN ALGA Sargasssum vulgare: A SOURCE OF GLYCOLIPIDS WITH POTENTIAL BIOTECHNOLOGICAL APPLICATIONS Massuo J. Kato MEROTERPENOS E POLICETÍDEOS DE PEPEROMIAS C15 Milton M. Kanashiro COMPOSTOS COM ATIVIDADE ANTINEOPLÁSICO: MODELOS IN VITRO E IN VIVO DE AVALIAÇÃO C16 Selma Ribeiro de Paiva C17 Denise Oliveira A CONTRIBUIÇÃO DOS FUNGOS ENDOFÍTICOS NA BUSCA DE Guimarães MOLÉCULAS BIOATIVAS ESPÉCIES VEGETAIS: ALTERNATIVAS PARA O CONTROLE DE INSETOS II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 1 THE SEARCHING OF BIOACTIVE COMPOUNDS FOR HEALTH, CROP PROTECTION AND HUMAN WELFARE Fernando Echeverri [email protected] Group of Organic Chemistry of Natural Product (GOCNP), Professor Universidad de Antioquia, and Consultan of ECOFLORA (Colombia) and Sustainable Agro Solutions-SAS (Spain), Medellin-COLOMBIA Keywords: Bioactive Metabolites-Health- Crops-Cosmetic- Foods Mother Nature is not a good mother, since the poorest countries have high incidence of several diseases, such as malaria, leishmaniasis, trypanosomiasis, tuberculosis and others caused by viruses; they are responsible for several millions of deaths each year, especially in children. In addition, reduced available drugs, resistance, migration, uncompleted treatments and climatic changes, increases this health problem. Besides these human diseases, crop production is threatened by microorganisms and continuous application of millions tons of biocide synthetic molecules, are necessary to protect them, with increased cost production and secondary and toxicological effects for the environment and human health. However, also Mother Nature is a good mother, since supplies solutions from the biodiversity richness, and provide to humankind of natural molecules to cure human, animal and plant diseases, as well as ingredients for human welfare. In the search of these bioactive compounds, the isolation, identification and transformation of natural products against some parasite, flu virus and reactivating HIV virus, has been carried out. Concerning to crop protection, throughout knowledge of the plant biochemistry and its relationships with pathogenic microorganisms, a new class of molecules, known as Protectants, were developed. The mechanism of action involves the activation of the plants own natural defenses, without biocide effects and result has been applicable in banana, coffee, flowers and prevention of postharvest losses. Finally, new colors and natural ingredients for food and cosmetic have been produced. Acknowledgments. To Universidad de Antioquia and COLCIENCIAS (Colombia), for financial support in the basic knowledge discovery and to my colleagues in the lab (GOCNP), profs W. Quiñones, F Torres, R. Archbold and G. Escobar, in addition to all graduate and undergraduate students, for valuable contributions and, mainly, for their patience with me. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 2 PRODUTOS NATURAIS NO BRASIL Maria Auxiliadora C. Kaplan II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 3 Cultura de tecidos aplicada a plantas medicinais Elisabeth Mansur O reconhecimento científico da eficácia terapêutica de muitos fitoterápicos e fitofármacos, associado à demanda por terapias naturais resultaram em um aumento do uso de plantas para fins medicinais. Entretanto, ao mesmo tempo, o número de registros de casos de contaminação e de reações adversas associadas ao uso de extratos vegetais tem aumentado significativamente. Estes efeitos são causados pela utilização de formulações inapropriadas e/ou pela falta de conhecimento das interações medicamentosas, além de, muitas vezes, ocorrerem adulterações ou contaminações do material por microorganismos, metais pesados ou toxinas. Consequentemente, cresce também o interesse no aprimoramento de estratégias que permitam a obtenção de material botânico com alta qualidade fitossanitária, disponibilizando matéria-prima uniforme e de forma contínua. Neste sentido, destaca-se a cultura de tecidos vegetais, que compreende técnicas de cultivo de células, tecidos ou órgãos em meio nutritivo sob condições assépticas e controladas de luminosidade e temperatura. As técnicas de cultura de tecidos fundamentam-se na totipotência, capacidade apresentada pela maioria das células vegetais, que podem ser induzidas a voltar ao estado meristemático, redefinir seu padrão de diferenciação celular e, dessa forma, dar origem a novos órgãos ou a uma planta completa. Estes processos de desdiferenciação e rediferenciação são induzidos in vitro principalmente pela suplementação dos meios de cultura com substâncias reguladoras de crescimento. Entre as técnicas de cultura de tecidos, a propagação in vitro ou micropropagação é a mais freqüentemente utilizada, consistindo na proliferação de plantas a partir de pequenos fragmentos de material botânico, denominados explantes, em resposta a estímulos adequados. A micropropagação pode ser alcançada por organogênese ou embriogênese somática, que podem ocorrer de forma direta, a partir de células do explante, ou indireta, quando o desenvolvimento de novos órgãos ocorre após a formação de uma massa desorganizada de células denominada calo. Calos que não apresentam capacidade morfogenética são também frequentemente utilizados para o estudo da produção de metabólitos especiais, juntamente com as culturas de células em suspensão, que são estabelecidas em meio líquido sob agitação. Outras técnicas in vitro incluem a cultura de órgãos, com destaque para a cultura de raízes, que são importantes fontes de metabólitos secundários e podem também ser utilizadas como fonte de explantes na micropropagação. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 4 ETNOFARMACOLOGIA X TRIAGEM RANDÔMICA NA BUSCA DE PLANTAS ATIVAS CONTRA O Mycobacterium tuberculosis. Suzana Guimarães Leitão [email protected] Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Ciências da Saúde, Bl. A, 2o andar, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. O Mycobacterium tuberculosis, bactéria causadora da tuberculose (TB), mata mais indivíduos em todo o mundo do que qualquer outro agente infeccioso sozinho Anualmente, estima-se que cerca de 54 milhões de pessoas se infectam com o M. tuberculosis; 8 milhões desenvolvem TB e 2 milhões morrem em todo o mundo devido a esta doença. O Brasil ocupa o 18º lugar no ranking dos 22 países onde se estima que ocorram 80% dos casos de TB do mundo (WHO, 2000). Estima-se, no Brasil, uma incidência de 129.000 novos casos por ano. Devido às características inerentes ao microrganismo, o tratamento da TB dispõe de um reduzido arsenal terapêutico, além do que se constitui num tratamento de longa duração (seis meses). A busca de inovações para a solução das limitações terapêuticas é prioritária para os programas de Saúde Pública de nosso continente de uma maneira geral, e do Brasil em particular. A pesquisa com plantas medicinais é considerada uma abordagem frutífera na busca de novos fármacos. Nos últimos 5 anos vários artigos surgiram na literatura sobre plantas medicinais e produtos naturais com ação antimicobacteriana (Okunade et al., 2004; Copp, 2003; Newton et al., 2002; Cantrell et al., 2001). Mais de 350 substancias pertencendo a diversas classes de produtos naturais, especialmente de origem vegetal, foram avaliadas quanto a essa atividade (Newton et al., 2002), sendo que várias delas mostraram-se ativas in vitro (Newton et al., 2002).Dessa forma, nosso grupo iniciou há algum tempo, um projeto de busca de atividade antimicobacteriana em extratos vegetais contra o Mycobacterium tuberculosis (ATCC-27294 H37Rv), através do ensaio in vitro pela resazurina (Alamar Blue) (Franzblau et al., 1998). Nesse processo, combinamos as abordagens da etnofarmacologia e da triagem randômica na seleção de extratos vegetais para teste. Ate o momento, mais de 100 extratos brutos e partições (em hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol) obtidos de plantas brasileiras foram avaliados, numa concentração fixa de 100 g/ml. Vários extratos demonstraram atividade antimicobacteriana in vitro. O isolamento e identificação de metoxiflavonas, sesquiterpenos triquinânicos, triterpenóides e esteróides ativos dos gêneros Lippia, Lantana, Anemia e Struthanthus serão discutidos (Castellar et al., 2011; Pinto et al., 2009; Juliao et al., 2009). Serão discutidos resultados obtidos através de levantamentos etnobotânicos entre os quilombolas de Oriximiná, no estado do Pará (Oliveira, DR et al., 2011), e os comerciantes de plantas medicinais de feiras livres do Estado do Rio de Janeiro. Apoio: CNPq, FAPERJ, CYTED. 1. Cantrell CL, Franzblau SG, Fischer NH 2001. Antimycobacterial plant terpenoids. Planta Medica 67:685-694. 2. Copp, BR 2003. Antimycobacterial natural products. Nat. Prod. Rep. 20: 535-557. 3. Franzblau SG, et al. 1998. Rapid, low-technology MIC determination with clinical Mycobacterium tuberculosis isolates by using the microplate Alamar Blue assay. J. Clin. Microbiol. 36: 362-366. 4. Newton SM, et al. 2002. The evaluation of forty-three plant species from in vitro antimycobacterial activities; isolation of active constituents from Psoralea corylifolia and Sanguinaria Canadensis. J. Ethnopharmacology 79: 57-67. 5. Okunade AL,et al. Elvin-Lewis MPF, Lewis WH 2004. Natural antimycobacterial metabolites: current status. Phytochemistry 65: 1017-1032. 6. WHO 2000, WHO Tuberculosis Fact Sheet 2000; No. 104. 7. Castellar, A. et al. 2011. The activity of flavones and oleanolic acid 1 from Lippia lacunosa against susceptible and resistant Mycobacterium tuberculosis strains Rev. Bras. Farmacogn. 21(5): 835-840. 8. Pinto, SC et al. 2009. Analysis of the Chemical Composition and Antimycobacterial Activity of the Essential Oil from Anemia tomentosa var. anthriscifolia (Pteridophyta). Natural Product Communications. 4, p.1675 - 1678. 9. Julião, LS et al. 2009. Essential Oils from two Lantana species with Antimycobacterial Activity. Natural Product Communications. 4, 1733 - 1736. 10. Oliveira, DR, et al., 2011. Ethnopharmacological versus random plant selection methods for the evaluation of the antimycobacterial activity. Rev. Bras. Farmacogn. 21, 793 - 806. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 5 A IMPORTÂNCIA DA DETERMINAÇÃO ESTRUTURAL EM PESQUISAS DE PRODUTOS NATURAIS. Mário Geraldo de Carvalho [email protected], [email protected]; Núcleo de Pesquisas de Produtos Natuais, Bloco H, CCS-UFRJ, Ilha do Fundão, Rio de Janiro-RJ; PPGQ-Dpto de Química-ICE-UFRRJ, BR 465 Km 07, Seropédica-RJ Palavras-chave: Metabolitos especiais, Determinação estrutural, aplicação e uso de metabolitos especiais Apesar das polêmicas lançadas na mídia sobre a importância e/ou o futuro da Química de Produtos Naturais, muitas vezes proveniente de insinuações de alguns com interesses duvidosos, percebe-se um crescente aumento da valorização dos trabalhos executados por profissionais de PN por pesquisadores de outras áreas de conhecimento. Esses profissionais muitas vezes dependem da habilidade do profissional da química (QPN) para o conhecimento da estrutura de substâncias naturais relacionadas com os efeitos ou propriedades da matéria natural utilizada em seus trabalhos. A Química de Produtos naturais esta inserida na maioria dos trabalhos que se relacionam com a biodiversidade. Executados por profissionais que procuram desvendar, científicamente, os mistérios e informações da humanidade a partir de sua relação/entendimento da natureza. Dentro deste contexto, serão apresentados exemplos das diversas linhas de pesquisas relacionadas com a QPN sendo dependentes do conhecimento das estruturas das substâncias. Estruturas essas que provem da habilidade e criatividade do profissional precursor da química orgânica, o criador de desafios para o químico sintético. Serão relacionadas considerações sobre identificação, determinação e elucidação estrutural de metabolitos especiais; exemplo de estudo sistemático (um tributo a Dr Otto R. Gottlieb); a importância do conhecimento das estruturas em pesquisas de caráter multidisciplinar como as atividades da Química Medicinal que passa pela modelagem molecular e entendimento de mecanismos de ação de drogas; a exploração econômica muitas vezes a mercê do entendimento da química do produto; e um destaque das técnicas/metodologias atuais utilizadas ou cobiçadas pelos profissionais da química. Neste caso o exemplo do uso das técnicas analíticas para identificar o conhecido (proveniente dos trabalhos prévios do QPN) e tirar conclusões sobre diferentes objetivos (metalolômica); um exemplo de trabalhos de revisão com senso crítico sobre a importância do profissional de QPN. Como mensagem conclusiva, a consideração que a viabilidade do uso de qualquer material de fonte natural em aplicação com atividade biológica ou medicinal ou para entendimentos relacionados a biodiversidade passa pelo conhecimento das estruturas dos seus constituintes Químicos. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 6 EXTRAÇÃO DE METABÓLITOS POR MICRO-ONDAS:UMA NOVA VISÃO DOS QUÍMICOS DE PRODUTOS NATURAIS Ivana Correa Ramos Leal [email protected] Universidade Federal do Rio de Janeiro- Rua Aloísio da Silva Gomes, N.º50, Granja dos Cavaleiros- Macaé- Rio de Janeiro- Brasil Palavras-chave: Extração, espécies vegetais, micro-ondas, produto naturais. Nos últimos anos tem ocorrido uma crescente demanda por novas tecnologias verde de processo de extração de constituintes químicos vegetais, almejando redução de impactos ambientais e custos. Como conseqüência, tecnologias auxiliares como irradiação por microondas (MO) têm sido utilizadas para aumentar a eficiência de processos extrativos. Extração assistida por microondas (EAM) é uma nova técnica de extração que associa MO e a extração tradicional com ou sem solvente. Estudos mostram que EAM possui muitas vantagens como: menores tempos reacionais e teor de solvente, maiores taxas de extração e melhores produtos com um menor custo. Atualmente, cerca de 1000 e 500 artigos têm sido publicados, respectivamente, no que concerne a síntese e extração em MO. A técnica de Soxhlet, por ex, pode requisitar algumas horas, às vezes mais do que 20h, enquanto que EAM requer apenas alguns min. Comparada a extração em fluido supercrítico, o equipamento para EAM é mais simples e barato e pode ser usado com mais materiais e menores limites da polaridade. Com estes objetivos, avanços na extração por MO têm resultado em: técnicas como: extração com solvente assistida por MO (ESAM), hidrodestilação á vácuo por MO (HDVM), destilação por MO sob ar comprimido (DMAC), hidrodestilação por MO livre de solvente (HMLS), entre outras. A presente palestra propõe uma discussão correlacionando as tecnologias de extração de produtos naturais por MO com métodos convencionais. Realizamos uma bibliometria utilizando a fonte do PubMed considerando o termo: extração assistida por micro-ondas. Entre 1994-2010 ocorreu um aumento substancial no número de artigos publicados na área de produtos naturais, sendo identificados os fenólicos como a classe química mais extraída (47%), seguida pelos constituintes voláteis e terpenos. Em trabalho realizado por nosso grupo, o extrato etanólico de frutos de P. granatum obtido por maceração de 2 dias foi utilizado como padrão comparativo ao processo utilizando o reator de MO. Foram adotadas diferentes condições de temperatura (50, 70, 100, 125 e 150 ºC), tempo (15, 30, 60 e 120 min) e proporções entre soluto e solvente: 1:5; 1:10 e 1:20. A análise das concentrações dos padrões punicalina (PN) e punicalagina (PG) nos diferentes extratos foi realizada utilizando uma curva de calibração. Foi observado que extrações sob irradiação de MO por 2h, utilizando a proporção soluto: solvente 1:10 (70ºC) obteve-se a maior concentração de PN e 1:20 (50ºC) para PG, o tanino bioativo. Comparadas com o macerado (1:10) ambos obtiveram maior rendimento dos taninos. Um estudo cinético pautado nos melhores resultados foi realizado para otimização das concentrações de PG, sendo observado que, em 1h e 30min obteve-se a maior concentração. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 7 Em busca da próxima droga milagrosa: Técnicas para análises de produtos naturais, botânicos e nutracêuticos Marc Yves Chalom [email protected] Dionex Brasil Instrumentos Científicos Ltda. Rua Grauçá, 389 - CEP: 05626-020 - São Paulo – SP Palavras-chave: cromatografia, detector universal, nutracêuticos, farmacêuticos, instrumentação. LIVRE: Devido à diversidade molecular encontrada na natureza, a botânica representa uma fonte rica de produtos farmacêuticos e nutracêuticos. Muitos dos bioativos fitoquímicos potencialmente importantes apresentam desafios analíticos, pois são encontrados em pequenas quantidades e em amostras complexas, tornando difícil a detecção dos mesmos. Isso se dá devido à deficiência de absorção quando se utiliza o método de HPLC/UV (Sistema de detecção por Ultra Violeta ligado a um HPLC) e à disponibilidade de padrões para a quantificação. A Espectrometria de Massa é útil para a identificação dos produtos, mas não é facilmente adaptável à rotina analítica e a quantificação pode ser trabalhosa. Neste seminário, serão apresentadas duas formas de detecção para HPLC. O Detector CAD® - Charged Aerosol Detector que possui melhor sensibilidade e reprodutibilidade do que outros detectores universais e fornece uma maior faixa de calibração. Muitos produtos fitoquímicos são eletricamente ativos e podem ser quantificados em baixos níveis de concentração através de um HPLC com detecção eletroquímica. Serão apresentadas aplicações com o uso destas técnicas para a determinação de analitos específicos em suplementos botânicos e dietéticos, incluindo o uso de perfil de metabólitos com reconhecimento de padrões, utilizando detecção eletroquímica serial. Principais objetivos de aprendizagem: Tendências em análise de produtos naturais Como o detector CAD funciona e como é usado para análise de produtos naturais Como detector eletroquímico serial funciona e é usado para análise de produtos naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 7 Palestra 8 RED TIDE TOXINS:STRUCTURE, MODE OF ACTION AND BIOSYNTHESIS Manuel Norte Martín Instituto Universitario de Bio-Orgánica "Antonio González", Universidad de La Laguna, Tenerife, Espanha. Among over 5000 known species of marine phytoplankton, about 300 species can sometimes proliferate in such numbers that they discolour the surface of the sea, the so- called red tides and brown tide phenomena. Only about 40 of these species have the capacity to produce potent toxins that can find their way through fish and shellfish to humans (Sournia et al., 1991). When the conditions of temperature, light, nutrients and water salinity are appropriate, the cysts germinate causing a swimming cell that reproduces by simple division within a few days. If the conditions remain optimal, cells will continue growing exponentially, so from one cell up to 6000 ± 8000 cells can be produced in a week. When the appropriate environmental conditions are no longer available, cells develops into a new cyst which falls to the ocean bottom, ready to germinate when conditions permit (Anderson et al., 1995).According to the symptoms observed in human intoxications by the secondary metabolites produced by microalgae, it is possible to consider six illnesses caused by groups of marine toxins: Paralytic Shellfish Poisoning (PSP), Ciguatera Fish Poisoning (CFP), Diarrhetic Shellfish Poisoning (DSP), Neurotoxic Shellfish Poisoning (NSP), Amnesic Shellfish Poisoning (ASP) and Azaspiracid Poisoning (AZP). In general, the comprehensive study of each of the groups of toxins have three components: isolation and identification of all the toxins of the group study; studies on the mode of action of these toxins and, finally, studies of the biosynthesis of these compounds. Among the different types of red tides, one of the most interesting groups is known as Dhiarrethic Shellfish Poisoning (DSP), which by the nature of effect produced (gastroenteritis), was that most time took to identify it as a red tide phenomenon, which delayed the start of their studies These toxins are produced by dinoflagellates of the genera Prorocentrum and Dinophysis, although only species of Prorocentrum are susceptible of being grown artificially in the laboratory. This conference will present the results that have been achieved in the laboratories of IUBO in La Laguna with two species of these dinoflagellate: P. lime and P. belizeanum.. In the first section we present the results obtained from the chromatographic studies on both cell extract of dinoflagellates, and the culture medium. extract. In the second section will present the results of theoretical and experimental studies of the mode of action of toxins on its biological target, and finally, in the third section will be showed the biosynthetic experiments and the approach to the biosynthetic pathway of this group of toxins. Referências Hallegraeff, G.M., 1995. Harmful algal blooms: a global overview. Hallegraeff, G.M., Anderson, D.M., Cembella, A.D. (Eds.). Manual on Harmful Marine Microalgae. IOC Manuals and Guides 33, UNESCO, pp. 1±22. A. H. Daranas, M. Norte, J. J. Fernández, Toxicon, 39 , 2001, 1101-1132. A. H. Daranas, P. G. Cruz, A. H. Creus, M. Norte, J. J. Fernandez, Org. Lett. 2007, 9, 4191 – 4194. P. G. Cruz, A. H. Daranas, J. J. Fernandez, M. Norte, Org. Lett. 2007, 9, 3045–3048. P.G. Cruz, J.J. Fernandez, M. Norte, A.H. Daranas, Chem. Eur. J. 2008, 14, 6948 – 6956. Jose G. Napolitano, J.J. Fernandez, Jose M. Padrón, M. Norte, A.H. Daranas, Angew. Chem. Int. Ed. 2009, 48, 769 799. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 8 Palestra 9 ESTRATÉGIAS PARA A IDENTIFICAÇÃO RÁPIDA E EFICIENTE DE PRODUTOS NATURAIS EM EXTRATOS BRUTOS POR RMN Luzineide W. Tinoco [email protected] Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária – CCS - Bloco H, Rio de Janeiro 21941-902, RJ, Brasil Palavras-chave: CLAE-RMN, DOSY, Camellia sinensis (chá verde), Flavonoides A RMN de 1H vem sendo usada como a técnica analítica de escolha nos estudos metabolômicos, já que requer pouco ou nenhum tratamento amostra, tem uma relação custobenefício bastante razoável e é imparcial, rápida, robusta, reprodutível, quantitativa, não seletiva e não destrutiva. Apesar da RMN não ser tão sensível quanto outras técnicas, ela pode fornecer uma quantidade significativa de informações com quantidades bem pequenas de amostra. A evolução da RMN tanto no aumento dos campos magnéticos, quanto no desenvolvimento de diferentes técnicas multidimensionais e de pseudo-separação dos sinais, tem possibilitado uma maior simplificação espectral, com cada vez menos quantidade de amostra. As técnicas de pseudo-separação dos sinais são baseadas nos tempos de relaxação e coeficientes de difusão moleculares, de forma que os sinais de moléculas com mobilidades diferentes possam ser separados e identificados. Embora esta estratégia venha sendo usada com sucesso na análise de fluídos biológicos (urina, soro, células e tecidos), de células inteiras, de alimentos e preparações farmacêuticas, ainda são poucos os exemplos na literatura desta aplicação sobre produtos naturais. Lamentavelmente, a Natureza raramente apresenta seus resultados sob a forma de substâncias puras e as etapas de extração e purificação de componentes de misturas complexas têm ocupado a maior parte do tempo e dos esforços para a identificação de produtos naturais. Nosso desafio será mostrar como a RMN tem potencial para contribuir e acelerar as pesquisas na identificação de produtos naturais em extratos brutos. Para isto, iremos apresentar como a RMN de 1H e a CLAE-RMN foram usadas para a identificação das catequinas e de outros componentes majoritários do chá verde (Camellia sinensis) de diferentes origens, visando avaliar se há alguma variação de sua composição relacionada à sua região de procedência. A infusão de chá verde é consumida em muitas regiões do mundo desde antiguidade. Este chá apresenta propriedades farmacológicas como, antioxidante, antiviral, anti-inflamatório, anticarcinogênico, etc. e na prevenção de doenças cardíacas e contribui para a diminuição do peso corporal. Com o uso da RMN diretamente dos extratos brutos de chá verde foi possível identificar e obter informações estruturais e de degradação das principais catequinas e dos demais componentes presentes nestes chás sem a necessidade de isolamento. Além disso, foi possível identificar que o chá adquirido a granel não é chá verde, visto que não apresentou os marcadores químicos característicos e que estes chás sofrem um processo de degradação quando permanecem em solução por mais de 15 dias. As técnicas DOSY e CLAE-RMN também foram usadas com sucesso na identificação dos óleos essenciais e dos flavonoides presentes no extrato metanólico bruto das inflorescências de Piper claussenianum e no extrato etanólico de Utricularia gibba. Nesta última, os flavonoides astragalina e luteolina, identificados por CLAE-RMN, foram posteriormente isolados, corroborando com os dados previamente observados. Estes resultados mostram como a aplicação das técnicas de RMN e CLAE-RMN podem ser instrumentos valiosos na identificação rápida de constituintes majoritários em extratos brutos de plantas. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 9 Palestra 10 MODELAGEM MOLECULAR COMO FERRAMENTA PARA O ESTUDO DE PRODUTOS NATURAIS BIOATIVOS Nelilma Correia Romeiro [email protected] Universidade Federal do Rio de janeiro - Campus Macaé – RJ Laboratório Integrado de Computação Científica (LICC)- NUPEM-UFRJ Av São José do Barreto. s/no São José do Barreto - Macaé, RJ. CEP: 27971-550. Palavras-chave: Modelagem Molecular, Produtos Naturais, Bioativos Na química medicinal moderna, estudos de modelagem molecular com as biomacromoléculas-alvo podem auxiliar na proposição de novos derivados funcionais e análogos sintéticos de produtos naturais e outras micromoléculas obtidas por síntese orgânica, sendo de extrema valia por suas características multidisciplinares. Nesse contexto, o ancoramento molecular tem sido aplicado à descoberta de novos ligantes de alvos terapêuticos validados, partindo, por exemplo, da triagem virtual em um banco de dados de estruturas moleculares tridimensionais selecionadas (ligantes). Esta ferramenta tem revelado novos arcabouços moleculares de origem sintética e de produtos naturais, assim como tem auxiliado na otimização da atividade de compostosprotótipos, aumentando a afinidade e a especificidade entre receptor e ligante. Adicionalmente, estudos de dinâmica molecular (DM) dos complexos ligante-biorreceptor obtidos na etapa de ancoramento molecular têm sido usados com sucesso em programas de planejamento de moléculas bioativas, gerando uma análise mais aprofundada da dinâmica das interações intermoleculares, assim como da estabilidade das mesmas. Finalmente, nesta apresentação serão demonstrados diversos exemplos de aplicações das técnicas supracitadas reportados na literatura e desenvolvidos no Laboratório Integrado de Computação Científica (LICC) no Campus da UFRJ-Macaé, envolvendo a descoberta e planejamento de novas substâncias bioativas, originadas de produtos naturais. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 10 Palestra 11 Variações do metabolismo secundário de micro-organismos marinhos quando submetidos a experimentos de eliciação química e/ou epigenética Hosana Maria Debonsi [email protected] Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto – USP Avenida do Café s/n, Monte Alegre, CEP 14040903, Ribeirão Preto - SP Palavras-chave: micro-organismos marinhos, produtos naturais, eliciação química e/ou epigenética A descoberta de novas substâncias bioativas tem encorajado pesquisadores de produtos naturais a propor novos estudos com abordagens ainda pouco exploradas. Neste contexto, o interesse pela efetivação de estudos químicos e biológicos de organismos marinhos vem aumentando a cada ano, superando as expectativas, os quais, muitas vezes já vêm sendo realizados por meio de experimentos mais elaborados. Como exemplo, podemos destacar o crescimento de micro-organismos submetidos a eliciadores químicos e ou epigenéticos. Além disso, através de estudos que visam à elucidação das vias responsáveis pela síntese de moléculas exclusivas, estamos adquirindo insights a respeito da manipulação de vias biossintéticas que poderão levar a produção deste metabólito em larga escala, sanando um dos maiores problemas a que o pesquisador de Produtos Naturais se depara. Na busca pela solução desta dificuldade, cianobactérias marinhas conhecidas por seu potencial biológico foram submetidas a experimentos de eliciação química e/ou epigenética. Os experimentos foram realizados estudando-se diferentes espécies de cianobácterias coletadas em várias localidades do mundo. A partir do estudo químico, extratos das espécies Oscillatoria sp.e Schizothrix sp. forneceram três moléculas inéditas e, a partir dos experimentos epigenéticos, a cianobactéria Lyngbya majuscula JHB, levou ao isolamento de três moléculas, Jamaicamida A, Jamaicamida B e Hectoclorina, todas isoladas em maior quantidade quando comparado ao controle, devido à eliciacao epigenética. Estes estudos foram realizados no Instituto Scripps de Oceanografia – UCSD, Califórnia – EUA, sob a orientação do Prof. Dr. William H. Gerwick, especialista na área de PN de cianobactérias marinhas. A partir da aprendizagem da técnica aplicada a cultivo de cianobactérias, as abordagens de eliciação química e/ou epigenética começaram a ser empregadas no Laboratório de Química Orgânica do Ambiente Marinho – NPPNS, na FCFRP-USP, visando à modulação do metabolismo secundário de fungos endofíticos marinhos. Avaliando-se quimicamente o fungo Phomopsis longicolla, isolado da macroalga Bostrychia radicans (coletada nos costões rochosos de Ubatuba-SP), foram isoladas as substâncias bioativas: ácido micofenólico, 18-deoxicitocalasina H e dicerandrol C, por meio de cultivo em meio sólido arroz. Em meio líquido, porém, não foi detectada a presença dos dois últimos metabólitos. Experimentos utilizando eliciadores (butirato de sódio e DMSO) resultaram no estímulo da provável produção de dicerandrol C, detectado por LC-MS e de outras substâncias não evidenciadas anteriormente. O fungo pertencente a família Xylariaceae teve seu metabolismo acelerado com a utilização dos eliciadores procaína e ácido valpróico, onde substâncias produzidas com 14 dias de cultivo em meio líquido, passaram a ser produzidas com 7 dias quando submetidas a eliciação. Penicillium decaturense apresentou seu metabolismo alterado com a utilização de butirato de sódio, ao revelar, por análises de CLAEDAD e LC-MS, a inibição da produção de substâncias majoritárias e estímulo de outras. Tanto Xylariaceae quanto P. decaturense foram linhagens isoladas da macroalga Bostrychia tenella (costões rochosos). Com esta nova técnica, outros fungos começarão a ser submetidos a estudos epigenéticos, como é o caso da espécie Xylaria sp. (isolada de B. radicans proveniente do Manguezal do Rio Escuro – Ubatuba-SP), a qual além de apresentar fenólicos com diferentes padrões de substituição no anel aromático, demonstrou interessante potencial antifúngico. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 11 Palestra 12 ESTUDOS INTEGRADOS "IN VIVO", "IN VITRO" E "IN SILICO" NA BUSCA POR MATRIZES VEGETAIS E MOLÉCULAS BIOATIVAS Fernando Batista da Costa [email protected] Universidade de São Paulo, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Av. do Café s/no, 14040-903, Ribeirão Preto, SP Palavras-chave: Desreplicação de matrizes vegetais, Bioensaios, Quimioinformática, Asteraceae. Nos últimos 15 anos, estudos multidisciplinares realizados pelo nosso grupo de pesquisas revelaram o potencial químico e farmacológico de diversas espécies vegetais nativas do bioma do cerrado. Como resultado, foi isolada mais de uma centena de produtos naturais, um quarto deles descritos pela primeira vez na literatura. Foram elaboradas uma biblioteca de substâncias puras e uma extratoteca. Muitas das substâncias e extratos foram testados em diferentes sistemas biológicos, tais como animais, células, enzimas, insetos, parasitas e microrganismos. A maior parte deste material é oriunda de espécies da família do girassol (Asteraceae). Com base nos dados obtidos até o momento e aplicando-se uma abordagem denominada “in combo”, a qual envolve estudos “in vivo”, “in vitro” e “in silico”, propõe-se um modelo para se explorar a biodiversidade do cerrado de forma integrada. Nesta apresentação, será mostrado como espécies medicinais podem ser selecionadas e terem suas ações biológicas e mecanismos de ação investigados através da integração de estudos fitoquímicos, computacionais e de bioatividade, ou seja, uma abordagem “in combo”. Utilizando-se esta abordagem, no âmbito da fitoquímica é possível obter perfis metabólicos de diferentes extratos e realizar sua desreplicação através de CLAE-UV-EM, ou então isolar, identificar e quantificar diferentes classes de metabólitos secundários. Um exemplo de aplicação envolvendo bioatividade que será apresentado é o estudo da ação tóxica e anti-inflamatória de espécies vegetais realizando-se ensaios “in vivo” com animais e “in vitro” em diferentes alvos moleculares e celulares para se tentar desvendar seus modos de ação através de uma visão integracionista. Os estudos “in silico” podem ser explorados aliando-se inteligência artificial, ferramentas de estatística e de quimioinformática para realizar modelagem e se obter modelos computacionais para investigar, por exemplo, a relação entre estrutura química e retenção cromatográfica ou atividade biológica, informatização de bancos de dados e automatização de tarefas com vistas a otimizar estudos posteriores. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 12 Palestra 13 THE BROWN ALGA Sargasssum vulgare: A SOURCE OF GLYCOLIPIDS WITH POTENTIAL BIOTECHNOLOGICAL APPLICATIONS Erwan Plouguerné1, Giulia Maria Pires dos Santos2, Claire Hellio3, Maria Teresa Villela Romanos4, Bernardo Antonio Perez da Gama1, Eliana Baretto-Bergter2. [email protected] 1 Laboratório de Produtos Naturais e Ecologia Química Marinha, Departamento de Biologia Marinha, Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói 24001970, Brazil 2 Departamento de Microbiologia Geral, Instituto de Microbiologia Paulo de Gáes, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), CCS, Caixa Postal 68040, 21941-590 Rio de Janeiro, RJ, Brazil 3 School of Biological Sciences, King Henry Building, University of Portsmouth, Portsmouth PO1 2DY, UK 4 Departamento de Virologia, Instituto de Microbiologia Paulo de Gáes, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), CCS, Caixa Postal 68040, 21941-590 Rio de Janeiro, RJ, Brazil aboratório de Produtos Naturais e Ecologia Química Marinha, Departamento de Biologia Marinha, Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói 24001-970, Brazil Keywords: Sargassum vulgare, glycolipids, antifouling, antiviral, biotechnology. The brown seaweed Sargassum vulgare is very abundant along the coast of Rio de Janeiro state. We collected this macroalga at Ilha de Itacuruca and the resulting lyophilized material was successively extracted with chloroform/methanol 2:1 and 1:2 (v/v). The crude lipid extract was partitioned according to Folch and the lower phase enriched in glycolipids was fractionated on a silica gel column chromatography eluted with chloroform, acetone and methanol. Four resulting fractions were separated. The antifouling activity of each fraction was evaluated via biautography using the marine biofouling bacteria Bacillus pumilus as a model. Fraction 3 and 4 when analyzed by thin layer chromatography showed orcinol-reactive bands with chromatographic mobilities corresponding to mono- and diglycosyldiacylglycerols and sulfoglycolipids. Further purification of fractions 3 and 4 was carried out using silica gel column chromatography. Several purified fractions were obtained and submitted to both antifouling and antiviral tests. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 13 Palestra 14 MEROTERPENOS E POLICETÍDEOS DE PEPEROMIAS Massuo J. Kato [email protected] Instituto de Química, Universidade de São Paulo, Av. Prof. Lineu Prestes, 748, 05508-000 São Paulo, SP mailto:[email protected] Palavras-chave: Piperaceae, PKS, policetídeos. O estudo metabolômico de espécies de Peperomia revelam espécies que produzem secolignanas (P. pellucida, P. blanda e P. glabella var nervulosa), meroterpenos baseados no ácido orselínico (P. arifolia, P. obtusifolia, P. urocarpa e outras) e ainda policetídeos do tipo acilfloroglucinol (P. trineura, P. glabella var Dietrich). Tentativas de caracterizar a origem biossintética dos ácidos orselínicos apontam para a possibilidade de serem originários de fungos endofíticos que foram isolados de várias espécies de peperomias (P. arifolia, P. urocarpa, P. glabella). Uma hipótese envolveria a biossíntese desses ácidos por fungos endofíticos, seguido por reações de prenilação pelas plantas. No caso de policetídeos de P. trineura e de P. glabella, os anéis de seis membros aromáticos ou não são semelhantes aos de espécies de Virola (Myristicaceae) e são de rara ocorrência na natureza. Nesse caso, estudos de relação estrutura-atividade vêm sendo realizados através da síntese de análogos e estudos de atividade antileucêmica. Os estudos de biossíntese indicaram a participação de PKS III do tipo chalcona sintase nessas espécies. (FAPESP, CAPES e CNPq) II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 15 COMPOSTOS COM ATIVIDADE ANTINEOPLÁSICO: MODELOS IN VITRO E IN VIVO DE AVALIAÇÃO Milton M. Kanashiro [email protected] Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – CBB / LBR. Av. Alberto Lamego, 2000. Campos dos Goytacazes - RJ Palavras-chave: Compostos de coordenação, apoptose, antineoplásicos. O câncer é considerado hoje um dos principais problemas mundiais de saúde, sendo uma das mais importantes causas de enfermidade e morte em humanos. Nos países industrializados o câncer se constitui como a segunda maior causa de mortes, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Para o ano de 2010, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) que também valerão para os anos de 2011 e 2012, serão notificados 489.270 novos casos da doença somente no Brasil. O tratamento quimioterápico desta enfermidade teve um grande avanço após a introdução da cisplatina durante a década de 1970. Contudo a quimioterapia ainda apresenta grandes limitações, principalmente pelos efeitos colaterais e ao desenvolvimento de resistência dos tumores aos fármacos, o que justifica a busca por novos fármacos para o tratamento desta doença. Compostos capazes de induzir morte celular nas linhagens celulares de origem neoplásica U937, Molt-4, THP-1, Jurkat, Colo 205, SK-MEL, B16-F10 e H460, foram selecionados a partir de dois grupos de compostos de coordenação de Fe e Cu e um grupo de isoquinolino quinonas. Como controle de células normais, foi utilizado células mononucleares do sangue periférico de indivíduos saudáveis, estimuladas com enterotoxina B de Staphyloccocus e tratadas com os compostos. A seleção inicial foi baseada no ensaio de viabilidade por MTT e liberação de LDH, seguida de avaliação do tipo de morte celular através da coloração com laranja de acridina e brometo de etídium. Sendo as análises morfológicas das células, tratadas com diversas concentrações dos compostos, feitas por microscopia de fluorescência. A confirmação de morte celular por apoptose foi realizada pela quantificação da população de células em sub-G1 por citometria de fluxo, sendo que para a linhagem celular B16-/F10 (melanoma murino resistente a cisplatina) quando tratada com o composto de Cu foi observado 90% das células em sub-G1, em contraste no tratamento com a cisplatina foi observado 60% das células em apoptose, ambos tratamentos na concentração de 400µM. Os compostos de coordenação de cobre e ferro foram capazes também de induzir a redução do potencial de membrana mitocondrial avaliada pelo marcador JC-1, bem como a liberação de citocromo C do compartimento mitocondrial para o citoplasma celular. Na avaliação da ativação das caspases envolvidas na morte celular por apoptose, foi verificada o aumento da caspase 9 envolvida na via intrínseca da apoptose e também a ativação das caspases efetoras 3 e 6. Estes dados sugerem que os compostos de coordenação induzem morte celular por apoptose pela via intrínseca com envolvimento das mitocôndrias. Em camundongos C57/B6 com melanoma induzidos com a linhagem celular B16-F10 e tratados com um dos compostos de Cu foi observado uma redução significativa da massa tumoral. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 16 ESPÉCIES VEGETAIS: ALTERNATIVAS PARA O CONTROLE DE INSETOS Selma Ribeiro de Paiva, Maria Carolina Anholeti da Silva, Denise Feder, Cícero Brasileiro Mello [email protected] Universidade Federal Fluminense, Depto de Biologia Geral, Instituto de Biologia, Outeiro de São João Batista s/n – Campus do Valonguinho, Centro, Niterói, RJ. Palavras-chave: Plantas, Produtos Naturais, IGR. As plantas representam uma enorme fonte de substâncias, muitas com potencial utilização na farmacologia, agronomia e outros campos de conhecimento humano. O Brasil é um país de grande riqueza botânica, com cerca de 56 mil espécies de plantas das 256 mil existentes no mundo, possuindo um grande potencial como fonte de substâncias biologicamente ativas (NAKATANI et al., 2004). Além da diversidade vegetal, o Brasil abriga também uma diversidade enorme de insetos, muitos dessas pragas agrícolas e vetores de diversas doenças. A necessidade de métodos mais seguros no controle de insetos tem estimulado a busca de novos princípios ativos de vegetais (VIEGAS-JÚNIOR, 2003). A busca de inseticidas e repelentes de origem vegetal tem sido estimulada pela necessidade de novos produtos que sejam eficazes, seguros e menos dispendiosos do que aqueles utilizados atualmente (DE PAULA, 2004). Dentre as diversas famílias descritas na literatura com ação inseticida e/ou repelente, pode-se citar as famílias Meliaceae (VIEGAS – JÚNIOR, 2003), Rutaceae (EZEONU et al., 2001), Poaceae (ANSARI e RAZDAN, 1995) e Lamiaceae (PATHAK et al., 2000), dentre outras. Substâncias que mimetizam ou antagonizam os principais hormônios de insetos (ecdisona e hormônio juvenil) ou que induzam uma diminuição ou interrupção da alimentação, foram identificadas em várias espécies vegetais. Além disso, os inseticidas naturais apresentam vantagens quando comparados aos sintéticos, uma vez que são rapidamente degradados, não deixando resíduos. As plantas com atividade inseticida podem causar diversos efeitos sobre os insetos, como repelência, inibição de oviposição e da alimentação, alterações no sistema hormonal, causando distúrbios no desenvolvimento, deformações, infertilidade e mortalidade nas diversas fases dos insetos. Estudos conduzidos entre os Laboratórios de Botânica e de Biologia de Insetos da Universidade Federal Fluminense têm demonstrado o efeito de substâncias puras, frações e extratos de espécies das famílias Clusiaceae e Menispermaceae frente aos insetos fitófagos Dysdercus peruvianus e Oncopeltus fasciatus e frente ao inseto vetor do vírus da dengue, Aedes aegypti. Dentre os efeitos de desequilíbrio endocrinológico que vêm sendo obtidos são citados, a morte de insetos em quinto estágio não completando a muda para adulto, presença de ninfas com deformações (má-formação de asas e cutícula enrugada) e morte de ninfas durante a ecdise com os insetos confinados dentro da cutícula antiga. Estes resultados são importantes do ponto de vista tecnológico em programas de manejo sustentável uma vez que Dysdercus peruvianus e Oncopeltus fasciatus são pragas agrícolas e também no âmbito da saúde pública, em se tratando de resultados frente ao mosquito transmissor da dengue, doença que tem acometido inúmeros brasileiros. Referências: 1. Ansari, M.A. & Razdan, R. K.1995. Repellent efficacy of various oils in repelling mosquitos. Ind. J. Malariol. 32( 3): 104-111. 2. Ezeonu, F.C.; Chidume, G.I.; Udedi, S.C. 2001. Insecticidal properties of volatile extracts of orange peels. Bioresource Technology 76: 273-274. 3. Nakatani, M.; Zhou, J.; Nakayama, N.; Nakatani, M.; Abdelgaleil, S.A.M.; Saad, M.M.G.; Huang, R.C.; Doe, M.; Iwagawa, T. 2004. Phragmalin limonoids from Chukrasia tabularis. Phytochemistry 65: 2833-2841. 4. Pathak, N.; Mittal, P.K.; Singh, O.P.; Sagar, V. & Vasudevan, P. 2000. Larvicidal action of essential oils from plants against the vector mosquitoes Anopheles stephensi Liston, Culex quinquefasciatus Say and Aedes aegypti L. Int Pest Control 42:53. 5. Viegas Júnior, C. 2003. Terpenos com atividade inseticida: uma alternativa para o controle químico de insetos. Quím. Nova 26 (3): 390-400. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 17 A CONTRIBUIÇÃO DOS FUNGOS ENDOFÍTICOS NA BUSCA DE MOLÉCULAS BIOATIVAS. Denise Oliveira Guimarães (PG)1. [email protected] 1 Laboratório de Produtos Naturais (LaProN), Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Macaé. Rua Alcides da Conceição, nº159-Novo Cavaleiros, Macaé-RJ.. Palavras-chave: micro-organismos endofíticos, metabólitos secundários, bioatividade, produtos naturais. Estudos na área de Química de Produtos Naturais têm voltado atenção para microorganismos simbiontes como uma fonte promissora na busca de moléculas com atividade biológica. Entre essas fontes podemos citar micro-organismos que vivem em associação simbionte com insetos, nematóides, organismos marinhos e também espécies vegetais. Fungos endofíticos são assim denominados por serem detectados em um momento particular associados à tecidos da planta hospedeira aparentemente saudável. O isolamento de fungos endofíticos a partir de uma planta saudável pressupõe-se uma relação simbiótica entre as espécies. A simbiose entre a planta e endofítico pode ser observada pela proteção, alimentação e transmissão do fungo que, em contrapartida, produz substâncias que aumentam o crescimento, reprodução e resistência do hospedeiro no ambiente. Porém, há a hipótese que a interação fungoplanta hospedeira seja caracterizada por um equilíbrio entre o poder de virulência do fungo e a defesa da planta. Caso esse balanço seja alterado, uma diminuição da defesa da planta ou aumento da virulência do fungo pode desenvolver-se. A diversidade química obtida a partir de fungos endofíticos contempla diversas classes químicas incluindo policetídeos, derivados do ácido chiquímico, terpenos, alcalóides e peptídeos. A literatura tem destacado a ampla diversidade de moléculas bioativas produzidas por endofíticos – atividade antitumoral, antimicrobiana, antiparasitária ilustrando o potencial destes micro-organismos em programas de prospecção na busca de novos produtos naturais bioativos. Além disso, os fungos endofíticos têm sido empregados como agentes de biotransformação valorizando sua utilização em processos biotecnológicos para a obtenção de moléculas que seriam dificilmente obtidas via síntese convencional em laboratório. Referências - Borges, W.S., et al. Curr. Org. Chem., 13: 1137-63, 2009. - Gunatilaka, A.A.L. J. Nat. Prod., 69: 509-26, 2006. - Kharwar et al., Nat. Prod. Rep., 28, 1208-28, 2011. - Pupo, M.T.; et al. Microbial natural products: A promising source of bioactive compounds. In: Modern Biotechnology in Medicinal Chemistry and Industry. Research Signpost. Editor: Carlton A. Taft, pp.197. Ed. Research Signpost, Kerala, Índia, 2006, p. 51-78. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Palestra 18 EXTRAÇÃO DE METABÓLITOS POR MICRO-ONDAS:UMA NOVA VISÃO DOS QUÍMICOS DE PRODUTOS NATURAIS Ivana Correa Ramos Leal [email protected] Universidade Federal do Rio de Janeiro- Rua Aloísio da Silva Gomes, N.º50, Granja dos Cavaleiros- Macaé- Rio de Janeiro- Brasil Palavras-chave: Extração, espécies vegetais, micro-ondas, produto naturais. Nos últimos anos tem ocorrido uma crescente demanda por novas tecnologias verde de processo de extração de constituintes químicos veget ais, almejando redução de impactos ambientais e custos. Como conseqüência, tecnologias auxiliares como irradiação por micro ondas (MO) têm sido utilizadas para aumentar a eficiência de processos extrativos. Extração assistida por microondas (EAM) é uma nova técnica de extração que associa MO e a extração tradicional com ou sem solvente. Estudos mostram que EAM possui muit as vantagens como: menores tempos reacionais e teor de solvente, maiores taxas de extração e melhores produt os com um menor custo. Atualmente, cerca de 1000 e 500 artigos têm sido publicados, respectivamente, no que concerne a síntese e extração em MO. A técnica de Soxhlet, por ex, pode requisitar algumas horas, às vezes mais do que 20h, enquanto que EAM requer apenas alguns min. Comparada a extração em fluido supercrítico, o equipamento para EAM é mais simples e barato e pode ser usado com mais materiais e menores limites da polaridade. Com estes objetivos, avanços na extração por MO têm resultado em: técnicas como: extração com solvente assistida por MO (ESAM), hidrodestilação á vácuo por MO (HDVM), destilação por MO sob ar comprimido (DMA C), hidrodestilação por MO livre de solvente (HMLS ), entre out ras. A presente palestra propõe uma discussão correlacionando as tecnologias de extraç ão de produtos naturais por MO com métodos convencionais. Realizamos uma bibliometria utilizando a fonte do P ubMed considerando o termo: ext ração assistida por micro-ondas. Entre 1994-2010 ocorreu um aumento substancial no número de artigos public ados na área de produt os naturais, sendo identificados os fenólicos como a classe químic a mais extraída (47%), s eguida pelos constituintes volát eis e terpenos. Em trabalho realizado por nosso grupo, o extrato etanólico de frutos de P. granatum obtido por maceração de 2 dias foi utilizado como padrão comparativo ao processo utilizando o reator de MO. Foram adotadas diferentes condições de temperatura (50, 70, 100, 125 e 150 ºC), tempo (15, 30, 60 e 120 min) e proporções entre soluto e solvente: 1:5; 1: 10 e 1:20. A análise das concent rações dos padrões punicalina (PN) e punicalagina (PG) nos diferentes extratos foi realizada utilizando uma curva de calibração. Foi observado que extrações sob irradiação de MO por 2h, utilizando a proporção soluto: solvente 1:10 (70ºC) obteve-se a maior concentração de PN e 1:20 (50ºC) para PG, o tanino bioativo. Comparadas com o macerado (1:10) ambos obtiveram maior rendimento dos taninos. Um estudo cinético pautado nos melhores resultados foi realizado para otimização das concentrações de PG, sendo observado que, em 1h e 30min obteve-se a maior concentraç ão. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentações orais Apresentações orais (O1-O13) O1 O2 O3 O4 O5 O6 O7 O8 O9 O10 O11 O12 O13 Camilla Dayane Ferreira Carvalho Adriana Lima de Sousa Fernanda Lacerda da Silva Machado William Romão Batista Tereza Auxiliadora Nascimento Ribeiro Thayssa da Silva Ferreira Fagundes Aline da Silva Rodrigues Caroline Vianna Velasco Castilho Rafael Ferreira da Silva Christian Ferreira Nathalia Peixoto Nocchi Isabela Francisca de Jesus Borges Costa Maíra Barcellos Marini Atividade antioxidante de extratos e flavonoides isolados de Vellozia kolbekii (Velloziaceae) LIGNANAS AND FLAVONOIDES ISOLADOS DE CUSCUTA RACEMOSA (CONVOLVULACEAE) POR CROMATOGRAFIA CONTRACORRENTE Sesquiterpenos em algas vermelhas da espécie Laurencia dendroidea do sudeste brasileiro ALGICIDAS INSPIRADOS EM ESPONJAS MARINHAS DO LITORAL DE ARRAIAL DO CABO - RJ. CONFIGURAÇÃO ABSOLUTA DO PEPTÍDEO CICLOZANTHOXYLANO A DE Zanthoxylum rigidum Reavaliação de métodos cromatográficos na purificação de curcuminoides. ESTUDO DE FUNGICIDAS RESIDUAIS EM ÓLEOS ESSENCIAIS CÍTRICOS NACIONAIS L. brasiliensis: LIPPIA OU LANTANA? Atratividade das substâncias (E)-2-decenal e (E)-2-dodecenal frente à oviposição do mosquito A. (Stegomyia) aegypti (L.). ATIVIDADE ANTI-Leishmania amazonensis DO RESVERATROL E SUA ASSOCIAÇÃO SINÉRGICA COM ANFOTERICINA B VARIAÇÃO NA PRODUÇÃO DE METABOLITOS SECUNDÁRIOS INTER E INTRAPLANTA DE Nymphoides indica ATIVIDADES IMUNOFARMACOLÓGICAS DA ESPÉCIE VEGETAL Schinus terebinthifolius RADDI ATIVIDADE ANTINEOPLÁSICA IN VITRO DO EXTRATO BRUTO E DOS SESQUITERPENOS HALOGENADOS DA ALGA LAURENCIA DENDROIDEA II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 1 Atividade antioxidante de extratos e flavonoides isolados de Vellozia kolbekii (Velloziaceae) Camilla Dayane F. Carvalho (IC)¹*, Carmelita G. Silva (PQ) 1, Ruy José V. Alves (PQ)2, Elis Cristina A. Eleutherio(PQ)3 e Claudia M. Rezende (PQ)4. [email protected] 1 Instituto Federal do Rio de Janeiro, IFRJ Campus Nilópolis, Rio de Janeiro. 2 Departamento de Botânica, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 3 Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 4Departamento de Química Orgânica, Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Palavras-chave: flavonóides, atividade antioxidante, velloziaceae. Saccharomyces cerevisiae, a fim de testar Introdução a capacidade de proteção do extrato e flavonoides no estresse oxidativo induzido A família Velloziaceae compreende por H2O2.2 aproximadamente 270 espécies e são encontradas na África Central e nos Resultados e Discussão países da América do Sul. No Brasil ocorrem principalmente no Cerrado. Suas espécies vegetais habitam solos arenosos e rochosos com baixa viabilidade de água e são caracterizadas por bioproduzir di, triterpenos, fitoesterois e flavonoides.1 Vellozia kolbekii é uma espécie nova e não há relatos de seu uso popular, portanto Figura 2: Flavonoides 1 (3,5,7,3’,4’-pentahidroxi-6-prenilflavonol) e 2 este trabalho tem como objetivo relatar seu (3,5,7,3’,4’-pentahidroxi-8-metil-6-prenilflavonol) isolados do extrato AcOEt de bainhas de V.kolbekii. estudo fitoquímico e atividade antioxidante in vitro e em células de levedura. Materiais e Métodos Foram preparados extratos em hexano, em acetato de etila e em etanol de folhas e bainhas da espécie em questão2. A atividade antioxidante in vitro de todos os extratos foi verificada pelo método de captura do radical livre DPPH. De acordo com os resultados, o extrato em AcOEt (B) de bainhas foi cromatografado. Extrato AcOEt de bainhas Coluna VLC Sílica C18 Sílica C18 CCD Fração 5 Sephadex LH 20 Figura 3: Teste de atividade antioxidante em células de levedura. EGb: Padrão de extrato de Ginkgo biloba, Q: Padrão de flavonoide (Quercetina), B: Extrato em AcOEt de bainhas de Vellozia kolbekii, 1: Flavonoide 1 e 2: Flavonoide 2. Conclusões O extrato em AcOEt de bainhas e os flavonoides isolados de V. kolbekii apresentaram atividade antioxidante. O flavonoide 2, 3,5,7,3’,4’-pentahidroxi-8metil-6-prenilflavonol, isolado do extrato acetato de etila de bainhas, é inédito na literatura.2 Agradecimentos Ao IFRJ – Campus Nilópolis e UFRJ HPLC Flavonóides 1 e 2 Figura 1: Fluxograma do isolamento dos flavonoides do extrato em acetato de etila de bainhas de V. kolbekii. Foram isolados dois flavonoides, os quais foram identificados por métodos físicos. A atividade antioxidante in vivo foi realizada usando como modelo a levedura II Jornada Fluminense de Produtos Naturais ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 SILVA, C. G. Aspectos químicos de Vellozia kolbekii Alves (Velloziaceae) e estudo das atividades antioxidante, citotóxica e antibacteriana.. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011. ² Silva, Carmelita G.; Carvalho, Camilla D.F.; et al. Protective effects of flavonoids and extract from Vellozia kolbekii Alves against oxidative stress induced by hydrogen peroxide in yeast. Journal Natural Medicine, 2011. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 2 LIGNANAS E FLAVONÓIDES ISOLADOS DE Cuscuta racemosa (CONVOLVULACEAE) POR CROMATOGRAFIA CONTRACORRENTE Adriana Lima de Sousa (PG)1*; Queitilane de Souza Sales (IC)¹; Kalyne Faria Porto (IC)¹; Ivo José Curcino Vieira (PQ) 1; Leda Mathias (PQ)1; Rodrigo Rodrigues de Oliveira (PQ)1 1 Laboratório de Ciências Químicas, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Avenida Alberto Lamego 2000, Horto, 28013-602, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. Palavras-chave: Cuscuta, Convolvulaceae, Cromatografia Contracorrente. estigmasterol e sitosterol como Introdução constituintes desse extrato. Já na fração O gênero Cuscuta está classificado nas em clorofórmio foram isolados, por CCCG, angiospermas e pertence à família utilizando sistema de solvente binário Convolvulaceae, consistindo em 175 constituído de Hexano: EtOAc:MeOH:H2O espécies que são distribuídas em todo o (1:2:1:1), os compostos fenólicos mundo com exceção da Antártica. As acuminatolídeo, pinoresinol, sesamina, espécies desse gênero são parasitas, pluviatilol, 9α-hidroxisesamina e 9βdesprovidas de clorofila, que utilizam suas hidroxisesamina. Enquanto que esta hautórias para penetrar tecidos mesma fração, quando submetida à fibrovasculares da planta hospedeira, para cromatografia clássica, permitiu o obter recursos orgânicos e inorgânicos.1 isolamento apenas da sesamina e do Espécies de Cuscuta apresentam algumas pluviatilol. Por fim, da fração em acetato de atividades farmacológicas tais como antietila por separação em CCCAP, utilizando úlcera2, anti-inflamatória3, antisistema de solvente binário constituído de bacteriana4,5,6, antioxidante7 e citotóxica8. A Hexano:EtOAc:MeOH:H2O (1:2:1:1), foram composição química da espécie C. isolados kampferol e quercetina. racemosa tem demonstrado a ocorrência de flavonóides, derivados de ácidos Conclusões hidroxicinâmicos e lignanas. Entretanto O perfil químico da Cuscuta racemosa estes compostos não são isolados demonstra que esta espécie é rica em facilmente pelas técnicas cromatográficas metabólitos secundários provenientes da tradicionais9. via metabólica dos fenilpropanóides. O uso Visto a importância da espécie C. da CCC na separação de produtos naturais racemosa (Convolvulaceae) este trabalho desta espécie mostrou que esta é uma foi desenvolvido com a finalidade de técnica de separação bastante versátil. contribuir para o conhecimento do seu perfil Além disso, a CCC é uma excelente químico. alternativa na resolução de problemas associados com a adsorção da fase sólida Materiais e Métodos e na preservação da integridade das O material botânico de Cuscuta racemosa substâncias separadas. foi coletado em abril de 2008, na cidade de São José de Ubá, Rio de Janeiro. Em Agradecimentos seguida foi submetido à secagem e CNPq, FAPERJ, UENF. extração com metanol. O extrato ----------------------------------metanólico foi particionado com hexano, Referências Bibliográficas: clorofórmio, acetato de etila e butanol e foi 1. Costea M. & Stefanović S.. American Journal of Botany . 96, 9, 1744-1750, 2009. submetido a diferentes tipos separação, por 2. Yen, et al. Journal of Ethnopharmacology, 111, técnicas cromatográficas.Todas as 1:123-128, 2007. substâncias isoladas foram elucidadas por 3. Suresh, et al. Journal of Ethnopharmacology, 134, RMN 1H, 13C, COSY, HMQC, APT e HMBC. 3: 872-877, 2011. Resultados e Discussão A partir da fração em hexano foi isolado por cromatografia em coluna clássica a lignana pluviatilol. Além disso, foram identificados por espectroscopia de massas, ácido hexadecanóico, sesamina, campesterol, II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 4. Bouzada, et al. Pharmaceutical Biology, 47, 1: 4452, 2009. 5. Ferraz, et al. Revista de Farmacognosia, 21,1: 4146, 2010. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 3 Sesquiterpenos em algas vermelhas da espécie Laurencia dendroidea do sudeste brasileiro Fernanda Lacerda da Silva Machado1,2 (PG), Lísia Monica Gestinari1 (PQ), Carlos Roland Kaiser1, Angélica Ribeiro Soares1. [email protected]; [email protected]. 1 Programa de Pós-Graduação em Química, IQ- UFRJ; 2Grupo de Produtos Naturais de Organismos Aquáticos (GPNOA), NUPEM/UFRJ, Brazil. Palavras-chave: terpenos, Rhodophyta, variação geográfica. diasteroisômero do descloroelatol (9), o ácido palmítico (5) e o colesterol (10). E finalmente, obteve-se o obtusol (4), o ácido palmítico (5) e o colesterol (10) a partir do extrato de Arraial do Cabo. Introdução As algas vermelhas do gênero Laurencia (Rhodomelaceae, Ceramiales) produzem grande variedade de substâncias, principalmente terpenos halogenados, de imenso potencial biotecnológico1. Tem sido observada uma variabilidade marcante na produção destas até quando são comparadas populações geograficamente próximas2. Entretanto, estudos avaliando esta diversidade nas populações do litoral brasileiro ainda são escassos. O objetivo deste trabalho foi isolar e identificar os principais constituintes químicos presentes nos extratos de Laurencia dendroidea provenientes de diferentes locais do litoral do sudeste brasileiro. Br Br HO Br Cl Cl HO H 1 3 2 Br Br OH Cl O 5 HO 4 Cl Cl Cl Br Br Br HO Br Br O 8 7 6 Materiais e Métodos Os extratos brutos de populações coletadas na Praia de Manguinhos (ES), Praia do Forno, Arraial do Cabo (RJ), Enseada do Biscaia, Angra dos Reis (RJ) e Praia Vermelha, Parati (RJ) foram obtidos por maceração em diclorometano. Estes foram então fracionados por cromatografia em coluna de sílica e por sephadex LH-20. As frações resultantes foram analisadas por Ressonância Magnética Nuclear de 1H e 13C e por Espectrometria de Massas. Resultados e Discussão A análise dos dados espectroscópicos dos componentes majoritários presentes nos extratos e a comparação com os dados da literatura permitiu a identificação de 10 substâncias, apresentadas na Figura 1. Do extrato de Parati e Angra dos Reis foram isolados os sesquiterpenos obtusano (1), triquinano (2), elatol (3) e obtusol (4) juntamente com o ácido palmítico (5). Da população de Manguinhos, obteve-se o obtusol (4), cartilagineol (6) e sua respectiva enona (7), o obtusano (1) em mistura com o nidificeno (8), o II Jornada Fluminense de Produtos Naturais H Br H HO H 9 H HO 10 Figura 1: Substâncias isoladas de L. dendroidea do litoral do sudeste Conclusões O fracionamento dos extratos resultou no isolamento de 10 substâncias. Destas, o ácido palmítico e o obtusol foram isolados de todas as populações. Os dados obtidos demonstram a variação na produção de metabólitos majoritários nas diferentes populações de L. dendroidea do litoral do sudeste. Agradecimentos À CAPES, CNPQ, FAPERJ, FINEP E Petrobras. ----------------------------------Konig, G.M.; Wright, A.D.; Sticher, O.; Angerhofer, C.K.; Pezzuto, J.M. Planta Medica 1994, 60, 532. 2 Machado, F.L.S.; Kaiser, C.R.; Costa, S.S.; Gestinari, L.M.; Soares, A.R. Revista Brasileira de Farmacognosia 2010, 20(3), 441. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 4 ALGICIDAS INSPIRADOS EM ESPONJAS MARINHAS DO LITORAL DE ARRAIAL DO CABO - RJ. William Romão Batista (IEAPM)1*, Maria Helena Campos Baeta Neves (IEAPM) 1, Ricardo Coutinho (IEAPM)1 , Rosangela Sabbatini Capela Lopes (UFRJ) 2, Cláudio Cerqueira Lopes (UFRJ)2. E-mail contato: [email protected]. Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira – IEAPM. MB. Rua Kioto, 253, Praia dos Anjos. Arraial do Cabo- RJ. 2 Laboratório de síntese e análise de produtos estratégicos - Instituto de Química –UFRJ. Cidade Universitária – Instituto de Química. Sala 508. bloco A. 1 Palavras-chave: glicerofosfocolina; algicida; esponja marinha. Introdução Este trabalho tem como objetivo avaliar a ação algicida produzida por substancias sintetizadas tendo como base lysoglicerofosfocolinas isoladas de esponjas marinhas (Butler et al., 1996; Muller et al., 2004; Genim et al., 2008; Ivanisevic et al., 2011). A síntese empregada produziu uma mistura de diferentes lyso-glicerofosfocolinas, as quais foram identificadas pelo uso de técnicas de cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas seqüencial. Na avaliação da ação algicida foram utilizadas três espécies de microalgas representativas dos principais grupos de organismos formadores do biofilme marinho: Tetraselmis striata; Dunaliella tertiolecta e Skeletonema costatum, sendo a ação algicida do produto de síntese comparada àquela conseguida com o uso de sulfato de cobre. Materiais e Métodos O procedimento de síntese consistiu de uma metanólise de lecitinas de soja (matéria-prima) e produziu uma mistura de diferentes glicerofosfolipídios que foram caracterizados pelo uso de cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massas seqüencial com analisador tipo iontrap (HPLC-ESI-MSn). Na avaliação das performances algicida, os glicerofosfolipídios sintetizados foram testados contra o crescimento de microalgas marinhas, sendo sua ação algicida comparada àquela alcançada pelo sulfato de cobre (controle). Os experimentos foram realizados em triplicata, onde 15ml de meio de cultura Conway inoculados com 5x105cel/ml das espécies de microalgas foram colocados em uma incubadora a 18ºC com ciclo de 12h luz /12h escuro. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão Quanto à inibição do crescimento celular verificou-se que a solução contendo o produto de síntese apresentou uma inibição superior àquela produzida pela do CuSO4, nos seguintes percentuais: 63 % sobre o crescimento da Diatomácea Skeletonema costatum; e 38 % sobre a Prasinofícea Tetraselmis striata, e estatisticamente igual sobre a Clorofícea Dunaliella tertiolecta, demonstrando assim, que o produto de síntese exibe bom nível de atividade algicida. Conclusões Conclui-se que o produto de síntese aqui avaliado, é uma alternativa econômicamente viável para composição de biocidas anti-incrustantes, apresentando-se como uma promissora perspectiva considerando sua fácil síntese e seu bom desempenho algicida. Agradecimentos Instituto de Estudos do Mar almirante Paulo Moreira (IEAPM). Fundação de Estudos do Mar (FEMAR). Marinha do Brasil (MB). ----------------------------------1 Butler, A.J.; van ALTENA, I.A. e DUNNE, S.J. Antifouling activity of lyso-platelet activating factor extracted from Australian sponge Crella incrustans. Journal of Chemical Ecology, v.22, n.11, p.2041-2061. 1996. 2 Muller, W.E.G. et al. Molecular/chemical ecology in sponges: evidence for an adaptive antibacterial response in Suberites domuncula. Marine Biology, v.144, p.19-29. 2004. 3 Genim, E.; et al. New trends in phospholipids class composition of marine sponges. Comparative Biochemistry and Physiology, Part B., v.150, p.427-431. 2008. 4 Ivanisevic, J. et al. Lysophospholipids in the mediterranean sponge oscarella tuberculata: seasonal variability and putative biological role. Journal of Chemical Ecology, v.37, p.537-545. 2011. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 5 CONFIGURAÇÃO ABSOLUTA DO PEPTÍDEO CICLOZANTHOXYLANO A DE Zanthoxylum rigidum Tereza A. N. Ribeiro (PG)*1, Letícia R. da Silva (IC)1, Rosane Nora Castro (PQ)1, Paulo T. Sousa Jr. (PQ)2, Mario G. de Carvalho(PQ)1,3 [email protected] 1Programa de Pós-Graduação em Química, ICE- Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR 465 KM 07, 23890-000-Seropédica-RJ, 2Laboratório de Pesquisa em Química de Produtos Naturais – Dpto. de Química, Universidade Federal de Mato Grosso, Av. Fernando Corrêa nº2367, 78060-900 Cuiabá-MT, 3Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Bloco H, CCS-UFRJ, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ. Palavras-chave: pentaciclopeptídeo, Zanthoxylum rigidum, reagente de Marfey, CLAE Introdução Há poucos registros de peptídeos cíclicos em espécies de Rutaceae, como por exemplo, a evolidina e citrusinas em espécies de Citrus e clausenaina I e clausenaina B em Clausena anisumolens1,2,3. Em trabalho anterior sobre estudo químico de Z. rigidum é descrito o isolamento e identificação de vários metabólitos especiais como flavonóides, lignanas, terpenos, etc., além de um novo peptídeo pentacíclico, nomeado como ciclozanthoxylano A, ciclo(-Phe-Gli-Ala1Leu-Ala2-)4,5. Neste trabalho é relatada a determinação da configuração absoluta dos aminoácidos deste ciclopeptídeo utilizando a metodologia de Marfey adaptada6. Materiais e Métodos O peptídeo ciclozanthoxylano A foi isolado após sucessivos fracionamentos cromatográficos do extrato metanólico das folhas de Z. rigidum. A elucidação estrutural do mesmo foi realizada através de técnicas de RMN 1D, 2D e LC-MS4,5. Para definir a configuração absoluta do peptídeo fez-se análise dos produtos de hidrólise e de padrões dos ácidos aminados com reagente de Marfey6. Hidrólise: o peptídeo (1 mg) foi dissolvido com 1 mL de HCl 6 N e submetido a aquecimento (110 ºC) por 14 h. Após resfriada, a solução foi seca e dissolvida em 100 L de água. Preparação e análise dos derivados: na preparação dos derivados seguiu-se a metodologia de Marfey6, reação com N-(5-flúor-2,4dinitrofenil)-L-alaninamida (L-FDAA). A análise foi efetuada por CLAE-DAD, em coluna C18 (25 cm x 4,6 mm x 5 m), usando como fase móvel um gradiente de MeCN e solução aquosa de CF3COOH (pH= 3,1) variando de 28 a 55% de MeCN, por 35 minutos. O fluxo foi mantido a 1 mL/min. e detecção em 340 nm. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão A análise dos picos dos cromatogramas dos produtos dos padrões de ácidos aminados (AA) e dos AA resultantes da hidrólise do peptídeo permitiu comparar os tempos de retenção dos diferentes produtos e definir a configuração absoluta do pentapeptideo ciclozanthoxylano A, estrutura abaixo: Gli L-Ala1 O H L-Phe H N N O O O NH ciclozanthoxylano A NH NH L-Ala2 O L-Leu Tempos de retenção do padrão (tr): Gli-LFDAA (9,30), L-Ala-L-FDAA (10,94) D-AlaL-FDAA (14,56), L-FDAA (15,51), L-Phe-LFDAA (26,92), L-Leu-L-FDAA (27,22), DPhe-L-FDAA (29,92), D-Leu-L-FDAA (30,83); peptídeo: Gli-L-FDAA (9,45), L-AlaL-FDAA (11,10), L-FDAA (15,79), L-Phe-LFDAA (27,11), L-Leu-L-FDAA (27,37). Conclusões Os tempos de retenção dos ácidos aminados L foram semelhantes aos obtidos com os produtos da hidrólise do peptídeo. Sendo assim, a estrutura foi definida como ciclo(-L-Phe-Gli-L-Ala1-L-Leu-L-Ala2-). Agradecimentos CAPES, CNPq, FAPERJ, CPP, FAPEMAT, INAU Referências Bibliográficas: 1 Wang, Y. et al., Helv. Chim. Acta, 88, 2005, 2345-2348. Wang, Y. et al.,J. Braz. Chem. Soc., 20, 2009, 478-481. 3 Morita, H. & Takeya, K. Heterocycles, 80, 2010, 739-764. 4 Ribeiro et al. Anais do 3rd BCNP, 2011. 5 Ribeiro et al. Helv. Chim. Acta , 2012, (aceito). 6 Marfey, P. Carlsberg Res. Commu., 49, 1984, 591-596. 2 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 6 Reavaliação de métodos cromatográficos na purificação de curcuminoides. Thayssa da S. F. Fagundes (IC),* Fernanda da S. Cardeal (IC), Karen Danielle B. Dutra (PG), Alessandra L. Valverde (PQ). Rosângela de A. Epifanio (PQ). *[email protected] Lapromar - Departamento de Química Orgânica - Instituto de Química – UFF Palavras-chave: Curcuma longa, curcuminoides, sílica impregnada. Introdução A cúrcuma (Curcuma longa L.), planta pertencente à família Zingiberacea, é utilizada na culinária de vários países devido a propriedades conservantes, coloração e sabor característico. Seu rizoma possui três principais constituintes não voláteis que são os seguintes pigmentos fenólicos: desmetoxicurcumina (1), bisdesmetoxicurcumina (2) e curcumina (3).1 Estudos sugerem que 3 possui propriedades antioxidante, anti-inflamatória, anticancerígena,2 antifúngica, além de potencial contra Alzheimer.3 A substância 3 é facilmente obtida por cristalização. No entanto, a purificação dos produtos minoritários 1 e 2 é mais elaborada envolvendo diversas etapas. Rasmussen e cols. afirmam que a impregnação de sílica com NaH2PO4 melhora a resolução dos curcuminoides, além de diminuir o efeito cauda.4,5 Apesar desta afirmação, não houve comparação entre o método descrito e aquele sem impregnação. Experimentos preliminares realizados em disciplinas experimentais nos revelaram que, aparentemente, o uso de bifosfato não alterava a resolução dos curcuminoides. Este trabalho tem como objetivo comprovar se realmente o uso de NaH2PO4 altera a eficiência da cromatografia na separação de 1-3, seja em camada delgada ou coluna. µm) impregnada ou não com solução de NaH2PO4 (5%),4 além de gradiente de CH2Cl2:AcOEt como fase móvel nas mesmas proporções citadas pelos autores. A eficiência dos métodos foi analisada por CCD utilizando CH2Cl2:MeOH (10:0,5) como eluente. A impregnação do bifosfato em CCD também foi testada imergindo as placas em NaH2PO4 aq. (5%), secando ao ar, e ativando por 30 minutos em estufa à 80oC. Resultados e Discussão A análise das frações das colunas por CCD não mostrou variação quanto à eficiência das duas colunas na separação dos curcuminoides 1, 2 e 3. Tanto o rendimento como as frações obtidas foram considerados iguais. Na cromatografia em camada delgada o efeito cauda foi ligeiramente menor na placa impregnada sem, no entanto, alterar a resolução entre os curcuminoides. Conclusões Conclui-se que a impregnação de sílica com NaH2PO4 não altera a eficiência do método cromatográfico para a purificação de curcuminoides. Já comparando as CCDs, mesmo com os ligeiros aspectos observados a favor da placa impregnada, esta não foi considerada de grande eficiência comparada à outra, pois suas diferenças foram pouco significativas. Agradecimentos CNPq, CAPES-REUNI Materiais e Métodos Na purificação através de cromatografia líquida à vácuo (CLV) utilizou-se 1g de extrato de cúrcuma para cada coluna e fezse pastilha com 2g de celite. Utilizou-se como fase estacionária sílica gel H (5 – 25 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais ----------------------------------1.Jayaprakasha, G. K.; Jagan, L.; Rao, M.; Sakariah, K. K. Trends in Food Science & Technology 2005, 16 (12), 533548. 2. Darvesh, A. S.; Aggarwal, B. B.; Bishayee, A., Current Pharmaceutical Biotechnology 2012, 13 (1), 218-228. 3. Pavuluri.G, Senthil Kumar. K, Hareesha. Ch, Madhuri. K and Swathi. K.V. International Journal of Pharmaceutical, Chemical and Biological Sciences 2011, 1(1), 48-56 4.Rasmussen, H. B.; Christensen, S. B.; Kvist, L. P.; Karazmi, A., Planta Medica 2000, 66 (4), 396-398. 5.Peret-Almeida, L.; Cherubino, A. P. F.; Alves, R. J.; Dufosse, L.; Gloria, M. B. A., Food Research International 2005, 38 (8-9), 1039-1044. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 7 ESTUDO DE FUNGICIDAS RESIDUAIS EM ÓLEOS ESSENCIAIS CÍTRICOS NACIONAIS Aline R. Silva1,2 (IC)*, Andréa A.R. Alves2 (PG), Humberto R. Bizzo3 (PQ), Claudia M. Rezende2 (PQ), Carmelita G. Silva (PQ)1 [email protected] Federal do Rio de Janeiro – IFRJ – Campus Nilópolis - RJ Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro - RJ. 3 EMBRAPA Agroindústria de Alimentos – RJ 1 Instituto 2 Palavras-chave: Resíduos fungicidas, óleos essenciais cítricos, CG-EM-MSI. T IC : T S C A N _ ~ 1 .D A b u n d a n c e 1 0 0 0 0 0 0 Introdução 9 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 Amostra em SCAN 7 0 0 0 0 0 Os óleos essenciais (OE) são largamente utilizados nas indústrias de cosméticos, farmacêutica e alimentícea1. O Brasil é um dos grandes exportadores de produtos agrícolas, principalmente óleos essenciais cítricos e é também um dos maiores consumidores de fungicidas, cuja função é destruir ou inibir a ação dos fungos2. Com isso, o Brasil tem buscado se adequar às normas de controle de resíduos de pesticidas, devido a grande cobrança do mercado internacional. Para tanto, o objetivo desse trabalho é investigar resíduos de fungicidas em óleos essenciais cítricos brasileiros. 6 0 0 0 0 0 1 3 .5 9 5 0 0 0 0 0 4 0 0 0 0 0 3 0 0 0 0 0 1 3 .3 5 2 0 0 0 0 0 1 3 .8 9 2 4 .3 6 1 0 0 0 0 0 1 71. 7 5 .28 1 T im e - - > 0 1 3 .0 0 1 4 .0 0 1 5 .0 0 1 6 .0 0 1 7 .0 0 T IC : 2 1 .7 9 1 8 .0 0 1 9 .0 0 T 1 S IM 1 ~ 1 .D 2 0 .0 0 2 1 .0 0 2 2 . 62 03 . 1 7 2 2 .0 0 2 3 .0 0 2 4 .0 0 A b u n d a n c e 1 3 .5 9 9 0 0 0 Amostra em SIM 8 0 0 0 7 0 0 0 6 0 0 0 5 0 0 0 4 0 0 0 3 0 0 0 2 0 0 0 2 2 .29 32 . 3 1 1 7 .5 2 1 0 0 0 T im e - - > 0 1 3 .0 0 1 4 .0 0 1 5 .0 0 1 6 .0 0 1 7 .0 0 1 8 .0 0 1 9 .0 0 2 0 .0 0 2 1 .0 0 2 2 .0 0 2 3 .0 0 Amostra dopada em SIM T IC : T A N G F1 C .D A b u n d a n c e 2 0 .0 9 1 3 .5 1 2 3 .3 5 9 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 7 0 0 0 0 0 0 6 0 0 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 0 4 0 0 0 0 0 0 Materiais e Métodos 3 0 0 0 0 0 0 1 7 .4 1 2 0 0 0 0 0 0 2 2 .8 5 1 0 0 0 0 0 0 0 T im e --> Foram investigados seis fungicidas sendo esses: carbaril, λ-cialotrina, ditianona, procloraz, tebuconazol e tiabendazol. Para análise de possíveis resíduos de fungicidas nos óleos cítricos, utilizou-se a técnica de cromatografia em fase gás acoplada à espectrometria de massas, usando uma coluna 5% de fenildimetilsiloxano. A análise se deu a partir dos tempos de retenção (tR) dos padrões de fungicidas, nos modos de análise de varredura total (SCAN) e de monitoramento seletivo de íons (SIM), usando íons característicos dos pesticidas. Para a confirmação dos tR’s, as amostras dos óleos essenciais foram dopadas com padrões de fungicidas. 2 0 .9 5 1 4 .0 0 Fungicida Carbaril 1 5 .0 0 1 6 .0 0 1 7 .0 0 1 8 .0 0 1 9 .0 0 Íons característicos (m/z) 115, 144 2 0 .0 0 2 1 .0 0 2 2 .0 0 2 3 .0 0 Tempo de retenção (min) 13.51, 17.41 Figura 1 - Cromatogramas do óleo essencial de tangerina com assinalamento de resíduo de fungicida carbaril. Conclusões Através desse trabalho, conclui-se que há evidências de fungicidas nos OE, o que faz necessário otimizar a metodologia, tornando possível a posterior quantificação dos resíduos de fungicidas nestes óleos essenciais cítricos. Agradecimentos Resultados e Discussão A título de ilustração, a figura abaixo mostra evidências do fungicida carbaril nos tR de 13,51 e 17,41min no OE de tangerina. Ainda é possível observar indícios do fungicida carbaril nos OE de bergamota e de laranja. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais A IFRJ-Nilopolis, UFRJ, FAPERJ e EMBRAPA Agroindustria de Alimentos (RJ). Ao CNPq e a CAPES pelo auxilio financeiro. ----------------------------------1 BIZZO, H.R, HOVELL, A.MC, REZENDE, C.M. Quím. Nova, 32, 3, 588, 2009. 2 Argentiere, R. Novíssimo receituário industrial. 4ª ed. São Paulo: Ícone, p. 411, 1992. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 8 L. brasiliensis: LIPPIA OU LANTANA? Caroline Vianna Velasco Castilho (PG)¹*, Nancy dos Santos Barbi (PQ)1, Fátima Regina Gonçalves Salimena (PQ)2, Suzana Guimarães Leitão (PQ)¹, Humberto Ribeiro Bizzo (PQ)3. [email protected] 1 Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Ciências da Saúde, Bloco A 2º andar, Ilha do Fundão - Rio de Janeiro, 21941-590, RJ – Brasil. 2 Departamento de Botânica, Instituto de Ciências Biológicas, UFJF, 33036330, Juiz de Fora, MG. 3 Embrapa Agroindústria de Alimentos. Avenida das Américas, 29501, Rio de Janeiro, 23020-470, RJ Palavras-chave: Lippia; Lantana; Verbenaceae; óleo essencial. Introdução Os gêneros Lippia e Lantana pertencem à família Verbenaceae sensu strictu, subfamília Verbenoideae e encontram-se muito proximamente relacionados, o que acarreta frequentes identificações errôneas em herbários (1). Lippia brasiliensis (Link) T. Silva, conhecida popularmente por camará branco (2), foi descrita no gênero Lantana sect. Sarcolippia por apresentar fruto com endocarpo espesso e mesocarpo tênue. A transferência para o gênero Lippia se justifica pela presença de frutos 2pirenados. Trabalho recente mostrou diferença entre a composição química do óleo essencial de espécies de Lippia e Lantana, sugerindo o sesquiterpeno βcariofileno como principal marcador químico de Lantana, seguido de βcubebeno, elixeno e β-felandreno (3). Tendo em vista que não há estudos químicos para L. brasiliensis, este trabalho objetivou investigar a composição química do óleo essencial de suas partes aéreas, por CG-DIC e CG-EM, visando contribuir para a taxonomia desta espécie. Materiais e Métodos O óleo essencial das partes aéreas de L. brasiliensis, coletadas em Juiz de Fora (MG), foi extraído em aparelho de Clevenger por 2h. A análise da composição química foi conduzida em cromatógrafo à gás acoplado a detector de ionização em chama (CG-DIC) e espectrômetro de massas (CG/EM) em sistema Agilent 5973N equipado com coluna capilar HP5MS (30m X 0,25mm X 0,25m). A temperatura do forno variou de 60 a 240ºC (3ºC/min). Injetou-se 1L de solução a 1% do óleo essencial com divisão de fluxo de 1:20 em injetor aquecido a 250ºC. O detector de massas foi operado no modo ionização eletrônica (70eV). Os índices de retenção lineares (IRL) foram calculados a partir da injeção de uma série homóloga de II Jornada Fluminense de Produtos Naturais n-alcanos, na mesma coluna e condições anteriores. Os espectros de massas foram comparados com dados de espectroteca Wiley e dados da literatura (4). Resultados e Discussão O óleo essencial de Lippia brasiliensis apresentou baixo rendimento (<0,1%), aspecto transparente e odor pouco aromático. Neste óleo foram detectadas 108 substâncias, cujos componentes majoritários foram linalol (4,2%), δ-elemeno (3,1%), β-elemeno (2,3%), β-cariofileno (16,4%), germacreno D (13,4%) e fitol (13,5%). Conclusões A análise do óleo essencial de L. brasiliensis sugere uma proximidade maior com as características até o momento descritas para espécies do gênero Lantana: baixo teor de óleo com predominância de sesquiterpenos ao invés de monoterpenos, destacando a presença de β-cariofileno como componente majoritário e marcador químico de Lantana. Agradecimentos CNPq e FAPERJ. ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹Silva, T.R.S. & Salimena, F.R.G. 2002. Novas combinações e novos sinônimos em Lippia e Lantana (Verbenaceae). Darwiniana. 40 (1-4): 57-59. 2 Corrêa, P.M. Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, V.I, 1926. 413 p. 3 Filho, J.G.S.; Xavier, H. S.; Filho, J. M. B.; Duringer, J. M. A chemical marker proposal for the Lantana genus: Composição of the essential oils from the leaves of Lantana rotula and L. canescens. Natural Product Communications. 5 (4): 635-640. 4 Adams, R.P. Identification of essential oils components by gas chromatography/mass spectrometry. 4th ed. Carol Stream, USA: Allured Publishing Co., 2007. 804 pp. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 9 Atratividade das substâncias (E)-2-decenal e (E)-2-dodecenal frente à oviposição do mosquito A. (Stegomyia) aegypti (L.). Rafael Ferreira da Silva (PG)¹*, Maria Cristina Caño de Andrade (PQ) 2, Andressa Patrícia dos Santos (IC), Ataline Lima dos Santos (IC), Aglaupe Meira Bastos Melo (IC). *[email protected] 1 Laboratório de Análise de Aromas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Av. Athos da Silveira Ramos 149 Bloco A - 7° andar. Cidade Universitária - Rio de Janeiro - RJ. 2 Laboratório de Síntese e Isolamento de Feromônios (LaSIF), Universidade Federal de Alagoas, Campus A. C. Simões - Av. Lourival Melo Mota, s/n, Cidade Universitária - Maceió – AL. Palavras-chave: Aedes aegypti, oviposição, dengue. Introdução A resistência do mosquito A. aegypti aos inseticidas registrada em diversos estados do Brasil (LIMA et al., 2006; BESERRA et al., 2007), indica a necessidade urgente de planejar estratégias de controle alternativo, como o uso de armadilhas de oviposição contendo água, juntamente com um semioquímico atraente. Este trabalho consistiu no estudo comportamental da resposta de oviposição do mosquito A. aegypti frente às substâncias (E)-2-dodecenal e (E)-2decenal em diferentes concentrações. Materiais e Métodos Para os bioensaios foram utilizadas 10 gaiolas (30 X 30 X 30 cm) com 25 fêmeas e 10 machos cada. Os bioensaios foram realizados 3 dias após o repasto sanguíneo. Foram realizados testes de dupla escolha, duas soluções, teste e controle, foram dispostas diagonal e randomicamente em cada gaiola. Para a análise estatística foi utilizado o Índice de Atividade de Oviposição (IAO), como descrito por Kramer & Mulla (1979). IAO > +0,3 indica solução atrativa, IAO < -0,3 indica solução repelente. Resultados e Discussão As tabelas 1 e 2 resumem os valores de IAO dos bioensaios. Tabela 1. Bioensaios com (E)-2-dodecenal Concentrações (ppm) IAO 100 + 0,0100 10 - 0,191 1 -0,01789 0,1 + 0,2868 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais A resposta oviposicional com o (E)-2dodecenal foi melhorada com a sua diluição, chegando próximo de atratividade satisfatória (IAO > +0,3) na concentração de 0,1 ppm. Tabela 2. Bioensaios com (E)-2-decenal Concentrações (ppm) IAO 100 - 0,8215 10 + 0,091 1 + 0,0149 A 100 ppm a substância (E)-2-decenal se mostrou repelente (IAO < -0,3). No entanto, à concentração menor o IAO aumentou indicando melhora na resposta oviposicional. Conclusões Embora as concentrações testadas não resultar em atratividade satisfatória, foi comprovado que à medida que a concentração das substâncias testes diminuiu houve melhora na resposta comportamental de oviposição. Sendo necessário mais testes comportamentais com soluções de concentrações ainda menores e testes para verificar a sinergia das substâncias no comportamento de oviposição do mosquito A. aegypti. Agradecimentos À UFAL, CNPq. ----------------------------------BESERRA, E. B. et al. Resistência de Populações de A. aegypti (L.) (Diptera: Culicidae) ao Organofosforado Temefós na Paraíba. Neotropical Entomology, Londrina, p. 303-307, 2007. LIMA, E. P. et al. Resistência do A. aegypti ao Temefós em Municípios do Estado do Ceará. Epidemiol. Serv. Saúde, Uberaba, v. 39, n. 3, p.279-293, 2006. KRAMER L.W., MULLA, S.M. Oviposition attractants and repellents of mosquitoes: oviposition responses of Culex mosquito to organic infusions. Environ Entomol 8: 11111117, 1979. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 10 ATIVIDADE ANTI-Leishmania amazonensis DO RESVERATROL E SUA ASSOCIAÇÃO SINÉRGICA COM ANFOTERICINA B Christian Ferreira (PG)1*, Deivid Costa Soares (PQ)1, Michelle Tanny Cunha do Nascimento (PQ)1, Lucia Helena Pinto-da-Silva (PQ)2, Elvira Maria Saraiva (PQ)1 1. Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2. Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Palavras-chave: Resveratrol, Anfotericina B, Atividade Leishmanicida, Isobolograma. de L. amazonensis, com IC50 (concentração inibitória Introdução para 50%) de 27 μM. Em amastigotas intracelulares o IC50 obtido foi de 42 μM. Por analise isobolográfica a Leishmanioses são doenças causadas por associação Rv com AMB, apresentou um efeito parasitas do gênero Leishmania, que se manifestam sinérgico para promastigotas de L. amazonensis, nas formas clínicas cutânea, mucocutânea e visceral1. assim como para amastigotas. A avaliação da Os fármacos usados para o tratamento das citotoxicidade em macrófagos peritoneais murinos leishmanioses, antimoniais pentavalentes, demonstrou que tanto o Rv quanto a AMB não anfotericina B (AMB) e miltefosina, apresentam alta apresentaram toxicidade para estas células. toxicidade, custo elevado e o surgimento de Utilizando microscopia óptica demonstramos que resistência dos parasitas vêm sendo relatado3. A promastigotas tratados com 100 μM de Rv por 48 associação de produtos naturais com fármacos já horas apresentavam um número irregular de núcleos e utilizados no tratamento de diversas parasitoses, flagelos em relação aos não tratados. O Rv foi capaz visando diminuir os efeitos colaterais e aumentar a de induzir um aumento no percentual de células na eficácia pode ser uma importante ferramenta para fase subG0/G1 do ciclo celular. Através do ensaio de terapia. O resveratrol (Rv (Fig. 1)) é um polifenol XTT observamos uma diminuição de 37 e 22 % na presente principalmente em uvas pretas e no vinho atividade das desidrogenases mitocondrias dos tinto, com várias atividades biológicas descritas promastigotas após o tratamento com Rv ou com sua como: anti-inflamatória, anticâncer e anti-oxidante3. associação sinérgica com AMB, respectivamente. O objetivo do nosso estudo é avaliar o efeito do Rv, Diminuição de 83 e 70 % no potencial mitocondrial sozinho e em associação com AMB, em Leishmania medido com a sonda JC-1 foi demonstrada em amazonensis, uma espécie causadora de leishmaniose promastigotas tratados com Rv e com sua associação cutânea e cutânea difusa no Novo Mundo. sinérgica com AMB, respectivamente. Conclusões Figura 1 - Estrutura química do resveratrol. Materiais e Métodos Infecção de macrófagos in vitro – Macrófagos de camundongos BALB/c estimulados com tioglicolato foram obtidos e infectados com Leishmania amazonensis conforme descrito por Ferreira et al.4. Ensaios citotóxicos – A citotoxicidade dos compostos foi avaliada em macrófagos murinos através dos testes de XTT, azul de Trypan e fagocitose conforme descrito por Ferreira et al. 4. Avaliação do ΔΨm – A avaliação do ΔΨm (potencial de membrana mitocondrial) foi testado através do kit mitochondria staining (Sigma-Aldrich) como descrito por Ferreira et al. 4. Análise do ciclo celular – Promastigotas e amastigotas foram avaliados conforme descrito por Ferreira et al. 4. Análise isobolográfica – A associação entre Rv (Sigma-Aldrich) e AMB (Cristália) foi analisada utilizando-se o isobolograma de acordo com o método descrito por Ferreira et al. 4. Nossos resultados demonstram o efeito anti-Leishmania do Rv e o seu potencial sinérgico quando associado à AMB, apontando-os como possíveis substâncias para estudo de terapia de combinação de fármacos in vivo. Agradecimentos FAPERJ, CAPES e CNPq. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 den Boer, M. L, Alvar, J, Davidson, R. N, Ritmeijer, K. Balasegaram, M. Developments in the treatment of visceral leishmaniasis. Expert Opin Emerg Drugs. 14: 395-410, 2009. 2 Croft, S. L. Coombs, G. H. Leishmaniasis – current chemoterapy and recent advances in the search for novel drugs. Trends Parasitol. 19: 502-508, 2003. 3 Smoliga, J. M., Baur, J. A., Hausenblas, H. A. Resveratrol and health--a comprehensive review of human clinical trials. Mol Nutr Food Res. 55(8):1129-41, 2011. 4 Ferreira, C., Soares, D. C., Barreto-Junior, C. B., Nascimento, M. T., Freire-de-Lima, L., Delorenzi, J. C., Lima, M. E., Atella, G. C., Folly, E., Carvalho, T. M., Saraiva, E. M. Pinto-da-Silva, L. H. Leishmanicidal effects of piperine, its derivatives, and analogues on Leishmania amazonensis. Phytochemistry. 72: 2155-2164. 2011. Resultados e Discussão Nossos resultados demonstram que Rv apresenta atividade leishmanicida para promastigotas II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 11 VARIAÇÃO NA PRODUÇÃO DE METABOLITOS SECUNDÁRIOS INTER E INTRAPLANTA DE Nymphoides indica Nathália Nocchi (PG)1,2, Heitor Monteiro Duarte (PQ)1, Tatiana U. P. Konno (PQ)1 e Angélica Ribeiro Soares (PQ)1. [email protected] e [email protected] . 1 Grupo de Produtos Naturais de Organismos Aquáticos (GPNOA), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Macaé.2 Programa de Pós Graduação em Ciências Ambientais e Conservação (PPGCiAC) (UFRJ-Macaé) Palavras-chave: produtos naturais, macrofitas aquaticas variação geográfica, ecologia química. Introdução Variações quanti e qualitativas no conteúdo de metabolitos secundários ocorrem em diferentes níveis, tanto intraplanta quanto por variação do ambiente1. Nymphoides indica (L.) Kunze (Menyanthaceae) é uma planta aquática de distribuição cosmopolita. Apresenta-se enraizadas ao substrato, com folhas e flores flutuantes e, as partes vegetativas e frutos completamente submersos. A presença de flavonóides foi descrita para a família2. O objetivo deste trabalho foi determinar os Perfis Químicos (PQ) por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com detector de Ultravioleta do tipo DAD (CLAE-UV-DAD) das partes vegetativas e reprodutivas de duas populações de N. indica. Materiais e Métodos Extratos brutos em metanol dos órgãos vegetativos e reprodutivos (folha, caule, raiz, pedundulo, flor e fruto) de N. indica, coletada na Lagoa Paulista e Lagoa Comprida, Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (RJ) foram analisados por CLAEUV-DAD (LC, Shimadzu) em coluna C18, gradiente de eluição Metanol:Água (0 a 100%) com pH 3, e detecção no UV a 254 nm. Os cromatogramas foram previamente alinhados pelo uso do algorítmo Correlation Optimized Warping (COW) e logo após analisados pela Análise dos Componentes Principais (APC). Resultados e Discussão A análise dos cromatogramas revelou uma alta complexidade dos perfis químicos dos extratos, sendo os perfis das folhas ,em ambas as populações, os mais complexos. Diferenças qualitativas e quantitativas foram observadas entre todos os extratos. O método de agrupamento multivariado permitiu avaliar o grau de similaridade dos PQ das amostras bem como encontrar as II Jornada Fluminense de Produtos Naturais substâncias que mais contribuíram para os agrupamentos. Na ACP o Componente Principal (CP) 1 e o CP 2 explicaram juntos 38,52% da variação total dos dados. A CP2 separou nitidamente em dois grupos os extratos das duas populações de N. indica. Ao analisar o nível de contribuição da CP2 observa-se que a principal substância responsável por essa separação é a que possui o tempo de retenção em 3,6 min, a mais expressada nos órgãos da população da Lagoa Comprida. As substâncias fenólicas quercetina, floroglucinol, ácido cafeico e ácido clorogênico foram identificadas nos cromatogramas através da comparação com padrões comerciais. Os locais de coleta das plantas apresentam características físico-químicas muito distintas, dentre elas a alta concentração de carbono orgânico dissolvido encontrada na Lagoa Comprida. Neste trabalho foi possível sugerir que a variação das condições ambientais influencia significativamente a produção de metabóltios secundários em N. indica. Conclusões Variações qualitativas e quantitativas dos PQ foram observadas entre todos os órgãos e populações sugerindo a diferenciação na produção de metabóltios secundários intraplanta e entre populações de N. indica. Dentre todos os perfis, os extratos das folhas da população da Lagoa Paulista foi a que apresentou a maior concentração e variedade de substâncias fenólicas. Agradecimentos FAPERJ, CNPq e CAPES. ----------------------------------¹ Bohm, B. A et al.1986. Amer. J. Bot. 73(2):204-213. ² Globo-Netto, L. e Lopes, N. P.; quim. nova, 2007, 30 (1):374 3 Esteves, F. A. & Scarano, F. R. (Ed). 2004. RiMa, 255 272. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 12 ATIVIDADES IMUNOFARMACOLÓGICAS DA ESPÉCIE VEGETAL Schinus terebinthifolius RADDI Isabela Francisca de Jesus Borges Costa (PG)1*, Natalia Ribeiro Bernardes (PG) 2, Michelle Frazão Muzitano (PQ)1,Daniela Barros de Oliveira (PQ)2. [email protected]. 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rua Alcides da Conceição, Macaé,RJ. Tel/Fax: (22) 2791-3871 - ramal 231. 2 Laboratório de Química de Alimentos, Universidade Estadual do Norte Fluminense.Av. Alberto Lamego, 2000. Campos dos Goytacazes. Palavras-chave:Inflamação,aroeira,antiinflamatória. Introdução Schinus terebinthifolius Raddi (aroeira) é uma espécie nativa da flora brasileira conhecida por possuir propriedades medicinais como, antioxidante, antileishimanial e anti-inflamatória (BRAGA et al, 2009). (CERUKS, 2007). O objetivo deste trabalho é aprofundar o estudo da composição química e dos efeitos imunofarmacológicos dos frutos e das folhas de aroeira. Foi avaliada a capacidade dos extratos aquoso e metanólico dos frutos, na inibição da produção de óxido nítrico (NO) produzido por macrófagos. Os mesmos extratos foram obtidos a partir das folhas, para comparação. Foram avaliados também a linfoproliferação e a atividade antioxidante. humanos, utilizando o extrato, frações e substância isolada obtidos dos frutos de aroeira. Todas as amostras testadas foram capazes de inibir a proliferação dos linfócitos humanos estimulados com PHA, especialmente o extrato metanólico e a apigenina. A atividade observada foi similar a obtida com o padrão positivo utilizado, Ciclosporina A. O extrato metanólico apresentou atividade antioxidante superior a 90% quando comparado com o antioxidante BHT. Foram preparadas mudas monoclonais in vitro. Os extratos in vitro foram comparados com o da matriz em relação a sua atividade biológica. Na comparação dos extratos da matriz e de plântulas in vitro, pode-se notar que dentre os extratos (folhas matriz e in vitro) o que apresentou maior atividade foi o extrato folha in vitro e o extrato da raiz in vitro mostrou se a mais ativa das amostras. Materiais e Métodos Para verificar o mecanismo de inibição de NO pelos extratos, macrófagos RAW 264-7 foram cultivados na presença de LPS por 12h, os extratos dos frutos das folhas matriz e também in vitro, frações e substância isolada do fruto foram adicionados no meio, em triplicata. Após 48h a quantidade de NO foi determinada através do método de Griess. A avaliação da atividade antioxidante foi realizada pelo método do radical livre DPPH. (KOLEVA et al, 2002). Para avaliar se os extratos são capazes de sequestrar o NO ou se atuam na inibição da iNOS, foi realizado um experimento com o doador de óxido nítrico o nitroprussiato de sódio (SNP). Foi realizado o ensaio de linfoproliferação para avaliar a atividade antiinflamatória crônica (WANG et al., 1998). Neste foi usado a cyclosporina (inibidor) como fármaco controle e o PHA (mitógeno). O experimento foi incubado por 72 horas e a inibição da proliferação de linfócitos humanos foi avaliada pelo método (colorimétrico) de viabilidade (MTT). Resultados e Discussão O extrato metanólico dos frutos foi identificado como o mais ativo, e, portanto, mais promissor. Foram então avaliadas as frações e substância isolada obtidas da purificação do extrato metanólico. Comparando o IC50 das amostras, pode-se observar que a fração flavonoídica A3 e a substância isolada apigenina mostraram-se ativas na inibição da produção de NO. O estudo inicial realizado sobre o mecanismo de ação das amostras dos frutos da aroeira, sugere que estas podem inibir a expressão da iNOS. Estudos revelam que substâncias capazes de inibir a produção de NO, pela supressão ou atividade da iNOS, possuem um excelente potencial como alvos terapêuticos em processos inflamatórios.Neste trabalho também foi avaliado a inibição da proliferação de linfócitos II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Conclusões Esse trabalho permitiu verificar o perfil imunomodulador do extrato da aroeira, selecionar o tipo de extrato mais ativo, avaliar frações e substâncias isoladas em busca das responsáveis pela ação do extrato e avaliar inicialmente indivíduos monoclonais obtidos a partir da matriz ativa. Esses dados contribuem para justificar o uso popular da aroeira como anti-inflamatória. Agradecimentos UFRJ-Macaé; UENF; e CNPq. Referências Bibliográficas: BRAGA, F. G.; BOUZADA, M. L. M.; FABRI, R. L., MATOS, M. O.; MOREIRA,F. O., SCIO, E.; COIMBRA, E. S. (2009). Antileishmanial and antifungal activity of plants used in traditional medicine in Brazil. Journal of Ethnopharmacology. 111:396–402., CERUKS, M.; ROMOFF, P.; FÁVERO O. F. G.; ENRIQUE, J. G. (2007). Polar phenolic constituents from Schinus terebinthifolius Raddi (Anacardiaceae). Química Nova. 30: 597-599., HAMALAINEM, M.; NIEMINEN, R.; VUORELA, P.; HEINONEN, M.; MOILANEN, E. (2007). Anti-inflammatory effects of flavonoids: Genistein, Kaempferol, Quercentin, and Daidzen inhibit STAT-1 and NF-kB activation along with their inhibitory effect on iNOS expression and NO production in activated macrophages. Mediators of inflammation. 1:1-10., KOLEVA, L. I.; VAN BEEK, T .A.; LINSSEN, J. P. H.; DE GROOT, A.; EVSTATIEVA, L. N. (2002). Screening of plant extracts for antioxidant activity: a comparative study on three testing methods. Phytochemical Analysis. 13:8-17.,. ,WANG, X-W & XU, B. (1998). Immunostimulatory action of L-4-oxalysine counteracts -fetoprotein. European Journal of Pharmacology 351: 105–111. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Apresentação oral 13 ATIVIDADE ANTINEOPLÁSICA IN VITRO DO EXTRATO BRUTO E DOS SESQUITERPENOS HALOGENADOS DA ALGA Laurencia dendroidea Maíra Barcellos Marini (PG)1*, William Rodrigues de Freitas (PG) 2, Angélica Ribeiro Soares (PQ)33, Michelle Frazão Muzitano (PQ)1, Milton Masahiko Kanashiro (PQ) 2. [email protected]. 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rua Alcides da Conceição, 159 - Novo Cavaleiros - CEP.: 27933-378 - Macaé - RJ Tel/Fax: (22) 2791-3871 - ramal 231. 2 Grupo de Pesquisa em caracterização de compostos com atividade antitumoral, Universidade Estadual do Norte Fluminense Dacy Ribeiro 3 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais de Organismos Aquáticos, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Palavras-chave: Laurencia dendroidea, sesquiterpenos, câncer, antineoplásicos. Introdução Em escala global, o câncer se tornou um grande problema de saúde publica, já que se trata de 27 milhões de novos casos de câncer, 17 milhões de novas mortes por câncer e um número alarmante de 75 milhões de pessoas vivas diagnosticadas com câncer1. Na busca por novos fármacos para o tratamento do câncer, foram testados neste trabalho os efeitos antineoplásicos induzidos in vitro pelo extrato bruto da espécie de alga vermelha Laurencia dendroidea e pelos seus sesquiterpenos (-) Elatol e Obtusol, sendo este trabalho pioneiro na avaliação antineoplásica dos sesquiterpenos. Materiais e Métodos As células U937, (leucemia de origem mielóide), Colo-205 (adenocarcinoma de cólon), Jukart (leucemia de origem linfóide) e B16F10 (melanoma murino) foram cultivadas em meio D-MEM F12 (Gibco, BRL) suplementado com 20µg/mL de gentamicina (Gibco, BRL) e 10% de soro fetal bovino (Gibco, BRL), as culturas foram mantidas em estufa (Forma Scientific Inc., modelo 3159) a 37ºC, com 5% de CO2 e umidade controlada. As células mononucleares do sangue periférico humano (PBMC) foram obtidas a partir de 30 mL de sangue de indivíduos saudáveis. A separação foi processada conforme a metodologia descrita por Bennett e Breit (1994) utilizando centrifugação em gradiente de FICOLL (GE,PM400). A viabilidade celular foi avaliada pelo método de MTT2 e a liberação de LDH pelo método de LDH3, após o período de 48 horas de incubação com o extrato bruto e com os sesquiterpenos nas concentrações de 100, 10 e 1 µg/mL. Para verificação do tipo de morte celular foi feito um ensaio de microscopia de fluorescência no tempo de 12, 24 e 48 horas com coloração por 10 μg/mL brometo de etídeo e 10 μg/mL laranja de acridina, onde foram avaliadas a morfologia de 300 células por campo descriminando-as em apoptóticas, necróticas e normais. U937 foram tratadas com os sesquiterpenos, chegando a 80%de Liberação de LDH no tempo de 48 horas para o tratamento com o Obtusol e para o extrato bruto no tratamento da U937 na maior concentração foi obtido 42,19 ± 8,13% de Liberação de LDH. O extrato bruto e os sesquiterpenos não apresentaram uma acentuada redução da viabilidade celular do PBMC não ultrapassando 30% de redução na viabilidade celular, indicando uma seletividade dos compostos as células de origem tumoral. Os resultados sugestivos de apoptose obtidos pelos testes de MTT e LDH foram confirmados pelas análises por microscopia de fluorescência. O (-) Elatol induziu 80% de apoptose e o Obtusol induziu 71% de apoptose no tempo 12 horas para concentração de100 μg/mL em células Colo205, linhagem celular que é resistente ao tratamento com cisplatina4. Os resultados obtidos foram comparados com aqueles do flavonóide Quercetina, que é uma substância natural que se encontra em fase de estudo clínico para o tratamento do câncer5. Conclusões O (-) Elatol e o Obtusol apresentaram-se mais ativos do que o fármaco padrão quercetina ao longo dos testes mostrando que ambos são promissores para continuidade dos estudos farmacológicos no contexto do câncer. Agradecimentos UFRJ-Macaé; UENF; FAPERJ e CNPq. Referências Bibliográficas: ¹ WHO, World Health Organization. Câncer. Publicação on line disponível em http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs297/en/. 2 Morgan, D. M. L. Tetrazolium (MTT) Assay for Cellular Viability and Activity. Methodsin Molecular Biology. v.79, p.179-184, 1997. 3 Racher, A.J., Looby, D., Griffiths, J.B. Use of lactate dehydrogenase release to assess changes in culture viability Cytotechnology . v.3, n.3, p. 301- 307, 1990. 4 Medina, J. C.; Shan, B.; Beckmann, H.; Farrell, R. P.; Clark, D. L.; Learned, R. M.; Roche, D., Li, A.; Baichwal, V.; Case, C.; Baeuerle, P. A.; Rosen T.; Jaen, J. C. Novel Antineoplastic Agents With Efficacy Against Multidrug Resistant Tumor Cells. Bioorganic E Medicinal Chemistry. V.6,P.2653-2656, 1998. 5 Ferry, D. R., Smith, A., Malkhandi, J., Fyfe, D.W., Detakats, P. G., Anderson, D., Baker, J., Kerr, D. J. Phase I clinical trial of the flavonoid quercetin: pharmacokinetics and evidence for in vivo tyrosine kinase inhibition. Clin Cancer Res. Apr;2(4):659-68, 1996. Resultados e Discussão As células U937, Jurkat e Colo205 foram sensíveis ao tratamento com o extrato bruto e sesquiterpenos, mostrando uma atuação concentração-dependente dos compostos. Houve acentuada liberação de LDH quando as células II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painéis Painéis (P1-P79) P1 Danielle Simone de Carvalho Lugato POTENCIAL ANTIOXIDANTE DE EXTRATOS DE Passifora alata Curtis OBTIDOS POR DIFERENTES MÉTODOS P2 Talita Shewry de Medeiros Rocha ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO DE ESPÉCIMES DE AROEIRA POR CLAE-UV E DE SUA ATIVIDADE NA SERCA P3 Ricardo Diego Duarte Galhardo de Albuquerque ESTUDO FITOQUÍMICO E BIOLÓGICO DA ESPÉCIE Xylopia ochrantha (Mart.) P4 Gilda Guimarães Leitão OTIMIZAÇÃO DA EXTRAÇÃO DA QUINONA 7-hidroxiroileanona DO EXTRATO DE FOLHAS DE Tetradenia ripaia P5 Juliana Montani Raimundo ATIVIDADE VASODILATADORA DE EXTRATOS DE ESPÉCIES DE PLANTAS OCORRENTES NO NORTE FLUMINENSE P6 Flávia Bento Lana Henriques QUANTIFICAÇÃO DE FENÓIS TOTAIS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE EM AMOSTRAS DE Ocimum americanum P7 Amaro Chaves Ramos APLICAÇÃO DA CROMATOGRAFIA CONTRACORRENTE NO ISOLAMENTO DE PORFIRINAS DE Gallesia integrifolia P8 Kamilla Coelho Morais Rodrigues ATIVIDADE ANTIOXIDANTE E QUANTIFICAÇÃO DE TEORES DE FLAVONOIDES E FENOIS DE Vernonia condensata P9 Priscila Elias Alves ESTUDO QUÍMICO DE Guarea guidonea P10 Monica Barcelos de Souza Lopes AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DE CUMARINA E PROCEDIMENTOS EM GUACO (Mikania glomerata) P11 Diego Rangel Cardoso Silva SÍNTESE E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIINFLAMATÓRIA E ANTIMICROBIANA DE DERIVADOS 5,7-DIHIDROXICUMARINA P12 Maria Carolina Anholeti da Silva Atividade citotóxica e antiherpética (anti HSV-1) dos extratos e substâncias isoladas a partir de Clusia fluminensis Planch & Triana P13 Felipe Stanislau Candido CONSTITUINTES APOLARES DE Piper Cabralanum C.DC (Piperaceae) P14 ADRIANA ROCHA DUTRA Avaliação da Atividade Antioxidante de Espécies Vegetais da Restinga de Jurubatiba P15 Mayara Antunes da Trindade Silva ENSAIOS PRELIMINARES DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DA ESPÉCIE Eichhornia crassipes (Mart.) Solms P16 Marlon Heggdorne de Araújo ATIVIDADE ANTIMICOBACTERIANA DE EXTRATOS ETANÓLICOS E FRAÇÕES ALCALOÍDICAS DE Psychotria spp P17 Lorena Rodrigues Riani Avaliação da citotoxidez de extratos brutos de Piper chimonanthifolium Kunth. Em Artemia salina P18 Catharina Eccard Fingolo CUMARINA EM Dorstenia arifolia (Moraceae) P19 Mathias Moraes Abrão AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO E CITOTÓXICO DE Plantago australis LAM. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painéis P20 Víctor de Carvalho Martins ESTUDO DAS PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DE MÉIS COMERCIALIZADOS EM SÃO JOÃO DE MERITI-RJ P21 Taiane S. Carvalho Estudo Químico de Extratos de Solidago chilensis Meyen P22 Mariana Martinelli Junqueira Ribeiro ANATOMIA FOLIAR E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE Abuta convexa (Vell.) Diels (MENISPERMACEAE) P23 Isabella do Vale de Souza AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DAS FOLHAS E FRUTOS DE Solanum paniculatum. P24 LETICIA LIMA DIAS MOREIRA FERREIRA EXTRATO ETANÓLICO DE M. moricandiana PROMOVE VASODILATAÇÃO VIA PRODUÇÃO DE ÓXIDO NÍTRICO P25 Rayane Natashe Gonçalves Enzimas Proteolíticas de Leguminosas P26 Rafael Portugal Rizzo Franco de Oliveira DESENVOLVIMENTO DE NANOEMULSÃO DE ÓLEO ESSENCIAL DE Rosmarinus officinalis P27 Marcela Gomes Vianna DETERMINAÇÃO DO POTENCIAL ANTIOXIDANTE E DO CONTEÚDO FENÓLICO DE PLANTAS DE Passifora suberosa L. P28 Bianka de Oliveira Soares CHARACTERIZATION OF Petiveria alliacea L. FROM RIO DE JANEIRO, BRAZIL: FUNCTIONAL IMPLICATIONS P29 Thiago Saide Martins Merhy AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE VITEXINA EM DIFERENTES SISTEMAS in vitro DE Passiflora suberosa L. P30 Valkíria Elizabete Moreira FENÓIS TOTAIS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DOS EXTRATOS DE Baccharis trimera P31 Gisella Britto Perez Avaliação do perfil químico de Vernonia crotonoides via CLAE/DAD P32 Christian Ferreira EFEITO LEISHMANICIDA DA 19-HIDROXICORONARIDINA P33 Jéssica Azevedo de Moraes TRANSFORMAÇÃO MICROBIANA DO LAPACHOL P34 Rossy Moreira Bastos Junior AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTITUMORAL DE PLANTAS DA RESTINGA DE MACAÉ P35 Rafaela Oliveira Ferreira ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE BIFLAVONÓIDES EXTRAÍDOS DE FRUTOS VERDES DE Clusia paralicola (CLUSIACEAE) P36 Luis Armando Candido Tietbohl CARACTERIZAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE DIFERENTES ÓRGÃOS DA Myrciaria floribunda (H.West ex Willd.) O.Berg P37 Thatiana Lopes Biá Ventura Anti-inflammatory and antimycobacterial activity of extracts and halogenated sesquiterpenes from Laurencia dendroidea P38 Luana Gonçalves de Souza Variação sazonal dos perfis químicos da planta aquática Typha domingensis (Typhaceae) por CLAE-UV-DAD P39 Ana Maria Pereira da Silva REVISÃO BIBLIOGRÁFICA NAFTOQUINONAS NATURAIS COM ATIVIDADE ANTICANCER P40 Paula Monteiro Lopes Atividade Antimicrobiana dos Componentes Bioativos do Óleo Essencial de Hyptis pectinata II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painéis P41 MARCIO VINICIUS DA SILVA GOMES Estudo fitoquímico e farmacológico da espécie vegetal Mandevilla moricandiana (Apocynaceae) P42 Alexandre M.R.G. Carneiro Avaliação química do extrato hidroalcoólico das folhas de Vitex polygama (Verbenaceae) com CLAE-UV. P43 Marcella Szlachta Macedo ATIVIDADE LEISHMANICIDA DE COMPOSTOS EXTRAÍDOS DA MACROALGA Stypopodium zonale P44 Vanessa dos Santos Temponi FENÓIS E FLAVONOIDES TOTAIS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DOS EXTRATOS DE Vernonia polyanthes P45 Andre Gustavo Calvano Bonavita ESTUDO DE ATIVIDADE CICATRIZANTE DE EXTRATOS DE PLANTAS DO NORTE FLUMINENSE P46 Alan Menezes do Nascimento ANÁLISE FITOQUÍMICA DE AMOSTRAS COMERCIAIS DE JOAZEIRO (Ziziphus joazeiro Mart. – RHAMNACEAE) P47 Isabella Boaventura Moura “ALGUMAS ESPÉCIMES DE PLANTAS MEDICINAIS PARA UTILIZAÇÃO EM ESCOLAS MUNICIPAIS DO RJ” P48 Monica Regina Pimentel Siqueira ESTUDO DA FRAÇÃO EM HEXANO DE Piper Cabralanum C.DC. (NANOCÁPSULA) EM LINHAGEM CELULAR K562 Lucena 1. P49 Liane Peixoto Rocha ESTABELECIMENTO DA CULTURA IN VITRO DE ABAJERÚ (Chrysobalanus icaco L.) em 29 as 00h P50 Ramon Gredilha Paschoal AVALIAÇÃO ESPECTROFOTOMÉTRICA DE EXTRATOS ETANÓLICOS DE Bidens pilosa L. P51 Renan Alves de Paiva Neolignana de Piper rivinoides P52 Natália Ramos Pacheco AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO E CITOTÓXICO DE Plantago australis LAM. P53 Sanderson Dias Calixto ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DO EXTRATO E FRAÇÕES DE Psychotria nuda FRENTE AO RADICAL LIVRE ÓXIDO NÍTRICO. P54 Luciana Moreno dos Santos DIFERENTES MEIOS DE CULTURA NA PRODUÇÃO DE METABÓLITOS FITOTÓXICOS DE Corynespora cassiicola. P55 Thais valentim alberto westermann AVALIAÇÃO FITOQUÍMICA E DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DA ESPÉCIE VEGETAL Tocoyena bullata MART P56 Marta Correa Ramos Leal ANÁLISE CROMATOGRÁFICA DE METABÓLITOS MAJORITÁRIOS DE Stachytarpheta schottiana E Stachytarpheta crassifolia (Rich.) Vahl (Verbenaceae) DA RESTINGA DE JURUBATIBA. P57 João Lomba Xavier USO DO LÁTEX DO AVELOZ (Euphorbia tirucalli L) COMO ALTERNATIVA NA PRODUÇÃO DE SELANTE PARA PNEUS. P58 Muiara Aparecida Moraes AVALIAÇÃO DO EFEITO INIBITÓRIO SOBRE A ENZIMA αAMILASE DE EXTRATOS DE PLANTAS BRASILEIRAS E RESPECTIVAS FRAÇÕES P59 Renan Fernandes Vianna Estudos Visando a Síntese da 1,3-diidroxiacetona Via Reações de Oxidação do Glicerol e da Diacetina P60 Talita Shewry de Medeiros Rocha UTILIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS PELA COMUNIDADE DE TUBIACANGA, RJ II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painéis P61 Annie Caroline da Silva Goulart ESTUDO QUÍMICO DE Spondias admirabilis P62 Bianca Ortiz AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIVIRAL DE EXTRATOS DE FOLHAS DE Croton floribundus SPRENG P63 Hannah Carolina Tavares Domingos A Utilização de Plantas Medicinais como Ferramenta para o Ensino de CiênciaS P64 MARIA RAQUEL GARCIA VEJA ANTRAQUINONAS ISOLADAS DE Picramnia ramiflora POR CROMATOGRAFIA CONTRACORRENTE DE ALTA EFICIÊNCIA. P65 LETICIA LIMA DIAS MOREIRA FERREIRA MECANISMO DA AÇÃO VASODILATADORA DO EXTRATO ETANÓLICO DE Kielmeyera membranacea CASAR. P66 Jéssica Azevedo de Moraes Estudo Químico e Farmacológico da Fração Acetato de etila das Folhas de Croton antisyphiliticus Mart (Pé de Perdiz) P67 Mayara Antunes da Trindade Silva ANÁLISE HISTOQUÍMICA DA ESPÉCIE Pontederia rotundifolia L. P68 Ricardo Diego Duarte Galhardo de Albuquerque COMPOSIÇÃO QUÍMICA E POTENCIAL BIOLÓGICO DO ÓLEO ESSENCIAL DE FOLHAS DA ESPÉCIE Xylopia ochrantha P69 Lílian Mariane de Oliveira Bento Defesas Químicas e Análise do Perfil Químico dos Extratos de Plantas do Gênero Potamogeton P70 Juliana Montani Raimundo EFEITOS ANTI-INFLAMATÓRIO E ANALGÉSICO DE EXTRATOS DE PLANTAS PRESENTES NA RESTINGA DE JURUBATIBA, RJ P71 José Carlos Borges de Carvalho EXTRAÇÃO DE ALCALOIDES DA ESPÉCIE VEGETAL Echium stenosiphon subsp. stenosiphon WEBB P72 Halliny Siqueira Ruela EFEITO HIPOGLICÊMICO DOS EXTRATOS DE Bumelia sartorum RICOS EM SUBSTÂNCIAS FENÓLICAS P73 Queli Cristina Fidelis Outros constituintes isolados dos galhos de Ouratea hexasperma (Ochnaceae). P74 Flávia Bento Lana Henriques PROPRIEDADE ANTI-INFLAMATÓRIA DO EXTRATO ETANÓLICO DE Ficus pumila P75 Elaine Cristina de O. Braga Contribuição Química dos Produtos Naturais P76 Thatiana Lopes Biá Ventura TOXICIDADE E AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA DE Syzygium cumini (L.) Skeels. P77 Sávio de Souza Tavares TRIAGEM VIRTUAL DE METABÓLITOS DE ALGAS MARINHAS DO GÊNERO Laurencia COM PROTEÍNAS QUINASES P78 Marcelo F. de Araújo METABÓLITOS ESPECIAIS ISOLADOS DE MADEIRA DE Simira eliezeriana E S. glaziovii P79 Ana Paula de Oliveira Amorim FEOFITINAS ISOLADAS DE Talinum triagulare II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 1 POTENCIAL ANTIOXIDANTE DE EXTRATOS DE Passifora alata Curtis OBTIDOS POR DIFERENTES MÉTODOS Danielle Lugato (PG) 1*, Juliana Portella (IC) 1, Mariela Simão (IC) 2, Elisabeth Mansur (PQ) 1 , Georgia Pacheco (PQ) 1 E-mail: [email protected] 1 Núcleo de Biotecnologia Vegetal - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), CEP: 20550-013, Rio de Janeiro, RJ. 2 Universidade Federal do Espírito Santo Palavras-chave: Passiflora, Antioxidante, DPPH. Introdução Passiflora alata, conhecida como maracujá doce, é uma espécie tropical com grande valor medicinal presente na farmacopéia brasileira1 e utilizada como ansiolítico, sedativo, diurético e analgésico. Além disso, a espécie produz substâncias fenólicas com potencial antioxidante que são utilizadas na prevenção de várias doenças cardiovasculares e neurodegenerativas2. O objetivo deste trabalho foi avaliar diferentes métodos para extração de subtâncias antioxidantes em P. alata, que possam ser utilizadas em estudos fitoquímicos. Materiais e Métodos Folhas de plantas mantidas em telado foram fragmentadas em moinho. Para a obtenção dos extratos, foram avaliados os seguintes parâmetros: proporção etanol:água (100, 80, 60, 40 e 20%), tempo de contato entre o solvente e o tecido (2, 5, 15, 30, 60, 120 e 240 minutos), proporção de solvente:tecido (10, 20, 30 e 40 mL de solvente por grama de material seco), número de estágios de extração (1, 2, 3 e 4 lavagens) e tipo de maceração (moinho ou moinho + pistilo). Os extratos obtidos após os diferentes procedimentos foram filtrados em papel de filtro e concentrados em rotaevaporador, sendo em seguida ressuspensos em metanol 100%. A determinação do potencial antioxidante foi realizada pela metodologia de redução do radical DPPH (2,2-Difenil 1,Picrilhidrazila) 3. O percentual de inibição sobre os radicais DPPH pelas amostras testadas foi calculado pela redução do radical em 50% (CE50). que influenciaram significativamente o potencial antioxidante do material. Extratos com maior proporção etanol:água (80 e 100% de etanol) apresentaram maior capacidade de redução do DPPH (EC 50= 5,82 e 5,20g L -1, respectivamente). O período de 15 minutos de contato do material vegetal com o solvente resultou em extratos com maior capacidade antioxidante (EC50 = 3,65 g L -1). Por outro lado, a proporção de solvente, o número de lavagens e o tipo de maceração não afetaram essa capacidade. Em contrapartida, o rendimento dos extratos foi influenciado pela maioria dos parâmetros testados, sendo o maior rendimento obtido em 60% etanol:água (22,27%), por um período de 240 minutos (15,32%), utilizando-se 40mL/g de tecido (27,77%) e 4 lavagens (22,62%). O tipo de maceração não influenciou o rendimento. Conclusões Os resultados mostraram que a extração de substâncias antioxidantes de P.alata é mais eficiente quando efetuada em 80% de etanol em água, por um período de 15 minutos com 10 mL de solvente por grama de material seco triturado em moinho. Agradecimentos CAPES, CNPQ e FAPERJ. ----------------------------------¹ Farmacopéia Brasileira. 3 ed. Andrei; São Paulo,1997. ² Petry, C.A; Reginatto, F.; De-Paris, F.; Gosmann, V.; Salgueiro, J.B.; Quevedo, J.; Kapczinski, F.; Ortega, G.G.; Schenkel, E.P. Comparative pharmacological study of hidroetanol extracts of Passiflora alata and Passiflora edulis Leaves. Phytotherapy Research, v. 15, 2001, 162-164p. 3 Brand-Williams, W.; Cuvelier, M.E e Berset, C. Use of a free radical method to evaluate antioxidant activity. Food Science and Technology, v.28, 1995, p.25-30. Resultados e Discussão O efeito da porcentagem do solvente em água e o tempo de extração foram fatores II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 2 ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO DE ESPÉCIMES DE AROEIRA POR CLAE-UV E DE SUA ATIVIDADE NA SERCA Talita S. de Medeiros Rocha1,2,3* (IC), Luiza M. de Magalhães Camargo2 (PG), Sônia S. Costa2 (PQ) e Ana M. Landeira Fernandez3 (PQ) *[email protected] 1 Ciências Biológicas, UFRJ; 2Laboratório de Produtos Naturais Bioativos (LPN-Bio), NPPN, UFRJ; 3Instituto de Bioquímica Medica/CCS/UFRJ Palavras Chave: aroeira, Schinus terebinthifolius, SERCA, fenólicos, CLAE Schinus terebinthifolius Raddi conhecida como aroeira é amplamente utilizadas na medicina popular brasileira, atribuindo-lhe propriedades antialérgico, antifúngica, dentre outras1. Este trabalho visa isolar, identificar e avaliar o efeito dos flavonoides presentes em aroeira na atividade da Ca2+ATPase de músculo esquelético. Essa enzima possui um papel central na manutenção dos baixos níveis de cálcio livre no citoplasma. Relatos da bibliografia mostram que a Ca2+-ATPase de SERCA ( retículo sarcoendoplasmático ) é inibida por diferentes flavonoides, incluindo a quercetina e a 3,6-di-hidroxiflavona2 Além disso, o trabalho tem objetivo de analisar o perfil de substâncias fenólicas de dois espécimes de aroeira, um adulto e um jovem, por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência acoplada ao Ultravioleta (CLAEUV). Pelos cromatogramas, observamos a predominância de derivados de ácido hidroxibenzóico (tR 14,9 min; λmáx 234, 290 nm; tR 24,8 min; λmáx 236, 294 nm) nos extratos, dentre eles um que se apresenta como majoritário (tR 14,9 min) e é encontrada em EA (17,6 %) e EJ (15,3%). Também foi possível identificara presença de um flavonóide ((tR 31,5 min; λmáx 228, 280, 363 nm).Esses compostos serão isolados e testados individualmente na SERCA. Efeito do KCL na Inibição promovida pelo extrato da Aroeira na Atividade da SERCA1 100 % ATIVIDADE Introdução Controle 100mM KCL 75 50 25 0 0 5 10 30 35 40 Figura 1: Porcentagem da atividade de Ca ATPase de músculo esquelético na presença de concentrações crescentes do extrato aquoso das folhas de Aroeira. Efeito do KCl, Valores retirados da Fig.2. 100% da atividade representa: 1,057 µg/ml, na presença de KCl e 0,947 µg/ml, controle Fenólico majoritário EJ Figura 2: Cromatogramas de EA e EJ (254 nm). Conclusões O extrato de aroeira é capaz de inibir mesmo que parcialmente a ação da Ca+2ATPase. A análise qualitativa do perfil de substâncias fenólicas dos espécimes adultos (A) e jovem (J) de S. terebinthifolius permitiu a identificação de derivado de ácido hidroxibenzóico como o componente majoritário de ambas as plantas. Agradecimentos Resultados e Discussão II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 25 2+ Materiais e Métodos Concentrações crescentes do extrato aquoso das folhas de aroeira foram capazes de inibir a atividade de hidrólise de ATP catalisada pela SERCA, com um IC50=7,0µg/ml±0,5(n=3). 20 microgramas/ml EA Folhas frescas totalmente expandidas de espécimes adulto (A) e jovem (J) de aroeira foram coletadas na Barra da Tijuca e submetidas separadamente à extração por decocção 10% p/v, originando os extratos A (EA) e J (EJ). Essas mesmas amostras foram analisados por CLAE-UV (10 mg/ml), com fase móvel variando em gradiente linear. Os espectros de UV foram adquiridos na escala 200 - 400 nm. A similaridade entre os perfis de substâncias fenólicas de EA e EJ foi avaliada através da comparação dos tempos de retenção (tR) dos picos cromatográficos e de seus espectros de absorção. Em seguida foram isoladas vesículas derivadas do retículo sarcoplasmatico de músculo esquelético de coelho foram isoladas e a hidrólise de ATP foi medida pelo método colorimétrico3. 15 PIBIC/CNPq. Referências Bibliográficas: 1 El-Massry KF, El-Ghorab AH, Shaaban HA, Shibamoto T. J Agric Food Chem, 2009, 57(12):5265-70. 2 Ogunbayo, et al, IUBMB Life. 60, 853, 2008 3 Fiske et al, J Biol Chem 66, 375, 1925 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 3 ESTUDO FITOQUÍMICO E BIOLÓGICO DA ESPÉCIE Xylopia ochrantha (Mart.) Ricardo Diego Duarte Galhardo de Albuquerque (PG*), Mariana Souza Rocha (IC), Suellen Gomes Castro (IC), Leandro Rocha (CO), Thelma de Barros Machado (OR). [email protected] Laboratório de Tecnologia em Produtos Naturais (LTPN), Faculdade de Farmácia, Universidade Federal Fluminense. Rua Mario Viana, 583, Santa Rosa, Niterói. Palavras-chave: Xylopia ochranta, Annonaceae. Introdução A espécie Xylopia ochrantha (Annonaceae), popularmente conhecida como “imbiú-prego”, é utilizada pela população local para a fabricação de cabos de ferramenta, se encontrando presente no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. As espécies mais amplamente estudadas do gênero, dentre elas X.aethiopica, X.parviflora e X.brasiliensis, apresentam-se na literatura científica como possuindo diversas classes de substâncias, como esteroides, saponinas, taninos, além de terpenos, alcaloides e acetogeninas. Muitas dessas substâncias demonstraram ser responsáveis por diferentes atividades farmacológicas tais como, propriedades analgésica, antiinflamatória, antibacteriana, antifúngica, sedativa, antiparasitária e antitumoral. O objetivo desse trabalho é o estudo fitoquímico e bioguiado da espécie Xylopia ochrantha (Mart.) visando contribuir para o conhecimento quimiotaxonômico e biológico do gênero. Materiais e Métodos Folhas de X. ochrantha foram coletados na Restinga de Jurubatiba (RJ) em 27 de outubro de 2010. As mesmas foram submetidas a processo de secagem, trituração e extração por maceração à frio em etanol, durante um período de 15 dias, com agitação diária. Posteriormente, os extratos obtidos foram filtrados e concentrados para obtenção dos extratos brutos de folhas. Parte do extrato foi submetido a partição líquidolíquido com solventes de polaridade crescente (hexano, diclorometano, acetato de etila e n-butanol). As partições obtidas foram submetidas a processo isolamento, utilizando métodos cromatográficos usuais. O extrato bruto foi utilizado no teste de Viabilidade Celular utilizando MTT e Cristal Violeta, realizado em células tumorais hipofisárias humanas ATT20. Na verificação da atividade antioxidante das partições obtidas do extrato bruto, utilizou-se o método ORAC, que é baseado na reação de oxidação da fluoresceína, medindo-se a fluorescência em um fluorímetro FluoStar Optima. O resultado é II Jornada Fluminense de Produtos Naturais expresso como valor de Equivalente Trolox (TE), comparando o potencial antioxidante da amostra com o do padrão (Trolox). Resultados e Discussão O extrato bruto obtido das folhas de Xylopia ochrantha apresentou um rendimento de 5,343% (24,58g) de um total de 460g. Os extratos hexânico e diclorometânico foram submetidos a fracionamento por cromatografia em coluna de sílica gel. Os resultados preliminares, obtidos através de realização de cromatografia em camada fina e uso de soluções reveladoras específicas, demonstraram a presença de ácidos graxos, terpenoides, cumarinas, flavonoides, saponinas e alcaloides como principais classes de substâncias. As primeiras substâncias isoladas encontram-se em fase de identificação estrutural. Os experimentos realizados no teste de viabilidade celular em células tumorais hipofisiárias humanas, em diferentes concentrações dos extratos etanólicos brutos de Xylopia ochrantha, apresentaram uma diminuição significativa da proliferação celular. Na avaliação da atividade antioxidante, o extrato hexânico e o resíduo aquoso apresentaram um valor de 0,44 mmolTE/g e 1,15 mmolTE/g, respectivamente, o que demonstra a importância, principalmente do último, como uma potencial fonte de substâncias antioxidantes. Conclusões O estudo de investigação química e biológica de folhas de X. ochrantha demonstrou aspectos promissores quanto a esta espécie, como a inibição da proliferação de células tumorais e a presença de classes de substâncias com propriedades farmacológicas bem descritas na literatura científica, como terpenoides e cumarinas, além de apresentar resultados significantes na avaliação das atividades antioxidante e citotóxica. Agradecimentos PET-MEC, CNPQ, Faperj, Proppi, PG-CAPS Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 4 OTIMIZAÇÃO DA EXTRAÇÃO DA QUINONA 7-hidroxiroileanona DO EXTRATO DE FOLHAS DE Tetradenia ripaia Jônatas V. Milato (IC)¹*, Fabiana de S. Figueiredo (PG)¹, Raphael S. F. Silva (PQ) 2, Gilda G. Leitão (PQ)1 [email protected] 1 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, 21941-590, Rio de Janeiro, Brasil. 2 Instituto Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil Palavras-chave: Tetradenia riparia; quinona; extração. Introdução Tetradenia riparia (Hochst) Codd. (Lamiaceae), um arbusto de origem africana usado na medicina tradicional no tratamento da malária, problemas respiratórios, entre outros, é encontrado no Brasil em feiras livres para fins religiosos. Um de seus metabólitos secundários o diterpeno 7-- hidroxiroileanona, uma benzoquinona, que poderá ser utilizada como material de partida para a síntese de substâncias heterocíclicas para avaliação de atividade biológica. Naturalmente o sucesso do projeto depende de um processo de extração eficiente da benzoquinona, objeto de nosso estudo.1,2,3 neutralização fornece a quinona, que após extração e evaporação é obtida como um sólido amarelo em rendimento bruto de de 3%. Análise da amostra por cromatografia com fase gasosa (CG) indicou pureza de 78,87%. Análise por RMN (APT, HSQC, 1H) da amostra confirmou a estrutura da substância majoritária como a 7-hidroxiroileanona. Após purificação por Cromatografia Contracorrente, o rendimento final de extração ficou em 1%. OH O O Materiais e Métodos Ao extrato diclorometânico (6,1904g) obtido por maceração é adicionada uma solução aquosa de Na2CO3 a 10%. A solução vermelha obtida foi neutralizada com HCl concentrado. Este procedimento é realizado até o desaparecimento da coloração avermelhada da solução. Em seguida é realizada uma extração com acetato de etila. O controle do pH durante a neutralização foi realizado através de fita indicadora universal de pH, sendo o monitoramento da extração por cromatografia em camada delgada (CCD), o grau de pureza por cromatografia em fase gasosa (CG) e a elucidação estrutural por experimentos de RMN. OH H Figura 1. 7-- hidroxiroileanona Conclusões A extração ácido-base a partir do extrato diclorometânico das folhas de T. riparia mostrou-se eficiente permitindo a padronização da obtenção do diterpeno 7- hidroxiroileanona e a continuação das pesquisas. Agradecimentos A FAPERJ pelo suporte financeiro. 1 Resultados e Discussão O procedimento utilizado foi baseado na extração do lapachol, uma naftoquinona natural isolada de espécies de Tabebbuia.4 A reação entre a solução básica e a quinona forneceu o sal sódico correspondente que gerou a coloração avermelhada da solução. A posterior II Jornada Fluminense de Produtos Naturais GAIROLA, S.; et al. Flora, 204, p. 325-330, 2009. LEITÃO, F.; et al. Brazilian Journal of Pharmacognosy, 19(1B), p. 333-342, 2009 3 VAN PUYVELDE, L.; et al. Phytotherapy Research, v. 8, p. 65-69, 1994 4 FERREIRA, L. G. Revista Brasileira de Farmácia, n. 5/6, p. 153-156, 1975 2 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 5 ATIVIDADE VASODILATADORA DE EXTRATOS DE ESPÉCIES DE PLANTAS OCORRENTES NO NORTE FLUMINENSE Bruno Meirelles Paes (IC)1*, Paula Borges de Negreiros e Souza (IC)1, Letícia Lima Dias Moreira Ferreira (PG)1, Tatiana Ungaretti Paleo Konno (PQ)2, Ivana Correa Ramos Leal (PQ)3, Michelle Frazão Muzitano (PQ)3, Juliana Montani Raimundo (PQ) 1. [email protected] 1 Laboratório Integrado de Pesquisa, Campus UFRJ-Macaé. Rua Aloísio da Silva Gomes, 50. Granja dos Cavaleiros, Macaé, RJ. 2 Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, Campus UFRJ-Macaé. Av. São José do Barreto, 764. Barreto, Macaé, RJ. 3 Laboratório de Produtos Naturais, Campus UFRJ-Macaé. Rua Alcides da Conceição, 159. Novo Cavaleiros, Macaé, RJ. Palavras-chave: plantas; extratos; vasodilatação, Norte Fluminense. Introdução A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a mais prevalente doença vascular no mundo e o principal fator de risco para doenças cerebrovasculares, principal causa de morte no Brasil1. O uso de plantas medicinais é uma prática milenar e as plantas são uma fonte tradicional de novas moléculas2. O Norte Fluminense é uma região de grande biodiversidade, onde está localizado o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (PNRJ). Portanto, o objetivo deste trabalho é investigar o efeito de extratos de plantas presentes no PNRJ no músculo liso vascular, a fim de se identificar espécies com interessante perfil vasodilatador. Materiais e Métodos Os extratos etanólicos de folhas das espécies T. guianensis, M. moricandiana, P. asteria, K. membranacea, P. mucronata, V. polygama, O. notata e total de S. schottiana foram gentilmente cedidos pelo Laboratório de Produtos Naturais. Aortas isoladas de ratos Wistar machos (250-280 g) foram preparadas para registro de tensão isométrica. Os anéis de aorta foram posicionados em cubas experimentais preenchidas com solução nutridora, oxigenada a 37 0,5 oC. As preparações foram contraídas com 10M de fenilefrina e expostas a concentrações cumulativas dos extratos (1 a 300 g/ml). Foram utilizados anéis com endotélio. Este foi considerado íntegro quando o relaxamento induzido por acetilcolina (10M) foi superior a 80%. Todos os protocolos experimentais foram aprovados pelo CEUA/CCS-UFRJ. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão Os extratos de K. membranacea, V. polygama, T. guianensis, M. moricandiana e S. Schottiana provocaram importante relaxamento do músculo liso vascular, de forma dependente da concentração. A concentração de cada extrato necessária para inibir a contratura induzida pela fenilefrina em 50% (CI50) está apresentada na tabela abaixo. Espécie CI50 (µg/ml) K. membranacea 3,42 ± 0,33* V. polygama 236,00 ± 27,63 T. guianensis 1,01 ± 0,12* M. moricandiana 0,90 ± 0,07* S. schottiana 269, 30 ± 10,80 P. asteria ND P. mucronata ND O. notata ND ND= não determinada (relaxamento inferior a 50%). *P<0,05 comparado a V. polygama e S. schottiana; n=5-6 experimentos. Conclusões Os extratos de K. membranacea, T. guianensis e M. moricandiana provocam intenso relaxamento do músculo liso vascular e de forma equipotente. Agradecimentos FAPERJ, FUNEMAC, UFRJ/PIBEX ----------------------------------¹ Lessa, I. Cad. Saúde Pública 26(8): 1470-1471, 2010. 2 Calixto, J.B. Journal of Ethnopharmacology 100: 131-134, 2005. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 6 QUANTIFICAÇÃO DE FENÓIS TOTAIS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE EM AMOSTRAS DE Ocimum americanum. Flávia Bento Lana Henriques (IC)1*, Valkiria Elizabete Moreira (IC)1, Geórgia de Assis Dias Alves (IC)1, Jésus de Paula Sarmento (PQ)1, Carolina Miranda Gasparetto (PQ)1, Orlando Vieira de Sousa (PQ)1. E-mail: [email protected]. 1 Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais, Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora, Campus Universitário, Rua José Lourenço Kelmer, São Pedro, CEP 36036-900, Juiz de Fora, Minas Gerais. Palavras-chave: Ocimum americanum, Fenóis totais, Atividade antioxidante. Introdução Ocimum americanum, pertencente à família Lamiaceae, é considerada uma planta anual ou perene, conhecida popularmente por alfavafa-de-vaqueiro ou manjericãobranco, sendo amplamente cultivada na Índia devido ao óleo utilizado nas indústrias de alimentos e cosméticos. É usada no preparo de chás devido às propriedades tônicas e digestivas 1. O presente estudo teve como objetivo quantificar os teores de fenóis totais e avaliar a atividade antioxidante. Materiais e Métodos Amostras provenientes do Horto Medicinal da Faculdade de Farmácia da UFJF (A), da EMPAV (B) e de Caeté (C) foram usadas neste estudo. Folhas secas e pulverizadas das amostras foram extraídas em hexano seguida de acetato de etila por maceração estática. Os extratos hexânico (EH) e em acetato de etila (EA) foram usados para quantificação do teor de fenóis totais por espectrofotometria através do método Folin-Ciocalteu 2. A atividade antioxidante dos extratos foi avaliada pelo método do DPPH determinando a concentração efetiva 50% (CE50) 3. Os resultados foram demonstrados como média±E.P. Análise de variância seguida do teste de Tukey foi usada para medir o grau de significância para p < 0,05. Resultados e Discussão As amostras produziram os seguintes teores de fenóis totais (g/100 g): extratos hexânicos (A = 0,67 ± 0,01; B = 0,97 ± 0,00 e C = 0,67 ± 0,04) e extratos em acetato de etila (A = 0,54 ± 0,00; B = 0,43 ± 0,00 e C = 0,50 ± 0,01). A atividade antioxidante das amostras foi demonstrada pelas CE50 (µg/ml): extratos hexânicos (A = 98,81 ± 5,23; B = 42,90 ± 4,48 e C = 117,01 ± 2,64) II Jornada Fluminense de Produtos Naturais e extratos em acetato de etila (A = 44,26 ± 1,10; B = 50,32 ± 1,75 e C = 53,60 ± 3,41). O extrato hexânico da amostra B e o extrato em acetato de etila da amostra A apresentaram maior teor de fenóis totais e foram mais efetivos em inibir o DPPH, demonstrando maior atividade antioxidante. Substâncias fenólicas de O. americanum têm sido descritas na literatura 4, o que corroboram com os resultados encontrados nesta pesquisa. A diferença entre os teores de fenóis totais das amostras analisadas pode contribuir para a qualidade de O. americanum. Conclusões As amostras possuem constituintes fenólicos e atividade antioxidante, entretanto, a procedência é um fator importante para as análises dos parâmetros avaliados. Agradecimentos UFJF, CNPq, FAPEMIG e CAPES. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 Souza Filho, A. P. S.; Bayma, J. C.; Guilhon, G. M. S. P.; Zoghbi, M. G. B. Atividade potencialmente alelopática do óleo essencial de Ocimum americanum. Plantas Daninhas, v. 27, n. 3, p. 499-505, 2009. 2 Sousa, C. M. M.; Silva, H. R.; Vieira-Junior, G. M.; Ayres, C. L. S. C.; Araujo, D. S.; Cavalcante, L. C. D.; Barros, E. D. S.; Araujo, P. B. M.; Brandao, M. S.; Chaves, M. H. Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, v. 30, n. 2, p. 351-355, 2007. 3 Mensor, L. L.; Menezes, F. S.; Leitão, G. G.; Reis, A. S.; Dos Santos, T. C., Coube, C. S.; Leitão, S. G. Screening of brazilian plant extracts for antioxidant activity by the use of DPPH free radical method. Phytotherapy Research, v. 15, n. 2, p. 127-130, 2001. 4 Dhale, D. A.; Birari, A. R.; Dhulgande, G.S. Preliminary Screening of Antibacterial and Phytochemical Studies of Ocimum americanum Linn. Journal of Ecobiotechnology, v. 2, n. 8, p. 11-13, 2010 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 7 APLICAÇÃO DA CROMATOGRAFIA CONTRACORRENTE NO ISOLAMENTO DE PORFIRINAS DE Gallesia integrifolia. Amaro Chaves Ramos (IC)¹*, Fernanda da Silva Neves (PG)¹, Rodrigo Rodrigues de Oliveira (PQ)1. [email protected] 1 Laboratório de Ciências Químicas, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, 28013602, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brasil. Palavras-chave: cromatografia contracorrente; porfirina; Gallesia integrifolia; Phytolaccaceae. Introdução Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms, também conhecida como Gallesia gorazema (Vell.) Moq. é uma planta pertencente a família Phytolaccaceae que ocorre do Paraná até o Ceará1. Esta espécie popularmente conhecida como pau-d'alho no Brasil1 e por "ajoskiro2" e "palo de ajo3" no Peru, é utilizada na medicina popular para tratamento de reumatismo2, bronquites e asma3. Considerando a carência de trabalhos no âmbito fitoquímico sobre esta espécie, buscou-se isolar substâncias a fim de ampliar os dados literários, com o auxílio da cromatografia contracorrente. A cromatografia contracorrente (CCC) trata-se de uma técnica de separação que utiliza uma fase estacionária líquida o que elimina a chance de perda de amostra por adsorção à matriz sólida usualmente utilizada em outras técnicas cromatográficas. Além disso, não levando em consideração o valor do aparelho em si, pode-se considerar esta técnica barata, pois o único custo envolvido é a aquisição dos solventes adequados4. Materiais e Métodos Foram testados 17 sistemas de solventes intitulados Arizona, sendo 14 destes de acordo com a literatura5. Cada sistema foi testado através do método de agitação em tubo de ensaio6 seguida de análise quantitativa por cromatografia em camada delgada (CCD). A fração diclorometano (425,2 mg) foi submetida à cromatografia contracorrente utilizando o sistema de solvente hexano: EtOAc: MeOH: H 2O na proporção de 1:2,5:2,5:1. A fase orgânica deste sistema foi utilizada como fase estacionária e a fase aquosa como fase móvel. Ao atingir-se o equilíbrio hidrodinâmico (retenção de 80,2%) a amostra foi injetada. Após 57 frações de 4 mL cada, encerrou-se a corrida. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Deste procedimento foram obtidas as porfirinas 7c-metoxifeoforbídeo a e 7cmetoxi-10-hidroxifeoforbídeo a. Resultados e Discussão As estruturas das porfirinas foram confirmadas por espectrometria de RMN. Figura 1: 7c-metoxifeoforbídeo a e 7c-metoxi10-hidroxifeoforbídeo a e seus deslocamentos de RMN 13C. Conclusões A ampla quantidade de sistemas de solventes existentes e a possibilidade de realizar pequenas modificações nas proporções dos mesmos conferem a esta técnica inúmeras vantagens e possibilitam o direcionamento para a substância alvo através do ajuste do coeficiente de partição (KD) da mesma. Agradecimentos A FAPERJ pelo apoio financeiro. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 - BARROS, S.S.U., DA SILVA, A., AGUIAR, I.B., Revista Brasil. Bot., 28(4):727-733, 2005 2 - SANZ-BISET, J. et al., Journal of Ethnopharmacology, 122:333-362, 2009 3 - BUSSMANN, R.W., GLENN, A., Rev. Peru. Biol., 17(2):331-346, 2010 4 - HOSTETTMANN, K., MARSTON, A., J. Liq. Chromatogr. & Rel. Technol., 24(11&12):1711-1721, 2001 5 - BERTHOD, A., HASSOUN, M., RUIZ-ANGEL, M.J., Anal Bioanal Chem, 383:327-340, 2005 6 - BERTHOD, A., CARDA-BROCH, S., J. Chromatogr. A, 1037:3-14, 2004 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 8 ATIVIDADE ANTIOXIDANTE E QUANTIFICAÇÃO DE TEORES DE FLAVONOIDES E FENOIS DE Vernonia condensata Jucélia Barbosa da Silva (PG)¹, Vanessa dos Santos Temponi (PG)¹, Kamilla Coelho Morais Rodrigues (PG)1*, Carolina Miranda Gasparetto1 (PQ), Dalyara de Mendonça Matos1 (IC), Danielle Maria Aragão2 (PG), Jésus de Paula Sarmento1 (PQ), Elita Scio Fontes2 (PQ); Maria Silvana Alves1 (PQ), Orlando Vieira de Sousa1 (PQ). E-mail de contato: [email protected] 1 Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora. 2Departamento de Bioquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora Palavras-chave: Vernonia condensata; atividade antioxidante; fenóis; flavonoides. Introdução Vernonia condensata Baker, conhecida como boldo, necroton ou figatil, é utilizada na medicina popular por suas propriedades analgésica, antimicrobiana, de proteção gástrica e tratamento de doenças gastrointestinais, diarréia e dor de cabeça1. Vernoniosídeo B2, um esteróide, isolado de V. condensata, demonstrou atividades antinociceptiva, antiinflamatória, sedativa e anti-ulcerogênica2. O presente estudo quantificou os teores de fenóis e flavonóides totais e atividade antioxidante. Materiais e Métodos O material vegetal foi coletado no Horto Medicinal da Faculdade de Farmácia da UFJF, Juiz de Fora, MG. Uma exsicata (CESJ nº 52943) encontra-se depositada no Herbário do Departamento de Botânica da UFJF. Após secagem, as folhas foram extraídas com etanol por maceração estática até a exaustão. O extrato etanólico (EE) foi particionado, dando origem às seguintes frações: hexânica (FH), diclorometânica (FD), em acetato de etila (FA) e butanólica (FB). A Atividade antioxidante (AA) foi realizada pelos métodos 2,2 difenil-1-picrilhidrazilo (DPPH)3 e poder de redução do Fe3+ 4. Os fenóis 3 e flavonóides totais foram quantificados pelo método espectrofotométrico. Os resultados foram demonstrados como média±erro padrão. Análise de variância seguida de teste de Turkey foi utilizada para p < 0,05. Resultados e Discussão A tabela demonstra os teores de fenóis, flavonoides e valores de CE50 da AA pelo Método DPPH e Poder de Redução. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Produtos Testados Flavonoides (g/100g) EE Fenóis Totais (g/100g) 11,73±0,18 0,16±0,01 35,44±0,76 Poder de Redução (µg/ml) 54,42±0,19 FH 0,19±0,03 0,13±0,01 147,14±0,40 212,45±0,02 FD 2,48±0,08 1,48±0,02 51,69 0,44 336,48±11,05 FA 23,11±0,90 4,10±0,03 18,44±0,54 19,98±0,42 FB 15,14±0,07 0,94±0,00 48,45±0,26 53,88±0,085 - - 14,29 0,11 8,27±0,25 - - 1,73±0,04 Rutina Ácido Ascorbico As médias são diferentes entre si. CE50 (µg/ml) Os resultados demonstraram que V. condensata é rica em substâncias fenólicas que podem ser responsáveis pela a atividade antioxidante como demonstrada pelos os métodos empregados6. Conclusões Vernonia condensata constitui um potencial candidato para a busca de novos fármacos com ação antioxidante, principalmente a partir de fenóis. Agradecimentos UFJF; FAPEMIG; CAPES; CNPq ----------------------------------Referencias Bibliográficas: 1 Lorenzi, H.; Matos, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil Nativas e Exóticas. Nova Odessa (SP): Instituto Plantarum, 544 p.2008. 2 Valverde, A.L. Analgesic and antiinflammatory activities of vernonioside B2 from Vernonia condensata. Phytotherapy Research, v. 15, p.263-264, 2001. 3 Sousa et al. Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, v. 30, p. 351-355, 2007. 4 Oyaizu, M. Studies on product of browning reaction prepared from glucose amine. Japan Journal of Nutrition, v. 44, p. 307-315, 1986. 5 Sobrinho et al. Validação de metodologia espectrofotométrica para quantificação dos flavonóides de Bauhinia cheilantha (Bongard) Steudel. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 44, p. 683-689, 2008. 6 Genovese, M. I. et al. Bioactive Compounds and Antioxidant Capacity of Exotic Fruits and Commercial Frozen Pulps from Brazil. Food Science and Technology International, v. 14, p. 207-214, 2008. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 9 ESTUDO QUÍMICO DE Guarea guidonea Priscila Elias Alves (IC)¹*, Cristiane Pereira (PG)¹, Cássia Mônica Sakuragui (PQ)2, Ana Cláudia Fernandes Amaral (PQ)3, Ricardo Machado Kuster (PQ)1. E-mail de contato: [email protected] 1 Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2 Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 3 Instituto de Tecnologia em Fármacos, Fundação Oswaldo Cruz – Far-Manguinhos/FIOCRUZ, Rua Sizenando Nabuco, 100 Manguinhos, 21041-250, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Palavras-chave: Flavonoides, Guarea, fitoquímica. Introdução Algumas espécies do gênero Guarea (Meliaceae) são utilizadas em medicina popular para o tratamento de doenças inflamatórias, tais como reumatismo, além de apresentarem efeitos antivirais e citotóxicos in vitro (Camacho et al. 2001). A espécie Guarea guidonia, conhecida como carrapeta, apresenta ampla distribuição no sudeste brasileiro. Estudos fitoquímicos com esta espécie revelam a presença de sesqui-, di- e triterpenos em suas folhas, frutos e galhos (Brochini e Roque, 2000). Como parte de nossos estudos sobre a espécie G. guidonia foi realizada a análise fitoquímica da partição butanólica de suas folhas. Materiais e Métodos O extrato hidrometanólico obtido das folhas de Guarea guidonia foi submetido à partição líquido-líquido com solventes em ordem crescente de polaridade, tais como hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol. Foi realizado o perfil cromatográfico da partição butanólica por HPLC/DAD e esta foi submetida a várias etapas de cromatografia em coluna utilizando XAD-2 e Sephadex LH-20 como adsorventes. A fração pura obtida foi avaliada por CCD, bem como por técnicas espectroscópicas (RMN H1 e UV) e espectrométricas (EM-ESI). cromatograma, foi possível detectar a presença de flavonoides derivados da quercetina, visto que estes apresentavam coloração alaranjada característica, bem como máximos de absorção no UV nas regiões de 254 e 356nm. Após a obtenção do espectro de massas (m/z 463) e dos espectros de RMN H1 (1 e 2D) da amostra pura, foi possível identificar os flavonoides isolados como sendo uma mistura de hiperina (quercetina 3-O-galactosídeo) e isoquercitrina (quercetina 3-O-glucosídeo). Conclusões Em função da presença de limonóides em Meliaceae, poucos trabalhos sobre isolamento e elucidação estrutural de flavonoides do gênero Guarea tem sido realizados. Este trabalho inclui-se, portanto, no esforço para aumentar a literatura química e quimiossistemática sobre a espécie. Agradecimentos CNPq. ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹ Camacho, M. R., Phillipson, J. D., Croft, S. L., Kirby, G. C., Warhurst, D. C., Solis, P. N. Terpenoids from Guarea rhophalocarpa. Phytochemistry 56, 203, 2001. ² Brochini, C. B., Roque, N. F. Two new cneorubin related diterpenes from the leaves of Guarea guidonia (Meliaceae). J. Braz. Chem. Soc. 11, 361. 2000. Resultados e Discussão Após análises das placas de cromatografia em camada delgada reveladas com NP e PEG (reveladores específicos para substâncias fenólicas) e dos espectros de UV obtidos a partir do II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 10 AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DE CUMARINA E PROCEDIMENTOS EM GUACO (Mikania glomerata). Monica Barcelos de Souza Lopes [email protected]; [email protected] (IC)¹*, Nair Bizão (PG)¹. Universidade Federal de Mato Grosso, Rodovia MT-100, Km 3,5. Pontal do Araguaia-MT. Palavras-chave: Mikania glomerata, manipulação, custo. Introdução ser visto na figura 1. A Mikania glomerata é uma espécie medicinal de alto valor comercial popularmente conhecida como guaco1. Amplamente empregada pela população, as folhas são usadas na medicina popular para tratar doenças do trato respiratório2. O estudo objetivou comparar diferentes concentrações de extratos de folhas secas e frescas de Mikania glomerata através de seu principal constituinte químico, a cumarina, bem como a manipulação do xarope de guaco para comparar custo. Materiais e Métodos Foram preparados dois extratos alcoólicos, de folhas secas e de folhas frescas. Foram feitas duas manchas em um papel filtro com o extrato das folhas secas. Em seguida uma das manchas foi alcalinizada (KOH 0,1 mol.L-1). O papel com as manchas foram expostos à ação da luz ultravioleta. O mesmo procedimento foi repetido com o extrato de folhas frescas. O xarope de guaco foi preparado segundo a descrição da Farmacopéia Brasileira, onde todo material gasto no preparo foi somado para comparação de preços daqueles comercializados nas drogarias de Barra do Garças-MT. Resultados e Discussão No extrato de folhas secas (A) de Mikania glomerata observou-se uma forte fluorescência indicativa de cumarina bem visível na mancha alcalinizada como pode Na mancha do extrato de folhas frescas (B) é possível observar pouca fluorescência. A escolha do método de secagem pode então influenciar tanto na preservação de constituintes, ou mesmo na volatilização dos mesmos. Foram gastos de materiais na manipulação de 500 mL do xarope de guaco vinte e um reais. Cada vidro com 100 mL custou quatro reais e vinte centavos, enquanto que aqueles comercializados apresentou um valor cinco vezes maior do que o manipulado. Conclusões O extrato de maior concentração de cumarina foi aquele em que as folhas foram secas. O xarope de guaco manipulado obteve um custo cinco vezes menor do que aqueles comercializados em drogarias de Barra do Garças-MT. Agradecimentos À Deus que possibilitou a realização deste, meus pais e a professora Dr. Nair Bizão. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1Castro, E. M.; Pinto, J. E. B. P., Alvarenga, A. A.. Ciên. Agrotec., Lavras V.27, n. 6, p 1293-1300, 2003. 2 Alvarenga, S. A. V.; Garcia, E. F.; Bastos, E. M. A.; Rev. Bras. de Farmacog. 19(2ª):442-448, 2009. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 11 SÍNTESE E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIINFLAMATÓRIA E ANTIMICROBIANA DE DERIVADOS 5,7-DIHIDROXICUMARINA. Diego Rangel Cardoso Silva (PG)1*, Amaro Chaves Ramos (IC)1, Rodrigo Rodrigues de Oliveira (PQ)1. [email protected]. 1 Laboratório de Ciências Químicas, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, 28013160, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Brazil. Palavras-chave: Síntese, cumarina, antiinflamatório e antimicrobiano Introdução As cumarinas são substâncias que apresentam como base estrutural o anel lactona condensado. Estudos indicam que essas substâncias naturais ou sintéticas apresentam excelente atividade antiinflamatória, ao inibir a produção de citocinas e NO que atuam no processo de inflamação, além da atividade antimicrobiana frente a culturas contendo micobatéria, que são causadoras da tuberculose bovina1,2. Nesse contexto, foram realizadas diversas sínteses a partir da 5,7dihidroxicumarina e do bergapteno, a fim de se obter vários derivados de substituição nas posições 5 e 7, que foram avaliados quanto a atividade antiinflamatória e antimicrobiana em culturas contendo Mycobacterium bovis. Materiais e Métodos As cumarinas 5,7-dihidroxicumarina e 5-hidroxi-7-metoxicumarina foram obtidas a partir da reação de ciclizaçãoesterificação catalisada por ZnCl2, com material de partida 1,3,5-trihidoxibenzeno e 5-metoxiresorcinol, utilizando o reagente propilato de etila. A desmetilação do bergapteno foi feita diretamente com tribrometo de boro. Os produtos obtidos anteriormente foram utilizados nas reações de substituições nucleofílicas com 1,3dibromopropano e 1,4-dibromobutano, diacetal bromo acetaldeído, Nbis(dimetilpiridil)amina e cloreto de cloroacetila, em presença de bases e solventes apróticos para obtenção de diferentes derivados. Os ensaios biológicos in vitro consistiram em teste de inibição de óxido nítrico (NO) em cultura de macrófagos, inibição de citocina TNF-α e citotoxicidade em cultura de fibroblastos e inibição de crescimento em cultura de Mycobacterium bovis. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussões Das reações descritas anteriormente foram obtidas três substâncias cumarínicas (1a, 1b e 2) e nove cumarinas substituídas (3a, 3b, 4a, 4b, 5, 6a, 6b, 6c e 7) com rendimentos 3 R R entorno deO 75%. O 2 R 1 O O O O 1a, 1b, 3a, 3b, 5, 6a, 6b, 6c e 7 O R1= R2= H 5,7-dihidroxicumarina (1a) R1= CH3; R2= H 5-hidroxi-7-metoxicumarina (1b) 3 O 2, 4a e 4b R=H 5-hidroxipsoraleno (2) R1= CH3; R2= C3H6Br 5-(3- bromopropoxi)-7-metoxicumarina (3a) R1= CH3; R2= C4H8Br 5-(4-bromobutoxi)-7-metoxicumarina (3b) 3 R = C3H6Br 5-bromopropoxipsoraleno (4a) R3 = C4H8Br 5-bromobutoxipsoraleno (4b) R1= CH3; R2= C15H20N3 5-{4-[bis(2-piridinilmetil)amino]propóxi}-7metóxicumarina (5) R1= C6H13O2; R2= H 7-(2,2-dietoxietoxi)-5-hidroxicumarina (6a) 1 2 R = R = C6H13O2 5,7-bis(dietoxietoxi)cumarina (6b) R1= CH3; R2= C6H13O2 5-(dietoxietoxi)-7-metoxicumarina (6c) R1= CH3; R2= C2H2ClO 5-cloroacetóxi-7-metoxicumarina (7) As substâncias 1a, 1b, 2, 3a, 3b, 4a e 4b apresentaram atividade inibitória frente a produção de NO e TNF-α, inibitória frente ao crescimento microbiano e baixa ação citotóxica. Conclusões Diferentes cumarinas substituídas obtidas por síntese apresentam excelente potencial antiinflamatório, ao inibir os mediadores pró-inflamatórios NO e TNF- α, e antimicrobiano ao inibir o crescimento em cultura de Mycobacterium bovis. Agradecimentos A FAPERJ pelo apoio financeiro. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 GÜRSÓY, A. & KARALI, N. Turk J. Chem., 2003, 27: p. 545-551. 2 NUNES, C. Dos R., et al. Ciênc. Bio. Saúde, 2011, 1(2): 1-8. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 12 Atividade citotóxica e antiherpética (anti HSV-1) dos extratos e substâncias isoladas a partir de Clusia fluminensis Planch & Triana. Levino da Costa Meneses (IC)1, Ingrid de Barcelos Oliveira (PG)1, Viveca Giongo (PQ)1, Maria Carolina Anholeti da Silva (PG)2,3*, Maria Auxiliadora Coelho Kaplan (PQ)3, Selma Ribeiro de Paiva (PQ)2, Izabel Christina Nunes de Palmer Paixão (PQ) 1. [email protected] 1Laboratório de Virologia Molecular, Universidade Federal Fluminense, Outeiro de São João Batista s/nº, Campus Valonguinho, Niterói, Niterói. 2Laboratório de Botânica. Universidade Federal Fluminense, Outeiro de São João Batista s/nº, Campus Valonguinho, Niterói. 3Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Universidade Federal Fluminense, Centro de Ciências da Saúde, Bloco H, Cidade Universitária, Rio de Janeiro. Palavras-chave: Clusia fluminensis, citotóxico, HSV-1. Introdução O vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1) infecta células mucoepiteliais e é capaz de estabelecer latência nos gânglios sensoriais. Possui ampla distribuição mundial, e estima-se que aproximadamente 90% da população do mundo ocidental seja soropositiva para esse vírus1. O tratamento prolongado com drogas já conhecidas, como o aciclovir, favorece a emergência de cepas resistentes, principalmente em pacientes imunocomprometidos, tornando necessário e urgente o desenvolvimento e busca de novas substâncias capazes de prevenir e tratar infecções por HSV-1. Clusiaceae compreende 14 gêneros botânicos, e encontra-se caracterizada principalmente pela presença de xantonas, benzofenonas, flavonóides, cumarinas e terpenóides2. Este trabalho avaliou a atividade de extratos brutos e substâncias isoladas de Clusia fluminensis Planch & Triana, uma espécie nativa do litoral brasileiro, na replicação in vitro do vírus HSV-1. Materiais e Métodos Os extratos brutos foram obtidos por maceração estática dos órgãos vegetais secos e fragmentados com os solventes apropriados, seguido de evaporação do solvente. O triterpeno lanosterol e a benzofenona clusianona foram isolados a partir do extrato hexânico das flores de C. fluminensis, através de cromatografia contracorrente. A citotoxidez das amostras foi avaliada utilizando o sal de tetrazolium MTT [3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)2,5-difenil brometo de tetrazolium]3. A avaliação da potencial atividade antiviral contra HSV-1 foi realizada através do método de redução de formação de placa de lise4. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão Os extratos brutos avaliados apresentaram certa citotoxidez em relação ao controle positivo, o aciclovir, exceto os extratos hexânico dos frutos maduros (CFFRH), metanólico das folhas (CFFM) e metanólico dos frutos (CFFRM). Os extratos apresentaram alto percentual de inibição frente ao vírus HSV-1, alcançando de 81,4 a 100% de inibição em concentração nãocitototóxica (50µg/ml), exceto o extrato diclorometânico das flores (CFFLD), cujo CC50=19µg/ml. O lanosterol e a clusianona também apresentaram certa citotoxidez em relação ao aciclovir, e ambos demonstraram 100% de inibição em concentração não-citototóxica (50µg/ml). Conclusões Os resultados obtidos com os extratos brutos e substâncias isoladas de C. fluminensis corroboram o fato de que os extratos vegetais representam uma valiosa fonte de substâncias com potencial antiherpético (anti-HSV1), mostrando-se promissores para os estudos in vitro do seu mecanismo de ação. Agradecimentos CNPQ, CAPES ----------------------------------1 Schuhmacher, A.; Reichling, J.; Schnitzler, P. Phytomedicine, 10, p. 504-510, 2003. 2 Stevens, P. F. 2001 onwards. Angiosperm Phylogeny Website, Version 9, June 2008. URL [http://www.mobot.org/mobot/research/apweb/]; accessed on February 2010. 3 Mosmann, T. Immunol. Methods, 65, p. 55-63, 1983. 4 Nyberg, K.; Ekblad, M.; Bergstrom, T.; Freeman, C.; Christopher R. Parish, C. R.; Ferro, V.; Trybala, E... Antiviral Res., 66, p. 15-24. 2004. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 13 CONSTITUINTES APOLARES DE Piper Cabralanum C.DC (Piperaceae) Felipe Stanislau Candido1,2(IC), Maria Auxiliadora Coelho Kaplan2(PQ), Davyson de Lima Moreira1(PQ). ¹ Departamento de Produtos Naturais, Far-Manguinhos/ FIOCRUZ, Rio de Janeiro. ² Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais (NPPN), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro. Palavras-chave: Piper cabralanum, Piperaceae, constituintes apolares. Introdução A família Piperaceae é representada por plantas herbáceas, arbustos e, raramente, árvores e conta com cerca de 2000 espécies, quase todas incluídas em Piper e Peperômia1,2. Substâncias isoladas de diferentes espécies de Piperaceae têm mostrado interessantes atividades biológicas, tais como, antiparasitparia, antiinflamatória e antitumoral3. Materiais e Métodos Piper cabralanum C.DC. foi coletada próxima ao município de Teresópolis/ RJ e teve suas folhas e caules secos separadamente. As folhas secas foram submetidas à extração por maceração estática com metanol até completa exaustão. O extrato metanólico obtido foi concentrado em evaporador rotatório e, posteriormente, ressuspendido em solução de metanol/ água 1:1. Realizou-se, então, uma partição líquido-líquido com hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol. Posteriormente, o extrato hexanico (16g), ativo contra células leucêmicas4, foi cromatografado em coluna de gel de silica usando hexano, acetato de etila e metanol, como fases móveis, em gradientes de polaridade crescente e suas frações analisadas por Cromatografia em Fase Gasosa Acoplada a Espectrômetro de Massas (CG-EM) e por Cromatografia em Fase Líquida de Alta Eficiência (CLAE). As substâncias isoladas foram analisadas por CG-EM e por Ressonância Magnética Nuclear (RMN) de 1H e 13C. Resultados e Discussão A cromatografia em coluna (CC) em gel de silica do extrato em hexano rendeu 77 frações das quais as frações 20 e 35 foram recromatografadas possibilitando a identificação de duas substancias codificadas como PCA-Hex-1 e PCA-Hex-2 A CC da fração 35 possibilitou o isolamento II Jornada Fluminense de Produtos Naturais de uma substancia codificada como PCAHex-3. Análise por CG-EM das amostras PCA-Hex-1 e PCA-Hex-2 mostrou a presença de uma substância majoritária em cada fração. Pesquisa em banco de dados sugeriu para PCA-Hex-1 a substâcia 3,4dimetoxi-benzenopropionato de metila e para a substância PCA-Hex-2 o ácido 3,4dimetoxi-benzenopropiônico. Análises por RMN de 1H mostraram sinais na região de hidrogênios aromáticos e alifáticos, além de hidrogênios referentes à metoxila para ambas as substâncias. O espectro de RMN de 1H de PCA-Hex-1 mostrou, ainda, sinal de hidrogênios de metila em ligação tipo éster. Os dados de RMN de 13C foram comparados com aqueles da literatura confirmando as estruturas propostas. Análises por CLAE-DAD-UV usando as substâncias isoladas possibilitaram identifica-las no extrato metanólico e na fração em hexano. O teor relativo dessas substâncias no extrato é cerca de 1%. Análises por CG-EM e RMN 1H de PCAHex-3 permitiu identifica-la como sitosterol glicosilado. Conclusões O estudo fitoquimico da fração apolar de P. Cabralanum, permitiu a identificação de 3,4-dimetoxi-benzenopropionato de metila, ácido 3,4-dimetoxibenzenopropiônico e sitosterol glicosilado. Essas substâncias estão sendo descritas pela primeira vez em P. cabralanum. Agradecimentos PIBIC-FIOCRUZ, FAPERJ. ----------------------------------¹ Yuncker, T. G. Hoehnea, 2, 19-366, 1972. 2 Lorenzi, H.; Matos, F.J.A. 2002 Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum: Nova Odessa, SP. 512p. 3 Moreira, D.L.; Guimarães, E.F.; Kaplan, M.A.C. Phytochemistry, 55, 783-786, 2000. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 14 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE ESPÉCIES VEGETAIS DA RESTINGA DE JURUBATIBA Adriana Rocha Dutra (IC)¹*, Renata de Jesus Mello (IC)2, Juliana Montani (PQ)2,Tatiana U. P. Konno (PQ)3 Michelle F. Muzitano (PQ)1, Denise de O. Guimarães (PQ)1 e Ivana C. R. Leal (PQ)1 [email protected] 1 Laboratório de Produtos Naturais Bioativos (LaProN)- IMMT- UFRJ / Macaé, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rua Aloísio da Silva Gomes, Nº.50- Granja dos Cavaleiros, Macaé- RJ- CEP:27930-560. 2 Laboratório de Pesquisa Integrado- Pólo Universitário- UFRJ / Macaé 3Núcleo de Pesquisas em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé-NUPEM, UFRJ/ Macaé. Rua Rotary Club. São José do Barreto, Macaé-RJ Palavras-chave: Atividade antioxidante, DPPH, Produtos Naturais, Restinga de Jurubatiba. Introdução Radicais livres (RL) são espécies altamente reativas por possuírem elétrons desemparelhados. Na presença de agentes antioxidantes são neutralizados perdendo sua ação deletéria, evitando o estresse oxidativo. Mesmo existindo um mecanismo de reparo do organismo humano a busca por fontes naturais que atuem como antioxidantes, interagindo com RLs, podem funcionar como importantes medidas preventivas 1,2. Este trabalho tem como objetivo avaliar a atividade antioxidante de espécies vegetais da Restinga de Jurubatiba, coletadas em Quissamã, através do método do DPPH, promovendo a busca por extratos promissores. AAO% = 100 – {[(ABSAmostra - ABSBranco) x 100] / ABSControle} Os resultados foram expressos em valores de CE50, concentração efetiva para obter 50% da atividade máxima, estimada em 100% (Figura 1). O extrato padronizado de Ginkgo biloba EGb 761® foi usado como padrão positivo, sendo testado nas mesmas condições descritas acima. Materiais e Métodos O DPPH (C18H12N5O6). Massa molar: 394.32 g/mol- é um radical estável à temperatura ambiente que produz uma solução violeta em etanol. Na presença de substâncias antioxidantes, o DPPH é reduzido, passando da cor violeta para o amarelo ou incolor em reações que transcorrem durante 30 minutos. Essa mudança permite-nos observar e quantificar a capacidade antioxidante de cada amostra pela leitura da absorvância em 518 nm.³ Para cada extrato foram realizados três experimentos independentes, em triplicata, englobando concentrações de 1,25 µg/ml a 250 µg/ml, os quais foram validados estatisticamente. Figura 1. Avaliação da atividade antioxidante de espécies vegetais da Restinga de Jurubatiba. De acordo com os resultados, os extratos das espécies O. notata (CE50=12,4), K. membranaceae (CE50=10,7) e M. moricandiana (CE50=13,2) foram os mais ativos, com valores de CE50 significativamente menores que o padrão EGb761®. A espécie V. crotonoides apresentou atividade menos significativa, entretanto, comparável ao padrão. Conclusões Resultados promissores foram alcançados, portanto, mais estudos são essenciais para a aplicação prática dos extratos. Bibliografia e Agradecimentos Radical Livre Forma Reduzida Resultados e Discussão Os valores da absorvância foram convertidos em atividade antioxidante percentual (AAO%), conforme a fórmula: II Jornada Fluminense de Produtos Naturais ¹ BARBOSA, et al . Estresse oxidativo: conceito, implicações e fatores modulatórios. Rev. Nutr., Campinas, v. 23, n. 4, Aug. 2010; ² BIANCHI, et al. Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta. Rev. Nutr., Campinas, v. 12, n. 2, Aug. 1999; 3Mensor et al., 2001. FUNEMAC, FAPERJ, CNPq Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 15 ENSAIOS PRELIMINARES DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DA ESPÉCIE Eichhornia crassipes (Mart.) Solms Mayara A. da T. Silva (IC)¹*, Mariana Ribeiro3 (IC), Karen Danielle B. Dutra (PG)¹, Maria Carolina A. da Silva3 (PG), Selma R. de Paiva3 (PQ), Ana J. Coutinho3 (PQ), Angélica R. Soares2(PQ), Rosângela de A. Epifanio (PQ)1, Alessandra L. Valverde (PQ)1. [email protected] 1 LaProMar - Instituto de Química – UFF.; 2 GPNOA – NUPEM/UFRJ ; 3 Laboratório de botânica – Instituto de Química - UFF Palavras-chave: Eichhornia crassipes, aguapé, atividade antioxidante. Introdução A espécie Eichhornia crassipes pertence à família Ponterderiaceae, onde são incluídas as plantas aquáticas e de pântanos. Comumente conhecida como aguapé, é causadora de diversos problemas para a navegação e a deterioração da qualidade da água, sendo encontrada principalmente nos países tropicais1. O extrato metanólico da planta apresentou elevados índices de atividade antioxidante em testes realizados com DPPH e ABTS2. Trabalhos de nosso grupo também constataram a presença de substâncias com atividade antioxidante em testes espectrofotométricos com DPPH dessa espécie, coletada em Macaé, RJ, onde constatou-se uma rápida reação do extrato em diferentes concentrações, obtendo-se a atividade máxima do extrato em torno de 60%, na concentração de 250 μg/mL.3 O presente trabalho tem por objetivo, analisar a atividade antioxidante do extrato bruto e das frações mais polares, pelo mesmo procedimento supracitado, com planta coletada em Paço do Lumiar, MA. Materiais e Métodos Foram macerados 505g do pó da E. crassipes em 3,5 L de metanol. Após 15 dias, o decantado foi filtrado e o solvente evaporado. Parte do extrato bruto foi utilizado (1,6067g) e solubilizado em 180 mL de uma mistura de MeOH:CH2Cl2 (2:1), acrescentando-se celite, para o preparo da pastilha. Esta foi aplicada sob vácuo a uma coluna com altura de 7,5cm e diâmetro de 6,5 cm, contendo sílica HQ (sem gesso). Utilizou-se gradiente de eluição com: diclorometano, acetato de etila, acetona e metanol (200 mL de cada). As frações obtidas e o extrato bruto foram submetidos à CCD em sílica, utilizando-se como fase móvel CH2Cl2: MeOH (9:1), revelando-se com solução 0,4 mM de DPPH em metanol. O potencial de atividade antioxidante das II Jornada Fluminense de Produtos Naturais frações mais polares e do extrato bruto foi analisado quantitativamente em espectrofotômetro, utilizando-se solução 0,3 mM de DPPH, para construção da curva padrão e BHT como padrão. Resultados e Discussão As 4 frações obtidas pela cromatografia líquida à vácuo foram evaporadas, obtendo-se um rendimento de 95,5%. Pela CCD foi possível observar que as frações em acetona e metanol apresentaram o maior potencial de atividade antioxidante, quando revelados com a solução de DPPH. Todas as amostras apresentaram EC50 maior que o padrão, pois o mesmo está puro enquanto que as amostras são uma mistura de substâncias. Do ponto de vista cinético todas as amostras apresentaram reação rápida em cada concentração analisada. Na maior concentração analisada (125 μg/mL) as frações apresentaram melhor desempenho que o extrato bruto, demonstrando que nessas duas frações mais polares se encontram a maior concentração de substâncias com atividade antioxidante. Conclusões Os resultados demonstram a presença de substâncias com proeminente atividade antioxidante nas duas frações do extrato bruto, fazendo destas amostras candidatas para estudos futuros de atividade antioxidante, visando à identificação e isolamento das substâncias em questão. Agradecimentos Agradecemos à UFF, FAPERJ e CNPq. ----------------------------------1. Wang, M.-Z., et al., Helv. Chim. Acta. 2011, 94 (1), 61-66. 2. Shanab, S. M. M., et al., Int. J. Electrochem. Sc. 2011, 6 (7), 3017-3035. 3. Morgado, C. d. S., et al. 34ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, Águas de Lindóia, SP, 2011. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 16 ATIVIDADE ANTIMICOBACTERIANA DE EXTRATOS ETANÓLICOS E FRAÇÕES ALCALOÍDICAS DE Psychotria spp. Marlon Heggdorne de Araújo (PG)1*, Tarsila Maria da Silva (PG)2, Maura Da Cunha (PQ)2, Elena Lassounskaia (PQ)3, Michelle Frazão Muzitano (PQ)1. [email protected] Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, UFRJ – Campus Macaé. 2 Grupo de Pesquisa em Biologia Celular e tecidual, UENF. 3 Grumo de pesquisa em Biologia do Reconhecer, UENF. 1 Palavras-chave: Tuberculose, Mycobacterium bovis BCG, produtos naturais e Psychotria Introdução A tuberculose representa um grande desafio em todo o mundo. O tratamento disponível envolve o uso de antibióticos e dura de 6 a 9 meses, ocasionando frequentemente ao abandono do paciente 1. Em 2010 foram relatados 8,8 milhões de novos casos de tuberculose2. Estes dados ressaltam a necessidade por buscar novos fármacos e os produtos naturais têm sido fonte promissora. Nesse contexto, o estudo visa avaliar a atividade antimicobacteriana, modulação da produção de óxido nítrico e citotoxicidade dos extratos e frações de diferentes espécies de Psychotria. Materiais e Métodos Suspensão de Mycobacterium bovis BCG foi plaqueada em microplaca com meio de cultura 7H9+ADC, 1×106 CFU/poço. Em seguida, adicionou-se meio puro (controle negativo), rifampicina (controle positivo) ou amostras. A placa foi incubada à 37°C e 5% de CO2 por 7 dias. O crescimento micobacteriano foi quantificado pelo método de MTT (n=3, estatística: ANOVA). A determinação da produção de óxido nítrico (NO) pelo método de Griess e citotoxicidade através da liberação específica de LDH foram avaliados em macrófagos (RAW 264.7, 1x106 células/mL) estimulados por LPS 1µg/mL e tratados com as amostras por 48h. IC50 foi calculado por regressão não-linear a partir da curva concentração-resposta das amostras. Resultados e Discussão As 15 amostras de Psychotria spp. estudadas (11 extratos etanólicos de 10 espécies diferentes e 4 frações alcaloídicas) inibiram o crescimento de M. bovis BCG, sendo os extratos de P. pubigera (P1a), P. ruelliifolia (P2) e P. stachyoides (P4), os que apresentaram mais de 50% de inibição no crescimento micobacteriano, mesmo na menor II Jornada Fluminense de Produtos Naturais concentração (4 g/mL). Estes foram os mais ativos, e apresentaram IC50 menor que 4g/mL. As frações alcaloídicas (A1 P. pubigera, A2 - P. ruellifolia, A3 - P. suterela e A7 - P. leiocarpa) em 100 g/mL, apresentaram respectivamente a inibição de: 81,72,8; 82,70,4; 88,81,2 e 85,80% Na avaliação da capacidade das amostras em inibir a produção de NO por macrófagos, P3, P4 e P5 foram os extratos mais ativos, sendo P3 capaz de inibir mais de 50% mesmo na menor concentração (4 g/mL). As frações A2, A3 e A7, em 100 g/mL, inibiram a produção de NO respectivamente em: 69,4±0,79; 81,1±3,9; 50,0±14,9% Esse efeito não foi mantido para as frações nas concentrações 4 e 20 g/mL. No ensaio de citotoxicidade, em 4 e 20 g/mL, os extratos apresentaram diferença significativa do controle positivo (p<0,001). Quanto as frações alcaloídicas testadas, não foi observada citotoxicidade considerável, apresentando alta redução do efeito tóxico quando comparados com os extratos de origem. Conclusões As amostras de Psychotria possuem substâncias ativas contra M. bovis BCG e possivelmente podem ser eficientes contra outras espécies mais virulentas. Sugerindo que espécies de Psychotria são promissoras na busca por novos fármacos para o tratamento da tuberculose. Agradecimentos Ao CNPq, FAPERJ, UFRJ e UENF. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 Zhang, Y., Post-Martens, K. and Denkin, S. New drug candidates and therapeutic targets for tuberculosis therapy. Drug Discovery Today. 2006, 21-27 p. 2 WHO, World Health Organization. Global Tuberculosis Control - 2011 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 17 AVALIAÇÃO DA CITOTOXIDEZ DE EXTRATOS BRUTOS DE Piper chimonanthifolium KUNTH. EM Artemia salina Lorena Rodrigues Riani (IC)1*, Arthur Ladeira Macedo (PG)¹, Luciana Moreira Chedier (PQ)1 , Daniel Sales Pimenta (PQ)1. [email protected] 1 Laboratório de Fitoquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora, 36036-900, Juiz de Fora – Minas Gerais. Palavras-chave: Piper, Artemia, Citotoxidez. Piper L. é um dos maiores gêneros de Piperaceae, com mais de 1000 espécies distribuídas em regiões tropicais e subtropicais, especialmente Ásia e Américas. Espécies desse gênero são frequentemente utilizadas na medicina popular, devido à atividade antimicrobiana de seus constituintes1. Piper chimonanthifolium Kunth., um arbusto de 1,5 a 2,5m, endêmica do Brasil, não apresenta publicações científicas referentes à sua composição química e farmacológica. O objetivo desse estudo é testar a citotoxidez de extratos aquosos, metanólicos e hexânicos de folhas, inflorescências e caules de Piper chimonanthifolium Kunth. em Artemia salina. Materiais e Métodos Piper chimonanthifolium Kunth. foi coletada no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora e identificada por Msc. Daniele Monteiro. A exsicata encontra-se depositada no Herbário CESJ sob número 57540. Foram obtidos extratos orgânicos brutos de folhas, inflorescências e caules por maceração estática com hexano e metanol, sucessivamente, até a exaustão. Os extratos brutos aquosos foram obtidos por infusão e posteriormente liofilizados. As amostras testadas foram solubilizadas em água do mar artificial com auxílio dos tensoativos Tween 80:DMSO (1:1 v/v) a 1% para obtenção de concentrações entre 10 e 1000 g/mL. Os testes de citotoxidez foram realizados segundo Meyer et al., 1982². Resultados e Discussão Os resultados foram expressos em CL50, calculados pelo programa estatístico Probit. Todos os extratos apresentaram CL50 acima da faixa de concentração testada (>1000 g/mL). A Figura 1 mostra a porcentagem de morte dos náuplios ± desvio padrão entre as repetições, tendo apenas uma repetição do extrato hexânico II Jornada Fluminense de Produtos Naturais de caule acima de 50%. Já o extrato metanólico de folhas se destacou nas demais concentrações testadas. 60 50 % de morte dos náuplios Introdução EAF EAI 40 EAC EMF 30 EMI EMC 20 EHF EHI 10 EHC 0 10 50 100 Concentração (g) 500 1000 Figura 1 – Porcentagem de morte dos náuplios de Artemia salina ± desvio padrão frente aos tratamentos com os extratos brutos de Piper chimonanthifolium Kunth. EAF = Extrato aquoso de folha, EAI = Extrato aquoso de inflorescência, EAC = Extrato aquoso de caule, EMF = Extrato metanólico de folha, EMI = Extrato metanólico de inflorescência, EMC = Extrato metanólico de caule, EHF = Extrato hexânico de folha, EHI = Extrato hexânico de inflorescência, EHC = Extrato hexânico de caule. Conclusões A baixa citotoxidez apresentada pelos extratos de uma planta com poucos estudos químicos e farmacológicos, como P. chimonanthifolium, mostra-se relevante por seu ineditismo e pela freqüente utilização de outras espécies de Piper para uso interno 3. Agradecimentos Propesq/UFJF pelo apoio financeiro. ----------------------------------¹ Monteiro, D. e Guimarães, E. F. Flora do Parque Nacional do Itatiaia – Brasil: Manekia e Piper(Piperaceae). Rodriguesia 60 (4):999-1024, 2009. ² Meyer, B.N. et al., Brine shrimp, a convenient general bioassy for active-plant constituents. Planta Med 45: 31-34. 1982. ³ Lorenzi, H. e Matos, F.J.A. Plantas medicinais no Brasil: Nativas e Exóticas, 2ª ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum. 2008. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 18 CUMARINA EM Dorstenia arifolia (Moraceae) Thabata de Souza Santos (IC)1*, Catharina Eccard Fingolo (PG)1, Maria Auxiliadora Coelho Kaplan (PQ)1. [email protected] 1 Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Ciências da Saúde, Bloco H, 1º andar, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária, RJ, Brasil. CEP: 21.941-902. Palavras-chave: Dorstenia arifolia, Moraceae, cumarina. Introdução O gênero Dorstenia é bem representado na flora brasileira, porém, as informações sobre a química e a farmacologia dessas plantas são muito escassas. Entretanto, plantas desse gênero apresentam composição química bastante variável, sendo fonte de várias classes de produtos naturais, tais como: cumarinas, terpenos, esteróides e flavonóides [1]. O objetivo deste trabalho é mostrar o isolamento de uma cumarina a partir da fração diclorometânica, obtida do extrato metanólico de rizomas de Dorstenia arifolia Lam., família Moraceae. 158 186 102 130 51 76 Figura 2: psoraleno. Espectro de massas O O do Materiais e Métodos Rizomas de D. arifolia foram extraídos com metanol e submetidos à partição líquidolíquido com diferentes solventes orgânicos. A fase diclorometânica foi fracionada por metodologia cromatográfica rendendo uma substância pura, de cheiro adocicado. Esse metabólito especial foi analisado por cromatografia com fase gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG/EM), em coluna DB-5MS, injetor a 270°C, interface a 230°C, com rampa de temperatura de 60 a 290°C, variando 10°C/min e por técnicas de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), uni- e bidimensionais. Resultados e Discussão Comparação dos dados obtidos com a literatura especializada permitiu identificar a substância purificada como psoraleno, uma cumarina prenilada linear. O Figura 3: Estrutura do psoraleno. Conclusões A identificação do psoraleno em Dorstenia arifolia contribui para o conhecimento da química de produtos naturais em uma espécie brasileira. Agradecimentos CAPES,CNPq, FAPERJ. ----------------------------------¹ Ngadjui, B.T.; Abegaz, B.M. J. Nat. Prod., 2003, 29(3), 761 Figura 1: Cromatograma do psoraleno (TR= 14,63min). II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 19 AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO E CITOTÓXICO DE Plantago australis LAM. Mathias Moraes Abrão (IC)1*, Samara Evangelista Reis (IC)1, Luiz Fernando Soldati Duarte (IC)1, Andréa Silva de Oliveira (IC)1, Arthur Ladeira Macedo(PG)¹, Maria de Fátima Ávila Pires(PQ)2, Elita Scio Fontes(PQ)3, Luciana Moreira Chedier (PQ)1, Daniel Sales Pimenta (PQ)1 daniel [email protected] 1 Laboratório de Fitoquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora, 36036900, Juiz de Fora – Minas Gerais 2Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite. Embrapa Gado de Leite –Rua Eugênio do Nascimento, 610 Dom Bosco- Juiz de Fora- Minas Gerais 3Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais. Instituto de Ciencias Biológicas, Universidad Federal de Juiz de Fora, 36036900, Juiz de Fora-Minas Gerais Palavras-chave: Etnoveterinária, Mamite, Artemia salina, Transsagem. Introdução Plantago australis Lam. (Plantaginaceae), conhecida popularmente como transagem, foi selecionada por levantamento etnoveterinário anterior para o tratamento de mamite bovina1. O objetivo deste trabalho foi determinar a Concentração Inibitória Mínima (CIM) dos extratos aquoso e metanólico de folhas de Plantago australis Lam. contra cepas de bactérias, inclusive as envolvidas na mamite, e a capacidade citotóxica dessa espécie contra Artemia salina. Materiais e Métodos O extrato metanólico de folhas foi obtido por maceração estática com metanol até exaustão. O extrato aquoso foi obtido por meio de infusão, seguido de liofilização. Os dois extratos foram testados contra cepas das bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli, que são agentes etiológicos da mamite, além das bactérias Pseudomonas aeruginosa e Salmonella typhimurium, onde se determinou a Concentração Inibitória Mínima(CIM)2. Os testes de citotoxidez foram realizados segundo Meyer et al. (1982)3. Ambos extratos foram solubilizados em água do mar artificial com auxílio dos tensoativos Tween 80:DMSO (1:1 v/v) a 1% para obtenção de concentrações entre 10 e 1000 µg/mL e testados em náuplios de Artemia salina. Resultados e Discussão Os extratos mostraram potencial atividade contra mamite. O extrato metanólico de folhas de P. australis foi o mais promissor, sendo o CIM em S. aureus de 125µg, E. coli de 1000µg, S. typhimurium e P. aeruginosai de 500µg. O extrato aquoso de folhas de P. australis apresentou CIM de >1000, 1000, 500 e 1000µg respectivamente. Os resultados para citotoxidez foram expressos em CL50, calculados pelo programa estatístico Probit. Todos os extratos apresentaram CL50 acima da faixa de concentração testada (>1000 g/mL). Esses resultados indicam eficácia e segurança dos extratos. Conclusões Os extratos obtidos de P. australis mostraram atividade antimicrobiana e baixa citotoxidez, apontando para uma correta utilização pelos pecuaristas no combate à mamite. Agradecimentos Propesq/UFJF pelo apoio financeiro. 1 -Pires, M.F.A. et al., Conhecimento e saberes locais: contribuição para a sustentabilidade da agricultura familiar e para o desenvolvimento rural. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL, I, Viçosa, 2009. 2 -National Comittee for Clinical Laboratory Standards (NCCLS), 2002. Performance standards for antimicrobial susceptibility testing. Approved standard M100-512, v. 22, n. 01. 3 Meyer, B.N. et al., Brine shrimp, a convenient general bioassy for active-plant constituents. Planta Med 45: 31-34. 1982 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 20 ESTUDO DAS PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DE MÉIS COMERCIALIZADOS EM SÃO JOÃO DE MERITI-RJ. Víctor de Carvalho Martins (IC)¹*, Gabriel Alves Souto de Aquino (IC)¹, Carlos Alexandre Marques (PQ)¹, José Celso Torres (PQ)¹. [email protected] 1Tecnologia em Química de Produtos Naturais. IFRJ, Campus Nilopólis. Rua Lúcio Tavares, 1045, Centro, Nilopólis, RJ. Palavras-chave: mel, autenticidade, análise físico-química. Introdução O mel é um produto alimentício produzido pelas abelhas melíferas, a partir do néctar das flores ou das secreções procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores,1 com alto valor agregado e crescente interesse comercial. Por esta razão, este produto vem sofrendo constante adulteração com a adição de açúcar de cana ou glicose, o que compromete a qualidade do produto e a saúde dos consumidores. O objetivo deste trabalho é determinar, através de métodos físico-químicos, a autenticidade de produtos comercializados como mel no município de São João de Meriti – RJ, tendo como base a Instrução Normativa de nº 11 do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento (2000). Materiais e Métodos Foram adquiridas cinco amostras diferentes de méis. As análises de rótulo foram feitas de acordo com recomendação da ANVISA.2 As análises físico-químicas foram feitas seguindo metodologia do Instituto Adolfo Lutz3 e descritas a seguir: Reação de Lund - precipitação de proteínas por adição de ácido tânico. Reação de Fiehe - indicação da adição de glicose através da reação com resorcina. Reação de Lugol - indicação da adição de glicose ou superaquecimento do mel. Determinação de pH – determinação da acidez com pHmetro. Determinação de Acidez Livre – através de titulação ácido-base. Resultados e Discussão Na análise preliminar da rotulagem todas as amostras foram aprovadas. Os resultados das análises das propriedades físico-químicas das amostras 1-5 estão dispostos na tabela a seguir (tabela 1): Métodos 1 2 3 4 5 Lund (mL) 1,67 1,00 2,07 1,2 0 Fiehe Positivo Positivo Positivo Positivo Positivo Lugol Positivo Positivo Positivo Positivo Positivo pH 3,82 4,73 4,03 4,10 3,65 Acidez (eq/kg) 47.4786 34.7476 46.1624 60.3799 30.4016 O teste de Lund indicou que apenas a amostra 5 foi reprovada, o que indica ausência de proteínas albuminóides. Em relação às reações de Fiehe e Lugol, o resultado positivo de todas as amostras indicam que houve adição de glicose comercial ou o superaquecimento do mel.3,4 Somente a amostra 2 apresentou valor de pH maior que a faixa estipulada por bibliografia especializada. A determinação de acidez realizada mostra que a acidez da amostra 4 é 20,76% maior que o valor estabelecido. Conclusões Os resultados encontrados indicam que os produtos analisados, em sua maioria, não atendem as especificações determinadas pela legislação para garantia da identidade e qualidade do mel. O projeto terá continuidade com a realização de outros métodos físico-químicos. Agradecimentos Ao CNPq e ao IFRJ pelas bolsas de IC e o apoio financeiro. ----------------------------------1. BRASIL. Instrução Normativa nº 11, de 20 de outubro de 2000. Diário Oficial, 23 outubro, Seção 1, p 16-17, 2000. 2. ANVISA. Rotulagem Nutricional Obrigatória: manual de orientação aos consumidores. Universidade de Brasília, 2001. 3. INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Métodos Físicoquímicos para Análise de Alimentos, São Paulo, ed.4, cap. VI/VII, p. 281-320/321-343, 2008. 4. LEAL, V.M.; SILVA, M.H.; JESUS, N.M. Aspecto Físico-químico do mel de abelhas comercializado no município de Salvador – Bahia. Rev. Bras. Saúde Prod. An., v.1, n.1, p.14-18, 2001. Tabela 1: Resultados dos testes físico-químicos. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 21 ESTUDO QUÍMICO DE EXTRATOS DE Solidago chilensis MEYEN Carvalho, T.S. (IC)1*; Eboli, R.C. (IC)1; Machado, T.S.D. (IC)1; Souza, S.P. (PQ)1,2; Oliveira, T.B.(PQ)1; Valverde, S.S.(PQ)1,2 [email protected] de Tecnologia em Fármacos – FarManguinhos (FIOCRUZ), Laboratório de Química de Produtos Naturais. Rua Sizenando Nabuco, 100, Manguinhos - CEP 21041-250. RJ/RJ. 2Instituto Militar de Engenharia – Praça General Tibúrcio, 80, Praia Vermelha, Urca – CEP 22290-270. RJ/RJ. Palavras-chave: Solidago chilensis Meyen; Fitoquímica; CG/MS; Terpenos. 1Instituto Introdução Solidago chilensis Meyen é uma planta medicinal nativa da América do Sul, encontrada na região sudeste do Brasil e é amplamente utilizada pela população em substituição à espécie exógena Arnica montana L.1, sendo denominada arnica brasileira, arnica do Brasil e arnica silvestre.2,3 É uma planta constante no elenco do Memento Terapêutico Programa de Fitoterapia da Prefeitura do Rio de Janeiro, edição 2002. O principal objetivo desse trabalho é contribuir significativamente para o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápico quanto ao perfil cromatográfico qualitativo e quantitativo dos extratos estudados. Materiais e Métodos O trabalho está sendo realizado através das análises químicas, físicas, cromatográficas e espectroscópicas dos extratos e fases obtidos de S. chilensis, conforme metodologia desenvolvida no Laboratório de Química de Produtos Naturais (LQPN), Farmanguinhos/Fiocruz. 4 Os extratos (padronizados ou não) da espécie em estudo foram obtidos através da extração de suas inflorescências, por esgotamento com solventes orgânicos, concentrados sob pressão reduzida, submetidos à partição líquido-líquido, com solventes de polaridade crescente e analisados através de CG/MS para verificação do conteúdo qualitativo e quantitativo. Resultados e Discussão O perfil cromatográfico qualitativo e quantitativo dos extratos estudados foi obtido utilizando-se cromatografia em fase gasosa (CG) associada a um detector de massas (MS). Como condições cromatográficas utilizou-se temperatura da interface em 250°C, fase móvel de hélio, injeção manual, taxa de split de 1/5 e vazão II Jornada Fluminense de Produtos Naturais de fluxo de 2,00mL/min. O aquecimento foi feito de maneira linear de 60°C a 280°C, com taxa de 6°C/min, permanecendo nessa temperatura por dois minutos. A separação cromatográfica foi feita com a coluna RTx5MS de 30mm x 0,25mm x 0,25 micrômetros de espessura, de fase estacionária 5% difenil – 95% dimetilpolisiloxano. O cromatograma apresentado é referente à análise da fase em CH2Cl2 e mostra a solidagenona como substância majoritária, como já havia sido descrito tanto para o extrato bruto de inflorescências4, quanto para os rizomas1 com a grande vantagem de serem, as inflorescências, renováveis no ciclo de vida do vegetal. Entre as substâncias identificadas na fase analisada, encontramse δ-selineno, cedrenol e palustrol, já descritas anteriormente no gênero Solidago. Conclusões A CG/MS permitiu a análise da fase em CH2Cl2, com detecção de vários constituintes químicos de S. chilensis de modo direto e inequívoco; Mostrou a solidagenona (TR.: 23,85min) como substância majoritária da espécie em estudo e apresentou outras substâncias já descritas para o gênero Solidago. Agradecimentos Os autores agradecem ao CNPq, FIOTEC, CIEE e Farmanguinhos pelo suporte financeiro. ----------------------------------1 Schmeda-Hirschmann, G., A Labdan Diterpene from Solidago chilensis roots. Planta Medica, 54: 179-180, 1988; 2 Lorenzi, H. Plantas Daninhas do Brasil, Nova Odessa. SP.1982; 3 Simões, C.M.O. Mentz, L.A., Schenkel, E.P., Irgang, B.E., Stehmann, J.R., Plantas da Medicina Popular do Rio Grande do Sul. 4ª Edição. Editora da UFRGS. 1995. 4 Valverde, S.S.; Azevedo-Silva, R.C.; Tomassini, T.C.B. Utilização de CLAE, como Paradigma na Obtenção e Controle do Diterpeno Solidagenona a partir de Inflorescências de Solidago chilensis Meyen (Arnica Brasileira). Rev Bras de Farm, 90(3): 196-199, 2009 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 22 ANATOMIA FOLIAR E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE Abuta convexa (Vell.) Diels (MENISPERMACEAE) Mariana Martinelli J. Ribeiro (IC) 1, Simone M. Kitagawa (PG) 1, Maria Carolina Anholeti da Silva (PG) 1, Ana Joffily (PQ) 1, João Marcelo Alvarenga Braga (PQ) 2, Neusa Tamaio (PQ)2, Selma Ribeiro de Paiva (PQ) 1. E-mail: [email protected] 1 Setor de Botânica, Departamento de Biologia Geral, Instituto de Biologia, UFF. Outeiro de São João Batista, s/n, Campus do Valonguinho, 24020-150. Niterói, RJ. 2 Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, JBRJ. Rua Pacheco Leão, 915. 22460-030. Rio de Janeiro, RJ. Palavras-chave: Menispermaceae, Anatomia vegetal, Antioxidante. Introdução A família Menispermaceae Juss. apresenta cerca de 71 gêneros e aproximadamente 520 espécies de distribuição pantropical. No Brasil ocorrem 16 gêneros e cerca de 110 espécies1. Abuta Barrère ex Aubl. é o maior gênero de Menispermaceae, sendo encontrado na América Central e do Sul2. Do ponto de vista químico, a família é caracterizada pela presença de alcalóides, sesqui- e diterpenos, além de taninos3. Há também a ocorrência de glicosídeos e saponinas4. Este trabalho objetivou descrever a anatomia foliar de Abuta convexa (Vell.) Diels, além de avaliar a atividade antioxidante de extratos polares. Materiais e Métodos Para o estudo anatômico foram selecionadas folhas totalmente expandidas e utilizadas técnicas usuais em anatomia vegetal. Para a avaliação da atividade antioxidante foi construída a curva padrão de DPPH e, em seguida, foram feitas as leituras para o extrato metanólico das folhas. A avaliação da atividade antioxidante foi feita em comparação com os dados obtidos para o controle positivo BHT (butil-hidroxi-tolueno). Foram feitos três ensaios independentes em triplicata e a análise foi feita por ANOVA. Resultados e Discussão O pecíolo de Abuta convexa é circular, epiderme uniestratificada revestida por tricomas tectores, seguida de colênquima anelar e parênquima clorofiliano. O cilindro vascular apresenta feixes colaterais circundados por esclerênquima e medula parenquimática. Na lâmina foliar, a epiderme é sinuosa com tricomas em ambas as faces e estômatos anomocíticos na face abaxial. O mesofilo é dorsiventral, composto por parênquima paliçádico e lacunoso. A nervura II Jornada Fluminense de Produtos Naturais principal é levemente convexa na face adaxial e proeminente na face abaxial e o sistema vascular formado por cinco a seis feixes. Os resultados da atividade antioxidante mostraram que, do ponto de vista cinético, o extrato de folhas apresenta reação rápida em todas concentrações testadas. O extrato de folhas de Abuta convexa apresentou EC50 de 3,002 g extrato/ g de DPPH. Conclusões A escassez de registros de estudos químicos para Abuta convexa reforça a importância de seu estudo. A atividade antioxidante apresentou bons resultados quando comparado ao padrão, mostrando um potencial na produção de substâncias com atividade seqüestradora de radicais livres. A caracterização botânica evidenciou aspectos marcantes da família e importantes na diagnose de drogas vegetais. Agradecimentos Ao PIBIC/UFF, PROPPi/UFF e JBRJ. ----------------------------------1 Braga, J.M.A. Menispermaceae. In: Forzza, R.C. et al. (eds.). Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil. vol.2. Andrea Jakobsson Estúdio, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, pp. 1281-1285, 2010. 2 Gentry, A.H. A Field Guide to the Families and Genera of Woody Plants of Northwest South America with Supplementary Notes on Herbaceous Taxa. University of Chicago Press, Chicago, 1993. 3 Stevens, P.F. Angiosperm Phylogeny Website, 2001. (acesso em nov. 2011). 4 Hoehne, F.C. Plantas e substâncias vegetais tóxicas e medicinais. 2ª. Ed. São Paulo: Departamento de Botânica do Estado. 355p, 1978. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 23 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DAS FOLHAS E FRUTOS DE Solanum paniculatum. Isabella V. de Souza (IC)¹*, Janine G. da Silva (IC)¹, Gabriela R. de Souza (PG)², Antonio Jorge R. da Silva (PQ)², Nancy S. Barbi (PQ)1. [email protected]. 1 Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas / Faculdade de Farmácia, UFRJ, Centro de Ciências da Saúde, Bloco A 2º andar, Ilha do Fundão - Rio de Janeiro, 21941-590. 2 Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais, UFRJ, Centro de Ciências da Saúde, Bloco H, Ilha do Fundão - Rio de Janeiro, 21941-590. Palavras-chave: Solanum paniculatum, atividade antioxidante, DPPH. Introdução O gênero Solanum, composto por cerca de 1700 espécies, é um dos maiores do Reino Vegetal e o mais representativo da família Solanaceae1. S. paniculatum L. se destaca pelos seus diferentes usos medicinais, sendo a única representante deste gênero reconhecida como fitoterápico pela Farmacopéia Brasileira primeira e segunda edições. Conhecida como “jurubeba”, as folhas e frutos desta espécie são usados popularmente como tônico e no tratamento de disfunções hepáticas e digestivas2. Considerando o grande número de estudos que associam doenças hepáticas e crônicodegenerativas à ação de radicais livres, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a atividade antioxidante, pelo método de sequestro do radical livre 2,2difenil-1-picril-hidrazila (DPPH), dos extratos aquosos das folhas e frutos de S. paniculatum (SP). Materiais e Métodos Cerca de 50 g de folhas e frutos, secos e moídos de (SP) foram extraídos, separadamente, em 500 mL de água destilada por infusão. Os infusos obtidos foram avaliados quanto à atividade antioxidante utilizando DPPH na concentração de 0,1mM. A atividade antioxidante, medida através da diminuição da absorvância de soluções de diferentes concentrações preparadas a partir dos extratos brutos, foi expressa em valores de CE50 (quantidade de antioxidante necessária para reduzir a 50% a concentração inicial de DPPH). Como padrão foi utilizada a rutina. Todas as leituras foram feitas em triplicatas, em espectrofotômetro a 518 nm e os resultados expressos em médias e desvios padrão. As análises estatísticas foram realizadas através do teste t de Student e II Jornada Fluminense de Produtos Naturais dados com p menor do considerados significativos. que 0,05 Resultados e Discussão Os valores de CE50 encontrados para os extratos aquosos obtidos das folhas e frutos de SP foram de 5,29±0,99 e 40,12±2,40 e do padrão rutina foi de 1,35 ± 0,05 e 2,27± 0,04, respectivamente. A diferença na atividade antioxidante do extrato das folhas de SP não foi estatisticamente significativa quando comparado ao controle positivo rutina (p=0,011). Entretanto, a atividade antioxidante encontrada para o extrato aquoso dos mesmos, considerando o método usado, não foi expressiva, em comparação com as folhas e o padrão rutina. Conclusões O extrato aquoso dos frutos mostrou baixa atividade antioxidante pelo método DPPH. Por outro lado, o extrato aquoso das folhas de Solanum paniculatum apresentou potente atividade antioxidante, comparável ao padrão rutina. Dentre os metabolitos especiais, os flavonoides são o grupo que mais expressam tal atividade e, em trabalho anterior realizado por nosso grupo, comprovamos a ocorrência destas substâncias neste extrato³. Agradecimentos Apoio CAPES/CNPq. ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹ Evans, W. C. Trease and Evans Pharmacognosy. 14th ed. Editora Saunders, 1998. ² Nurit, K.; Agra, M. F. e Basílio, I. J. L. D. Revista Brasileira de Biociências, 5(1), 243-245. 2007. ³ Souza, G.R., Soares V., Barbi, N.S., Souza, I.V., Silva, A.J.R. Anais da 35ª Reunião Anual da SBQ, 2012. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 24 EXTRATO ETANÓLICO DE M. moricandiana PROMOVE VASODILATAÇÃO VIA PRODUÇÃO DE ÓXIDO NÍTRICO Letícia Lima Dias Moreira Ferreira (PG)1*, Paula Borges de Negreiros e Souza (IC) 1, Bruno Meirelles Paes (IC)1, Tatiana Ungaretti Paleo Konno (PQ)2, Ivana Correa Ramos Leal (PQ)3, Michelle Frazão Muzitano (PQ)3, Juliana Montani Raimundo (PQ)1. [email protected] 1 Laboratório Integrado de Pesquisa, Campus UFRJ-Macaé. Rua Aloísio da Silva Gomes, 50. Granja dos Cavaleiros, Macaé, RJ. 2 Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, Campus UFRJ-Macaé. Av. São José do Barreto, 764. Barreto, Macaé, RJ. 3 Laboratório de Produtos Naturais, Campus UFRJ-Macaé. Rua Alcides da Conceição, 159. Novo Cavaleiros, Macaé, RJ. Palavras-chave: M. moricandiana, vasodilatação, aorta, óxido nítrico Introdução O gênero Mandevilla apresenta várias espécies que já foram estudadas quanto às suas atividades biológicas. Entre os efeitos descritos estão antioxidante, antiinflamatório e relaxante de vasos isolados de coelho1,2. No entanto, o perfil fitoquímico e farmacológico da espécie Mandevilla moricandiana ainda não é conhecido. Este trabalho tem como objetivo avaliar os efeitos do extrato de M. moricandiana no músculo liso vascular isolado de rato e investigar o seu mecanismo de ação, uma vez que os vasodilatadores são fármacos importantes para o tratamento de doenças cardiovasculares. Materiais e Métodos Material vegetal: O extrato etanólico de folhas de M. moricandiana foi gentilmente cedido pelo Laboratório de Produtos Naturais. Registro de tensão isométrica de aorta: Anéis de aorta (5mm) isolados de ratos Wistar machos (250-280 g) foram posicionados em cubas verticais preenchidas com solução Tyrode modificada e oxigenadas com mistura carbogênica (95% O2 / 5% CO2), à 37ºC. A contratura do músculo liso vascular foi induzida com 10 µM de fenilefrina, seguida da exposição a concentrações cumulativas do extrato (0,1 a 100 µg/ml). Investigação do mecanismo de ação vasodilatador do extrato: A ação vascular do extrato foi avaliada em anéis com e sem endotélio. Este foi considerado íntegro quando o relaxamento induzido por acetilcolina (10M) foi superior a 80% e sua ausência foi confirmada pelo não II Jornada Fluminense de Produtos Naturais relaxamento frente à acetilcolina. Aortas com endotélio foram pré-tratadas (15 minutos) com NG-nitro-L-arginine methyl ester (L-NAME, 100 µM), antagonista da óxido nítrico (NO) sintase, atropina (10 M), antagonista muscarínico, 1H[1,2,4]oxadiazolo[4,3-a]quinoxalin-1-one (ODQ, 10 µM), inibidor da guanilato ciclase solúvel, e indometacina (10 µM), inibidor da ciclooxigenase. Resultados e Discussão O extrato de M. moricandiana produziu relaxamento de forma concentraçãodependente dos anéis de aorta com endotélio, com platô estabelecido na concentração de 10 µg/mL (86,47 ± 1,59%, P<0,05). A concentração necessária do extrato para inibir em 50% a contratura máxima induzida pela fenilefrina foi 0,90 0,07 g/ml. O efeito vasodilatador do extrato foi totalmente inibido em anéis de aorta sem endotélio e em aortas com endotélio pré-tratadas com L-NAME e com ODQ indicando o envolvimento da via do NO para o efeito de M. moricandiana. No entanto, o efeito do extrato não foi inibido na presença de atropina ou indometacina. Conclusões O extrato de M. moricandiana produz intensa vasodilatação dependente da produção endotelial de NO, mas independente da ativação de receptores muscarínicos e produção de prostaciclina. Agradecimentos FAPERJ, FUNEMAC, UFRJ/PIBEX ----------------------------------¹ Matos, W. M., et al. Neuropeptides 40(2): 125-132, 2006. ² Calixto, J.B. e Yunes, R.A. British Journal of Pharmacology 88: 937-981, 1986 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 25 ENZIMAS PROTEOLÍTICAS DE LEGUMINOSAS Rayane N. Gonçalves* (IC); Juliana da S. Pacheco (PG); Suellen D. Gozzini (PG); Nathália N. N. Vidal (PG); Bianca R. A. da Silva (IC); Bruna C. dos Santos (PG); Raquel E. da Silva López (PQ)1. [email protected] 1Grupo de Pesquisa em Proteases e Inibidores de Proteases de Plantas, Departamento de Produtos Naturais, Farmanguinhos- FIOCRUZ, Avenida Brasil 4365, Rio de Janeiro, RJ, CEP 21045-900. Palavras-chave: Extratos, leguminosas, proteases, eletroforese. Introdução As proteases catalisam a hidrólise de ligações peptídicas em proteínas e peptídeos. São essenciais a todos os organismos vivos, mediando processos como: morfogênese, nutrição, apoptose, defesa contra insetos, pragas e microorganismos, sinalização intracelular, dentre outros1. Classificam-se em endo e exopeptidases, de acordo com a ligação peptídica clivada. As endopeptidases são ainda subdivididas em tipos de acordo com o aminoácido do sítio ativo envolvido na catálise em serino, cisteína, aspártico e metalloproteases1. A família das leguminosas compreende 650 gêneros e cerca de 18.000 espécies. Com morfologia bastante variada, engloba desde árvores de grande porte até arbustos, ervas e trepadeiras. A principal característica desta família é a presença de vagens com sementes em seu interior. Existem poucos estudos sobre as proteases desta família e, portanto o objetivo deste trabalho foi isolar esta atividade em espécies dos gêneros Bauhinia, Crotalaria, Canavalia e Mucuna. Materiais e Métodos As plantas obtidas da Plataforma Agroecológica da FIOCRUZ foram Bauhinia forficata, Canavalia ensiformis, Crotalaria spectabilis, e Mucuna pruriens. Os órgãos vegetais foram processados como descrito anteriormente2 e os extratos aquosos tiveram suas proteínas dosadas por Bradford3 e analisadas por Eletroforese em gel de poliacrilamida contendo dodecilsulfato de sódio (SDS-PAGE) de acordo com Leammli4. A atividade proteolítica foi analisada em SDS-PAGE-gelatina e a atividade peptidásica foi estudada contra LTosil-Arginil-Metil éster (L-TAME). Resultados e Discussão II Jornada Fluminense de Produtos Naturais O maior teor de proteínas foi observado nos extratos de folhas de C. ensiformis e de modo geral, as sementes de todas as plantas apresentaram mais proteínas do que nos outros órgãos. A análise por eletroforese mostrou um perfil particular de proteínas para cada espécie estudada, apresentando proteínas conservadas nos extratos da mesma espécie. A atividade proteolítica em gel demonstrou que todos os extratos de C. spectabilis e M. pruriens apresentaram excelente atividade, especialmente os de folhas. Apenas os extratos de folhas de C. ensiformis hidrolisaram a gelatina, Já os de B. forficata não exibiram atividade gelatinolítica em gel. Todos os extratos obtidos hidrolisaram o substrato peptídico L-TAME, demonstrando picos de atividade em diferentes valores de pH sugerindo a possibilidade da presença de diversos tipos de proteases, especialmente de serino-proteases pois foi observada importante atividade na faixa alcalina de pH. Conclusões Os resultados obtidos neste estudo mostraram que os sistemas aquosos são bastante eficientes para obtenção de extratos ricos em proteínas. As diferentes espécies expressaram distintos conjuntos de proteínas com particular atividade hidrolítica. Além disso, podemos concluir que as leguminosas são valiosas fontes para bioprospecção de proteases com importante atividade proteolítica. Agradecimentos A Farmanguinhos e a FAPERJ pelo apoio ao trabalho desenvolvido. ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹ Silva-López, R.E et al. (2005) Parasitology. 131, 85-96. 2 Pacheco, J.S.; Silva-López, R.E. (2012) Z. Naturforschung. 67c, in press. 3 Bradford, M.M. Anal Biochem 1976, 72: 248-254. 4 Laemmli U.K. (1970). Nature 227, 680-685. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 26 DESENVOLVIMENTO DE NANOEMULSÃO ESSENCIAL DE Rosmarinus officinalis DE ÓLEO Rafael Portugal Rizzo Franco de Oliveira (IC)¹*, Manuela Passos Mascarenhas (IC) 1, Fiorella Mollo Zibetti (IC)1, Caio Pinho Fernandes (PG)1,2, Bárbara Gomes Lima (PG)2, Leandro Rocha (PQ)2, Deborah Quintanilha Falcão (PQ)1. [email protected] 1 Laboratório de Tecnologia Farmacêutica I, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal Fluminense, Rua Dr. Mário Viana 523, Santa Rosa, Niterói, RJ, 24241-000, Brasil 2 Laboratório de Tecnologia de Produtos Naturais, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal Fluminense, Rua Doutor Mário Viana 523, Santa Rosa, Niterói, RJ, 24241-000, Brazil Palavras-chave: Nanoemulsão, óleo essencial, Rosmarinus officinalis. Introdução Os óleos essenciais são misturas complexas de substâncias voláteis e ocupam um lugar preponderante nas áreas farmacêutica, cosmética e alimentícia. Neste contexto, o óleo essencial de Rosmarinus officinalis L. (Lamiaceae), popularmente conhecido no Brasil como alecrim, é amplamente empregado por suas propriedades, tais como antimicrobiano e antioxidante1. Os avanços na nanotecnologia e a produção de nanossistemas de liberação controlada despertam o interesse de vários pesquisadores. As nanoemulsões são sistemas bifásicos no qual o tamanho das gotículas dispersas é extremamente pequeno (entre 20 e 200nm), mostrando um reflexo azulado característico e maior estabilidade2. Este estudo tem o objetivo de desenvolver nanoemulsões estáveis, com baixo aporte energético, de R. officinalis visando a elaboração de uma forma farmacêutica a base de óleo essencial, economicamente viável e passível de ser comercializada. Materiais e Métodos O óleo essencial de alecrim foi obtido por hidrodestilação, utilizando-se aparato do tipo Clevenger, centrifugado, filtrado em sulfato de sódio anidro e armazenado em freezer. As emulsões foram desenvolvidas utilizando-se diferentes metodologias de formulação contendo o óleo essencial de alecrim (5%, p/p) como fase dispersa. As emulsões obtidas foram caracterizadas quanto ao tamanho das micelas em analisador de tamanho de partículas Zen 1600 e a turbidimetria em espectrofotômetro UV-Vis SP 2000. A estabilidade das formulações foi avaliada II Jornada Fluminense de Produtos Naturais segundo aspectos micro e macrosópicos e separação de fases. Resultados e Discussão Através do emprego de diferentes metodologias de formulação foi possível o desenvolvimento de nanoemulsões contendo o óleo essencial de alecrim utilizando baixo aporte energético. A melhor nanoemulsão apresentou diâmetro médio de partícula igual a 97,12 nm, polidispersão 0,483 e turbidimetria de 0,33. Após 30 dias de armazenagem a emulsão manteve suas características iniciais quanto aos aspectos avaliados. A elaboração de produtos a base de óleos essenciais requer cuidados especiais no processamento em função da alta volatilidade de seus constituintes. O desenvolvimento tecnológico envolvido na pesquisa de nanoemulsões utilizando metodologias de baixo aporte energético se enquadra nesse contexto e atende às necessidades industriais uma vez que tende a minimizar o custo geral do processo, otimiza a produção e garante a qualidade do produto acabado. Conclusões Através do emprego de diferentes metodologias de formulação foi possível o desenvolvimento de nanoemulsões contendo o óleo essencial de alecrim com baixo aporte energético passível de aplicação comercial. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 Bozin, B.; Mimica-Dukic, N.; Samojlik, I.; Jovin, E. Antimicrobial and antioxidant properties of rosemary and sage (Rosmarinus officinalis L. and Salvia officinalis L., Lamiaceae) essential oils. J. Agric. Food Chem., 55 (19), 7879–7885. 2007. 2 Salager, J.L. Formulation concepts for the emulsion makers. In: Nielloud, F.; Martimestres, G. Pharmaceutical emulsions and suspensions: drugs and the pharmaceutical sciences. New York: Marcel Dekker, 2000. p.19-72. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 27 DETERMINAÇÃO DO POTENCIAL ANTIOXIDANTE E DO CONTEÚDO FENÓLICO DE PLANTAS DE Passifora suberosa L. Marcela Vianna (IC)1*, Danielle Lugato (PG)1, Ana Ferreira (IC)1, Thiago Merthy (PG)1, Renata Garcia (PG)1, Georgia Pacheco (PQ)1 e Elisabeth Mansur (PQ)1. E-mail: [email protected] 1 Núcleo de Biotecnologia Vegetal - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), CEP: 20550-013 , Rio de Janeiro, RJ. Palavras-chave: P.suberosa, Antioxidante, Polifenóis. Introdução Passiflora suberosa L., conhecida popularmente como maracujá mirim, é utilizada na medicina popular como sedativo, no tratamento de hipertensão e diabetes1. Estudos fitoquímicos da espécie revelaram a presença de polifenóis, principalmente os glicosídeos cianogênicos, que possuem potencial antioxidante e estão associados à prevenção de várias doenças relacionadas ao estresse oxidativo2. O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial antioxidante e determinar o conteúdo fenólico em extratos de folhas de plantas de P. suberosa obtidas através de cultura de tecidos. Materiais e Métodos Folhas de plantas mantidas in vitro ou aclimatizadas foram secas em estufa a 45º C, fragmentadas em moinho, submetidas à extração em etanol 100%, filtradas, concentradas em rotaevaporador e suspensas em metanol 100%. A determinação do potencial antioxidante foi realizada pela redução do radical DPPH (2,2-Difenil 1,Picrilhidrazila) 3. O percentual de inibição sobre os radicais DPPH pelas amostras testadas foi calculado pela redução do radical em 50% (CE50). O conteúdo fenólico total dos extratos foi avaliado utilizando-se o reagente FolinCiocalteau 4, sendo os resultados expressos em equivalentes de ácido gálico (GAE). Os experimentos foram realizados em duplicatas. de plantas aclimatizadas apresentaram maior potencial antioxidante (CE50 = 3,50 g/L) em comparação com aquelas obtidas de plantas mantidas in vitro (CE50 = 13,39 g/L). Com relação ao conteúdo fenólico, foram observados valores de 15,73 mg / g e 8,97 mg de GAE/ g em folhas aclimatizadas e in vitro, respectivamente., Dessa forma, foi demonstrada a existência de uma correlação positiva entre a concentração de fenóis totais e o potencial antioxidante do material analisado. Conclusões Extratos de folhas de plantas aclimatizadas apresentaram maior atividade antioxidante e concentração de fenóis totais em relação a folhas de plantas mantidas in vitro. Agradecimentos CAPES, CNPQ e FAPERJ. ----------------------------------¹ Ulmer T, MacDougal JM. Passiflora passionflowers of the world. Timber Press, Portland, 2004. 2 Spencer KC, Segler DS. Passisuberosin and epipassisuberosin: two cyclopentenoid cyanogenic glycosides from P. suberosa. Phytochemistry 26:1665–1667, 1987. 3 Brand-Williams, W.; Cuvelier, M.E e Berset, C. Use of a free radical method to evaluate antioxidant activity. Food Science and Technology, v.28, p.25-30, 1995. 4 Holland K. W.; Balota M.; Eigel W. N.; Mallikarjunan, P.; Tanko, J. M.; Zhou, K.; O´Keefe, S. F. ORAChromatography and total phenolics content of Peanut root extracts. Food Chemistry, v.76, Nr.3, 2011. Resultados e Discussão Nos experimentos para avaliação da atividade antioxidante, foram obtidos, para os diferentes materiais, coeficientes de correlação acima de 0,90, demonstrando uma boa linearidade das curvas obtidas para análise do CE50. A partir desses dados, foi observado que extratos de folhas II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 28 CHARACTERIZATION OF Petiveria alliacea L. FROM RIO DE JANEIRO, BRAZIL: FUNCTIONAL IMPLICATIONS Bianka de Oliveira Soares (PG)1*, Jamine de Almeida Pettinelli (PG)1, Liane Peixoto Rocha (PG)1, Mariana Pimenta (IC)1, Juliana Cochofel (IC)1, Aline Castellar (PQ)2, Suzana Leitão (PQ)2, Rachel Fatima Gagliardi (PQ)1*Email: [email protected] Núcleo de Biotecnologia Vegetal – Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 1 Faculdade de Farmácia – Universidade Federal do Rio de Janeiro 2 Keyword: medicinal plant, morphology, chemical diversity, TLC Introdução Petiveria alliacea L. (Phytolaccaceae) is represented by herbaceous plants with sub-shrub habit, and a strong garlic smell. This species has traditionally been used in folk medicine due to various pharmacological activities. Among these, the antineoplastic effect has been attributed to polysulfides already identified and interesting for the pharmaceutical industry1. The aim of this study was to evaluate phytochemical traits and botanical characteristics of different populations of this species occurring in Rio de Janeiro, in order to identify mother plants for biotechnological production. Materiais e Métodos Samples were obtained from spontaneous population in different administrative regions of Rio de Janeiro city. Individuals were identified for comparisons based on morphological and reproductive characteristics. Thin layer chromatography (TLC) ethanolic extracts were used, initially using as the mobile phase: ethyl acetate (100); ethyl acetate - methanol (1:1), methanol (100). In further tests, the extracts were diluted in methanol and used in the elution systems: methanol (100), dichloromethane - methanol (25:75): methanol - ethyl acetate (75:25), dichloromethane - methanol (50:50): methanol - ethyl acetate (1:1) II Jornada Fluminense de Produtos Naturais ethyl acetate (100); ethyl acetate methanol (75:25) and ethyl acetate acetone water (25:5:2). The fluorescence detection was obtained with sulfuric acid under UV radiation at 254 nm. Resultados e Discussões All plants from the regions studied were identified as Petiveria alliacea L. based on morphological characteristics, besides the herbaceous structure and smell of garlic. The specimens of each sample collected were deposited in the Herbarium of Rio de Janeiro. The analyses by TLC of etanolic extracts showed colored bands display: orange, red, purple, yellow, brown, blue fluorescent, lime green and purple. Flavonoids have been found in samples from all populations studied. Moreover, the results also suggested the presence of terpenes and carotenoids in some extracts confirming previous records1 Conclusões The chromatographic analysis of ethanol extracts allow the identification of higher chemical diversity in P.alliacea. Agradecimentos This work was supported by FAPERJ, CNPq and CAPES. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 De Sousa, J.R.; Demuner, A.J.; Pinheiro, J.A.; Bretmair, E.; Cassels, B.K. Phytochemistry, v. 29, p. 3653-3655,1990. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 29 AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE VITEXINA EM DIFERENTES SISTEMAS in vitro DE Passiflora suberosa L. Thiago Saide Martins Merhy (PG)1*, Marcela Gomes Vianna (IC)2, Renata de Oliveira Garcia (PQ)2, Georgia Pacheco (PQ)2, Elisabeth Mansur (PQ)2. [email protected]. 1. 2. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil Nucleo de Biotecnologia Vegetal, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil; Palavras-chave: Passiflora, extrato etanólico, vitexina, CLEA. Introdução A família Passifloraceae é formada por 18 gêneros, sendo Passiflora o de maior representatividade (1). Diversas espécies do gênero possuem atividades medicinais, geralmente, associadas à presença de flavonóides. Os flavonóides c-glicosilados são o maior grupo de constituintes químicos do gênero, sendo orientina, isoorientina, isovitexina e vitexina detectados com maior frequência. Passiflora suberosa L. é uma espécie tropical, muito utilizada na medicina popular, que ocorre principalmente no Cerrado e na Mata Atlântica. As técnicas de cultura de tecidos vegetais têm sido utilizadas para a produção de metabólitos de interesse, pois permitem a produção de mudas em larga escala e a possibilidade de manipulação das vias de síntese dos metabólitos. Assim, o objetivo desse trabalho foi avaliar a produção de vitexina em calos e plantas aclimatizadas de P. suberosa, por Cromatografia Liquida de Alta Eficiência (CLAE). Materiais e Métodos Folhas de plantas aclimatizadas (100g) obtidas a partir de segmentos nodais cultivados em meio MSM suplementado BAP 22M e 50g de calos friáveis induzidos em meio MSM suplementado com Pic 28,9M foram secos em estufa a 40ºC, por 72h. Em seguida, o material foi macerado mecanicamente e incubado em etanol (100 mL) por 10 dias, sob agitação (100 rpm), no escuro. Após esse período, o material foi filtrado e incubado em etanol por mais 10 dias. Esse processo foi repetido por mais uma vez. As porções dos extratos foram concentradas em rotaevaporador, sendo em seguida resuspensas em etanol. A análise por CLAE foi realizada utilizando-se uma coluna C18 e comprimento de 340 nm. A fase móvel foi constituída por II Jornada Fluminense de Produtos Naturais isopropanol:tetrahidrofurano:água (5:15:80 + 0,3% HCOOH) em eluição isocrática. Resultados e Discussão Os perfis fitoquímicos dos extratos obtidos a partir dos dois materiais apresentaram diferenças significativas. Contudo, não foram observadas alterações entre os extratos obtidos nas três lavagens do mesmo material, que apresentaram similaridade quanto ao padrão e número de componentes, embora as concentrações de vitexina tenham variado. Os tempos de retenção dos picos de vitexina variaram entre 11,7-12,1 min. A maior concentração foi encontrada na porção de extrato referente à segunda lavagem (60,5mg/L). Por outro lado, com a metodologia testada, não foi identificado nenhum pico nos extratos obtidos a partir de calos. A presença de vitexina já foi detectada em extratos hidroalcoólicos de P. alata, por meio de diferentes técnicas, incluindo espectrometria UV-visível, CLAE e cromatografia de camada delgada. Além disso, esse mesmo flavonóide já foi identificado em outras espécies do gênero, como P. incarnata, P.edulis e P. foetida (1). Conclusões A produção de vitexina em plantas de P. suberosa foi demonstrada pela primeira vez neste trabalho. Com as metodologias de cultura e análise utilizadas, a presença do flavonóide não foi detectada em calos friáveis Agradecimentos CAPES, CNPQ e FAPERJ. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 Pongpan N.; Luanratana, O.; Suntornsuk, L. Rapid reversed-phase high performance liquid chromatography for vitexin analysis and fingerprint of Passiflora foetida. Current Science, v. 93, p. 378-382, 2007. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 30 FENÓIS TOTAIS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DOS EXTRATOS DE Baccharis trimera. Valkiria Elizabete Moreira (IC)1*, Flávia Bento Lana Henrique (IC)1, Geórgia de Assis Dias Alves (IC)1, Jésus de Paula Sarmento (PQ)1, Carolina Miranda Gasparetto (PQ)1, Orlando Vieira de Sousa (PQ)1. E-mail: [email protected]. 1 Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais, Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora, Campus Universitário, Rua José Lourenço Kelmer, São Pedro, CEP 36036-900, Juiz de Fora, Minas Gerais. Palavras-chave: Baccharis trimera, Fenóis totais, Atividade antioxidante. Introdução Baccharis trimera (Less.) DC., conhecida popularmente como carqueja, é um subarbusto perene, ereto, ramificado na base, caules alados, nativa do sul e sudeste do Brasil. Infusão das folhas e ramos é usada para o tratamento da esterilidade feminina, impotência masculina e possui propriedades tônicas, febrífugas e estomáquicas 1. É também empregada para problemas hepáticos, disfunções estomacais e intestinais, anemia, diabetes, obesidade, gota, úlceras, afecções cutâneas, como anti-helmíntico, contra anorexia, gripe, resfriado, assim como em feridas 2. O presente estudo teve como objetivo quantificar fenóis totais e avaliar a atividade antioxidante dos extratos de B. trimera. Materiais e Métodos Amostras provenientes do Horto Medicinal da Faculdade de Farmácia da UFJF (A), da EMPAV (B) e do Mundo Verde (C) foram usadas neste estudo. Folhas secas e pulverizadas das amostras foram extraídas em hexano seguida de acetato de etila por maceração estática. Os extratos hexânico (EH) e em acetato de etila (EA) foram usados para quantificar do teor de fenóis totais por espectrofotometria através do método Folin-Ciocalteu 3. A atividade antioxidante dos extratos foi avaliada pelo método do DPPH determinando a concentração efetiva 50% (CE50) 4. Os resultados foram demonstrados como média±E.P. Análise de variância seguida do teste de Tukey foi usada para medir o grau de significância para p < 0,05. Resultados e Discussão As amostras produziram os seguintes teores de fenóis totais (g/100 g): extratos hexânicos (A = 0,13 ± 0,001; B = 0,15 ± 0,009 e C = 0,11 ± 0,005) e extratos em II Jornada Fluminense de Produtos Naturais acetato de etila (A = 0,33 ± 0,001; B = 0,46 ± 0,005 e C = 1,02 ± 0,018). A atividade antioxidante das amostras foi demonstrada pelas CE50 (µg/ml): extrato hexânico (B = 242,74 ± 3,75) e extratos em acetato de etila (A = 146,97 ± 2,40 e B = 129,83 ± 3,30). Os extratos em acetato de etila apresentaram maior teor de fenóis totais em comparação aos extratos hexânicos e foram mais efetivos em inibir o DPPH. Os resultados obtidos confirmam aqueles citados na literatura 5 e podem contribuir para a avaliação da qualidade de B. trimera. Conclusões Os extratos de B. trimera possuem constituintes fenólicos e atividade antioxidante, entretanto, a procedência das amostras é um fator que produziu variação nos teores de fenóis totais e atividade antioxidante. Agradecimentos UFJF, CNPq, FAPEMIG e CAPES. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 Dias, L. F. T.; Melo, E. S.; Hernandes, L. S.; Bacchi, E. M. Atividades antiúlcera e antioxidante Baccharis trimera (Less) DC (Asteraceae). Revista Brasileira de Farmacognosia, v.19, p. 309-314, 2009. 2 Soicke, H.; Leng-Peschlow, E. Characterisation of flavonoids from Baccharis trimera and their antihepatotoxic properties. Planta Medica, v. 1, p. 37-39, 1987. 3 Sousa, C. M. M.; Silva, H. R.; Vieira-Junior, G. M.; Ayres, C. L. S. C.; Araujo, D. S.; Cavalcante, L. C. D.; Barros, E. D. S.; Araujo, P. B. M.; Brandão, M. S.; Chaves, M. H. Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, v. 30, n. 2, p. 351-355, 2007. 4 Mensor, L. L.; Menezes, F. S.; Leitão, G. G.; Reis, A. S.; Dos Santos, T. C., Coube, C. S.; Leitão, S. G. Screening of brazilian plant extracts for antioxidant activity by the use of DPPH free radical method. Phytotherapy Research, v. 15, p. 127-130, 2001. 5 Oliveira, C. B.; Comunello, L. N.; Lunardelli, A.; Amaral, R. H.; Pires, M. G. S.; Silva, G. L.; Manfredini, V.; Vargas, C. R.; Gnoatto, S. C. B.; Oliveira, J. R.; Gosmann, G. Phenolic enriched extract of Baccharis trimera presents anti-inflammatory and antioxidant activities. Molecules, v. 17, p. 1113-1123, 2012. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 31 AVALIAÇÃO DO PERFIL QUÍMICO DE Vernonia crotonoides VIA CLAE/DAD. Gisella B. Perez (IC)¹*, Adriana Dutra (IC)1, Tatiana U. P. Konno (PQ)2, Michelle F. Muzitano (PQ)¹, Ivana C. R. Leal (PQ)¹, Denise O. Guimarães (PQ)¹. [email protected] 1 Laboratório de Pesquisa em Produtos Naturais-LaProN, UFRJ/ Macaé. Rua Alcides da Conceição, nº159-Novo Cavaleiros, Macaé-RJ. 2Núcleo de Pesquisas em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé-NUPEM, UFRJ/ Macaé. Rua Rotary Club. São José do Barreto, Macaé-RJ. Palavras-chave: Vernonia crotonoides, CLAE/DAD, ácidos clorogênicos, flavonoides. Introdução O gênero Vernonia é representado por aproximadamente 1500 espécies distribuídas especialmente nas regiões tropicais e subtropicais.1 Constituintes químicos como triterpenos, esteroides, lignoides, sesquiterpenoides e flavonoides, bem como diversas atividades farmacológicas antiparasitária, antimicrobiana e anticâncer - são descritas para este gênero.2,3 Este trabalho descreve a avaliação do decocto de Vernonia crotonoides quanto ao aspecto químico via Cromatografia Líquida de Alta Eficiência/ detector de arranjo de diodos (CLAE/DAD). Materiais e Métodos Folhas secas e pulverizadas (366,68 g) de Vernonia crotonoides - coletada na Restinga de Jurubatiba - foram submetidas à extração e partição conforme descrito a seguir: Resultados e Discussão O cromatograma da fração aquosa residual apresenta picos com TR=5,40; 8,76 e 9,15 min. com espectros de UV semelhante a ácidos clorogênicos.4 (Figura 2). Os mesmos tipos de espectros UV, porém com diferentes TR foram observados na fração butanólica, indicando a presença de ácidos clorogênicos. TR=5,40 min UV-literatura4 Figura 2. Cromatograma (254 nm) da fração aquosa residual com espectros de UV da amostra e literatura. O cromatograma da fração acetato de etila indicou a presença de derivados flavonoídicos com espectros de UV com duas bandas características em 255 nm e 350 nm. A fração diclorometano será submetida à análise por cromatografia líquida gasosa acoplada à espectrometria de massas, pois apresentou um pico majoritário dentre três observados. O decocto de Vernonia crotonoides foi submetido a ensaio antioxidante pelo método DPPH apresentando CE50 33,01 µl/mL Este resultado indica boa atividade antioxidante quando comparado com o padrão positivo de Ginkgo biloba, CE50 30,02 µl/mL Conclusões Figura 1. Obtenção do decocto e frações de Vernonia crotonoides. Condições de análise CLAE: Fase móvel: gradiente em água/ácido fosfórico (pH=3,0) (A) e acetonitrila (B): 0-15min (10-25% B); 15-25 min (25% B); 25-35 min (25-45% B); 35-40 min (45% B); 40-43 min (45-100% B); 43-48 min (100% B); 48-50 min (100-10% B) e 50-55 min (10%B). Fase estacionária: Supelcosil LC-18, I.D. 25 cm x 4,6 mm, partícula de 5 µm. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Com esse estudo foi possível sugerir alguns constituintes presentes na espécie Vernonia crotonoides, bem como identificar a atividade antioxidante proveniente do decocto desta espécie. Agradecimentos Faperj, CNPq ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹Maia, A.I.V., et al. Quimica Nova, 33(3), 584-6, 2010. ²Carvalho, M.G., et al. Journal of Brazilian Chemical. Society, 10(2), 163-6, 1999. ³Ola, S.S., et al. Food Chemistry, 115, 1568-74, 2009. 4 Belay, A.; Gholap, A.V. African Journal of Pure and Applied Chemistry, 3(11), 234-40, 2009. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 32 EFEITO LEISHMANICIDA DA 19-HIDROXICORONARIDINA. Christian Ferreira (PG)1*, Deivid Costa Soares (PQ)1, Jan Carlos Delorenzi (PQ)2, Ivo José Curcino Vieira (PQ)3, Elvira Maria Saraiva (PQ)1 1. Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Presbiteriana Mackenzie. 3. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal do Norte Fluminense. Palavras-chave: 19-Hidroxicoronaridina, Leishmania amazonensis, Efeito Leishmanicida. Introdução Resultados e Discussão As leishmanioses são doenças endêmicas em várias partes do mundo, mas poucos avanços foram feitos em sua quimioterapia, com exceção da introdução de novos protocolos de tratamentos ou a reformulação de fármacos antigos como o encapsulamento da anfotericina B. Exceto pela miltefosina, um fármaco já utilizado no tratamento do câncer de mama, nenhum novo medicamento foi introduzido para o tratamento da leishmaniose desde a introdução dos antimoniais há mais de 80 anos1. A descoberta de novos fármacos, sintéticos ou naturais, que possam ser eficientes, inclusive, contra parasitos resistentes aos medicamentos disponíveis, com efeitos colaterais reduzidos ou ausentes, vem sendo estimulada por iniciativas como o DNDi (Drugs for Neglected Diseases iniciative). A 19hidroxicoronaridina (19-HC (Fig. 1)), é um alcalóide natural raro, isolado da casca das raízes da espécie Tabernaemontana catharinensis, análogo da coronaridina e da 18-metoxicoronaridina, dois compostos com atividade leishmanicida2. O objetivo do nosso estudo é avaliar o efeito da 19-HC em Leishmania amazonensis, uma espécie causadora de leishmaniose cutânea e cutânea difusa no Novo Mundo. Figura 1 Estrutura hidroxicoronaridina. química da Conclusões Nossos resultados demonstram a atividade anti-Leishmania amazonensis da 19-HC, apontando-a como possível substância para estudo de terapia de leishmaniose. Agradecimentos 19- Materiais e Métodos Infecção de macrófagos in vitro – Macrófagos de camundongos BALB/c estimulados com tioglicolato foram infectados com Leishmania amazonensis conforme descrito3. Ensaios citotóxicos – A citotoxicidade dos compostos foi avaliada em macrófagos murinos através dos testes de XTT e azul de Trypan conforme descrito3. Produção de óxido nítrico – Macrófagos estimulados com tioglicolato foram ativados ou não com 100ng/mL de IFN-γ e tratados simultaneamente com a 19-HC. Após 48 horas, os sobrenadantes foram coletados e avaliados por concentração de nitrito através da reação de Griess, como descrito3. Atividade das desidrogenases mitocondriais do parasito – Formas promastigotas foram tratadas com a 19-HC e após 48 horas foi realizado o método de XTT, conforme descrito3. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Nossos resultados demonstraram que a 19HC apresentou efeito leishmanicida para promastigotas de L. amazonensis, com IC50 (concentração inibitória para 50%) de 35 μg/mL. Em amastigotas intracelulares o IC50 obtido foi de 34,8 μg/mL. A avaliação da citotoxicidade em macrófagos peritoneais murinos demonstrou que a 19-HC apresentou um CC50 de 87 μg/mL quando analisado pelo método de XTT, e não apresentou toxicidade para os macrófagos murinos pelo teste de exclusão do corante azul de Trypan. A atividade das desidrogenases mitocondriais dos promastigotas foi inibida 35% quando incubamos com 35 μg/mL da 19HC. Nossos resultados também demonstraram que o composto não induz a produção de óxido nítrico (NO) em macrófagos, além disso, a 19-HC diminuiu em cerca de 6,2 vezes a produção de NO em macrófagos ativados com 300 μg/mL de IFN-γ, resultado semelhante ao obtido com a 18metoxicoronaridina2. FAPERJ, CAPES e CNPq. ----------------------------------Referências Bibliográficas: Croft, S. L. Coombs, G. H. Leishmaniasis – current chemoterapy and recent advances in the search for novel drugs. Trends Parasitol. 19: 502-508, 2003. 2 Delorenzi, J. C., Freire-de-Lima, L., Gattass, C. R., de Andrade Costa, D., HE, L., Kuehne, M. E. Saraiva, E. M. B. In vitro activities of iboga alkaloid congeners coronaridine and 18-methoxycoronaridine against Leishmania amazonensis. Antimicrob. Agents Chemother. 46: 21112115, 2002. 3 Ferreira, C., Soares, D. C., Barreto-Junior, C. B., Nascimento, M. T., Freire-de-Lima, L., Delorenzi, J. C., Lima, M. E., Atella, G. C., Folly, E., Carvalho, T. M., Saraiva, E. M. Pinto-da-Silva, L. H. Leishmanicidal effects of piperine, its derivatives, and analogues on Leishmania amazonensis. Phytochemistry. 72: 2155-2164. 2011. 1 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 33 TRANSFORMAÇÃO MICROBIANA DO LAPACHOL Jéssica Azevedo de Moraes (IC)1*, Eliane Augusto Ndiaye (PQ)1. [email protected], [email protected] 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, Universidade Federal de Mato Grosso,Rodovia MT-100, Km 3,5. Pontal do Araguaia-Mato Grosso Palavras-chave: Biotransformação, Lapachol Introdução Biotransformação pode ser definida como o uso de sistemas biológicos, microorganismos vivos ou enzimas isoladas destes, para a realização de modificações químicas em compostos que não são seus substratos naturais1. Buscou-se realizar a biotransformação microbiana do Lapachol, apresentando uma visão geral sobre as potencialidades de substâncias de estruturas naftoquinonoídicas, em estudos químicos e farmacológicos, enfatizando os aspectos relativos ao Lapachol. Materiais e Métodos Transformação microbiana do Lapachol: As cepas do fungo foram inoculadas e colocadas em aparelho giratório a 37°C com uma rotação de 120 rpm para reativarem o seu metabolismo. Após esse período de crescimento colocou-se o lapachol nos erlenmeyers, sendo que em um erlenmeyer continha apenas o fungo com o caldo e em outro apenas o lapachol com o caldo, esses erlenmeyers foram usados como controle. A cada 12 horas foram retiradas alíquotas das amostras. Isolamento e purificação: Para isolamento e identificação foram utilizados processos usuais de cromatografia utilizando como adsorventes os solventes acetato de etila e hexano 1:1, e substâncias padrão para comparação, seja em colunas, seja em placas preparativas. Teste antimicrobiano: Foram usados como controle o lapachol, a β-lapachona e o cloranfenicol sendo comparados com o produto biotransformado, onde o teste antibacteriano foi realizado pela técnica de difusão em disco e o teste antifúngico por bioautografia direta. Resultados e Discussão O fungo de trabalho foi identificado como sendo o penicillium sp. , isto foi interessante porque se sabe que este II Jornada Fluminense de Produtos Naturais gênero é capaz de efetuar hidroxilação de forma regio e estereosseletiva, mesmo em carbonos não ativados. Através da reação de biotransformação obtiveram-se dois produtos biotransformados, V1 e V2. As análises químicas e físico-químicas das substâncias isoladas sugerem que houve quebra do anel quinônico e ciclização da cadeia lateral do Lapachol. A atividade antifúngica observada, neste trabalho, pode ser considerada baixa, porém, há a necessidade de novos experimentos, mais sensíveis, pois a quantidade de material utilizada foi pequena. Já em relação à atividade antibacteriana pode-se constatar que a modificação estrutural do Lapachol não foi capaz de otimizar a sua ação antimicrobiana. Porém outros estudos podem ser feitos a fim de analisar a potencialidade de tal modificação estrutural como, por exemplo, frente à propriedade antitumoral do Lapachol. Conclusões O fungo de trabalho foi identificado como sendo Penicillium sp.. Através da reação de biotransformação pode-se obter dois compostos denominados V1 e V2 que se encontram em fase de identificação estrutural. Em um estudo preliminar, estes compostos apresentaram uma baixa atividade antimicrobiana. Estudos futuros de “QSAR” possibilitarão explicar de forma quantitativa a relação entre a estrutura química e atividade biológica e planejar modificações moleculares de forma a se obter compostos com vantagens estruturais sobre o Lapachol. Agradecimentos / NIQEFARMA/ UFMT Referências 1.ROCHA, B. A. Transformações microbianas da lactona sesquiterpênicas tagitina c. 2009 70f... Dissertação (mestrado). Faculdade de Ciências Farmacêutica de Ribeirão Preto-USP, Ribeirão Preto, 2009. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 34 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTITUMORAL DE PLANTAS DA RESTINGA DE MACAÉ Rossy M. Bastos Jr 1(PG)*, Ingred G. Riça1-3 (PG); Elaine S. Barreto1 (IC); Francinne M. Fernandes1 (IC) Maurício A. Almeida1 (IC). Marta Leal2 (IC); Thaís Valentim2 (IC); Rafaela Velloso2 (IC); Tatiana Konno4 (PQ) Ivana C. R. Leal2 (PQ); Michelle F. Muzitano2 (PQ); Moisés C. M. Cavalcante3 (PQ). E-mail de contato: [email protected] / [email protected] 1Laboratório de Bioquímica e Imunofarmacologia Profa. Vera Koatz; 2LaProN - Laboratório de Produtos Naturais – UFRJ-IMMT; 3 Instituto de Bioquímica Médica – UFRJ 4 NUPEM-UFRJ Palavras-chave: Câncer; Produtos Naturais Introdução Produtos naturais derivados de plantas têm recentemente recebido muita atenção como quimiopreventivos potenciais e como agentes quimioterápicos. Sabe-se que a quimioterapia convencional é limitada pela alta incidência de efeitos adversos e, além disso, existe maior resistência da célula tumoral frente às drogas convencionais.1 No Brasil, o uso de plantas medicinais é bem difundido, principalmente nas áreas rurais, para o tratamento de muitas enfermidades, apesar de muitas dessas plantas ainda serem pouco estudadas.2,3 Atenção especial vem sendo dada aos polifenóis, sugerindo-se que atuem como agentes quimiopreventivos, inibindo vários estágios da carcinogênese.2,4 O Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba está no Município de Macaé, sendo reservatório de várias espécies de plantas com grande potencial de atividade biológica. O objetivo deste trabalho foi de avaliar a atividade antitumoral de extratos vegetais de três espécies de plantas da restinga de Macaé (Tocoyena bullata, Stachytarpheta schottiana, Ocotea notata). Materiais e Métodos Células de glioma de rato da linhagem C6 foram plaqueadas na concentração de 10 5 células/mL, em placa de 96 poços e, concomitantemente, foram incubadas com os diferentes extratos hidroalcóolicos diluídos em 0,5 % de DMSO estéril nas seguintes concentrações: 2, 10 e 50 µg/mL. Após 24h e 48h de incubação, o ensaio do MTT foi realizado para avaliar a viabilidade celular. Os resultados foram expressos em média +/- erro padrão e considerados significativos quando p< 0,05. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão Dos extratos testado, o extrato de Ocotea notata foi capaz de diminuir significativamente a viabilidade celular na concentração de 50 µg/mL, após 24h de incubação. Houve inibição de aproximadamente 95% da viabilidade celular, quando comparado ao grupo controle (p<0,003). Os mecanismos de ação antitumoral desta planta ainda estão em investigação, assim como outras espécies de plantas da restinga de Macaé. Conclusões Conclui-se que o extrato de Ocotea notata revelou grande atividade antitumoral sobre células de glioma, sendo um candidato potencial para o tratamento de cânceres. Acreditamos que novas atividades biológicas de Produtos Naturais devem, em um futuro próximo, serem fontes de novos medicamentos para o tratamento não só do câncer, mas também de várias outras patologias de difícil controle e de terapêutica pouco efetiva. Bibliografia: 1 -Suyenaga, ES.; Reche, E.; Farias, FM.; Schapoval, EE.; Chaves, CG.; Henriques, AT.; Antiinflammatory investigation of some species of Mikania. Phytoth. Res., vol. 16, p. 519-523, 2002. 2 - Fresco P, Borges F, Diniz C, Marques MP.. New insights on the anticancer properties of dietary polyphenols. Med Res Rev 26: 747-766, 2006. 3 - Angelo C. Pinto. Produtos naturais: atualidade, desafios e perspectivas. Quim. Nova, Vol. 25, Supl. 1, 45-61, 2002. 4Ren W, Qiao Z, Wang H, Zhu L, Zhang L.. Flavonoids: promising anticancer agents. Med Res Rev 23: 519-534, 2003. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 35 ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE BIFLAVONÓIDES EXTRAÍDOS DE FRUTOS VERDES DE Clusia paralicola (CLUSIACEAE) Rafaela O. Ferreira (PG)1*, Tania M. S. da Silva (PQ)2, Celso A. Camara (PQ)2, Mário G. de Carvalho (PQ)1,3 [email protected] 1Programa de Pós Graduação em Química, DQ-ICE-UFRRJ, Rodovia BR-465, Km 7, 23890-000, Seropédica-RJ. 2Laboratório de Bioprospecção Fitoquímica, DCM-UFRPE, Rua Dom Manoel de Medeiros, Dois Irmãos, 52171-900, Recife-PE. 3 Núcleo de Pesquisa em Produtos Naturais, CCS-UFRJ, Av. Carlos Chagas Filho, Bloco H, 373, Cidade Universitária, 21941-902, Ilha do Fundão, Rio de JaneiroRJ. Palavras-chave: Antioxidantes, biflavonóides, Clusia, radicais livres. A obtenção de frações enriquecidas com metabólitos bioativos é de grande interesse, pois têm apresentado promissoras aplicações farmacológicas, como no caso do kolaviron (mistura dos biflavonóides GB1, GB2 e kolaflavanona na proporção 2:2:1) e de ginkgolídeos (mistura de terpenolactonas) extraídos de Garcinia kola e Ginkgo biloba, respectivamente.1,2 Os radicais livres são constantemente gerados “in vivo” e estão envolvidos em processos de envelhecimento e enfermidades crônicas como a arteriosclerose, câncer, obesidade e diabetes.3 O objetivo deste estudo é a avaliação da atividade antioxidante da mistura de biflavonóides identificados em frações de extratos de frutos verdes de Clusia paralicola. flavanonas em comparação a outros tipos de flavonóides, tais como, ausência da hidroxila livre no carbono 3 (anel C), ausência de insaturação entre o carbono 2 e 3 (anel C) e a presença de açucares.7 Tabela 1. Potencial antiradicalar da mistura de GB1-7”-O-glicopiranosídeo e GB-1a-7”O-glicopiranosídeo. Metabólitos CE50(ABTS) CE50(DPPH) Padrões µg/mL µg/mL Biflavonóides 26,7±3,3 60,2±1,6 Trolox 2,80±0,04 Ácido 2,05±0,02 Ascórbico 100 Biflavonóides (100 g/mL) Trolox (16 g/mL) 80 % de Inibição Introdução 60 40 20 Resultados e Discussão Os biflavonóides foram moderadamente ativos em relação aos respectivos controles positivos. Fatores estruturais podem justificar a razoável ação antioxidante de II Jornada Fluminense de Produtos Naturais . . in in m 12 0 in . m 10 0 in . m 80 in . m 60 in . m m O processamento da fração acetato de etila por técnicas cromatográficas usuais resultou no isolamento de uma mistura de biflavonóides já registrados na literatura como GB1-7”-O-glicopiranosídeo e GB1a7”-O-glicopiranosídeo. A atividade antiradicalar frente os radicais livres DPPH. e ABTS+. da mistura dos biflavonóides foi realizada seguindo metodologia descrita por SILVA et al. 20064 e RE et al. 19995, respectivamente. Os resultados foram expressos em CE50 (Tabela 1). A atividade antioxidante com o sistema βcaroteno/ácido linoléico adotou a metodologia descrita por EMMONS et al. 19996. Os resultados foram expressos em % de inibição da oxidação (Figura 1). 0 40 e Métodos 20 Materiais Figura 1. Atividade antioxidante (sistema ácido linoléico/β-caroteno) da mistura de biflavonóides (100µg/mL). Conclusões Os biflavonóides existentes nos frutos da planta Clusia paralicola contribuem para sua atividade antioxidante. Agradecimentos CNPq e CAPES ----------------------------------1 Olaleye, S. B.; Farombi, E. O.; Phytother. Res. 2006, 20, 14. 2Van Beek, T. A. J. Chromatogr. A 2002, 967, 21. 3 Nagai, T.; Inoue, R.; Inoue, H.; Suzuki, N. Nutr. Res., 2002, 22, 519. 4Silva, T. M. S.; Camara, C. A.; Lins, A. C. S.; Barcosa, J. M.; Freitas, B. M.; Santos, F. A. R. J. Food Compos. Anal. 2006, 19, 507. 5Re, R.; Pellegrine, N.; Ptoteggente, A.; Pannala, A.; Yang,M.; Rice-Evans, C. Free Radical Bio Med 1999, 26,1231. 6Emmons, C. L.; Peterson, D. M.; Paul, G. L. J. Agric. Food Chem. 1999, 47, 489. 7 Edenharder, R.; Grunhage, D. Mutat. Res. 2003, 540, 1. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 36 CARACTERIZAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS DE DIFERENTES ÓRGÃOS DA Myrciaria floribunda (H.West ex Willd.) O.Berg Luis A.C. Tietbohl (PG)1*, Barbara G. Lima (PG)1, Caio P. Fernandes (PG)1, Marcelo Guerra Santos (PQ)2, Leandro Rocha (OR)1. [email protected] 1 Laboratório de Tecnologia de Produtos Naturais, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal Fluminense, Rua Doutor Mário Viana 523, Santa Rosa, CEP 24241-000, Niterói, RJ, Brasil. 2 Departamento de Ciências, Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Francisco Portela 1470, CEP 24435-000, São Gonçalo, RJ, Brasil. Palavras-chave: Óleo essencial, Myrciaria floribunda, Myrtaceae. Introdução Myrciaria floribunda pertence à família Myrtaceae e é uma espécie amplamente distribuída na América Central e do Sul1 e na Restinga de Jurubatiba (Rio de Janeiro, Brasil) é conhecida popularmente como Camboim amarelo e seus frutos são comestíveis.2 Os óleos essenciais das folhas apresentaram atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa.3,4 Este trabalho tem como objetivo comparar a composição dos óleos essenciais obtidos das folhas, caules e flores de M. floribunda. Materiais e Métodos Material vegetal: M. floribunda foi coletada no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Identificada pelo botânico Dr. Marcelo Guerra Santos. Uma exsicata da M. floribunda foi depositada no Herbário da Faculdade de Formação de Professores (UERJ, Brasil) sob o número de registo RFFP 13,789. Extração do óleo essencial: Folhas (1.100g), caules (600g) e flores (186g) foram individualmente turbolizados com água destilada. Em seguida, cada material foi colocado num balão de 5L e submetidos a hidrodestilação durante 4 h em aparelho tipo Cleavenger. Análise cromatográfica GC/MS: Os óleos foram analisados por um cromatógrafo a gás GCMS-QP5000 (SHIMADZU) equipado com um espectrômetro de massa com ionização de elétrons. A identificação das substâncias foi realizada por comparação dos índices de retenção respectivos e espectros de massa com os relatado na literatura.5 Resultados e Discussão O óleo essencial de flores mostrou o maior rendimento. Um total de 26 componentes II Jornada Fluminense de Produtos Naturais foram identificados nos óleos essenciais das três partes da planta analisadas. Os monoterpenos representam a maior fração dos óleos das folhas (53,9%) e flores (55,4%) e sesquiterpenos estão em maior quantidade no óleo dos caules (72,2%). O 1,8-cineol foi o constituinte principal encontrado nos óleos das folhas e flores, correspondendo respectivamente a 38,4% e 22,8% da composição total de M. floribunda. Também foram identificados alguns constituintes pela primeira vez nas folhas, tais como, α-pineno, mirceno, (Z)-βocimeno γ-terpineno, acetato de geranilo, γ-himachaleno, valenceno, δ-amorfeno, zonareno e (2E, 6Z)-farnesol. Já, as principais substâncias químicas identificadas no óleo essencial dos caules foram o (2E,6E)-acetato de farnesilo (19,9%) e (2E,6Z)-farnesol (13,1%). Conclusões Este trabalho mostra pela primeira vez a composição química de óleos essenciais a partir de caules e de flores e também a identificação de componentes não publicados do óleo das folhas de M. floribunda. Agradecimentos CAPES e FAPERJ. ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹ http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2010/FB000171/, accessed in July 2011. 2 Apel M.A., et al., Screening of the biological activity from essential oils of native species from the atlantic rain forest (São Paulo–brazil). Pharmacology online, 3, 2006. 383p. 3 Sarthou, C., et al., Stability of plant communities along a tropical inselberg ecotone in French Guiana (South America). Flora, 205, 2010. 694p. 4 Stefanello, M.E.A., et al., Essential Oils from Neotropical Myrtaceae: Chemical Diversity and Biological Properties. Chemistry & biodiversity, 8, 2011. 94p. 5 Adams, R.P.; Identification of essential oil components by gas chromatography/mass spectrometry, 4th ed., Allured Publishing Corporation: Carol Stream, IL, 2007. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 37 Anti-inflammatory and Antimycobacterial Activity of Extracts and Halogenated Sesquiterpenes from Laurencia dendroidea Thatiana Ventura (PG)1*, Fernanda Machado (PG)2,3, Marlon Heggdorne de Araujo (IC)1, Lísia Gestinari (PQ)3, Francisco Esteves (PQ)3, Elena Lasounskaia (PQ)1, Angélica Soares (PQ)2,3, Michelle Frazão Muzitano (PQ)4 . [email protected] 1Laboratório de Biologia do Reconhecer, CBB, UENF, Campos dos Goytacazes, RJ. 2Instituto de Química, UFRJ, Rio de Janeiro, RJ. 3Núcleo de Estudos em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, UFRJ, Macaé, RJ. 4Faculdade de Farmácia, UFRJ, Campus Macaé, IMMT, RJ. Palavras-chave: Laurencia dendroidea J. Agardh, anti-inflammatory; Mycobacterium; tuberculosis. Introduction In inflammation, infectious or noninfectious agents induce the formation of chemical mediators such as nitric oxide (NO) and citokines (e.g.: TNF-α). The release of large amount of these mediators is involved in the pathogenesis of various diseases that affect people in the entire world, as tuberculosis [1]. In the present study, we evaluated the anti-inflammatory and antimycobacterial activities of crude extracts from the red alga Laurencia dendroidea (from the southeastern coast of Brazil) and their isolated halogenated sesquiterpenes, (-)-elatol, obtusol and cartilagineol, in an attempt to find new antiinflammatory and anti-tuberculosis agents. Subsequently, new crude extracts of Laurencia dendroidea, in dichloromethane, were also tested and the results compared. Materials and Methodsétodos RAW 264.7 were stimulated by LPS [1g/mL] and incubated with samples [100, 20 e 4g/mL], n = 3. The amount of NO produced and toxicity were determined by Griess method, both LDH and MTT after 24h. The ability to inhibit TNF- was assessed by cell viability of murine L929 fibroblasts. The mechanism of inhibition of NO production was evaluated through western blot analysis. To evaluate the antimycobacterial activity, suspension of Mycobacterium bovis BCG (1 × 106 CFU/well) were incubated with each sample [100, 20 e 4g/mL]. After 7 days, 10µl of MTT was added, and 3 hours after, lyses buffer. Results and Discussion In the first samples tested, L. dendroidea extract (Angra dos Reis, Brasil) was the most active on the inhibition of inflammatory mediator production: NO (IC50 5,30 ± 1,33 µg/mL) and against Mycobacterium (MIC50 8.66 ± 1.36 µg/mL). In addition, for isolated compounds, obtusol (IC50 31,44 ± 0,76 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais µg/mL) was more active on Mycobacterial growth and (-)-elatol (IC50 16,51 ± 1,08 µg/mL) on inhibition of inflammatory mediators, especially NO. This last activity showed to be due to a specific inhibition of iNOS activity or expression. Six new L. dendroidea extracts were tested under the same conditions. Among them, the L. dendroidea extract (Biscaia inlet, Angra dos Reis) was the most active in the modulation of NO production (IC50 0,07 µg/mL) and TNF- (IC50 13,59 µg/mL). The seaweed extract collected in Forno beach, Arraial do Cabo also showed capacity for both inhibiting chemical mediators (IC503.1 and 13.59 respectively) and against M. bovis BCG (MIC50 10,11 ± 1,61 µg/mL). The sample more active in inhibiting the growth of mycobacteria was L. dendroidea extract (Jurumirim Beach, Parati), (MIC50 4,95 ± 1,36 µg/mL). These extracts were more active in all activities assessed than the first extracts and isolated compounds tested. Conclusion In conclusion, our results showed initially that L. dendroidea extract (Angra dos Reis) and (-)-elatol were active in inhibiting NO and the latter also in inhibiting TNF-α production. NO inhibitory activity was mediated mainly by specific inhibition of iNOS expression. This extract and obtusol were the active against Mycobacterium. The evaluation of new extracts from different regions of the southeastern coast of Brazil revealed more active extracts in all activities tested. Antimycobacterial and in vitro anti-inflammatory activity were described for L. dendroidea extracts and isolated substances for the first time. ---------------------------------¹ Lyadova, I.V., Tsiganov, E.N., Kapina, M.A., Shepelkova, G.S., Sosunov, V.V., Radaeva, T.V., Majorov, K.B., Shmitova, N.S., van den Ham, H.J., Ganusov, V.V., De Boer, R.J., Racine, R., Winslow, G.M. In Mice, Tuberculosis Progression Is Associated with Intensive Inflammatory Response and the Accumulation of Gr-1dim Cells in the Lungs. PLoS ONE. 2010, 5(5), e10469. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 38 Variação sazonal dos perfis químicos da planta aquática Typha domingensis (Typhaceae) por CLAE-UV-DAD Luana Gonçalves de Souza (IC)1*, Nathália P. Nocchi Carneiro (IC)1, Angélica R. Soares (PQ)1. [email protected] ; [email protected] 1 Grupo de Produtos Naturais de Organismos Aquáticos (GPNOA), NUPEM, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Campus Macaé-RJ Palavras-chave: Variação intraespecífica, metabolitos secundários, produtos naturais Introdução As plantas pertencentes ao gênero Typha, da família Typhaceae, compreendem cerca de onze espécies e são encontradas em todo o globo. No Brasil, são descritas duas espécies, dentre elas T. domingensis Pers. uma planta medicinal conhecida popularmente como taboa. São normalmente encontradas em zonas úmidas sendo distribuídas em solo úmido, pântanos, brejos e águas rasas doce e salobra.1 Seu uso tradicional inclui o tratamento para cicatrização de feridas, queimaduras, dentre outros.2 Flavonóides, polifenóis, esteróides, ácidos graxos e cumarinas têm sido isolados e caracterizados para o gênero. Fatores ambientais tão diversificados como radiação ultravioleta, índice pluviométrico e temperatura têm se mostrado como fatores fundamentais para compreender a variabilidade quantitativa e qualitativa, na produção de metabólitos secundários em uma mesma espécie.3 O objetivo deste trabalho foi avaliar a variação sazonal dos perfis químicos dos extratos brutos de quatro populações diferentes de T. domingensis coletadas na Lagoa Cabiúnas, Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (PNRJ). Materiais e Métodos As plantas foram coletadas em dezembro de 2010 (primavera), fevereiro de 2011 (verão), maio de 2011 (outono) e setembro de 2011(inverno). Os extratos brutos das partes aéreas em metanol foram analisados por CLAE (Shimadzu) com detector DAD (Diodo-Array) em coluna C18 (250 L X 4,6 mm). A separação foi conduzida no modo gradiente, com vazão de 1,0 mL/min e fase móvel composta pelos solventes (A) Metanol e (B) Água pH 3 (Ácido fosfórico), segundo o gradiente de 0-30% de B em A em 10 min, de 30-70% de B em 50 min, de 70-100% de B em 60 min e 100% de B em 70 min. A detecção foi por meio do UV em 254nm. A análise de todos os cromatogramas (Fig. 1) revelou uma alta complexibilidade dos extratos. Variações qualitativas e quantitativas foram observadas ao longo do ano, destacando-se os perfis químicos dos meses de dezembro e fevereiro com maior complexidade. Esse período é marcado por uma alta precipitação pluviométrica, o que acarreta no aumento do nível de água da lagoa, além de altas taxas de incidência de radiação ultravioleta e temperatura. Já nos perfis químicos dos meses de maio e setembro se observa uma queda na produção de metabólitos, com destaque no mês de setembro onde foi observada uma queda acentuada desta produção. Fig 1: Perfis químico por CLAE-UV-DAD dos extratos brutos das partes aéreas de T. domingensis nas quatro estações do ano. Conclusões Verificou-se uma diferenciação tanto qualitativa quanto quantitativa dos metabolitos secundários nos extratos de acordo com as diferentes épocas do ano, destacando-se a maior complexidade de metabólitos no verão, período de cheia da lagoa. Agradecimentos Programa de Educação Tutorial (PET) e a FAPERJ. ----------------------------------1 Long, R.W., et. Al. 1976. A Flora of Tropical Florida. Banyan Books, Miami. Agricultural and Biological Chemistry 52, 595–597. 2 Yesilada, E., 2002. Biodiversity: Biomolecular Aspects of Biodiversity and Innovative Utilization. Kluwer Academic/Plenum Publishers, London, pp. 119–135. 3 Gobbo-Neto, L., et. Al. 2007. Plantas Medicinais: Fatores de influencia no conteúdo de metabólitos secundários. Quim. Nova 30, n 2, pp. 374-381. Resultados e Discussão II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 39 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: NAFTOQUINONAS NATURAIS COM ATIVIDADE ANTICANCER Ana Maria Pereira da Silva1,2(PG), Maria Raquel Figueiredo3(PQ), Selma Ribeiro de Paiva4(PQ) e Maria Auxiliadora Coelho Kaplan1(PQ). E-mail de contato: [email protected]. 1 Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Centro de Ciências da Saúde, Bloco H, UFRJ, Av. Carlos Chagas Filho 373, Rio de Janeiro, RJ. 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Rua Lúcio Tavares, 1045, Nilópolis, Rio deJaneiro, RJ 3 Laboratório de Química de Produtos Naturais, Far-Manguinhos, FIOCRUZ, Rua Sizenando Nabuco, 100- Manguinhos, Rio de Janeiro, RJ. 4 Setor de Botânica, Departamento de Biologia Geral, Instituto de Biologia, UFF, Campus do Valonguinho, Niterói, RJ. Palavras-chave: Angiospermae, Naftoquinonas, Atividade anticancer. Introdução Plantas contendo naftoquinonas são usadas tradicionalmente em países da Ásia, África e América do Sul para o tratamento de várias doenças. Naftoquinonas são metabólitos secundários de ocorrência ampla em plantas, algas, equinodermas e outros organismos marinhos, além de fungos e bactérias. Embora altamente tóxicas, as naftoquinonas de ocorrência natural apresentam importantes e variadas atividades biológicas justificando o interesse no estudo químico e farmacológico de espécies contendo essas substâncias. Este trabalho visa apresentar os resultados da intensa pesquisa feita sobre a ocorrência e distribuição de naftoquinonas em Angiospermae incluindo a diversidade estrutural e o seu uso no tratamento de câncer. Materiais e Métodos Para a pesquisa bibliográfica foram consultadas as bases de dados do Chemical Abstracts (SCIFINDER: MEDLINE, CAPLUS), com abrangência das áreas de quimiossistemática, fitoquímica e farmacologia de naftoquinonas de Angiospermae, tendo como obra básica para a pesquisa as publicações de Thomson (1971;1987). Resultados e Discussão No Reino Vegetal, especificamente na divisão das Angiospermae, as naftoquinonas ocorrem em cerca de 57 famílias. Dentre essas, as que apresentam atividade anticancerígena descrita estão distribuídas em 21 famílias, 45 gêneros e 67 espécies, destacando-se as famílias II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Bignoniaceae, Boraginaceae e Ebenaceae. Os principais tipos estruturais são 1,2naftoquinonas e 1,4-naftoquinonas que podem ser classificadas como: prenilnaftoquinonas, furanonaftoquinonas, piranonaftoquinonas, difuronaftoquinonas, naftoquinonas tetracíclicas, naftoquinonas associadas a cumarinas ou a alcalóides. As naftoquinonas com maior número de ocorrência em Angiospermae são lapachol e seus derivados (α- e β-lapachona), plumbagina, lausona e juglona. Essas destacam-se pela atividade frente ao câncer de pâncreas, de ovário, dentre outros, com diferentes mecanismos de ação (Ferreira, 2003; 2010). Conclusões Naftoquinonas e outras substâncias de origem natural fazem parte do arsenal que a natureza oferece na luta não apenas contra vários tipos de câncer, como também contra várias outras enfermidades. A diversidade estrutural dessas substâncias e os diferentes mecanismos de ação estimulam a busca por novas substâncias ativas. Estrategicamente podese incluir a quimiossistemática, ferramenta fundamental na prospecção por novas substâncias de origem natural, com atividade farmacológica. Agradecimentos Ao NPPN-UFRJ e ao IFRJ-Nilópolis. ----------------------------------Thomson, R.H. Naturally occurring quinones, 2 nd Ed. Academic Press, 1971. Thomson, R. H. Naturally occurring quinones III:recent advances. London:Chapman &Hall, 1987. Ferreira, V.F.; Silva, M.N.; Souza, M.C.B.V. Química Nova, 2003, 26(3), 407. Ferreira, V.F.; Ferreira, S.B.; Gonzaga, D.T.G.; Santos, W.C.; Araújo, K.G.L. Rev. Virtual de Química, 2010, 2(2), 140. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 40 ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DOS COMPONENTES BIOATIVOS DO ÓLEO ESSENCIAL DE Hyptis pectinata Paula Monteiro Lopes (IC)1*, Ana Cristina Rivas (PG)1, Daniela Sales Alviano (PG)1, Celuta Sales Alviano (PG)1. *[email protected] de Estrutura de Superfície de Microrganismos – IMPG da Universidade Federal do Rio de Janeiro, CCS, Bloco I, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ, 21941-590 Brasil. 1Laboratório Palavras-chave: Hyptis pectinata, óleo essencial, atividade antimicrobiana, bioativos Introdução Nas últimas décadas, a utilização de plantas medicinais como alternativa no tratamento de doenças tem aumentado em todas as classes sociais das mais diversas regiões do mundo. Hyptis pectinata conhecida como sambacaitá, é utilizada como antiinflamatório e antimicrobiano e também no tratamento de edema e câncer1. Neste contexto resolvemos avaliar a atividade antimicrobiana das substâncias bioativas presentes no óleo essencial desta planta. Materiais e Métodos O óleo essencial de H. pectinata apresentou na cromatografia em camada delgada e bioautografia três regiões ativas para os micro-organismos. As três regiões foram purificadas e identificadas através de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas. Foi realizada a determinação das concentrações inibitórias mínimas, de acordo com o protocolo do CLSI para cada um dos micro-organismos testados, demonstrando a capacidade das substâncias em inibir 100% do crescimento microbiano2. A curva de morte que determina o tempo mínino necessário para a morte do microrganismo em contato com a substância foi testada3. A técnica de checkerboard foi utilizada para avaliar se as substâncias ativas de H. pectinata seriam capazes de proporcionar efeito sinérgico em combinações com antimicrobianos comerciais. A citotoxidade foi avaliada utilizando ensaio colorimétrico do MTT, para avaliar se a CIM pode ser usada sem ter efeito tóxico para células hospedeiras. Resultados e Discussão As três regiões ativas foram identificadas como análogo oxidado da calamusenona, desidroaromadendreno e calamusenona. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Todos os bioativos na CIM foram capazes de inibir 100% do crescimento de todos os micro-organismos testados. As curvas de morte da C. albicans e do MRSA tratadas com a CIM dos bioativos eliminaram 100% dos micro-organismos variando em até 180 min de tratamento. A combinação entre ciprofloxacina (CIP) com desidroaromadendreno foi sinérgica, no entanto a calamusenona apresentou efeito sinérgico apenas com Anfotericina B (AMB) para C. albicans, e o análogo oxidado da calamusenona causou efeito sinérgico com AMB frente a C. neoformans e R. oryzae. Os resultados do teste de citotoxidade demonstram que o desidroaromadendreno a e calamusenona, não foram tóxicas, e o análogo oxidado da calamusenona, se mostrou tóxico em todas as concentrações testadas. Conclusões Os resultados obtidos neste trabalho demonstram que as substâncias isoladas do óleo essencial de Hyptis pectinata apresentam um grande potencial contra bactérias e fungos patogênicos o que associado a sua baixa toxidade o torna um promissor agente terapêutico contra as infecções. Agradecimentos UFRJ, CAPES financeiro. e CNPq pelo apoio ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹ Monteiro, M.V.B. Leite, A.K.R.M. Bertini, L.M. Morais, S.M. & Nunes-Pinheiro, D.C.S. Journalof Ethnopharmacology 111:378-382. 2007 2 National Committee For Clinical Laboratory Standards (NCCLS). Methods for dilution antimicrobial susceptibility tests. 4th ed. Wayne (PA), 2005. Approved Standard, Normas M27-A2, M38-A, M11-A6 e M7-A4. 3 Zore, G.B., Thakre, A.D., Rathod, V., Karuppayil, S.M. Evaluation of anti-Candida potential of geranium oil constituents against clinical isolates of Candida albicans differentially sensitive to fluconazole. Mycoses, doi:10.1111/j.1439-0507.2009.01852.x. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 41 ESTUDO FITOQUÍMICO E FARMACOLÓGICO DA ESPÉCIE VEGETAL Mandevilla moricandiana (APOCYNACEAE) Marcio Vinicius da Silva Gomes (IC)¹*, Leonardo de Araújo Leal (IC)1, Renata de Jesus Mello (IC)2, Letícia Lima Dias Moreira Ferreira (MS)2, Juliana Montani (PQ)2, Tatiana Konno (PQ)3, Ivana Correa Leal (PQ)1, Michelle Frazão Muzitano (PQ)1. E-mail de contato: [email protected] 1 Laboratório de Produtos Naturais/ Instituto Macaé de Metrologia e Tecnologia (LaProN /IMMT), Rua Alcides da Conceição, nº 159 - Novo Cavaleiros - Macaé - RJ 2 Polo Universitário – Campus UFRJ-Macaé, Av. Aluízio da Silva Gomes, 50 – Granja dos Cavaleiros - Macaé - RJ 3 Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (NUPEM/UFRJ) - Av. São José do Barreto s/n São José do Barreto – Macaé - RJ Palavras-chave: Mandevilla, anti-inflamatório, anti-hipertensivo, antioxidante Introdução Os produtos naturais são utilizados pela humanidade desde tempos remotos devido a suas diversas propriedades medicinais. Os flavonóides, por sua vez, formam uma das classes de metabolitos especiais que abrange um dos principais grupos de moléculas extraídas de produtos naturais com atividade biológica, tornando-se então um importante alvo de estudos. Em contrapartida, a espécie vegetal Mandevilla moricandiana, coletada na Restinga de Jurubatiba, é uma espécie que não possui estudos farmacológicos, surgindo a necessidade de avaliar o potencial terapêutico da espécie citada, bem como a caracterização fitoquímica da planta, especialmente na classe dos flavonoides, além de explorar o potencial medicinal que a Restinga de Jurubatiba tem a oferecer. Materiais e Métodos Foram obtidas 248,88 gramas da folha da planta M. moricandiana, as quais foram submetidas ao método de maceração etanol/água (7:3), durante o tempo necessário para a extração. O extrato bruto (EB) resultante foi submetido a partição, alternando-se a polaridade dos solventes, obtendo-se frações desse EB, que foram analisados por CLAE-UV, coluna SUPELCOSIL 18,5 mm, 25 cm x 4,6 mm. Paralelamente, o EB também foi avaliado quanto ao seu potencial farmacológico, inicialmente quanto a atividade antihipertensiva, anti-inflamatória e antioxidante, sendo ensaios realizados por equipes parceiras do projeto. Resultados e Discussão O EB foi analisado por HPLC-UV, em diferentes concentrações da mistura II Jornada Fluminense de Produtos Naturais acetonitrila-água. Os flavonóides localizados encontravam-se principalmente na fração acetato de etila, com o majoritário correspondendo a 30% dos flavonóides totais, com os max (196, 265, 348 nm), característicos das subclasse das flavonas, flavonóis e chalconas. Tanto os ensaios in vitro quanto in vivo obtiveram resultados bastante promissores quanto aos ensaios anti-hipertensivo (redução de 70%) e antiinflamatório (redução de 75%). A análise no CLAE-UV demonstrou, para o extrato, uma quantidade considerável de flavonoides totais, utilizando-se uma curva de calibração do flavonoide rutina, este foi calculado em 3,59%(p/p). Após a partição liquido-liquido, a fração acetato de etila concentrou essa classe de compostos e será usada em etapas posteriores para isolamento dos mesmos. Com isso, podese sugerir que a quantidade significativa de flavonóides no extrato, unido às suas características farmacológicas, possa ser um dos responsáveis pelo efeito farmacológico da planta. Conclusões Muitos trabalhos indicam a variedade de efeitos produzidos pelos flavonóides, como antioxidante, anti-inflamatório, antihipertensivo, hipolidemico, entre outros. Com os resultados obtidos, podemos sugerir que os flavonóides possam ser um dos responsáveis pelos efeitos farmacológicos encontrados, dados que podem ser confirmados na literatura. Desta forma, tais resultados tornam-se o ponto de partida para a purificação e identificação do(s) componente(s) responsável por tais efeitos. Agradecimentos FAPERJ, FUNEMAC, UFRJ – Macaé, LAPRON/IMMT Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 42 AVALIAÇÃO QUÍMICA DO EXTRATO DAS FOLHAS DE Vitex polygama Cham. (VERBENACEAE) COM CLAE-UV. Alexandre M. R. G. Carneiro (IC)1,2*, Tatiana Konno (PQ). , Ivana Ramos Correia Leal (PQ)2, Michelle F. Muzitano (PQ)2. [email protected]. 1 Faculdade de Farmácia, UFRJ, Macaé; 2 LAPRON Laboratório de Produtos Naturais do NorteFluminense, UFRJ, Macaé; NUPEM, UFRJ, Macaé; Palavras-chave: Vitex polygama, CLAE-UV, flavonóides, rutina. Introdução A Vitex polygama (Verbenaceae) é uma espécie que ocorre principalmente na região sudeste brasileira. Galhos, folhas e frutos são tradicionalmente utilizados pela população como emenagogo, diurético e para tratamento de afecções renais. A Vitex polygama é conhecida por conter flavonoides tais como orientina e isoorientina (flavonas O-glicosídeos) e schaftosídeo e carlinosídeo (Cglicosilflavonas). Estes últimos são possuidores de potente ação antiinflamatória, antinociceptiva e antioxidante[1]. No gênero Vitex também encontramos ecdisteroides tais como 20hidroxiecdisona (20E), estimulante da síntese proteica encontrada em grande quantidade nos galhos da Vitex polygama [2]. O objetivo do estudo foi avaliar a composição química dos extratos hidroalcoólicos de V. polygama através de CLAE-UV, correlacionando com a literatura científica. Materiais e Métodos Os extratos foram obtidos através de três macerações sucessivas das folhas secas e trituradas com etanol:água 10% p/v, obtendo um rendimento de 14,47% de extrato seco. 10mg do extrato foi ressuspendido em 0,5mL de acetonitrila grau HPLC e 0,5 mL de H2O destilada. A corrida foi realizada no equipamento Shimadzu com coluna de fase reversa supelcosil C18 com um gradiente de eluição com acetonitrila (B) e água (A) (0 a 100% B em 42m). Resultados e Discussão Foram observados no cromatograma dois picos majoritários (6 e 7) com espectro UV característico de flavonoides [3]. A porcentagem p/p dos flavonoides majoritários (picos 6 e 7) e dos flavonoides totais foi calculada em termos de rutina (curva de calibração da rutina: Área = 1954120 Massa (ug) – 120967,33), II Jornada Fluminense de Produtos Naturais obtendo-se os seguintes resultados: pico 6 = 0,66% p/p; pico 7 = 0,528% p/p e flavonoides totais = 1,158% p/p no extrato etanólico. Os tempos de retenção dos picos 6 e 7, respectivamente 20,563 min e 20,939 min foram comparados com o da rutina (Tr=22,56 min) sugerindo que os mesmos possuem um maior grau de oxigenação ou glicosilação que a rutina, que apresenta a posição 3 O-glicosilada com rhamnose-glicose. Analisando o espectro de UV dos flavonoides majoritários foram observadas duas bandas com comprimentos de onda máximos de 270nm (banda II) e entre 330-365nm (banda I) sugerindo serem flavonas ou flavonóis A presença de duas pequenas bandas na região da banda II do espectro UV indica a oxigenação em pelo menos 2 pontos do anel B (posições 4' e 5') [4]. Conclusões Com este trabalho foi possível obter o perfil químico por CLAE do extrato etanólico de V. polygama coletada na Restinga de Jurubatiba. Esse extrato apresentou como constituintes majoritários os flavonoides. O extrato será fracionado de acordo com os estudos da ação farmacológica que estão em andamento. Agradecimentos A minha orientadora Michelle Muzitano pela paciência. A meu pai e minha mãe pela boa educação. A Deus sobre tudo. ----------------------------------¹ Gallo, M. B. C. Compounds from Vitex polygama active against kidney diseases, Journal of Ethnopharmacology, 2008 2 Gallo, M. B. C. Quantitative determination of 20hydroxyecdysone in methanolic extract of twigs from Vitex polygama Cham. Journal of Chromatography B, 2006 3 Cunha, A. P. Farmacognosia e fitoquímica. Lisboa, 2009. 238-256 p. 4 Markham, K. R. e Andersen, Ø. M. Flavonoids Chemistry, Biochemistry and Applications. New York, 2006, 16-20 p. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 43 ATIVIDADE LEISHMANICIDA DE COMPOSTOS EXTRAÍDOS DA MACROALGA Stypopodium zonale Marcella Szlachta Macedo (IC)1*, Deivid Costa Soares (PQ)1, Angélica Ribeiro Soares (PQ)2, Valeria Laneuville Teixeira (PQ)3, Elvira Maria Saraiva (PQ)1 1. Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, UFRJ. 2. Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (NUPEM), UFRJ. 3. Departamento de Biologia Marinha, Instituto de Biologia, UFF. Palavras-chave: Leishmanioses, Atividade Leishmanicida, Stypopodium zonale. foi calculada por contagem de células viáveis. Introdução Infecção de células: Macrófagos de camundongos BALB/c foram infectados com L. amazonensis A leishmaniose é uma doença negligenciada conforme descrito2 e posteriormente tratados com os causada por parasitas do gênero Leishmania, que compostos. Citotoxicidade: foi avaliada em afeta 12 milhões de pessoas no mundo. Os macrófagos pelo teste de XTT conforme descrito2. tratamentos disponíveis são de alto custo, apresentam Produção de óxido nítrico: Macrófagos foram efeitos adversos e induzem resistência. A OMS e ativados ou não com IFN-γ e tratados com os DNDi estão estimulando estudos de compostos que diferentes compostos. Os sobrenadantes foram possam ser utilizados no desenvolvimento de novos avaliados utilizando a reação de Griess2. fármacos para quimioterapia contra a leishmaniose. Aqui avaliamos a atividade leishmanicida dos meroditerpenos ácido atomárico e do éster do ácido Resultados e Discussão atomárico (Fig.1), do ácido estipofuranolactona e Os resultados demonstram que o tratamento com da peroxilactona do ácido acetilatomárico (Fig. 2) 50µM do AAT e de EAA em formas promastigotas, oriundos da alga Stypopodium zonale. diminui em 100% e 86%, o crescimento dos parasitos. O tratamento com 10µM de AES e PAAC é mais eficiente, inibindo 100% do crescimento dos promastigotas após 36 horas. Quando avaliamos o efeito em formas amastigotas, o AAT e o EAA apresentam um efeito dose-dependente com um IC50 de 90µM para AAT e de 64µM para EAA. O efeito anti-amastigota de AES e PAAC ainda está sendo Fig. 1 - Estruturas químicas do ácido atomárico avaliada. Não observamos toxicidade dos compostos (AAT) e de seu éster, derivado sintético do ácido quando avaliamos a atividade mitocondrial dos atomárico (EAA). macrófagos. Nós observamos que os níveis de NO não foram alterados quando os macrófagos estimulados ou não com IFN-γ foram tratados com AAT. Por outro lado, um aumento significativo na produção de NO foi observado, após o tratamento com EAA em macrófagos não ativados. Porém, este efeito não foi observado em macrófagos ativados com IFN-γ. Fig. 2 – Estrutura química do meroditerpneo inédito, estipofuranolactona (AES) e do ácido acetilatomárico (PAAC). Conclusões Nossos dados apontam a alga S. zonale Materiais e Métodos como fonte promissora de substâncias para desenvolvimento de fármacos para terapia de Extração e isolamento dos compostos: AAT foi leishmanioses. obtido a partir da extração ácido-base do extrato bruto em CH2Cl2 da alga coletada em Búzios (RJ). Agradecimentos A fração ácida foi submetida a cromatografia em coluna o que possibilitou a purificação do composto. CAPES, CNPq e FAPERJ ---------------------------------O respectivo éster foi obtido a partir de uma reação Referências Bibliográficas: de esterificação do AAT utilizando BF3:MeOH. 1. 1 Soares, A.R. 2005. Produtos naturais da alga parda Obtenção de PAAC e da AES: O extrato em marinha Stypopodium zonale (Dictyotales, Phaeophyta) do diclorometano da alga coletada em Marataízes (ES) litoral brasileiro. Tese de Pós-Graduação em Química foi submetido a uma série de cromatografias em Orgânica, Universidade Federal Fluminense, RJ. colunas sob gel de sílica fornecendo a PAAC (6mg) e 2Ferreira, C., Soares, D. C., Barreto-Junior, C. B., o meroditerpeno inédito AES (12mg). Todas as Nascimento, M. T., Freire-de-Lima, L., Delorenzi, J. C., substâncias forma identificadas a partir de análises Lima, M. E., Atella, G. C., Folly, E., Carvalho, T. M., espectroscópicas1. Atividade anti-promastigotas: Saraiva, E. M. Pinto-da-Silva, L. H. Leishmanicidal effects Promastigotas de L.amazonensis foram tratados ou of piperine, its derivatives, and analogues on Leishmania amazonensis. Phytochemistry. 72: 2155-2164. 2011. não com os compostos. A sobrevivência dos parasitos O O CH3 H H O CH3 O OH O II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 44 FENÓIS E FLAVONOIDES TOTAIS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DOS EXTRATOS DE Vernonia polyanthes Vanessa dos Santos Temponi (PG)¹*, Jucélia Barbosa da Silva (PG) 1, Felipe Valente Fernandes (IC)1, Kamilla Morais Rodrigues Coelho (PG) 1, Danielle Maria Aragão (PG)2, Rodrigo Luiz Fabri (PG)2, Elita Scio Fontes (PQ)2, Antonia Ribeiro (PQ)2, Maria Silvana Alves (PQ)1, Orlando Vieira de Sousa (PQ)1. E-mail de contato: [email protected] 1Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora. 2Departamento de Bioquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora. Palavras-chave:Vernonia polyanthes; Atividade Antioxidante, Fenóis, Flavonoides. Introdução Vernonia polyanthes, pertencente à família Asteraceae, conhecida como assa-peixe, é usada como cicatrizante, anti-inflamatório, diurético, antirreumático e no tratamento de afecções do aparelho respiratório1. Análises fitoquímicas têm revelado a presença de flavonoides, alcaloides, glicosídeos e óleos essenciais1. O objetivo do presente trabalho foi quantificar teores de fenóis e flavonóides totais e avaliar a atividade antioxidante. Materiais e Métodos O material vegetal foi coletado no Horto da Faculdade de Farmácia da UFJF, Juiz de Fora, MG. Uma exsicata (nº 10329) foi depositada no Herbário do Departamento de Botânica/UFJF. Após secagem e pulverização, as folhas foram extraídas em etanol sob maceração estática. O extrato etanólico (EE) foi particionado, obtendo as frações hexânica (FH), diclorometânica (FD), em acetato de etila (FA) e butanólica (FB). A atividade antioxidante (AA) foi realizada pelo método 2,2 difenil-1picrilhidrazilo (DPPH)2 e pelo Poder de Redução3 do Fe+3 através da determinação da concentração efetiva 50% (CE50). Fenóis2 e flavonoides totais4 foram quantificados por espectrofotometria. Os resultados foram demonstrados como média ± erro padrão. Análise de variância seguida de teste de Turkey foram utilizados para p < 0,05. Resultados e Discussão A tabela demonstra os teores de fenóis, flavonoides e valores de CE50 da AA pelo Método DPPH e Poder de Redução. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Produtos Testados EE Fenóis Totais (g/100g) Flavonoides (g/100g) DPPH CE50 (µg/mL) Poder de Redução (µg/mL) 23,45 ±0,14 29,8± 0,09 75,10±0,24 306,25±1,1 4,78±0,02 2,20 ± 0,15 0,76±0,01 0,26 ± 0,02 16,93±0,03 0,84 ± 0,03 FA 14,48±0,01 7,73 ± 0,14 4,28 ± 0,06 9,8 ± 0,09 FB 18,63±0,32 4,28 ± 0,17 10,35±0,10 15,71 ±0,05 FH FD 5 53,29 ±1,03 61,90±0,66 Rutina - - 14,29 ±0,11 8,27 ± 0,25 Ácido Ascórbico - - - 1,73 ± 0,04 As médias são diferentes entre si Os resultados demonstraram que V. polyanthes é rica em substâncias fenólicas. Os métodos de DPPH e poder de redução têm sido bastante empregados na avaliação da atividade antioxidante5. Entre os antioxidantes naturais, destacam-se os constituintes fenólicos que têm a capacidade de seqüestrar os radicais livres Conclusões Os extratos de V. polyanthes constituem uma fonte de substâncias fenólicas com atividades antioxidantes. Agradecimentos UFJF; FAPEMIG; CAPES; CNPq. Referências Bibliográficas: 1 Lorenzi, H.; Matos, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil Nativas e Exóticas. Nova Odessa (SP): Instituto Plantarum, 544 p.2008. 2 Sousa et al. Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, v. 30, p. 351-355, 2007. 3 Oyaizu, M. Studies on product of browning reaction prepared from glucose amine. Japan Journal of Nutrition, v. 44, p. 307-315, 1986. 4 Sobrinho et al. Validação de metodologia espectrofotométrica para quantificação dos flavonóides de Bauhinia cheilantha (Bongard) Steudel. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, v. 44, p. 683-689, 2008. 5 Genovese, M. I. et al. Bioactive Compounds and Antioxidant Capacity of Exotic Fruits and Commercial Frozen Pulps from Brazil. Food Science and Technology International, v. 14, n. 3, p. 207-214, 2008. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 45 ESTUDO DE ATIVIDADE CICATRIZANTE DE EXTRATOS DE PLANTAS DO NORTE FLUMINENSE. Tathyanna Bichara de Souza Neves (IC)¹*, Jéssica Cok Ventura (IC)¹, Michelle Frazão Muzitano (PQ)2, Ivana Correa Ramos Leal (PQ)2, Tatiana Ungaretti Paleo Konno (PQ)3, Juliana Montani Raimundo (PQ)1, André Gustavo Bonavita (PQ)1. [email protected] Laboratório Integrado de Pesquisa (LIP), Campus UFRJ – Macaé. Laboratório de Produtos Naturais (LaProN), Campus UFRJ – Macaé. 3 Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (NUPEM), Campus UFRJ – Macaé. 1 2 Palavras-chave: 1.cicatrização, 2.produtos naturais Introdução A cicatrização é um processo envolvendo eventos celulares e moleculares que interagem para que ocorra reparo tecidual após lesão1. Entretanto em certas patologias, como diabetes mellitus e síndrome de Cushing, esse processo é comprometido2. Plantas são fontes de muitos compostos bioativos e muitas já vêm sendo utilizadas pela medicina tradicional para acelerar a cicatrização3. Além disso, o estudo de extratos vegetais no tratamento de doenças vem sendo utilizado no desenvolvimento de novas moléculas com ações sobre alvos específicos4. Deste modo, este trabalho visa buscar atividade cicatrizante de extratos obtidos de espécies botânicas pertencentes do Parque Nacional de Jurubatiba, localizado no Norte Fluminense (RJ). Materiais e Métodos Extratos liofilizados de Passiflora mucronata (P. mucronata) e Peplonia asteria (P. asteria) foram diluídos em DMSO no dia do experimento. Para o ensaio de cicatrização foram utilizados ratos Wistar fêmeas pesando 300g. Após anestesia foi realizada ferida no dorso dos animais por excisão utilizando punch dérmico de 10mm. Os animais foram colocados em gaiolas individuais por um período de 24h. O tratamento com os extratos foi feito uma vez ao dia por 3 dias consecutivos na dose de mg/lesão. O grupo controle foi tratado com DMSO. A cinética de cicatrização foi avaliada em um período de 21 dias após a cirurgia. Os dados foram apresentados como percentual de ferida aberta e análises estatísticas foram realizadas no GraphPad Instat onde valores de p<0,05 foram considerados significativos. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão O tratamento com os extratos de P. mucronata e P. asteria acelerou o processo de cicatrização após avaliarmos o percentual da ferida aberta (39,7 ±1,8% e 40 ±4% respectivamente) em relação aos animais controle (57,5 ±6,7%) 5 dias após a indução de ferida. Constatamos ainda que o tratamento com extrato de P. asteria foi capaz de reduzir de forma significativa o tamanho da ferida nos demais tempos analisados. Com relação à completa reepitelização, o tratamento com ambos extratos reduziu o tempo total necessário (Passiflora mucronata 20 dias, Peplonia asteria 19 dias) quando comparado ao grupo controle (28 dias). Conclusões Com base nos dados apresentados, identificamos uma possível ação cicatrizante dos extratos de Passiflora mucronata e Peplonia astera. Testes subseqüentes serão necessários a fim de melhor caracterizar essa atividade e identificar os possíveis compostos ativos e mecanismos de ação. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1 Gurtner GC, Werner S, Barrandon Y, Longaker M. Wound repair and regeneration. Nature: 453: 314-321 (2008). 2 Levin ME. Management of the diabetic foot: preventing amputation. Southern Medical Journal: 95: 10–20 (2002). 3 Majewska I, Gendaszewska-Darmach E. Proangiogenic activity of plant extracts in accelerating wound healing - a new face of old phytomedicines. Acta Biochim Pol. 58 : 449-60 (2011). 4 Calixto BJ, Kassuya ALC, Eunice A, Ferreira J. Contribution of natural products to the discovery of the transient receptor potential (TRP) channels family and their functions. Pharm.& Therap: 106: 179-208 (2005). 5 Garros Ide C, Campos AC, Tâmbara EM, Tenório SB, Torres OJ, Agulham MA, Araújo AC, Santis-Isolan PM, Oliveira RM, Arruda EC. Extract from Passiflora edulis on the healing of open wounds in rats: morphometric and histological study. Acta Cir Bras. Suppl 3 : 55-65 (2006). Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 46 ANÁLISE FITOQUÍMICA DE AMOSTRAS COMERCIAIS DE JOAZEIRO (Ziziphus joazeiro Mart. – RHAMNACEAE) Alan Menezes do Nascimento (IC)¹*, José Celso Torres (PQ)¹, Carlos Alexandre Marques (PQ)1. *E-mail: [email protected]. Tecnologia em Química de Produtos Naturais, IFRJ, Campus Nilópolis, Rua Lúcio Taraves, 1045 – Centro - Nilópolis. Palavras-chave:, Ziziphus joazeiro Mart., controle de qualidade, testes fitoquímicos. 1 Introdução O joazeiro (Ziziphus joazeiro Mart.) é utilizado na medicina popular como expectorante, no tratamento da bronquite e ulceras gástricas, como antiséptico, dentifrício e tônico capilar. Entretanto, por ser comercializado na forma de pós ou “raspas”, este produto pode sofrer contaminação ou adulteração. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo analisar, através de cromatografia em camada delgada e/ou testes fitoquímicos, amostras de joazeiro obtidas no comércio1. Materiais e Métodos Foram utilizadas cinco amostras de joazeiro, sendo duas na forma de fragmentos de casca, obtidas no comércio informal de Nilópolis, RJ (amostra 1) e da Bahia (amostra 2). Outras duas na forma de pó, obtidas no comercio formal de Nilópolis, RJ (amostra 3) e informal da Bahia (amostra 4). E a amostra 5, na forma de casca, utilizada como padrão, coletada em Alagoa Grande, PB após prévia identificação da espécie. As amostras foram utilizadas na preparação de extratos etanólicos que posteriormente foram submetidos a cromatografia e aos testes fitoquímicos citados no Quadro 1, realizados de acordo com as metodologias descritas pelos respectivos autores1,2,3. Resultados e Discussão Apenas o extrato 2 (Quadro 1), proveniente do material industrializado, apresentou resultado positivo para flavonóides, fato que indica provável mistura de fragmentos da casca com outras partes da planta. Em paralelo, submeteu-se o extrato etanólico da folha de Z. joazeiro ao mesmo teste (Shinoda) que forneceu resultado positivo para flavonóides. Devido a presença de clorofila na amostra 5, usada como padrão, os precipitados obtidos nos testes de Bouchardat e de Mayer (Quadro 1) para presença de alcalóides apresentaram uma coloração esverdeada. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Quadro 1. analises Resultados de algumas Grupo funcional Saponinas (Matos, 1997) Flavonoides (Shinoda) 1 2 Extratos 3 4 5 + + + + + - + - - - Fenóis e taninos (Barbosa et al., 2001) + + + + + + + + + * + + + + * + + + + + Alcalóides (Bouchardat) Alcalóides (Mayer) Esteróides e triterpenoides (LiebermanBurchard) * indeterminado Posteriormente, serão realizados testes histoquímicos utilizando Sudam III, para confirmar ou não a presença de óleos essenciais nas amostras. Os testes para detecção de cafeína, utilizando um padrão comercial, indicaram a presença desse metabólito em quantidade discreta nas amostras analisadas, corroborando com as referências consultadas1. Conclusões Os resultados das análises revelam que as amostras são autênticas. Entretanto, a amostra 2 parece estar contaminada ou ter sofrido adulteração. Serão realizadas, posteriormente, análises ao microscópio para esclarecer a provável origem dessa contaminação. Agradecimentos Ao CNPq e ao IFRJ pela bolsa de iniciação e pelo apoio financeiro. ----------------------------------1. KATO, E.T.M. Estudo farmacognóstico da droga e do extrato fluido da raspa-de-juá – Ziziphus joazeiro Martius. LECTA – USF, Bragança Paulista, v. 14, n. 1, p. 09-27, jan/jun. 1996. 2.. BARBOSA. et al. Manual para Análise Fitoquímica e Cromatográfica de Extratos Vegetais. Centro de Ciências da Saúde – UFPA, Belém, 2001. 3. MATOS, F.J.A. Introdução à fitoquímica experimental. Fortaleza, Ed. UFC. 1997. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 47 “ALGUMAS ESPÉCIES DE PLANTAS MEDICINAIS PARA UTILIZAÇÃO EM ESCOLAS MUNICIPAIS DO RJ” Isabella B. Moura (IC)1*, Hannah C. T. Domingos (IC)1, Talita Shewry de Medeiros Rocha (IC)¹, Florence de F. Brasil Vianna (PQ)2 e Ana Maria Landeira-Fernandez(PQ)1 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, Instituto de Bioquímica Médica, bloco H 2 sl 25/ ICB/CCS e 2Coordenação de Extensão/CCS, UFRJ, Cidade Universitária, Ilha do Fundão, RJ *[email protected] Palavras-chave: plantas medicinais, educação ambiental, horto orgânico. Introdução Seguem abaixo fotos feitas no Horto, presentes no guia de plantas medicinais. A fim de preparar mudas de plantas medicinais para serem utilizadas na construção de um horto orgânico e medicinal em escolas da rede pública, foram selecionadas algumas espécies mais populares e plantadas no Horto da Prefeitura da UFRJ. Este projeto visa auxiliar os professores das Escolas Públicas no Ensino de Ciências e despertar o interesse e vocações científicas em alunos dos ensinos fundamental e médio. Os espécimes destas plantas do horto também serão utilizados para o desenvolvimento de experimentos de execução simples, utilizando materiais de fácil acesso. Materiais e Métodos Cerca de quarenta (40) mudas foram plantadas em um espaço cedido no Horto da Prefeitura da UFRJ. As plantas foram doadas ou compradas em casas especializadas e a identificação foi feita de acordo com a bibliografia pertinente (1,2). Estas mudas foram fotografadas e foi feito um guia de plantas medicinais que será utilizado como fonte de consulta para o nosso grupo e para os alunos das escolas de ensino fundamental e médio onde o projeto está sendo realizado. As mudas serão levadas para a Escola Municipal Comandante Guilherme Fisher Presser, Tubiacanga, Ilha do Governador, RJ, onde serão utilizadas em diferentes oficinas e experimentos, além de serem plantadas na Horta Medicinal da própria escola. Resultados e Discussão Conclusões Os hortos medicinais podem ser vistos como verdadeiras farmácias vivas, servindo como um espaço de aprendizado para jovens e adultos sobre como usar com responsabilidade, identificar e cultivar as plantas medicinais, regatando os saberes populares e valorizando a cidadania. Agradecimentos Horto de Duque de Caxias, RJ e Horto da Prefeitura da UFRJ Referências Bibliográficas: 1- LORENZI, H. e MATOS, F.J.A.: Plantas Medicinais no Brasil. Plantarum, Odessa: São Paulo, 2ª ed, 2002.; 2-LORENZI, H.: Árvores Brasileiras. Plantarum, Odessa:São Paulo,1992; LAMEIRA, O.A.; PINTO, J.E.B.P: Plantas Medicinais: do cultivo, manipulação e uso à recomendação popular. Embrapa: São Paulo, 2008. Figura 1- Vista geral do canteiro do Horto logo após o plantio II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 48 ESTUDO DA FRAÇÃO EM HEXANO DE Piper Cabralanum C.DC. (NANOCÁPSULA) EM LINHAGEM CELULAR K562 Lucena 1. Monica Regina Pimentel Siqueira (IC)1*, Carla Holandino Quaresma (PQ) 2, Gleyce Moreno (PG)2, Maria Auxiliadora Coelho Kaplan (PQ)3, Márcio Neri (PQ)4, Anderson Mendes (PG) 4, Isabela Huber (IC) 4, Felipe Stanislau Candido( IC)1, Davyson de Lima Moreira(PQ)1. Email: [email protected] 1 Departamento de Produtos Naturais - Farmanguinhos, FIOCRUZ, Rio de Janeiro, RJ. 2 Faculdade de Farmácia, UFRJ, Rio de Janeiro, RJ. 3 Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, UFRJ, Rio de Janeiro, RJ. 4 Escola de Química, UFRJ, Rio de Janeiro, RJ. Palavras-chave: Piperaceae, Piper cabralanum, Leucemia, K562 Lucena-1. Introdução Estudos fitoquímicos de espécies de Piperaceae têm mostrado importantes propriedades farmacológicas, dentre essas, a atividade antitumoral1. A Leucemia é uma doença de caráter hematopoiético onde as células sanguíneas normais têm sua produção comprometida aliada ao acúmulo de blastos leucêmicos anormais na medula óssea2. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a atividade citotóxica da fração em hexano de Piper cabralanum C.DC nanoencapsulada (PCA-Hex nano) em células leucêmicas da linhagem K562Lucena 1. Materiais e Métodos A partir das folhas de PCA foi feito um extrato metanólico (PCA-MeOH) que, posteriormente, foi submetido à partição com n-hexano (PCA-Hex)3. Os métodos escolhidos para avaliar a atividade citotóxica foram o de exclusão por Azul de Tripan e o método do brometo de 3-[4,5DIMETILTIAZOL-2-IL]-2,5-DIFENIL-TETRA ZOL. Nanopartículas obtidas a partir da polimerização de metilmetacrilato de metila (PMMA), usando SDS como agente surfactante, foram testadas nas mesmas condições dos extratos e frações. Resultados e Discussão K562 Lucena 1 é uma linhagem de eritroleucemia humana que possui características de resistência a múltiplas drogas (MDR), pela superexpressão de Pgp4. Na concentração de 300 mcg/mL de PCA-Hexnano foi possível verificar a morte de 50% das células em apenas 1h de tratamento. Após 24 h de tratamento com II Jornada Fluminense de Produtos Naturais PCA-HEXnano verificou-se a totalidade de células inviáveis em ambos os métodos testados a partir da concentração de 400mcg/mL. As nanopartículas de PMMA foram consideradas atóxicas por não alterarem significativamente a viabilidade da linhagem testada. Conclusões Os ensaios de atividade antitumoral com nanopartículas obtidas a partir de PCAHexnano mostraram-se muito promissores em linhagens K562 Lucena 1. As Nanopartículas obtidas a partir da polimerização de metilmetacrilato de metila (PMMA) não mostraram ser tóxicas para a linhagem celular nas condições testadas e, portanto, podem ser usadas para nanoencapsular os extratos e frações. Este trabalho multidisciplinar tem o objetivo de produzir um fitomedicamento para o tratamento da leucemia. Agradecimentos PIBITI, PIBIC, CNPq ----------------------------------¹ Yunker, T.G. The Piperaceae of Brazil, Hoehnea, 2: 19366, 1972. 2 Brown, R.; Khoury, H. Leucemia. In: Govidan, R.; Arquette, M.A. Washington Manual de Oncologia. Washington University School Of Medicine. Guanabara Koogan, p. 292-321. 2004 3 Moreira, D. L.; Fonseca, V. M.; Bhering, C. A.; Vasconcelos, F. G.; Torres-Santos, E. C.; Kaplan, M. A. C. Estudo Químico e da Atividade leishmanicida de frações de Piper cabralanum C.DC. (Piperaceae). Revista Fitos (ALANAC), 5: 92-98, 2010. 4 Rumjanek, V. M.; Trindade, G. S.; Wagner-souza, K.; Meletti-de-Oliveira, M. C.; Marques-Santos, L. F.; Maia R. C. Multidrug resistance in tumour cells: characterisation of the multidrug resistant cell line K562-Lucena 1. An. Acad. Bras. Ciênc. 73(1): 57-69, 2001 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 49 ESTABELECIMENTO DA CULTURA IN VITRO DE ABAJERÚ (Chrysobalanus icaco L.) Liane Peixoto Rocha (PG)1*, Bianka de Oliveira Soares (PG)1, Mariana Pimenta (IC)1, Juliana Cochofel (IC)1,Luis Gustavo dos Santos (IC)1, Adriano Caldeira de Araujo (PQ)1, Rachel Fatima Gagliardi (PQ)1. *Email: [email protected] 1 2 Núcleo de Biotecnologia Vegetal – Universidade do Estado do Rio de Janeiro Laboratório de Rádio e Fotobiologia – Universidade do Estado do Rio de Janeiro Palavras-chave: planta medicinal, micropropagação, calogênese. Introdução Conhecida popularmente como abajerú, Chrysobalanus icaco L., é uma planta lenhosa, com frutos de polpa comestível. No Brasil, seu potencial econômico é negligenciado; seu fruto é consumido in natura, ou utilizado na produção de geléia e licor1. Além disso, muitas propriedades medicinais têm sido atribuídas ao abajerú, tradicionalmente usado na medicina popular. A infusão das folhas vem sendo intensamente indicada para tratamento de diabetes2 ou pedras nos rins3. A propagação vegetativa utilizando técnicas de cultura de tecidos pode ser um valioso instrumento na multiplicação rápida de mudas, uma vez que o processo convencional não atende às necessidades comerciais, por ser muito lento. Este trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de sistemas de regeneração in vitro a partir de estacas, visando à propagação para estudos fitoquímicos e conservação de germoplasma da espécie. Materiais e Métodos As estacas foram coletadas no Parque das Dunas, em Cabo Frio. Os ápices e os dois primeiros nós foram excisados das estacas, e parte da amostra foi tratada com ácido cítrico a 2%, por 18h a 4°C, para o controle da oxidação4. A seguir, os explantes foram lavados com água e detergente por três vezes e submetidos à descontaminação com 0,2% de HgCl2 por 15 minutos e lavadas com água esterilizada. Na sequência, foram inoculadas em meio WPM suplementado com PVP 0,25% e BAP em diferentes concentrações (0,5; 1; 3; 5mg/L). As culturas foram mantidas em câmara de crescimento, à 28°C±2°C, com fotoperíodo de 16h e intensidade luminosa média 46 µM m-1.s-1 (luz direta), ou 23 µM m-1.s-1 (luz difusa). Resultados e Discussão O tratamento com ácido cítrico a 4C favoreceu tanto a descontaminação quanto a taxa de sobrevivência dos explantes, após II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 30 dias, possibilitando uma redução da contaminação de 60% para 18%, além de aumentar a sobrevivência dos explantes de 8% para 83%. Para o estabelecimento do cultivo in vitro de explantes excisados das estacas de campo foi necessário o controle da oxidação, definido em trabalhos anteriores, pela utilização de PVP 0,25%. Observou-se uma regeneração incipiente de gemas adventícias em resposta ao cultivo em meio MWP suplementado com PVP a 0,25% com incubação à temperatura de 28±2°C e sob luz difusa. A utilização de BAP (1mg/L) induziu a formação de calo de aparência friável em 30% dos explantes e regeneração de gemas adventícias em 5% dos explantes, nas demais concentrações testadas e não houve regeneração. A redução da intensidade luminosa favoreceu a redução da oxidação e aumentou a sobrevivência dos explantes, já que os explantes mantidos em luz direta oxidaram e após 15 dias de cultivo morreram. Conclusões O tratamento com ácido cítrico foi essencial para sobrevivência dos explantes, assim com a redução da intensidade luminosa. A presença de BAP 1 mg/L, suplementando o meio de cultura, induziu o desenvolvimento de gemas e calos friáveis. Agradecimentos Apoio: FAPERJ, CNPq e CAPES. À Coordenadoria Geral de Meio Ambiente de Cabo Frio pela autorização de coleta. ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1. Lorenzi, H., Souza H.M. Plantas Ornamentais no Brasil Arbustivas, Herbáceas e Trepadeiras , São Paulo: Plantarum, 2002. 1° Ed., v. 2. 88-120 p. 2. Costa, O. A. Brazilian plants with hypoglycaemic effects. Leandra 7: 63 - 75. 1977. 3. Bastos, M. N. C. A importância das formações vegetais da restinga e do manguezal para as comunidades pesqueiras. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, ser. Antropologia. 1995. v.11, 41-56 p. 4. Kowalski B., Staden J. van. Cold treatment, as part of the process, improves explant decontamination. Plant Growth Regulation. 1998. v. 26, 203–205 p. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 50 AVALIAÇÃO ESPECTROFOTOMÉTRICA ETANÓLICOS DE Bidens pilosa L. DE EXTRATOS Ramon Gredilha Paschoal (IC)¹*, Maria do Socorro dos Santos Chagas (PQ) 1, Dulcinéia Furtado Teixeira (PQ)¹, Leonardo Lucchetti (PQ)1. [email protected] 1 Departamento de Produtos Naturais, Farmanguinhos, Fiocruz, Avenida Brasil 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro,RJ, CEP 21045-900. Palavras-chave: Bidens pilosa, poliacetilenos, flavonoides Introdução Bidens pilosa (Asteraceae), espécie nativa da América Tropical, heliófila, ruderal, amplamente distribuída em quase todas as regiões tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil1. É uma das 71 plantas medicinais autorizadas pelo Ministério da Saúde (MS) para serem receitadas e distribuídas pelo SUS2, e o uso recomendado pelo MS é no combate a úlceras. Na medicina popular, a decocção das folhas é utilizada para infecções do estômago, além de combater afecções hepáticas, diabetes, angina, dismenorreia, edemas, conjuntivite. Esta planta apresenta acentuada atividade curativa e profilática em modelos de malária experimental3. Materiais e Métodos Bidens pilosa foi cultivada na Plataforma Agroecológica (PAF) e coletada no início da floração, em paralelo, plantas nascidas na área circundante à PAF foram coletadas nas mesmas condições. As folhas, raízes e inflorescências dos exemplares cultivados e os de ocorrência espontânea foram secas em estufa com circulação de ar, por 15 dias com temperatura de 370C. Após este tempo foram pulverizadas e armazenadas em frascos âmbar. Partidas de 100g de folhas e raízes, separadamente, foram extraídas utilizando dois métodos: a frio com etanol (maceração dinâmica) e com aparelho de Soxhlet, até o esgotamento. Os extratos foram concentrados utilizando evaporador rotatório, obtendo-se um resíduo pastoso denominado de EEBPC-PAF, para o exemplar cultivado e EEBPE-PAF para o espontâneo. Os extratos de Bidens pilosa cultivada foram analisados em espectrofotômetro UV/Vis para determinação do perfil flavonoídico e poliacetilênico desta espécie, utilizando a concentração de 0,1016mg/ml em metanol. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão Para os exemplares de crescimento espontâneo e cultivado na PAF, foram estudados os rendimentos dos processos extrativos por maceração dinâmica e extração por aparelho de Soxhlet, tanto das partes aéreas quanto das raízes. Nas duas técnicas de extração utilizadas, B. pilosa espontânea apresentou maior rendimento para as partes aéreas (maceração/Soxhlet), respectivamente de 8,5 e 13% do que a cultivada (5 e 9%). Nas raízes não foi observada variação por maceração, mas com Soxhlet o exemplar espontâneo apresentou maior rendimento (4,3%). Conclusões Ao término do estudo, concluiu-se que a extração das partes aéreas utilizando o aparelho de Soxhlet produziu um rendimento um pouco maior que a maceração dinâmica, provavelmente devido ao calor presente nesta técnica. Para a extração das raízes não foi observada nenhuma alteração. A análise por UV/Vis permitiu caracterizar a presença de substâncias poliacetilênicas nas amostras EEBPC-PAF de inflorescências e folhas enquanto nas raízes foi possível observar absorbâncias características de flavonóides. Agradecimentos Farmanguinhos; CNPq trabalho desenvolvido pelo apoio ao ----------------------------------Referências Bibliográficas: 1. Mondin, C.A., Bringel Jr., J.B. A., Nakajima, J. Bidens Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010. 2 . Brasil. Portaria nº 971 de 03 de maio de 2006 3 . Oliveira, F. Q;. Andrade-Neto, V;. Krettli, A. U;. Brandão, M. G. L New evidences of antimalarial activity of Bidens pilosa roots extract correlated with polyacetylene and flavonoids. Journal of Ethnopharmacology, v. 93, n. 1, p. 39-42, 2004 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 51 NEOLIGNANA DE Piper rivinoides Roberta Silvares Nunes (IC)¹*, Renan Alves de Paiva (PG)¹, André Mesquita Marques (PG)1 , Davyson de Lima Moreira (PQ)2, Maria Auxiliadora Coelho Kaplan (PQ)1 . * [email protected] 1 Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro - Cidade Universitária - Rio de Janeiro/RJ . 2 Farmanguinhos, FIOCRUZ – R. Sizenando Nabuco, 100 – Manguinhos - Rio de Janeiro / RJ Palavras-chave: Piper, Piperaceae, Neolignana. Introdução A família Piperaceae possui 4 gêneros, sendo Piper o mais representativo. A química do gênero Piper tem sido bastante investigada, resultando no isolamento de inúmeras substâncias com atividades biológicas, dentre as quais destacam-se: alcalóides, amidas, propenilfenóis, lignanas, neolignanas, terpenos, esteróides, kavapironas, piperolídeos, chalconas, diidrochalconas, flavonas e flavanonas1. As lignanas e neolignanas são metabólitos frequentes em espécies do gênero Piper. Muitas substâncias estruturalmente diferentes dessa classe química já foram identificadas de plantas da família Piperaceae mostrando que uma grande diversidade de acoplamento químico das duas unidades arilpropanoídicas2. No presente trabalho, destaca-se o isolamento de uma neolignana de P. rivinoides. exibindo mancha única em CCD. Posteriormente, essas frações foram analisadas por CG/EM. Através da comparação do íon molecular e do padrão de fragmentação do material analisado, foi possível propor para a substância obtida a classe química de uma neolignana. Isolada com alto grau de pureza (>90%) este é o primeiro registro de lignoides em P. rivinoides. Materiais e Métodos O extrato etanólico de folhas de P. rivinoides foi suspenso em uma solução de MeOH:H2O (1:1) e submetido à partição líquido-líquido com solventes de diferentes polaridades. A fração hexânica foi fracionada em coluna de gel de sílica. As frações obtidas foram analisadas por cromatografia em camada delgada (CCD) e, posteriormente, por cromatografia com fase gasosa acoplada ao espectrômetro de massas (CG/EM). Resultados e Discussão A fração hexânica proveniente do extrato etanólico de Piper rivinoides foi fracionada em coluna de gel de sílica e desse fracionamento foram geradas 205 frações. Todas as frações foram analisadas por CCD e as frações 72 e 73 (318,4mg) eluídas com Hexano/Acetato de Etila 5% apresentaram-se como cristais incolores, II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Figura 1: Cromatograma da neolignana Conclusões A prospecção química de Piper rivinoides revelou importante marcador químico presente no extrato etanólico dessa espécie. A grande quantidade encontrada dessa substância sugere também a sua importância no processo de defesa e/ou polinização da espécie. Agradecimentos Agradecemos financeiro. ao CNPq pelo apoio ----------------------------------Referências Bibliográfica: ¹ Parmar, V. S., Jain, S. C., Bisht, K. S., Taneja, P., Phytochemistry of genus Piper. 1997, 46, 597-673. 2 Gottlieb, O. R., Yoshida, M., Lignóides com atenção especial à química das neolignanas. 1984, 7, 253-270. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 52 AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIMICROBIANO E CITOTÓXICO DE Plantago australis LAM. Mathias Moraes Abrão (IC)1*, Samara Evangelista Reis (IC)1, Luiz Fernando Soldati Duarte (IC)1, Andréa Silva de Oliveira (IC)1, Arthur Ladeira Macedo(PG)¹, Maria de Fátima Ávila Pires(PQ)2, Elita Scio Fontes(PQ)3, Luciana Moreira Chedier (PQ)1, Daniel Sales Pimenta (PQ)1 daniel [email protected] 1 Laboratório de Fitoquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora, 36036900, Juiz de Fora – Minas Gerais 2Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite. Embrapa Gado de Leite –Rua Eugênio do Nascimento, 610 Dom Bosco- Juiz de Fora- Minas Gerais 3Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais. Instituto de Ciencias Biológicas, Universidad Federal de Juiz de Fora, 36036900, Juiz de Fora-Minas Gerais Palavras-chave: Etnoveterinária, Mamite, Artemia salina, Transsagem. Introdução Plantago australis Lam. (Plantaginaceae), conhecida popularmente como transagem, foi selecionada por levantamento etnoveterinário anterior para o tratamento de mamite bovina1. O objetivo deste trabalho foi determinar a Concentração Inibitória Mínima (CIM) dos extratos aquoso e metanólico de folhas de Plantago australis Lam. contra cepas de bactérias, inclusive as envolvidas na mamite, e a capacidade citotóxica dessa espécie contra Artemia salina. Resultados e Discussão Os extratos mostraram potencial atividade contra mamite. O extrato metanólico de folhas de P. australis foi o mais promissor, sendo o CIM em S. aureus de 125µg, E. coli de 1000µg, S. typhimurium e P. aeruginosai de 500µg. O extrato aquoso de folhas de P. australis apresentou CIM de >1000, 1000, 500 e 1000µg respectivamente. Os resultados para citotoxidez foram expressos em CL50, calculados pelo programa estatístico Probit. Todos os extratos apresentaram CL50 acima da faixa de concentração testada (>1000 g/mL). Esses resultados indicam eficácia e segurança dos extratos. Materiais e Métodos O extrato metanólico de folhas foi obtido por maceração estática com metanol até exaustão. O extrato aquoso foi obtido por meio de infusão, seguido de liofilização. Os dois extratos foram testados contra cepas das bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli, que são agentes etiológicos da mamite, além das bactérias Pseudomonas aeruginosa e Salmonella typhimurium, onde se determinou a Concentração Inibitória Mínima(CIM)2. Os testes de citotoxidez foram realizados segundo Meyer et al. (1982)3. Ambos extratos foram solubilizados em água do mar artificial com auxílio dos tensoativos Tween 80:DMSO (1:1 v/v) a 1% para obtenção de concentrações entre 10 e 1000 µg/mL e testados em náuplios de Artemia salina. Conclusões Os extratos obtidos de P. australis mostraram atividade antimicrobiana e baixa citotoxidez, apontando para uma correta utilização pelos pecuaristas no combate à mamite. Agradecimentos Propesq/UFJF pelo apoio financeiro. 1 -Pires, M.F.A. et al., Conhecimento e saberes locais: contribuição para a sustentabilidade da agricultura familiar e para o desenvolvimento rural. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL, I, Viçosa, 2009. 2 -National Comittee for Clinical Laboratory Standards (NCCLS), 2002. Performance standards for antimicrobial susceptibility testing. Approved standard M100-512, v. 22, n. 01. 3 Meyer, B.N. et al., Brine shrimp, a convenient general bioassy for active-plant constituents. Planta Med 45: 31-34. 1982 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 53 ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DO EXTRATO E FRAÇÕES DE Psychotria nuda FRENTE AO RADICAL LIVRE ÓXIDO NÍTRICO. Sanderson Calixto (IC)¹*, Thatiana Ventura (PG)¹, Michelle Muzitano2 (PG)2, Elena Lassounskaia1 (PG) 1. [email protected] 1Laboratório de Biologia do Reconhecer, CBB, UENF, Campos dos Goytacazes, RJ. 2Faculdade de Farmácia, UFRJ, Campus Macaé, IMMT, RJ. Palavras-chave: Óxido Nítrico, Radical livre, Nitroprusssiato de sódio e Psychotria nuda. Introdução O radical livre óxido nítrico (NO) exerce importantes funções no sistema imunológico, como controle de doenças infecciosas. No entanto, também pode estar associado com o agravamento de doenças inflamatórias e degenerativas (BOGDAN, 2001). A inibição da atividade do NO, como a eliminação de radicais livres pode apresentar uma melhoria na condição patológica. O nitroprussiato de sódio (SNP) é um composto químico, utilizado como fonte de oxido nítrico permitindo a avaliação da atividade antioxidante. O objetivo deste trabalho foi padronizar o ensaio antioxidante utilizando o SNP e verificar se o extrato da planta Psychotria nuda é capaz de seqüestrar o NO liberado pela adição de SNP em meio aquoso. Materiais e Métodos Os cristais de SNP foram diluídos em PBS (100 mM) e submetidos a uma curva de concentração-dependência (5, 10, 15, 20 e 25 mM) em meio de cultura DMEM-F12 não-suplementado e então incubado a 25ºC em diferentes períodos de tempo (30, 60, 90, 120, 150 e 180 minutos). Este processo foi avaliado também na presença ou ausência de luz. A melhor concentração de SNP e tempo de incubação foram utilizados para os testes com o extrato e frações de Psychotria nuda nas concentrações de 4, 20, 100 e 500 g/mL. Após a incubação durante o tempo estabelecido, foi realizado o teste colorimétrico de Griess para determinar a concentração de nitrito no meio. O flavonóide rutina foi utilizado como padrão devido a sua conhecida atividade antioxidante. Os resultados permitiram observar que a presença de luz durante a incubação é um fator importante para a liberação do NO pelo SNP para a realização do ensaio antioxidante com o SNP. A concentração de 10 mM de SNP em 90 minutos de incubação apresentou um bom desempenho dentre as demais testadas e portanto, a adotamos como protocolo padrão para os próximos ensaios. A atividade observada para o extrato e frações da Psychotria nuda foi semelhante à obtida para a rutina (72,11 ± 1,76% a 500g/mL). O extrato etanólico apresentou atividade sequestradora significante até mesmo na menor concentração (4 μg/mL) sendo esta de 74,36 ± 0,61% sob NO gerado. As frações em hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol de P. nuda mostraram atividade antioxidante semelhante (entre 67% 77%). A fração aquosa residual foi a menos ativa, exibindo em 100g/mL, 57,86 ± 2,59% de atividade sequestradora frente ao radical livre NO. Conclusões Pode-se concluir que a presença de luz durante a incubação é importante para a liberação do NO, e a capacidade de sequestrar o radical livre NO é uma das propriedades que torna a espécie vegetal P. Nuda um candidato promissor no tratamento de processos inflamatórios. Agradecimentos UENF; CNPq e Faperj e projeto Jovens Talentos para as Ciências. ----------------------------------Referências: BOGDAN, C. (2001) Nitric oxide and the immune response. Nature immunology 2,906-916. Resultados e Discussão II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 54 DIFERENTES MEIOS DE CULTURA NA PRODUÇÃO DE METABÓLITOS FITOTÓXICOS DE Corynespora cassiicola. Luciana Moreno dos Santos (PG)1*, Antonio Jacinto Demuner (PQ)1, Luiz Cláudio de Almeida Barbosa (PQ)1, Robert Weigart Barreto (PQ)2. [email protected] 1 Departamento de Química - Laboratório de Análise e Síntese de Agroquímicos. Universidade Federal de Viçosa, Av. PH. Rolfs s/n – Viçosa – MG. CEP: 36570-000. 2 Departamento de Fitopatologia. Universidade Federal de Viçosa, Av. PH. Rolfs s/n – Viçosa – MG. CEP: 36570-000. Palavras-chave: Corynespora cassiicola, compostos fitotóxicos, meios de cultura, atividade fitotóxica. Introdução Substâncias isoladas de fungos destacamse como agroquímicos naturais. Os fungos constituem o segundo maior grupo de espécies, produzindo inúmeras substâncias sob as mais diversas condições de cultivo e estresse1. A importância dos meios de cultivo vem sendo avaliada em diversos trabalhos que envolvem a prospecção química de fitotoxinas fúngicas2. O objetivo deste trabalho versa sobre a avaliação da atividade fitotóxica do fungo fitopatogênico Corynespota cassiicola f. sp. Lantaneae, através de ensaios de punção de folha sob a espécie Lantana câmara e ensaios de germinação frente à Cucumis sativus. Materiais e Métodos O fungo C. cassiicola encontra-se no departamento de Fitopatologia da UFV, sob código JMP-216. As avaliações foram realizadas com os meios JP e caldo de vegetais. Foram discriminados 5 tratamentos: T1-água, T2- JPCb, T3-JPCf, T4-CVb e T5-CVf e 3 repetições. As culturas foram inoculadas nos meios descritos; os micélios foram completamente removidos após o período de crescimento. Para o ensaio de punção, folhas da espécie L. camara foram dispostas em placas de Petri, previamente preparadas. As mesmas foram submetidas à punção com agulha e em seguida 200µL de cada tratamento foram dispostos sobre cada ferimento. Avaliações da mancha necrótica foram realizadas totalizando 72 horas de experimento. Ensaios de germinação foram realizados com a espécie C. sativus. A parcela experimental foi constituída de placa de Petri, de 9 cm de diâmetro e 15 sementes. Os experimentos foram realizados em câmara de incubação B.O.D., a temperatura de 25 ºC, com fotoperíodo de 8/16 horas. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão As avaliações dos resultados de punção de folha se deram através da comparação da mancha necrótica apresentada pelos meios avaliados. Observamos a maior área de necrose foliar para o meio JP inoculado com o fungo, de 1,3 cm de diâmetro. A mesma apresentou-se maior quando comparado aos outros meios avaliados. Nos ensaios de germinação, foram avaliados os parâmetros comprimento de raiz (CR) e percentual de germinal (PG) (Tabela 01). Comprovamos que o meio JPf (T3), apresentou atividade na inibição do crescimento da radícula e no percentual de germinação, corroborando com o resultado anterior. Trat. CR (cm) PG(%) T1 4,3 A 100 A T2 4,1A 100 A T3 2,5 B 93 B T4 4,5 A 100 A T5 4,0 A 97 AB CV (%) 9,9 3,0 Tabela 1: Médias seguidas pela mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A produção de fitotoxinas é dependente do meio de cultivo em que o fungo se desenvolve e condições ambientais de desenvolvimento3. Conclusões O meio JPf apresenta maior produção de fitotoxinas, o mesmo foi escolhido para prospecção química dos metabólitos do fungo fitopatogênico C. cassiicola. Agradecimentos Capes, CNPQ, FAPEMIG ----------------------------------¹Pinto A. C.; Silva D. H. S.; Bolzani V. S.; Lopes, N. P., Epifranio, R. A. Química Nova 2002, p. 45-61. 2 Hanson J.R. The chemistry of fungi. 2008, p.18. 3 Elias B. C.; Said S.; Albuquerque S.; Pupo M. T. Microbiological Research ,2006, p.273. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 55 “AVALIAÇÃO FITOQUÍMICA E DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA DA ESPÉCIE VEGETAL Tocoyena bullata MART.” Thais Valentim A. Westermann (IC)¹*, Adriana R. Dutra (IC)¹, Victor H.G. Carvalho (TC)¹, Tatiana U. P. Konno (PQ)², Michelle F. Muzitano (PQ)¹, & Ivana C. R. Leal (PQ)¹. [email protected] 1 Laboratório de Produtos Naturais, LaProN, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rua Alcides da Conceição, 159 - Novo Cavaleiros – Macaé; 2Núcleo de Pesquisas em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé-NUPEM, UFRJ/ Macaé. Rua Rotary Club. São José do Barreto, Macaé-RJ Palavras-chave: Tocoyena bullata, atividade antibacteriana, produtos naturais. Introdução A busca por novos agentes antimicrobianos, utilizando a natureza como principal recurso, vem ressurgindo na comunidade científica. Diversos patógenos têm apresentado resistência frente a antimicrobianos comuns, portanto, a procura por novos constituintes, de origem natural, tem sido alvo de nossas pesquisas1. O gênero Tocoyena (Rubiaceae) é composto por 9 espécies. T. bullata é uma pequena árvore endêmica do Brasil, nativa das regiões nordeste e sudeste2. Não existem estudos químicos e farmacológicos atribuídos a esta espécie, tendo sido apenas o gardenosido identificado. Este trabalho tem como objetivo a busca por constituintes químicos de T. bullata com atividade antibacteriana. Materiais e Métodos Folhas secas e pulverizadas da T. bullata, coletadas na Restinga de Jurubatiba, 2010, foram maceradas à frio em etanol absoluto. O macerado obtido foi filtrado e concentrado em rota-evaporador. Em seguida foi submetido a extração líquidolíquido com solventes de polaridade crescente. As frações foram analisadas por cromatografia em camada fina utilizando diferentes reagentes cromogênicos. A atividade antibacteriana dos extratos foi avaliada pelo método de diluição em ágar Müeller-Hinton em concentrações variando entre 512 e 128 μg/mL. Para o ensaio foram avaliadas 13 amostras bacterianas de diferentes espécies (cepas padrão) e sítios de infecção hospitalar (cepas clínicas), entre elas estão os gêneros Staphylococcus sp., Enterococcus sp., Acinetobacter sp. e Pseudomonas sp.. Resultados e Discussão A avaliação da atividade antibacteriana apresentou resultados promissores para as II Jornada Fluminense de Produtos Naturais frações insolúvel e em diclorometano, ambas na concentração de 512 μg/mL, pois inibiram mais de 50% do total, tendo sido inibido principalmente amostras de P. aeruginosa (Tabela 1). Tabela 1: N.º de bactérias inibidas pelos extratos obtidos das folhas de T. bullata. Através da análise por cromatografia em camada fina, utilizando CHCl3: AcOEt (9:1) como sistema de solvente, observou-se a presença de terpenos e esteroides nas frações hexano e em diclorometano, quando reveladas com vanilina sulfúrica. Já nas frações insolúvel, butanol e acetato de etila, onde o sistema de solvente utilizado foi o BAW, observou-se a presença de flavonoides, após ser revelada com NP/PEG. A fração diclorometano foi submetida à análise por GC-MS, onde observou-se uma mistura dos ácidos oléico e linoléico como majoritários. As frações polares foram analisadas por CLAE-DAD, tendo sido verificados espectros de UV característicos de flavonoides, os quais estão sob análise. Conclusões Novos ensaios de atividade antibacteriana precisam ser realizados para validar os resultados obtidos. E ainda, novas etapas para promover o isolamento e a identificação dos constituintes químicos que compõem as sub-frações bioativas. Referências e Agradecimentos 1-LEWIS, M.T. et al. Diag. Microbiol. Infect. Dis. 37 (2000) 63-74. 2- ZAPPI, D. 2011. Tocoyena in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico RJ. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2011/FB014337. FAPERJ, FUNEMAC, LaProN Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 56 ANÁLISE CROMATOGRÁFICA DE METABÓLITOS MAJORITÁRIOS DE Stachytarpheta schottiana E Stachytarpheta crassifolia (Rich.) Vahl (Verbenaceae) DA RESTINGA DE JURUBATIBA. Marta Correa Ramos Leal (PG)¹*, Tatiana Konno (PQ) 2, Ivana Correa Ramos Leal (PQ)1, Gilberto Dolejal Zanetti (PQ)1, Michelle Frazão Muzitano (PQ)1. [email protected]. 1 LaProN – Laboratório de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Macaé. Palavras-chave: Stachytarpheta schottiana; Stachytarpheta crassifolia, CLAE, fenilpropanoides Introdução O Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba abriga um importante sítio de conhecimento biológico ainda a ser explorado do ponto de vista químico e (1,2). farmacológico As espécies Stachytarpheta schottiana e S. crassifolia são nativas dessa região e foram selecionadas para o presente estudo uma vez que apresentaram importante atividade cardiovascular em ensaios preliminares realizados por nosso grupo. Não existem descrições na literatura sobre os constituintes químicos e atividade biológica destas espécies, tendo já sido observado para o gênero atividades contra hipertensão, parasitoides, inflamação, ação antiúlcera e antinociceptiva (5). Este trabalho tem como objetivo uma análise comparativa dos extratos ativos de S. schottiana e S. crassifolia através da técnica de CLAE-DAD, com a finalidade de identificar e quantificar os constituintes químicos majoritários presentes em extratos obtidos em diferentes épocas do ano. Materiais e Métodos Partes aéreas de S. schottiana e S. crassifolia foram coletadas em Quissamã em janeiro e novembro de 2011 e, março de 2012. O material vegetal foi seco e pulverizado e posteriormente submetido a um processo de maceração com EtOH:H20 (70:30). A solução obtida foi concentrada em rota-evaporador e o extrato bruto obtido avaliado por CCD e revelado com diferentes reagentes específicos. Os extratos foram também avaliados por CLAE-DAD analítico utilizando um sistema gradiente compreendendo diferentes proporções de acetonitrila e água. O protocolo adotado iniciou com 10% de ACN finalizando com 100%, em 45 minutos. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão A análise por Cromatografia em camada fina dos extratos indicou a presença de substâncias fenólicas quando utilizado NP-PEG sob UV como reagente específico. Comparando os diferentes extratos obtidos de S. schottiana e S. crassifolia por CLAE-DAD, observou-se 5 picos majoritários (com diferentes proporções) entre os tempos de retenção de 20 e 25 minutos. O espectro de UV de um dos picos do cromatograma, em comum para as 3 amostras avaliadas, mostrou os seguintes máximos de absorvância: 210, 217 e 331 nm. Estes dados sugerem a presença de um esqueleto compatível com o de fenilpropanoide(3). Neste grupo destaca-se o verbascosídeo, já isolado e identificado em espécies do mesmo gênero(4) e com espectro de UV bastante semelhante com a aquele observado em nossos estudos. Conclusões Nos extratos de S. schottiana e S. crassifolia observaram-se a presença de substâncias fenólicas como constituintes majoritários, tendo sido sugerida a presença do verbascosídeo, em diferentes concentrações, para as diferentes coletas. Em contrapartida, reforça-se a necessidade de que mais estudos, utilizando técnicas adicionais de separação cromatográfica, sejam realizados para que as substâncias sejam isoladas e em seguida identificadas. Agradecimentos FAPERJ, FUNEMAC ----------------------------------1 ARAUJO DSD et al,1998.Comunidades Vegetais do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Pp. 39-62. In: F.A. Esteves (ed.). Ecologia das lagoas costeiras do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba e do Município de Macaé. Rio de Janeiro. UFRJ.2 PEREIRA MCA, et al, 2004. Acta Bot. Bras. 18(3): 677-687.3 SANTOS, PML et al; 2010. Rev. bras. farmacogn. 20(2): 147-153.4 JUDE E. OKOKON et al 2008. . Indian J Pharmacol. 40(3): 111–113. 5 GARCIA-GONZALES et al, 2002. Rev Cubana Plant Med; 7:100-103. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 57 USO DO LÁTEX DO AVELOZ (Euphorbia tirucalli L) COMO ALTERNATIVA NA PRODUÇÃO DE SELANTE PARA PNEUS. Daniela Silva dos Santos (IC), João Lomba Xavier (IC)*, Júlia Grazielly Macedo (IC), Rayane Natashe Gonçalves (IC) & Sérgio Henrique Silva Júnior (PQ). [email protected] Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – Campus Nilópolis Rua Lúcio Tavares, 1045. Centro - Nilópolis Palavras-chave: Aveloz, Euphorbia tiruclli L, Selante, Látex. Introdução O látex produzido na aveloz é considerado tóxico e flui quando a planta sofre alguma obstrução. Sendo este látex produzido no metabolismo secundário para a proteção e defesa contra animais herbívoros. O presente estudo tem como objetivo avaliar o potencial do látex do aveloz (Euphorbia tirucalli L) como alternativa ao látex usado na fabricação de selante para pneus, bem como a sua rentabilidade e produtividade. Existem vários selantes para pneus vendidos no mercado, todos utilizando o látex como uma de suas matérias-primas. No entanto, a maioria dos selantes comercializados é oriunda de importações e que pela legislação internacional não tem a obrigatoriedade de informar seus constituintes. Materiais e Métodos A aveloz, coletada no Horto do IFRJ, foi submetida a uma extração, onde utilizou uma seringa hospitalar de 5 mL para obtenção do latéx. Assim realizou-se uma comparação entre o látex extraído da aveloz e um selante já encontrado no mercado. Onde estes foram submetidos ao espectrofotômetro e também a testes físico-químicos. Resultados e Discussão Comparando os espectros gerados durante o teste do látex da aveloz e do selante comercial, nota-se semelhança em ambos, devido a faixa da frequência e picos. Figura 1: Espectro fornecido pelo espectrofotômetro; plotagem das curvas do látex do aveloz (representado em azul) e selante comercial (representado em vermelho). II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Quanto aos testes físico-químicos, observou-se que o látex do aveloz é solúvel em amônia, etileno glicol e etanol. Com densidade (20 °C) de 0,876 g/cm3. Enquanto o látex sintético solubiliza em amônia e etileno glicol, contudo, insolúvel em etanol e com densidade (20 °C) de 0,884 g/cm3. Conclusões O latéx encontrado nos exemplares da aveloz pode ser considerado um potencial para a formulação de selantes para pneus, visto suas características físico-químicas juntamente com os espectros obtidos. É preciso levar em consideração a toxicidade da planta e a dificuldade na extração do látex, tendo em vista estes fatores, mais estudos precisam ser realizados para que ao fim, o latéx do aveloz seja uma nova fonte para a formulação de selantes no mercado. Agradecimentos Ao IFRJ pela formação e estímulo, ao orientador Professor Sérgio Henrique pela atenção dispensada, e utilização do LAB 181 possibilitando a realização do projeto. ----------------------------------1 - Borracha Natural (NR)-Rubberpedia – Portal da indústria da borracha. Página da internet. http://www.rubberpedia.com\borrachas\borracha natural.php. Acesso em 03/11/2011. 2 - Varricchio, Márcia C.B.N ; Sales, F. ; Silva, Simone da. ; Kuster, Ricardo Machado. ; Pyrrho, A.S. ;Castelo Branco, M.L.T.EFEITOS TOXICOLÓGICOS CRÔNICOS DO LÁTEX BRUTO DE E. TIRUCALLI (AVELOZ) SOBRE PESO DE FÍGADO E BAÇO CONFORME USO TRADICIONAL: UM ESTUDO PRELIMINAR. ISSN 1983-4209 – Numero 2- Volume 2 – 2008.2 3 - Brito,A.R.S. & Thomas, G. Propriedades antiinflamatórias do extrato aquoso de Euphorbiatirucalli. Ciência e Cultura. SP.1980. 4 ARPEEL. Paginada internet.http://www.arpeeel.com/air_seal_total.php&us g=ALkJrhgXvlF43uPdlOLolzfHZRS9PxxV_w. Acesso em 03/11/2011. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 58 AVALIAÇÃO DO EFEITO INIBITÓRIO SOBRE A ENZIMA α-AMILASE DE EXTRATOS DE PLANTAS BRASILEIRAS E RESPECTIVAS FRAÇÕES. Moraes MA1*, Santos AE4, Monteiro DK2, Ferreira AVD1, Fonseca BAD2, Guia FC2, Justus L2, Simas NK3, Kuster RM4, Zanetti GD3, Konno TU3; Leite MN2; Rocha FD2,3 1Mestrandos em Ciências Farmacêuticas, UFJF, [email protected] de Farmacognosia, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). 3Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-Macaé). 4Nucleo de Pesquisa de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 2 Laboratório Palavras-chave: α-amilase, efeito hipoglicemiante, diabetes. Introdução Diabetes mellitus, distúrbio resultante da perturbação da homeostase da glicose, já é um sério desafio para a saúde mundial. As plantas medicinais podem fornecer tratamentos auxiliares na terapia, se a sua atividade for validada. Neste estudo, um modelo de inibição in vitro da enzima αamilase foi usado para analisar o potencial hipoglicemiante das seguintes espécies e suas frações: Eugenia uniflora (Mirtaceae), Andira nitida (Fabaceae) e Bauhinia longifolia (Leguminoseae). E. uniflora é usada para tratar diabetes e hipertensão e possui substâncias fenólicas, flavonóides e taninos.1 Espécies de Bauhinia são usadas como anti-inflamatória e hipoglicemiante, e possuem flavonóides, taninos e quinonas.2 A. nitida contém isoflavonas e vários flavonóides, e é utilizada como febrífuga e antimalárica.3 Objetivo: Determinação da atividade inibitória de extratos e frações purificadas sobre a α-amilase, como forma de definir o seu potencial antidiabético. Material e Métodos Os extratos de E. uniflora e A. nitida foram obtidos por percolação, usando como liquido extrator a mistura de Hex:DCM 80:20, obtendo-se os extratos brutos das folhas e dos galhos de E. uniflora (EHDFE e EHDGE respectivamente) e dos galhos de A. nitida (EHDGA) após rotaevaporação. As folhas secas de B. longifolia foram extraídas com EtOH, por maceração (EBEFB). O EBEFB seco foi submetido a partição, sequencialmente, com AcOEt e BuOH. A partir da fração em AcOEt foram obtidas as frações AES01 (quercetina 3-Oarabnofuranosídeo) e AES03 (quercetina 3O-ramnopiranosídeo). A avaliação da atividade hipoglicemiante foi realizada através do método cromogênico da SigmaAldrich modificado4. O teste consiste em uma pré-incubação da α-amilase 1000.000 U tipo VI-B de pâncreas suíno (Sigma) em solução a 1U/mL, na presença e ausência de amostra (a 20 mg/mL) dissolvida em DMSO 5%, durante 5 min, a 25°C. A II Jornada Fluminense de Produtos Naturais reação é iniciada pela adição de solução de amido (a 0,5% p/v em tampão fosfato pH=6,9). Após 3 min de reação, a concentração de maltose gerada é estimada por medida espectrofotométrica do produto formado por açúcares redutores com ácido 3,5-dinitrosalicílico (DNS), a 85°C, durante 15 min. Pela diferença das absorbâncias (a 540 nm) das amostras na presença e ausência (branco) da enzima, a porcentagem (p/v) de maltose gerada é calculada a partir de equação obtida da curva de calibração de maltose. Resultados e Discussão As % de inibição da enzima α-amilase em 3 min de reação para EHDFE, EHDGE e EHDGA foram, respectivamente, 46,05%, 86,83% e 74,47%. As frações em AcOEt e em BuOH do EBEFB mostraram % de inibição da enzima α-amilase de 75,46% e 84,47%, respectivamente. AES01 e AES03 não se mostraram ativas nas condições do método. Conclusões Extratos lipofílicos de E. uniflora e A. nitida mostraram atividade inibitória frente à αamilase, mas novos estudos são necessários para se obter dados mais conclusivos. Apesar de AES01 e AES03 não exibirem resultados significativos, as frações em AcOEt e BuOH mostraram atividade, sugerindo que há ação sinérgica na fração, ou que a atividade é devida a substâncias ainda não isoladas. Agradecimentos Apoio financeiro: FAPERJ, CNPq, PROPG-UFJF ----------------------------------1 Coutinho, H.D.M. et al. Potentiation of Antibiotic Activity by Eugenia uniflora and Eugenia jambolanum. JOURNAL OF MEDICINAL FOOD. 13 (4) p. 1024–1026, 2010 2 Silva, K. L.; Filho, V. C. Plantas do gênero Bauhinia : composição química e potencial farmacológico. QUIMICA NOVA. 25 (3) p. 449-454, 2002. 3 Silva, V. C. et al. Constituintes fenólicos e terpenóides isolados das raízes de Andira fraxinifolia (fabaceae) QUIMICA NOVA. 29 (6) p. 1184-1186, 2006 4 Ali, H.; Houghton, P. J.; Soumyanath, A. α-Amylase inhibitory activity of some Malaysian plants used to treat diabetes; with particular reference to Phyllanthus amarus. JOURNAL OF ETHNOPHARMACOLOGY. 107 p. 449– 455. 2006 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 59 ESTUDOS VISANDO A SÍNTESE DA 1,3-DIIDROXIACETONA VIA REAÇÕES DE OXIDAÇÃO DO GLICEROL E DA DIACETINA. Renan Fernandes Vianna [email protected] (IC)¹*, Vera Lucia Patrocínio Pereira (PQ)¹ 1 Laboratório de Síntese Estereosseletiva de Substâncias Bioativas (LASESB), Núcleo de Pesquisa de Produtos Naturais (NPPN), Centro de Ciências da Saúde (CCS), Bloco H, CEP: 21941-902, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil. Palavras-chave: Oxidação; glicerol; diacetina; diidroxiacetona. as oxidações com o produto do glicerol acetilado Introdução (diacetinas). Do estudo da oxidação das diacetinas, a O glicerol (1,2,3-propanotriol), um itol, é um metodologia que forneceu o produto em melhor líquido de sabor adocicado, não tóxico rendimento foi empregando 3 equivalentes de (LD50=12600), biodegradável, de alta ácido crômico em resina Amberlyst A-26, sem viscosidade e alta polaridade1, origina-se da solvente a 60⁰C (entrada 4) em 65% de manufatura do biodiesel como co-produto em rendimento. O uso da resina é vantajoso, pois uma proporção de 110 Kg de glicerol para 1 torna o processo fácil de ser realizado e o tonelada de biodiesel. produto pode ser obtido na sua forma pura A fim de absorver a oferta de glicerol e contribuir através da extração e filtração da resina. para que a produção do biodiesel seja economicamente rentável, novos processos RENDIMENTO ENTRADA SUBSTRATO CONDIÇÕES PRODUTO BRUTO industrialmente viáveis estão sendo estudados. 13,3 Eq. CrO em Este trabalho objetiva estudar a produção da 1 Glicerol 11% diidroxiacetona Amberlyst A-26, 60⁰C 9 Eq. K CO , 9 Eq. I , diidroxiacetona (2) a partir da oxidação do 2 Glicerol 49% diidroxiacetona metanol, 70⁰C glicerol (3) e da diacetina (4) (esta última 2 Eq. CrO em Amberlyst A1,3-diacetil3 Diacetina 54% 26, 60⁰C diidroxiacetona derivada do glicerol). 3 Eq. CrO em Amberlyst A1,3-diacetil3 2 3 2 3 Materiais e Métodos Reações de oxidação do glicerol e seus derivados acetilados (diacetinas) em presença de reagentes como CrO3 (em resina), KBrO3, I2, H5IO6 e NaIO4. Resultados e Discussão A diidroxiacetona (DHA, 2) pode ser sintetizada através da oxidação direta do glicerol (1) ou da diacetina (3 e 4) (este último preparado pelo nosso grupo de pesquisa através da reação de transesterificação do acetato de etila com glicerol2), Esquema 1. OH HO O condições OH HO 1 OH 4 Diacetina 5 Diacetina 6 Diacetina OAc OAc 3 AcO condições AcO 4 OAc 5 Esquema 1. Preparação da diidroxiacetona Inicialmente, tentamos preparar a diidroxiacetona (2) pela oxidação direta do glicerol. Após teste de algumas metodologias descritas na literatura, o melhor rendimento obtido foi utilizando K2CO3 e I2 em metanol com 49% de rendimento (Tabela 1, entrada 2). Além do baixo rendimento, as reações de oxidação do glicerol são trabalhosas devido ao seu isolamento não poder implicar água para retirar os resíduos inorgânicos, nos levando a realizar II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 55% diidroxiacetona 1,3-diacetildiidroxiacetona 1,3-diacetildiidroxiacetona Após otimização das condições de oxidação da diacetina, será realizado hidrólise dos ésteres para a formação da respectiva diidroxiacetona (2). Conclusões O OH 50% Além deste, outros métodos apresentam rendimento ligeiramente inferior como os das entradas 3, 5 e 6. Apesar de diacetina estar na forma de uma mistura da 1,2-diacetina (4) com 1,3-diacetina (3), o produto obtido foi exclusivamente a 1,3diacetil-diidroxiacetona (5), evitando posterior purificação do produto. 2 OH 65% Esquema 1. Preparação da diidroxiacetona hidrólise AcO 3 26, 60⁰C 3 Eq. K2CO3, 9 Eq. I2, tercbutanol, 70⁰C 0,05 Eq. CrO3, 1,o Eq. H5IO6, acetonitrila, t.a. Apesar dos rendimentos obtidos, o processo demonstra ser industrialmente viável e estudos ainda estão sendo realizados a fim de melhorar os rendimentos das reações oxidação, seguida de hidrólise, para a produção de diidroxiacetona a partir do glicerol. Agradecimentos CNPq. ----------------------------------------------------------------¹ EBehr, A.; J. Irawadi, K.; Leschinsk, J.; Lindner, F. Green Chem. 2008, 10, 13-30 p. ² Meireles, B. A.; BR 100238, 2010 (Patente) Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 60 UTILIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS PELA COMUNIDADE DE TUBIACANGA, RJ Talita Shewry de Medeiros Rocha (IC)¹* e Ana Maria Landeira-Fernandez (PQ)1. E-mail:[email protected] 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. CCS, bloco H 2 sl 25/ ICB/Cidade universitária, Ilha do Fundão. Palavras-chave: plantas medicinais, etnobotânica, fitoterapia, medicina popular Figura 1- Espécies mais citadas pela comunidade 30 no de pessoas 25 20 15 10 5 ar ba tu C s . ci tr at M us .o S. ffi te ci na re bi lis nt hi fo M li u . gl s om er at a P. K ni .b ru ra ri si lie E. ns m is ax im C ili . an au i ra nt iu E. m un ifl or P. a an is um P. gu C aj os av tu a s sp ira lis C .s pi ra li s C L. .a al m ba br os io id es P. m aj or M .g la br a 0 P. b Fig 2- Famílias das plantas mais citadas e o no de espécies 60 9 8 50 7 40 6 5 30 4 20 3 2 10 1 O presente trabalho foi realizado no bairro de Tubiacanga, Ilha do Governador no município do Rio de Janeiro, durante os meses de setembro a dezembro de 2011. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas visando obter diferentes informações sobre a utilização das plantas medicinais. Também documentamos outras informações referentes ao: grau de escolaridade; parte da planta, de que maneira utiliza se obteve resultado e como ficou sabendo dos benefícios dessas plantas. Além disso, os entrevistados mostravam as plantas utilizadas, seja em sua própria residência (hortas) como em locais perto de casa. As espécies foram identificadas á partir dos nomes vulgares segundo Lorenzi(2). Resultados e Discussão Foram entrevistadas 72 pessoas que citaram 76 plantas com alguma utilização medicinal. Esses dados foram compilados em uma grande tabela, utilizada para montar os gráficos abaixo. Todas as plantas citadas apresentam literatura que II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 0 A La m ia ce ae st er ac ea M yr ta ce ae Po ac Eu ea ph e or bi ac ea e R ut ac A ea na e ca rd ia ce Zi ng ae ib er ac ea e A pi ac Ve ea rb en ac ea e Fa ba ce ae Li lia ce ae 0 Materiais e Métodos -○- no de espécies O conhecimento do homem sobre o poder curativo das plantas tem acompanhado a sua evolução desde as primeiras civilizações Chassot (1). Atualmente, o estudo etnobotânico das plantas medicinais pode nortear o interesse cientifico, viabilizando novas possibilidades na criação de fármacos e fitoterapicos como alternativas na área de saúde. O objetivo do nosso trabalho foi realizar um levantamento do conhecimento popular da identificação e utilização das plantas medicinais pela comunidade de Tubiancanga. Alem disso, posteriormente iremos comparar esses dados com a literatura cientifica com o objetivo de detectar se uso popular foi comprovado cientificamente podendo assim ampliar o campo da pesquisa de fitofármacos. justifica o seu uso popular ,além disso a maioria delas apresenta a molécula ou classe de moléculas que são bioativa. -●- no de citações Introdução Conclusões Observamos que a comunidade de Tubiacanga possui uma grande biodiversidade de espécies de plantas medicinais e suas diferentes utilizações. Tornando-se assim necessário um melhor conhecimento cientifico dos possíveis efeitos tóxicos provocados por essas plantas. Agradecimentos A comunidade de Tubiacanga pela boa vontade de responder aos questionários e dividir os seus conhecimentos e a Marilza de Castro por ter me levado até as casas dos moradores. Referências Bibliográficas: 1 Chassot, A. A Ciência através dos tempos. 2004 2° ed.,São Paulo. Moderna 2Lorenzi, H. Plantas Medicinais no Brasil - Nativas e Exóticas 1988 2ª edição 576 p. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 61 ESTUDO QUÍMICO DE Spondias admirabilis Annie Caroline Goulart (IC)*1, Cristiane Pereira (PG)1, Nerivaldo Gomes Antas (IC)2, Ana Claudia Fernandes Amaral (PQ)3 , Cássia Mônica Sakuragui (PQ)2, Ricardo Machado Kuster (PQ)1. e-mail: [email protected] 1 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, 21941-590 Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 3 Fundação Oswaldo Cruz, Instituto de Tecnologia em Fármacos - Far-Manguinhos/FIOCRUZ. Rua Sizenando Nabuco, 100 Manguinhos, 21041-250 - Rio de Janeiro, RJ - Brasil Palavras-chave: Flavonoides, Spondias, fitoquímica. Introdução Sob o aspecto químico, a família Anacardiaceae é uma fonte rica de metabólitos secundários, em especial substâncias fenólicas, com ampla faixa de atividades biológicas (Rufino et al. 2010). Algumas espécies do gênero Spondias, tais como “siriguela” e “cajá”, têm sido utilizadas como plantas medicinais (Amaral et al. 2005) e seus frutos tem papel importante na economia, principalmente para a indústria de sucos. Como parte de nossos estudos sobre o gênero Spondias, foi realizado o estudo fitoquímico das folhas de Spondias admirabilis, espécie amplamente distribuída no litoral do Rio de Janeiro, visando o isolamento e a elucidação estrutural de flavonoides. Materiais e Métodos O extrato hidrometanólico obtido das folhas de Spondias admirabilis foi submetido à partição líquido-líquido com solventes em ordem crescente de polaridade, tais como hexano, diclorometano, acetato de etila e butanol. Foi realizado o perfil cromatográfico da partição butanólica por HPLC/DAD e esta foi submetida a várias etapas de cromatografia em coluna utilizando XAD-2 e Sephadex LH-20 como adsorventes. A fração pura obtida foi avaliada por CCD, bem como por técnicas espectroscópicas (RMN H1 e UV) e espectrométricas (EM-ESI). UV obtidos a partir do cromatograma, foi possível detectar a presença de flavonoides derivados da quercetina, visto que estes apresentavam coloração alaranjada característica, bem como máximos de absorção no UV nas regiões de 254 e 356nm. Após a obtenção do espectro de massas (m/z 609) e dos espectros de RMN H1 (1 e 2D) da amostra pura, foi possível identificar o flavonoide isolado como sendo a Rutina (quercetina 3O- rutinosídeo). Conclusões Poucos trabalhos sobre isolamento e elucidação estrutural de flavonoides no gênero Spondias foram realizados, além disso, nenhum estudo fitoquímico com a espécie Spondias admirabilis foi feito até o momento. Este trabalho inclui-se, portanto, no esforço para aumentar a literatura química e quimiossistemática sobre este gênero. Agradecimentos CNPq ----------------------------------1. Rufino, M. do S.; Alves, R. E.; de Brito, E. S.; PérezJiménez, J.; Saura-Calixto, F.; Mancini- Filho, J. Bioactive compounds and antioxidant capacities of 18 non-traditional tropical fruits from Brazil. Food Chemistry 121, 996- 1002, 2010. 2. Amaral, A. C. F. Simões, E. V. Ferreira, J. L. P.(2005) Coletânea científica de plantas de uso medicinal. Fiocruz. Rio de Janeiro Resultados e Discussão Após análises das placas de cromatografia em camada delgada reveladas com NP e PEG (reveladores específicos para substâncias fenólicas) e dos espectros de II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 62 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIVIRAL DE EXTRATOS DE FOLHAS DE Croton floribundus SPRENG. Bianca Ortiz da Silva (PQ)¹, Ricardo Pereira Louro (PQ)2, Jose Luiz Pinto Ferreira (PQ)3, Ana Cláudia Fernandes do Amaral (PQ)3, Maria Tereza Villela Romanos (PQ)4. [email protected] 1 Instituto de Pesquisas Biomédicas -Hospital Naval Marcílio Dias/ Marinha do Brasil de Ultraestrutura Vegetal, Instituto de Biologia, Departamento de Botânica, UFRJ 3 Núcleo de Pesquisas em Produtos Naturais, Farmanguinhos, Fiocruz/RJ, 4 Departamento de Virologia, Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, UFRJ 2 Laboratório Palavras-chave: Croton, cultura in vitro, atividade antiviral, Herpes simplex . Introdução O gênero Croton apresenta 1.200 espécies agrupadas em 40 seções e caracterizam-se pela presença de substâncias com potencial farmacológico[1]. Algumas espécies são utilizadas na medicina popular no tratamento de diarréia, problemas pulmonares, úlceras, além de destacarem-se pelas propriedades cicatrizante, antiviral, leishmanicida, e antimicrobiana[2-4]. O presente trabalho relata a avaliação da atividade antiviral do extrato de folhas Croton floribundus in vitro e sob condições naturais. Materiais e Métodos A atividade antiviral da fração do extrato de folhas em acetato de etila de Croton floribundus cultivados sob condições naturais e in vitro foi avaliada frente ao HSV-1 e HSV-2 sensíveis e HSV-1 resistente ao aciclovir. Foram realizados testes de toxicidade utilizando o reagente de vermelho neutro e a avaliação morfológica de células VERO em sistema hospedeiro de ensaios in vitro. Resultados e Discussão A fração acetato de etila extraída de folhas de C. floribundus cultivados in vitro e sob condições naturais apresenta significativa atividade contra HSV1-R, HSV1-S e HSVIIS evidenciando percentagem de inibição (PI) maior do que 90%. As frações utilizadas exibem maior atividade sobre o HSV1 do que HSV2, independente do nível de resistência ao aciclovir, padrão semelhante ao demonstrado para flavonóides sintéticos[5]. As alterações morfológicas e as análises de viabilidade evidenciaram a baixa II Jornada Fluminense de Produtos Naturais toxicidade (CMNT>200µg/mL) para as frações acetato de etila testadas. No entanto, observou-se maior toxicidade na fração acetato de etila de plantas cultivadas in vitro quando comparados com C. floribundus coletados em Teresópolis. A presença de flavonóides, metabólitos secundários relacionados à atividade antiviral, foi evidenciada nas frações acetato de etila de C. floribundus pelas análises cromatográficas, assim como foi observado em frações de C. urucurana[6]. Conclusões Os extratos de C. floribundus cultivados in vitro e sob condições naturais apresentam atividade antiviral, contra o vírus herpes vírus simplex humano tipo I e tipo II, sendo mais expressiva a percentagem de inibição viral sobre o HSV2. Agradecimentos CAPES e Marinha do Brasil Referências bibliográficas 1- Lima, L.R. e Pirani, J.R. Revisão taxonômica de Croton sect. Lamprocroton (Müll. Arg.) Pax (Euphorbiaceae s.s.) Biota Neotrop. 8(2): 177-231, 2008. 2- Ubillas et al. SP-303, an antiviral oligomeric proanthocyanidin from the latex of Croton lechleri (sangre de drago). Phytomedicine 1:77-106, 1994. 3- Rosa, M.S.S.; Mendonça-Filho, R.R.; Bizzo, H.R.; Rodrigues,I.A.; Soares, R.M.A.; Souto-Padron, T.; Alviano, C.S.; Lopes,A.H.C.S. Antileishmanial Activity of a Linalool-Rich Essential Oil from Croton cajucara. Antimicrobial agents and chemotherapy.1895–1901, 2003. 4- El-Mekkawy, S.; Meselhy, R.; Nakamura, N.; Hattori, M.; Kawahata, T.; Otake, T. Anti-HIV-1 phorbol esters from the seeds of Croton tiglium. Phytochemistry 53: 457- 464, 2000. 5- Lyu, S.Y., Rhim, J.Y., Park, W.B. Antiherpetic activities of flavonoids against herpes simplex virus type 1 (HSV-1) and type 2 (HSV-2) in vitro. Arch Pharm Res 28: 1293–130. 2005. 6- Yunes, R.A.; Pedrosa, R.C.; Cechinel-Filho, V. Fármacos e fitoterápicos: a necessidade do desenvolvimento da indústria de fitoterápicos e fitofármacos no Brasil. Quim. Nova, 24 (1) 147-152, 2001. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 63 "A Utilização de Plantas Medicinais como Ferramenta para o Ensino de Ciências” Hannah C. T. Domingos* (IC)1, Isabella B. Moura (IC)1, Talita Shewry de Medeiros Rocha (IC)¹, Florence de F. Brasil Vianna (PQ)2 e Ana Maria Landeira Fernandez (PQ)1 *[email protected] 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Endereço. Palavras-chave: educação ambiental, metodologia de ensino, horta medicinal, medicina popular Introdução As plantas medicinais são uma rica fonte de substâncias químicas a serem exploradas terapeuticamente, podendo servir ainda como uma forma alternativa de medicação. O objetivo desse projeto consiste em ampliar e despertar o conhecimento científico de discentes e docentes da Escola Municipal Comandante Guilherme Fisher Presse (EMCGFP) em Tubiacanga, na Ilha do Governador (RJ), através da implantação de um horto medicinal e orgânico na escola. Além disso, o projeto aborda a importância de se conservar o ambiente e visa motivar o aluno a relacionar o saber popular com o saber científico. participar. Tais resultados demonstraram que a atividade proposta era promissora e que havia um campo fértil para o trabalho, uma vez que cativara os alunos. Figura 1- Alunos da EMCGFP, após o processo de compostagem Materiais e Métodos Primeiramente, foi feito um questionário com os alunos do 4° e 5° ano sobre o conhecimento de plantas medicinais. Em seguida realizou-se o processo da compostagem da terra juntamente com os alunos, que mais adiante escolheriam as mudas das plantas medicinais a serem plantadas. As etapas seguintes do projeto consistem em realizar oficinas de sementes e de novas mudas de plantas medicinais. Além disso, está prevista a realização de um minicurso de plantas medicinais, onde serão propostos diferentes experimentos para os alunos e professores da escola. Resultados e Discussão As respostas foram bastante similares em ambas as séries. Curiosamente, a maioria dos alunos afirmou conhecer apenas a babosa como planta medicinal, mas quando perguntamos quais plantas gostariam de plantar eles citaram o boldo (50%), o hortelã (25%) e outras (25%), como camomila e erva-doce (Figura 2). Quando os mesmos foram indagados quanto a sua opinião sobre a horta e o interesse em participar da sua montagem a grande maioria achou a idéia muito boa (80%) e 100% apresentava interesse em II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Figura 2- Respostas dos alunos do 5º ano sobre o conhecimento das Plantas Medicinais. Figura 3- Opinião (A) e interesse (B) na participação da montagem da Horta Medicinal na escola Conclusões Sendo assim, o objetivo geral do projeto fica contemplado ao servir de ferramenta para o ensino dos estudantes e, quem sabe, até para inspirar novas idéias para melhorar o ensino-aprendizagem nas Escolas Municipais. LORENZI, H. e MATOS, F.J.A.: Plantas Medicinais no Brasil. Plantarum, Odessa: São Paulo, 2ª ed, 2002.; LORENZI, H.: Árvores Brasileiras. Plantarum, Odessa:São Paulo,1992; LAMEIRA, O.A.; PINTO, J.E.B.P: Plantas Medicinais: do cultivo, manipulação e uso à recomendação popular. Embrapa: São Paulo, 2008. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 64 ANTRAQUINONAS ISOLADAS DE Picramnia ramiflora POR CROMATOGRAFIA CONTRACORRENTE DE ALTA EFICIÊNCIA. Marina Meirelles Paes (PG)¹*, Maria Raquel Garcia Vega (PQ)¹, Ivo José Curcino Vieira (PQ)1, Raimundo Braz-Filho (PQ)¹. E-mail: [email protected] de Química de Produtos Naturais – Laboratório de Ciências Químicas, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Avenida Alberto Lamego 2000, 28013-602, Campos, RJ. 1Setor Palavras-chave: Picramniaceae, Picramnia ramiflora, antraquinonas, cromatografia contracorrente. Introdução A família Picramniaceae, é constituída dos gêneros Picramnia e Alvaradoa1. O gênero Picramnia é constituído por aproximadamente 89 espécies na América Tropical, no Brasil está representado por 19 espécies, 12 delas endêmicas.. A química de espécies deste gênero destaca-se pela presença de antraquinonas, que é proposta como marcador quimiotaxonômico do gênero. A técnica cromatografia contracorrente (CCC) utilizada é um método excelente de separação e eficiente principalmente para substâncias muito polares em análises de produtos naturais. Assim, este trabalho tem como objetivo contribuir para o estudo quimiossistemático da família Picramniaceae através do isolamento e identificação estrutural dos constituintes químicos de P. ramiflora espécie endêmica do Brasil. Materiais e Métodos O material vegetal, constituído de caule de Picramnia ramiflora, foi coletado em abril de 2010, na Reserva da Cia Vale do Rio Doce, Linhares, E.S. O material foi seco ao ar livre e submetido a extrações a frio com metanol. A solução obtida concentrada com evaporador rotatório. O extrato metanólico foi submetido a uma partição líquidolíquido com solventes imiscíveis. A fração em acetato de etila foi submetida à cromatografia contracorrente de alta eficiência. Para escolha do sistema de solventes adequado vários sistemas foram testados. Após as análises, o sistema escolhido foi hexano:acetato de etila:metanol:água (1:2:2:1), o qual apresentou melhor solubilidade dos componentes da amostra em ambas as fases. Após a eluição durante 240 min, 480 mL da fase móvel foram coletadas em 120 frações. As frações obtidas foram reveladas em solução de KOH em metanol 10% (revelador específico de antraquinonas). As propostas estruturais para as substâncias isoladas foram baseadas em técnicas espectroscópicas principalmente de RMN de 1H e 13C 1 e 2 D, 1H-1H-COSY, HMQC, HMBC e CG-EM, e por comparação com dados descritos na literatura. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão Através desta técnica foi possível purificar três antraquinonas, sendo uma delas inédita na literatura. A fração PGA 8 (t= 15,6 min.) apresentou 5 mg da antraquinona hidroxiemodina, a fração PGA 11 (t= 26,6 min.) apresentou 6 mg da antraquinona sulfatada (inédito) e a fração PGA 45 (t= 108,8 min.) apresentou 5,4 mg da antraquinona emodina. Um sumário com as estruturas dos compostos isolados é apresentado na Tabela 1. Figura 1. Antraquinonas identificadas do caule de Picramnia ramiflora. R4 8 O 9 12 OH 1 13 2 7 3 R2 6 5 14 11 R3 10 4 R1 O SUBSTÂNCIAS R1 R2 R3 R4 Emodina OH CH3 H OH Hidroxiemodina OH CH2OH H OH Antraquinona Sulfatada KSO3O OH H OH Conclusões A técnica de cromatografia contracorrente mostrou-se eficiente para o isolamento de antraquinonas. A presença desta classe de compostos confirma o posicionamento taxonômico da mesma, considerando que, das 27 espécies estudadas até o momento, apenas em 1 não foi detectada antraquinona. Desta forma, o presente trabalho contribui para a quimiotaxonomia deste gênero. Agradecimentos UENF/CAPES/CNPq ----------------------------------1 Fernando, E.S.; & Quinn, C.J. Picramniaceae, a new family, and recircumscription of Simaroubaceae. Taxon, 44:177-181, 1995. 2 Jacobs, H. Comparative phytochemistry of Picramnia and Alvaradoa, genera of the newly established family Picramniaceae. Biochemical Systematic and Ecology, 31:773-783, 2003.3 Ito, Y. Recent advances in countercurrent chromatography. J. Chromatogr. A. 538:3-25, 1991. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 65 MECANISMO DA AÇÃO VASODILATADORA DO EXTRATO ETANÓLICO DE Kielmeyera membranacea CASAR. Letícia Lima Dias Moreira Ferreira (PG)1*, Bruno Meirelles Paes (IC)1, Paula Borges de Negreiros e Souza (IC)1, Tatiana Ungaretti Paleo Konno (PQ)2, Ivana Correa Ramos Leal (PQ)3, Michelle Frazão Muzitano (PQ)3, Juliana Montani Raimundo (PG) 1. [email protected] 1 Laboratório Integrado de Pesquisa, Campus UFRJ-Macaé. Rua Aloísio da Silva Gomes, 50. Granja dos Cavaleiros, Macaé, RJ. 2.Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, Campus UFRJ-Macaé. Av. São José do Barreto, 764. Barreto, Macaé, RJ. 3.Laboratório de Produtos Naturais, Campus UFRJ-Macaé. Rua Alcides da Conceição, 159. Novo Cavaleiros, Macaé, RJ. Palavras-chave: Kielmeyera membranacea Casar., hipertensão arterial, vasodilatação, óxido nítrico Introdução As doenças cardiovasculares são mundialmente responsáveis por mais de 16 milhões de óbitos anuais1, sendo a hipertensão arterial sistêmica (HAS) a mais prevalente e o maior fator de risco para doenças cerebrovasculares2. O uso de vasodilatadores permite o controle da HAS ao promover relaxamento da musculatura lisa vascular, cujo tônus é regulado por diversos fatores derivados do endotélio vascular3. O objetivo do estudo foi investigar o mecanismo de ação do efeito vasodilatador do extrato etanólico de folhas de Kielmeyera membranacea Casar. Materiais e Métodos Material vegetal: O extrato de Kielmeyera membranacea Casar. (CLUSIACEAE) foi gentilmente cedido pelo Laboratório de Produtos Naturais. Registro de tensão isométrica de aorta: Foram utilizados anéis de aorta (5mm) isolados de ratos Wistar machos (250-280 g). Os tecidos foram posicionados em cubas verticais preenchidas com solução Tyrode modificada e continuamente oxigenada com mistura carbogênica (95% O2 / 5% CO2), à 37ºC. A contratura do músculo liso vascular foi induzida com 10 µM de fenilefrina, seguida da exposição a concentrações cumulativas do extrato (1 a 300 µg/mL). Os procedimentos foram aprovados pelo CEUA-CCS-UFRJ. Investigação do mecanismo de ação do efeito vasodilatador: A atividade vascular do extrato foi avaliada em anéis com e sem endotélio. Anéis com endotélio foram prétratados por 15 minutos com NG-nitro-L- II Jornada Fluminense de Produtos Naturais arginine methyl ester (L-NAME, 100 µM), inibidor da óxido nítrico (NO) sintase, ou 1H-[1,2,4]Oxadiazolo[4,3-a]quinoxalin-1one (ODQ, 10 µM), inibidor da guanilato ciclase solúvel4. Resultados e Discussão O extrato de Kielmeyera membranacea Casar. provocou relaxamento de forma concentração-dependente em anéis de aorta com endotélio pré contraídos com fenilefrina. Na concentração de 3 µg/mL o extrato induziu relaxamento de 31,63 ± 3,91% (P<0,05, n=6), atingindo-se o relaxamento máximo de 70,49 ± 7,99 % na concentração de 30 µg/mL (P<0,05, n=6). A remoção do endotélio inibiu completamente o efeito vasodilatador do extrato. Resultados semelhantes foram observados em aortas com endotélio prétratadas com L-NAME e ODQ, indicando a participação da via NO/GMPc (monofosfato cíclico de guanosina) na ação relaxante do extrato de Kielmeyera membranacea Casar. Conclusões O extrato de Kielmeyera membranacea Casar. provoca intenso relaxamento vascular dependente do endotélio, cujo mecanismo envolve a produção de NO e GMPc. Agradecimentos FAPERJ, FUNEMAC, UFRJ/PIBEX ----------------------------------¹ Teixeira, M. M., et al. Rev. Eferm. UFPE on line 4 (spe): 1957-964, 2010. ² Lessa, I. Cad. Saúde Pública 26(8): 1470-1471, 2010. 3 Hoffman, B. B. Rio de Janeiro, Mc Graw Hill, 11ed, 2007: 757-778p. 4 Raimundo, J. M., et al. Eur. J. Pharmacol. 530: 117-123, 2006. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 66 Estudo Químico e Farmacológico da Fração Acetato de etila das Folhas de Croton antisyphiliticus Mart (Pé de Perdiz). Rafael Pires Moreira (IC)1, Jéssica Azevedo de Moraes (IC)1*, Eliane Augusto Ndiaye (PQ)1, [email protected], [email protected] 1 Grupo de Pesquisa em Produtos Naturais- NIQEFARMA, Universidade Federal de Mato Grosso,Rodovia MT-100, Km 3,5. Pontal do Araguaia-Mato Grosso Palavras Chave: Croton antisyphiliticus; fração acetato de etila; atividade cicatrizante; taninos. Introdução A espécie Croton antisyphiliticus Mart, é carente de pesquisas científicas, é conhecida como pé de perdiz, suas folhas são utilizadas na medicina popular como anti-inflamatória, e no tratamento de feridas e úlceras gástricas. O fato da população da região do Araguaia utilizar a espécie C. antisyphiliticus Mart, (pé de perdiz), para essa atividade, sem nenhuma comprovação científica, levou-nos a avaliar o seu potencial cicatrizante. Materiais e Métodos Frente à atividade do extrato bruto, a pesquisa foi direcionada para avaliações de porções menores ou frações, possibilitando assim um direcionamento das características físico-químicas das substâncias ativas contidas na espécie de Croton. O estudo da atividade cicatrizante seguiu o protocolo1, para o teste utilizou-se 90 ratos Wistar machos. Foi realizado uma lesão circular de 2cm de diâmetro no dorso. Os animais foram divididos em 5 grupos distintos: grupo controle NaCl 0,9% (GC), grupo extrato bruto etanólico (GEBE) grupo fração Hexânica (GFH), grupo fração diclorometânica (GFD), e grupo fração acetado de etila (GFAE). Os grupos foram distribuídos em subgrupos para avaliação das feridas nos períodos 7, 14 e 21 dias pós-operatório. Durante o período do experimento eram aplicados 0,2mL do extrato bruto e suas frações topicamente nas feridas. Posteriormente análises da medida das feridas utilizando o programa Auto Cad. Foram realizadas análises estatísticas (ANOVA e Tuckey). O nível de significância (p) utilizado para rejeitar a hipótese da nulidade foi de 0,01. Resultados e Discussão Dentre as frações, a que se mostrou mais ativa foi o GFAE. No 7° dia o GFAE apresentou 84,89% de diminuição da área II Jornada Fluminense de Produtos Naturais da ferida contra 71,24% do GEBE e 58,68% do GC, mostrando ser mais ativo que o GEBE e o GC. No 14° não houve diferença significativa entre o GFAE (97,64%) e o GEBE (97,82%). Quimicamente, as espécies de Croton apresentaram um perfil diversificado em seus metabólitos secundários, compatível com a família Euphorbiaceae. Como taninos2 foram detectados na fração acetado de etila (GFAE), possivelmente eles sejam os responsáveis pelo aceleramento da cicatrização. Estudos químicos mais aprofundados levou-nos a concluir que estes taninos encontrados em FAE são taninos condensados e cuja estrutura encontra-se em fase de identificação. Quanto ao mecanismo de ação cicatrizante, estes compostos estão agindo, provavelmente de duas formas: complexando com proteínas no local da ferida e formando uma capa protetora, e através de sua ação antimicrobiana3. Conclusões Com relação às abordagens efetuadas, a existência de taninos, abundantes nesses vegetais, é relevante e certamente colocaos dentre as mais promissoras fontes de estudos fitoquímicos e farmacológicos na flora brasileira. Certamente, à medida que estes taninos forem isolados e suas estruturas esclarecidas, novos horizontes surgirão e mais estudos envolvendo novas técnicas para avaliar as moléculas bioativas nessa fração. Agradecimentos NIQEFARMA/CNPq/FAPEMAT/UFMT __________________________________________ 1 MARTINS, N. L. P. et al. Análise Comparativa da Cicatrização da pele com o uso intraperitoneal de extrato aquoso de Orbignya phalerata (babaçu). Estudo controlado em ratos. Acta Cirúr. Bras. 2006, 21-66 p. 2 MATOS, F. J. A. Introdução á Fitoquímica Experimental. 1997, 141p. 3 KUMAR, R.; SINGH, M. Tannins: their adverse role in ruminant nutrition. J. of Agricul. and Food Chem. 1984, 447p. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 67 ANÁLISE HISTOQUÍMICA DA ESPÉCIE Pontederia rotundifolia L. Mayara A. da T. Silva (IC)¹*, Simone Midori Kitagawa (PG) 2, Alessandra L. Valverde (PQ)1, Selma R. de Paiva (PQ)2, Ana Joffily (PQ)2. [email protected] 1 LaProMar - Instituto de Química – UFF.; 2 Laboratório de Botânica – Instituto de Biologia – UFF Palavras-chave: planta aquática, alcaloides, histoquímica. Introdução Estudos histoquímicos em plantas com propriedades medicinais são de grande valia para uma avaliação preliminar das classes de substâncias interessantes, além de se identificar em quais tecidos ou células essas são produzidas e/ou armazenadas1. Preferencialmente, os testes histoquímicos são feitos com material fresco, para garantir que as substâncias de interesse não sejam perdidas. Mas a dificuldade de coleta e transporte do material até o laboratório, muitas vezes obriga os pesquisadores a trabalharem com material fixado. Pontederia rotundifolia L. é uma planta aquática pertencente à família Pontideraceae que apresenta alcaloides em sua composição química2. Este trabalho teve por objetivo avaliar durante quanto tempo o teste histoquímico para alcaloides seria eficaz em um espécime de Pontederia rotundifolia L. devidamente fixado. Materiais e Métodos Folhas de P. rotundifolia foram coletadas e antes de fixá-las em álcool 70%, foram seccionadas à mão-livre na região do pecíolo. Alguns cortes foram corados com reagente de Dragendorff e visualizados ao microscópio óptico, comparando-os com cortes controle, que não receberam nenhum tipo de tratamento. Essa metodologia foi repetida em seis dias seguintes, não consecutivos, utilizando-se o mesmo material fixado, para fins de comparação. Resultados e Discussão diafragma e do feixe vascular começaram a se mostrar escurecidas, nos cortes controle, possivelmente, reagindo com a solução fixadora. Já no dia seis, além do fato citado anteriormente, percebeu-se que as células clorofiladas se apresentavam em tom marrom escuro, não mostrando mais o usual verde. Como a cor marrom é o indicativo de presença de alcaloides com o uso do reagente de Dragendorff, esse escurecimento no controle se confunde com a reação. Entretanto, é perceptível que até esse momento, mesmo com células se mostrando amarronzadas no controle, a reação com Dragendorff é positiva apresentando uma coloração mais intensa, sendo ainda possível identificar as células que apresentam alcalóides. Conclusões Para este trabalho, o teste com o reagente de Dragendorff se mostrou satisfatório em material fresco e fixado em álcool 70% por até dois dias. Também se mostrou positivo em material fixado por mais tempo, mas cuidados devem ser tomados ao observar e comparar o controle com o teste. Agradecimentos UFF e CNPq. ----------------------------------1 Lusa, M.G. & Bona, C. Caracterização morfoanatômica e histoquímica de Cuphea carthagenensis (Jacq.) J.f. Macbr. (Lythraceae). Acta Botanica Brasilica, 25(2), p517-527, 2011. 2 Vasu, K., Gould, J. V.; Suryam, A., Charya, M. A. S. Biomolecular and phytochemical analyses of three aquatic angiosperms. African Journal of Microbiology Research 3(8), p. 418-421, 2009. No primeiro dia, quando foi utilizado o material fresco, o teste com Dragendorff mostrou-se satisfatório, reagindo bem com as células corticais do pecíolo, do diafragma parenquimático e do feixe vascular. No dia dois do experimento, os resultados se mostraram semelhantes. Todavia, no dia três, algumas células do II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 68 COMPOSIÇÃO QUÍMICA E POTENCIAL BIOLÓGICO DO ÓLEO ESSENCIAL DE FOLHAS DA ESPÉCIE Xylopia ochrantha Ricardo Diego Duarte Galhardo de Albuquerque (PG)*, Mariana Souza Rocha (IC), Débora Nascimento Eiriz (AT), Pedro Passos Couteiro (AT), Leandro Rocha (CO), Thelma de Barros Machado (OR). [email protected] Laboratório de Tecnologia em Produtos Naturais (LTPN), Faculdade de Farmácia, Universidade Federal Fluminense. Rua Mario Viana, 583, Santa Rosa, Niterói. Xylopia ochrantha, Annonaceae, Óleo essencial Introdução A espécie Xylopia ochrantha (Annonaceae), encontrada no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (RJ), é popularmente conhecida como “imbiúprego”. Essa espécie é utilizada pela população local na fabricação de cabos de ferramentas. Espécies mais amplamente estudadas do gênero Xylopia, tais como X. aethiopica, X. parviflora e X. brasiliensis, apresentam-se na literatura científica como possuindo diversas classes de substâncias químicas, como ácidos graxos, esteróides, taninos, além de terpenos, alcalóides e acetogeninas. Muitas dessas substâncias demonstraram ser responsáveis por diferentes atividades farmacológicas, como analgésica, antiinflamatória, antibacteriana, antifúngica, sedativa, antiparasitária e antitumoral. O objetivo deste trabalho é a realização do estudo da composição química do óleo essencial das folhas de Xylopia ochrantha, contribuindo assim para o conhecimento fitoquímico da espécie e avaliar o potencial biológico das substâncias presentes. Materiais e Métodos Folhas de X. ochrantha foram coletadas no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba em 19 de junho de 2011. As mesmas foram turbilhonadas com água destilada, colocadas em um balão de 5L e então submetidas a hidrodestilação durante 4 horas em um aparato do tipo Clevenger. Foram realizadas 4 extrações. Ao final das extrações, os óleos foram coletados e acondicionados em geladeira para realização de análises químicas e de testes biológicos. A análise da composição química foi realizada em aparelho de cromatografia gasosa QP-2010 Ultra Shimadzu acoplado ao espectrômetro de massa (CG/MS), utilizando o software GCMS Postrun II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Analysis e dados da literatura para a análise dos dados. Para a verificação da atividade antioxidante, foi utilizado o método ORAC, sendo o resultado expresso como valor de Equivalente Trolox (TE). O software Optima Data Analysis foi utilizado para o tratamento estatístico dos dados. Resultados e Discussão A extração do óleo essencial das folhas de Xylopia ochrantha teve como resultado uma massa total de 2,9724g e um rendimento de 0,235% em relação à droga fresca. O óleo obtido e analisado por CG-MS para a identificação de seus componentes majoritários apresentou como principais substâncias o Germacreno D (20,63%), biciclogermacreno (17,54%), silvestreno (10,54%), beta-ocimeno e o-cimeno (ambos com 7,87%). Um total de 87,49% dos componentes do óleo foram identificados. A substância majoritária, Germacreno D, é conhecida por suas propriedades antibióticas e inseticidas, atuando também na relação inseto-planta. Na avaliação da atividade antioxidante pelo método ORAC, o óleo essencial apresentou um valor de 0,40 mmolTE/g, o que comprova o potencial antioxidante das substâncias presentes no mesmo. Conclusões O estudo da composição química do óleo essencial das folhas da espécie Xylopia ochrantha, além de contribuir para o conhecimento fitoquímico, demonstrou a presença de substâncias com relevante atividade farmacológica. Foi possível observar a presença de atividade antioxidante no óleo essencial estudado. Agradecimentos PET-MEC, CNPQ, Faperj, Proppi, CAPS. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 69 DEFESAS QUÍMICAS E ANÁLISE DO PERFIL QUÍMICO DOS EXTRATOS DE PLANTAS DO GÊNERO POTAMOGETON Lílian Mariane de Oliveira Bento (IC)¹*, Tatiana U. P. Konno (PQ)¹, Angélica Ribeiro Soares (PQ)¹. [email protected], [email protected] 1 Grupo de Produtos Naturais de Organismos Aquáticos (GPNOA), NUPEM, Campus UFRJ/Macaé. Palavras-chave: produtos naturais, macrófitas aquáticas, CG-MS, RMN. Introdução Plantas do gênero Potamogeton são classificadas como submersas livres, sendo encontradas em lagoas e rios das Américas e Antilhas. Em determinadas épocas do ano, a ocorrência de algumas espécies é dominante, podendo habitar exclusivamente uma região. Observações experimentais demonstram que algumas destas plantas servem como refúgio para invertebrados. Entretanto, a predação por estes organismos é evitada o que sugere a presença de defesas químicas¹. Compostos terpenoídicos e esteróis têm sido identificados para o gênero, inclusive muitos deles com ação antiviral² e antialgal³. Os objetivos deste trabalho foram determinar o perfil químico dos extratos brutos de Potamogeton illinoensis e Potamogeton montevidensis além de investigar a atividade contra a herbivoria de P. montevidensis. Materiais e Métodos P. illinoensis e P. montevidensis foram coletadas nas lagoas Carapebus e Paulista, respectivamente, no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, Carapebus, RJ. As plantas foram secas e extraídas com uma mistura de diclorometano:metanol 1:1. O extrato bruto de P. montevidensis foi submetido a testes de preferência alimentar frente ao caramujo da espécie Biomphalaria sp. Os dados foram analisados pelo teste Wilcoxon para amostras pareadas. A análise do perfil químico dos extratos foi realizada através de Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio e Carbono (RMN de 1H e 13C) e Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massas (CGMS). O extrato bruto de P. illinoensis foi submetido a repetidas cromatografias em coluna utilizando um gradiente de eluição (hexanoacetato de etila). O extrato bruto de P. montevidensis inibiu significativamente a herbivoria (p=0,0001, N=18), corroborando com dados da literatura para a presença de defesas químicas no gênero¹. A presença de defesas químicas pode ser considerada a causa do sucesso ecológico desta espécie. As análises dos extratos por RMN de 1H e 13C e CGMS revelaram a presença de diterpenos do tipo furano labdano, esteróis e ácidos graxos como compostos majoritários em ambas as espécies. O fracionamento do extrato bruto de P. illinoensis levou à obtenção da mistura de esteróis ergostenol, estigmasterol e sitosterol identificados através da comparação dos dados de RMN e espectrometria de massas com a literatura. Esteróis isolados de espécies de Potamogen estão envolvidos em importantes relações ecológicas entre herbívoros-plantas1. Conclusões O extrato bruto de Potamogeton montevidensis apresentou defesas químicas contra a herbivoria. Ambos os extratos possuem terpenos e esteróis como compostos majoritários. A presença desses compostos nos extratos pode estar relacionada à atividade observada. Agradecimentos PIBIC/UFRJ, FAPERJ ----------------------------------¹ Chadin, I. Ecdysteroid content and distribution in plants of genus Potamogeton. Biochemical Systematics and Ecology, 2003, Vol.31, p.407-415. ² Kittakoop, P. et al. Potent antiviral Potamogetonyde and Potamogetonol, new furanoid labdane diterpenes from Potamogeton malaianus. American Chemical Society of Pharmacognosy, 2001. ³ DellaGreca, M. et al. Antialgal furano-diterpenes from Potamogeton natans L. Phytochemistry, 2001, Vol.58, p.299-304. Resultados e Discussão II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 70 EFEITOS ANTI-INFLAMATÓRIO E ANALGÉSICO DE EXTRATOS DE PLANTAS PRESENTES NA RESTINGA DE JURUBATIBA, RJ Renata de Jesus Mello (IC)1*, Paula Lima do Carmo (PQ)1, André Gustavo Calvano Bonavita (PQ)1, Tatiana Ungaretti Paleo Konno (PQ)2, Ivana Correa Ramos Leal (PQ)3, Michelle Frazão Muzitano (PQ)3, Juliana Montani Raimundo (PQ)1. [email protected] 1 Laboratório Integrado de Pesquisa, Campus UFRJ-Macaé. Rua Aloísio da Silva Gomes, 50. Granja dos Cavaleiros, Macaé, RJ. 2 Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, Campus UFRJ-Macaé. Av. São José do Barreto, 764. Barreto, Macaé, RJ. 3 Laboratório de Produtos Naturais, Campus UFRJ-Macaé. Rua Alcides da Conceição, 159. Novo Cavaleiros, Macaé, RJ. Palavras-chave: Plantas, Restinga de Jurubatiba, Inflamação, Analgesia. Introdução Os produtos naturais, especialmente aqueles originados de plantas terrestres, são uma fonte tradicional de novas moléculas1. O Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (PNRJ) é considerado um patrimônio natural de grande diversidade. Entretanto, grande parte das espécies vegetais ainda não teve seu perfil fitoquímico e biológico avaliado2. O objetivo deste trabalho é avaliar o potencial farmacológico de espécies de plantas terrestres presentes no PNRJ em modelos farmacológicos clássicos de inflamação e nocicepção. Materiais e Métodos Os extratos etanólicos de folhas de P. mucronata, M. moricandiana, O. Notata e P. asteria e o extrato etanólico total de S. schottiana foram gentilmente cedidos pelo Laboratório de Produtos Naturais. Os efeitos anti-inflamatórios e analgésicos dos extratos foram avaliados através do Teste de contorções abdominais induzidas por acido acético e do Teste da formalina. Foram utilizados camundongos suíços machos pesando entre 18 e 21 g, separados aleatoriamente em grupos de 6 animais por grupo experimental. Os extratos foram solubilizados em DMSO e utilizados nas doses de 5 e 10 mg/kg, via intraperitoneal. Todos os experimentos foram realizados de acordo com as Normas da Comissão de Ética no uso de animais da UFRJ (CEUA/CCS-UFRJ). Resultados e Discussão abdominais induzidas por ácido acético. O extrato de P. mucronata reduziu significativamente o número de contorções abdominais de 30,5 ± 4,3 para 13,3 ± 7,9 e 3,0 ± 1,8 nas doses de 5 e 10 mg/kg, respectivamente (P<0,05, n=6 animais). Resultados semelhantes foram observados com o extrato de M. moricandiana. Na dose de 5 mg/kg, o número de contorções foi reduzido de 30,5 ± 4,3 para 3,8 ± 1,8 (P<0,05, n=6 animais). Em relação ao Teste da formalina, os extratos de P. mucronata, M. moricandiana e P.asteria, na dose de 10 mg/kg, inibiram somente a fase inflamatória do teste, sem efeito na fase neurogênica. Os extratos de P. mucronata, M. moricandiana e P.asteria reduziram o tempo de reação na fase inflamatória de 493,4 ± 18,7 s para 257,0 ± 52,7 s, 274,0 ± 21,5 s e 404,6 ± 28,9 s, respectivamente (P<0,05, n=6 animais). Conclusões As espécies P. mucronata e M. moricandiana apresentaram importante efeito analgésico e anti-inflamatorio em modelos farmacológicos clássicos e, podem representar uma nova fonte de substâncias bioativas. Agradecimentos FAPERJ, UFRJ/PIBIC, FUNEMAC ----------------------------------Modelo de Referências Bibliográficas: ¹ Calixto, J.B. Journal of Ethnopharmacology 100: 131-134, 2005. ² Lacerda, L.D.; Esteves, F.A. Restingas Brasileiras: Quinze anos de estudo. In: Esteves, F. e Lacerda, L.D. (eds). Ecologia de Restingas e Lagoas Costeiras. NUPEM/UFRJRJ. 2000. Os extratos de O. notata e S.schottiana na dose de 10 mg/kg não apresentaram efeito analgésico no Teste de contorções II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 71 EXTRAÇÃO DE ALCALOIDES DA ESPÉCIE VEGETAL Echium stenosiphon subsp. stenosiphon WEBB José Carlos Borges de Carvalho1* (PG), Ana Clara Ferreira de Belo1 (IC), Carolina da Costa Marinho1 (IC), José Luis Pinto Ferreira2, Leandro Rocha1 (OR) E-mail: [email protected] 1 Laboratório de Tecnologia de Produtos Naturais, Departamento de Tecnologia Farmacêutica, Faculdade de Farmácia,Universidade Federal Fluminense, Rua Mário Viana 523,Santa Rosa, CEP 24241-000, Niterói, RJ, Brazil. 2 Departamento de Farmácia e Administração Farmacêutica, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal Fluminense. Palavras-chave: Echium stenosiphon, Alcalóides, Cabo Verde. Introdução A utilização de plantas como meio de cura para enfermidades é tão antiga quanto à existência do próprio homem 1. As plantas têm sido uma rica fonte para obtenção de moléculas para serem exploradas terapeuticamente e pesquisas nesse campo tem aumentado muito nas ultimas décadas2. Conhecer a composição química do género é fundamental na seleção de uma metodologia adequada para o isolamento das substâncias. Materiais e Métodos Folhas de Echium stenosiphon subsp. Stenosiphon Webb foram coletadas no Parque Natural de Monte Gordo – Cabo Verde e a exsicata depositada no herbário do mesmo parque sob o no 379. Os materiais vegetais frescos (10 kg) foram secos e extraídos por maceração em etanol comercial (960GL) e o extrato bruto etanólico foi concentrado em evaporador rotatório sob vácuo. O extrato bruto obtido (56g) foi agitado com H2SO4 0,1 N e filtrado. O filtrado foi lavado com diclorometano e a parte aquosa foi basificada até pH=10 com NH4OH concentrado e particionada com diclorometano. A fração diclorometânica foi seca com sulfato de sódio anidro, filtrada e concentrada em evaporador rotatório sob vácuo. O resíduo resultante foi dissolvido em diclorometano obtendo-se a fração alcaloídica FA1. A fração aquosa resultante foi posteriormente particionada com éter etílico obtendo-se a fração FA2 e em seguida com acetato de etila e finalmente com n-butanol (FA3). As frações obtidas foram aplicadas em placa cromatográfica (CCD) para análise qualitativa. II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Resultados e Discussão O extrato alcoólico bruto, após tratamento adequado, forneceu as frações alcaloídicas denominadas de FA1, FA2 e FA3. Análise cromatográfica permitiu verificar que as três frações tinham comportamentos diferentes frente ao eluente utilizado e apresentavam colorações distintas quando revelados com reagente de Dragendorff. Isso demonstra a extração de estruturas químicas diferenciadas em cada fração obtida. O rendimento da fração FA1 foi de 0,023 % do estrato bruto, com uma massa de 231 mg e da fração FA2 foi de 0,005 % do extrato bruto, com uma massa de 50 mg. A fração butanólica FA3 apresentou rendimento de 0,25% e uma massa de 2,5g. A fração acetato de etila mostrou ser desprovida da presença de alcalóides. Conclusões A metodologia utilizada para a extração possibilitou a obtenção de frações ricas em alcaloides. Esse método permitiu a extração seletiva de alcalóides, em grupos de diferentes polaridades, otimizando o processo extrativo. Agradecimentos CNpq, PROPPI, PPG-CAPS ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹Morales, R. Farmacología y Farmacognósia como Fuentes de Validación y Contraste en Etnobotánica. Monograf, Jard. Bot. Córdoba 3: 93-98, 1996. ²Foglio, M. A., Queiroga, C. L., Sousa, I. M. O., Ferreira, R. Plantas Medicinais como Fonte de Recursos. Divisão de Fitoquímica, CPQBA/UNICAMP. Multiciência Vol 7, 2006 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 72 EFEITO HIPOGLICÊMICO DOS EXTRATOS DE sartorum RICOS EM SUBSTÂNCIAS FENÓLICAS. Bumelia Halliny S. Ruela (PG)¹*, Michelle R. A. de Almeida (PG) 2, Katia C. C. Sabino (PG)3, Ivana C. R. Leal (PG)4, Ricardo M. Kuster (PG)¹,2. *[email protected] 1Biotecnologia Vegetal, UFRJ, Centro de Ciências da Saúde, bl. K, Cidade Universitária, Rio de Janeiro; de Pesquisa de Produtos Naturais, UFRJ, Centro de Ciências da Saúde, bl. H, Cidade Universitária, Rio de Janeiro; 3Departamento de Bioquímica, IBRAG, UERJ, Rio de Janeiro; 4Faculdade de Farmácia, UFRJ, Campus Macaé. 2Núcleo Palavras-chave: Bumelia sartorum; hipoglicemiante; polifenóis; SERCA. Introdução Bumelia sartorum (Sapotaceae) é uma espécie empregada popularmente no tratamento de diversas enfermidades, incluindo Diabetes Mellitus. Os objetivos desse trabalho foram analisar o efeito hipoglicêmico dos extratos derivados de B. sartorum ricos em substâncias polifenólicas, bem como investigar o possível mecanismo envolvido nessa ação. Materiais e Métodos A atividade hipoglicemiante1 foi verificada por dosagem da glicemia em jejum em camundongos normoglicêmicos (n=6) previamente tratados por via oral com os extratos (250 mg/Kg), solução salina (controle) e glibenclamida (10 mg/Kg – padrão positivo). As coletas de sangue foram realizadas a partir de incisão na cauda dos animais e as análises ocorreram nos tempos 0, 1, 2, 3 e 5 horas após a administração das soluções (Comitê de Ética em Pesquisa IBRAG-UERJ, protocolo 05/2009). A hipótese de que a inibição da Ca2+-ATPase de retículo sarco/endoplasmático (SERCA) pode prolongar o aumento do Ca+2 citoplasmático e com isso favorecer a produção e a liberação de insulina foi avaliada pela medida de hidrólise de ATP2, utilizando SERCA1 isolada de músculo esquelético de coelho. O conteúdo total de fenólicos foi determinado pelo método de Folin-Ciocalteau e expresso em mg de ácido gálico por 1 g de extrato seco (mg EGA/g)3. Resultados e Discussão A partição em acetato de etila (AcOEt) e a fração F5, dela obtida por cromatografia em coluna Diaion HP-20 (H2O:MeOH 9:1→0:1), apresentaram alto conteúdo de fenólicos totais (485,7 e 555 mgEAG/g, II Jornada Fluminense de Produtos Naturais respectivamente) e mostraram maior capacidade hipoglicemiante quando comparada à glibenclamida (Tabela 1). Ambas inibiram significativamente a atividade da SERCA (92% e 93% de inibição, respectivamente, testadas a 100 µg/ml), apresentando valores de CI50 de 22,47 µg/ml para a AcOEt e de 15,13 µg/ml para a fração F5. Tabela 1. Determinação da glicemia de jejum (mg/dl) em camundongos normoglicêmicos. Valores dados em média ± S.D. (n = 6). * p<0.05, vs 0.9% salina. Tratamento 0 1h 2h 3h 5h 0.9% Salina 119 ± 6.0 115 ± 2.5 121 ± 5.9 116 ± 5.8 103 ± 7.0 106 ± 6.0 117 ± 4.6 105 ± 11.8 96 ± 9.5 125 ± 10.0 112 ± 3.0 *98 ± 6.9 93 ± 3.4 93 ± 3.7 96 ± 8.5 98 ± 1.5 *71 ± 6.6 *79 ± 1.1 81 ± 3.8 82 ± 5.0 78 ± 11.1 94 ± 5.0 *55 ± 5.8 *65 ± 3.7 74 ± 1.8 *51 ± 4.9 64 ± 6.2 83 ± 6.1 *32 ± 7.9 *56 ± 6.5 Glibenclamida Extrato Aquoso Extrato MeOH Partição AcOEt Fração F5 Conclusões Os extratos de B. sartorum ricos em substâncias fenólicas reduziram a glicemia de animais normoglicêmicos e inibiram a atividade da SERCA. Essa inibição pode ser o mecanismo envolvido na ação hipoglicemiante da espécie. Agradecimentos CNPq, Capes, FAPERJ. ----------------------------------¹Menezes, F.S. et al. Brazilian Journal of Pharmacognosy, 17(1):8-13,, 2007. ²Landeira-Fernandez, A.M. et al. American Journal of Physiology Regulatory Integrative and Comparative Physiology, 286(2):R398-404, 2004. 3 Victório, C.P. et al. Natural Product Communications, 5(8):1219-1223,2010. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 73 Outros constituintes isolados hexasperma (Ochnaceae). dos galhos de Ouratea Dayane Magalhães Coutinho (IC)¹*, Queli Cristina Fidelis (PG)¹, Rosane Nora Castro (PQ)1, Mario Geraldo de Carvalho (PQ)1,2. [email protected]. 1 LQPN, Departamento de Química-ICE, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR 465 KM 07, 23890-000-Seropédica-RJ. 2Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Bloco H, CCS, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ. Palavras-chave: Ouratea hexasperma; isoflavona; Ochnaceae. Introdução Espécies de Ochnaceae são capazes de biossintetizar principalmente flavonoides e biflavonóides, entre outros constituintes1,2. Em trabalhos anteriores foram divulgados biflavonoides nas folhas, flavonoides glicosilados nas inflorescências e dois flavonoides prenilados nos galhos2,3. Considerando as atividades biológicas detectadas com biflavonóides encontrados em espécies de Ouratea, estamos fazendo estudos adicionais de O. hexasperma na procura de componentes minoritários e na obtenção de frações para fazer avaliações adicionais de suas propriedades. Paralelo a estas atividades fez-se estudo de parte do extrato para obter alguns padrões e chegou-se a outros constituintes não isolados anteriormente de galhos desta planta. Materiais e Métodos O material foi moído e submetido a extração através de maceração a frio, inicialmente com diclorometano e depois com metanol. O estudo fitoquímico iniciouse pelo extrato do galho em diclorometano (OHCD) com fracionamento em coluna cromatográfica de sílica. Foram obtidas 170 frações de 200 mL. Precipitados foram obtidos nas frações 62, 102 e 116-120, os quais foram purificados por cristalização em CH2Cl2/MeOH resultando nos triterpeno 1 e 2, e na isoflavona 3, respectivamente. A fração 91-93 foi submetida a CCDP fornecendo a substância 4. As estruturas foram propostas com base na análise de espectros de RMN 1H e 13C e comparação com dados da literatura 4, 5. Resultados e Discussão Até o momento identificaram-se dois triterpenos lupeol (1) e betulina (2), 7,4’dimetóxi-5-hidroxi-isoflavona (3) e 2,6dimetoxibenzoquinona (4). Este é o II Jornada Fluminense de Produtos Naturais O R2 H3CO OCH3 O H 3 R1 H3CO O 1: R1=OH; R2=H 2: R1=R2=OH OH O OCH3 4 primeiro relato desta isoflavona nos galhos de O. hexasperma. Dímeros de isoflavanonas (hexaspermona-A, B e C) e a 5,7,4'-trimetoxi-isoflavona já foram isoladas das raízes desta espécie5. Outras espécies de Ouratea apresentaram isoflavonas na composição química do caule e casca como Ouratea flava (4’,5-dimetoxi-6,7metilenodioxi-isoflavona) e O. ferruginea (7,3’-dimetil-orobol, panchovillina, 5-hidroxi7,3’,4’,5’-tetrametoxi-isoflavona, 5,4’diidroxi-7,3’,5’-trimetoxi-isoflavona e piscigenina)6,7. Conclusões Os resultados adquiridos neste trabalho permitiram ampliar o conhecimento sobre a composição química do gênero Ouratea. Agradecimentos Os autores agradecem a CAPES, FAPERJ e CNPq pelas bolsas e financiamentos concedidos. ----------------------------------1 Suzart, L.R.; Daniel, J.F.de S.; Carvalho, M.G. de; Kaplan, M.A.C. Quím. Nova 2007, 30|4| 984. 2 Carvalho, M. G. de, Suzart, L. R., Cavatti, L. C., Kaplan, M. A. C., J., J. Braz. Chem. Soc. 2008, 19|7| 1423. 3 Daniel, J.F. de S.;, Carvalho, M.G. de; Cardoso, R. da S., Agra, M. de F.; Eberlin, M.N. J. Braz. Chem. Soc. 2005, 16|3B| 634. 4 Araújo, D.S.; Chaves, M.H. Quim. Nova, 2005, 28|6| 996. 5 Moreira,I.C.; Sobrinho, D.C.; De Carvalho, M.G.; BrazFilho, R. Phytochemistry, 1994, 35|6| 1567. 6 Mbing, J.N.; Pegnyemb, D.E.; Tih, R.G.; Sondengam, B.L.; Blond, A.; Bodo, B. Phytochemistry 2003, 63|427. 7 Fidelis, Q.C. Metabólitos especiais isolados de folhas e galhos de Ouratea ferruginea Engl. (Ochnaceae), Dissertação de mestrado, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Departamento de Ciências Exatas, PPGQO, Seropédica-RJ, Brasil, 2010. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 74 PROPRIEDADE ANTI-INFLAMATÓRIA DO EXTRATO ETANÓLICO DE Ficus pumila Geórgia de Assis Dias Alves (IC)1, Flávia Bento Lana Henrique (IC)1*, Orlando Vieira de Sousa (PQ)1. Email:[email protected]. 1 Laboratório de Farmacologia de Produtos Naturais, Departamento de Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora, Campus Universitário, Rua José Lourenço Kelmer, São Pedro, CEP 36036-900, Juiz de Fora, Minas Gerais. Palavras-chave: Ficus pumila, atividade antiinflamatória, edema de pata, pleurisia. Introdução Ficus pumila é uma trepadeira lenhosa, pertencente à família Moraceae, conhecida como unha de gato, tem sido usada na medicina tradicional chinesa como antitumoral, antiinflamatória e tônica (KITAJIMA et al., 1999). Sesquiterpenóides glicosídeos, benzil-d-glicopiranosideo, (E)-2-metil-2-butanil-d-glicopiranosídeo e rutina, assim como esteróides, triterpenos e outros flavonóides, foram isolados desta espécie (KITAJIMA et al., 1999). O objetivo deste estudo foi investigar a propriedade antiinflamatoria do extrato etanólico das folhas de F. pumila. Materiais e Métodos F. pumila foi coletada em Juiz de Fora, MG, e uma exsicata foi depositada no Herbário Leopoldo Krieger da UFJF (nº CESJ-52447). O extrato etanólico foi obtido das folhas secas e pulverizadas por maceração estática com etanol. A propriedade antiinflamatória foi investigada pelos métodos de edema de pata e pleurisia induzida por caargenina. Os resultados foram demonstrados como médiaerro padrão. Análise de variância seguida do teste de Student NewmanKeuls foi aplicada para p < 0,05. Resultados e Discussão Nas doses testadas, o extrato etanólico das folhas de F. pumila foi tóxico para camundongos, apresentando uma DL50 de 2,90 g/kg (intervalo de confiança 95%, 1,78 - 4,73). Este valor foi importante para definir as doses das atividades farmacológicas avaliadas. A dose de 400 mg/kg reduziu o edema da pata em 3 horas (p < 0,05) e em 4 horas (p < 0,01). A dose de 200 mg/kg reduziu o edema II Jornada Fluminense de Produtos Naturais em 4 horas (p < 0,05), e a dose de 100 mg/kg não obteve efeitos significativos. Na indução de pleurisia, a concentração de 100 mg/kg não obteve resultados significativos. A dose de 200 mg/kg obteve uma porcentagem de inibição do volume do exudato de 11,43% (p < 0,05) e uma porcentagem de inibição do número de leucócitos de 11,97% (p < 0,001). A dose de 400 mg/kg obteve uma porcentagem de inibição do volume do exudato de 37,14% (p < 0,001) e uma porcentagem de inibição do número de leucócitos de 23,94% (p < 0,001). Com base nos resultados, observa-se que o extrato testado possui efeito antiinflamatório. A melhor redução do edema de pata foi observada na concentração de 400 mg/kg após 3 e 4 horas. A concentração de 400 mg também obteve melhores resultados sob a redução do volume de exudato pleural, e as concentrações de 300 mg/kg e 400 mg/kg obtiveram os melhores valores na redução do número de leucócitos. Conclusões Os resultados obtidos no presente estudo corroboram para o emprego de F. pumila na medicina popular visto que o extrato etanólico das folhas possui efeito antiinflamatório, sugerindo suas potencialidades para fins terapêuticos. Agradecimentos UFJF, CNPq, FAPEMIG e CAPES. ----------------------------------Referências Bibliográficas: KITAJIMA, J. et al. New Dammarane-type acetylated triterpenoids and their related compounds of Ficus pumila fruit. Chemical and Pharmaceutical Bulletin, v. 47, p. 11381140, 1999. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 75 CONTRIBUIÇÃO QUÍMICA DOS PROUTOS NATURAIS Elaine Cristina de O. Braga (IC)¹*, Lêda Glicério Mendonça (PG)¹. [email protected] 1. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Rua Lúcio Tavares, 1045 Centro - Nilópolis - CEP: 26530-060 Palavras-chave: Química de produtos naturais, Ração Humana, linhaça e quinoa. Introdução A Ração Humana é um produto constituído à base de cereais integrais. Por ser uma fonte de proteínas, fibras e vitaminas, pode proporcionar um bom desempenho do organismo, auxiliando no equilíbrio dos sistemas biológicos. Devido a essas propriedades, a Ração Humana caiu no gosto popular, podendo ser encontrada no mercado em apresentação e composição variadas. Contudo, ainda não há comprovações científicas sobre os verdadeiros benefícios desse mix nutritivo. Há apenas, atualmente, estudos dos seus componentes separadamente, como é o caso da Quinoa e da Linhaça. O presente trabalho tem como objetivo realizar um levantamento bibliográfico dos dois componentes mais recorrentes na formulação da Ração: Linhaça e Quinoa Materiais e Métodos Em trabalho anteriormente publicado foi sinalizado que os componentes mais recorrentes da Ração Humana são a Linhaça e a Quinoa. A partir desses dados, foi feito levantamento bibliográfico em literatura pertinente sobre as propriedades desses dois componentes. Resultados e Discussão Dentre as 5 amostras analisadas, apenas 2 delas não apresentaram quinoa na sua composição. Com relação à linhaça, todas as amostras apresentaram esse componente na sua formulação, como mostra os resultados na tabela 1: Tabela 1: Análise de rotulagem para comprovação de quinoa e linhaça na formulação da Ração. Amostra 1 2 3 4 5 Quinoa + + + Linhaça + + + + + Fonte: autora II Jornada Fluminense de Produtos Naturais As formulações que contém a linhaça e a quinoa trazem em destaque a presença de ambos os componentes em seus rótulos como um diferencial. Isso é observado devido ao fato das sementes, tanto da linhaça como a da quinoa, apresentarem bom equilíbrio nutricional, por serem ricas em ácidos graxos essenciais, sendo os mais importantes o linoléico (-6) e o linolênico (3)1. Além disso, a semente da quinoa é rica em aminoácidos essenciais, que não são muito comuns nos outros vegetais, como é o caso dos aminoácidos lisina e metionina, muito importantes para os seres humanos, que são geralmente limitados em outros cereais2. A linhaça também é uma importante aliada contra os radicais livres, pois possui ação antioxidante, por conter compostos fenólicos que auxiliam na redução de oxigênio singleto, além de atuar na quelação de metais1. Conclusões Através do levantamento realizado, podese concluir que a Quinoa e a Linhaça apresentam constituição química que contribuem positivamente no metabolismo, auxiliando no equilíbrio dos sistemas, evitando enfermidades crônicas. Por esse motivo, podem ser consideradas como componentes que conferem funcionalidade à Ração Humana. Contudo, ainda não se sabe ao certo se a influencia de todos os componentes da Ração em conjunto sobre o organismo, sendo necessária a condução de estudos mais aprofundados sobre a interação de seus componentes para que haja benefícios. Agradecimentos Ao IFRJ/CNPq pelo apoio financeiro. ----------------------------------1 ALMEIDA, K.C.L., BOAVENTURA, G.T., GUZMANSILVA, M.A. A linhaça (Linum usitatissimum L) como fonte de ácido α-linolênico na formação da bainha de mielina. Revista de Nutrição, São Paulo, v.22, n.5, p. 747754, set/out. 2009. 2 FIGUEROA, M.M.R; Obtención, caracterización estructural y determinación de lãs propriedades funcionales de um aislado protéico de quinua orgânica (Chenopodium quinoa) [dissertação de mestrado], 2006 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 76 TOXICIDADE E AÇÃO ANTI-INFLAMATÓRIA DE Syzygium cumini (L.) Skeels. Jessika Lima de Azevedo (IC)¹, Amélia Miranda Gomes Rodrigues (PG) 1,2, Thatiana Lopes Biá Ventura (PG)2*, Lucynthia de Aquino Santos (PG)¹, Michelle Frazão Muzitano (PQ) 2,3. amé[email protected]. Laboratório de Fitoquímica, Faculdade de Medicina de Campos (FMC), Av. Alberto Torres, nº 217 – Centro; 2 Laboratório de Biologia do Reconhecer, Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), Av. Alberto Lamego, nº 2000 – Pq. Califórnia; 3 Laboratório de Produtos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/ Macaé), Av. Aluízio da Silva Gomes, 50 – Granja dos Cavaleiros. Palavras-chave: Jamelão ; Artemia salina; Macrófagos e Óxido nítrico. 1 Introdução Ações hipoglicemiante, hipotensora e antiinflamatória são relatadas no uso popular de Syzygium cumini (jamelão)1. Entretanto, o uso empírico de plantas pode trazer riscos quanto à toxicidade, além da necessidade de comprovação científica para o uso terapêutico2. Sendo assim, avaliou-se a toxicidade de frutos do jamelão frente as larvas de Artemia salina3 e macrófagos murinos RAW 264.7, assim como, sua ação anti-inflamatória na inibição (IN) do óxido nítrico (NO) em macrófagos4. avaliada pelo método de Griess. Critério de seleção a partir de 40% de inibição. Resultados e Discussão Toxicidade Análise toxicológica Tabela 1. Valores de LC50 (dose letal para morte de 50% da população de Artemia salina Lech) dos extratos da fruta de Sygygium cumini (L.) Skeels Extrato LC50 (mg/ml) Hexano > 1000 Diclorometano > 1000 Metanol > 1000 Citotoxicidade pelo teste de LDH Figura 1. Citotoxicidade pelo teste do LDH. Os valores foram comparados com os controles positivo: 0,03 0,13 e negativo: -2,83 0,67. Atividade anti-inflamatória Materiais e Métodos Os frutos coletados em São João da Barra/ RJ, foram higienizados e macerados em hexano, diclorometano e metanol por 7 dias com agitação intercalada, seguida de rotaevaporação e liofilização dos extratos. O material foi depositado no herbário da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Toxicidade: Análise toxicológica Ovos de Artemia salina Lech foram expostos para eclosão em até 48 h sob aeração a 25ºC, luz e solução de simulação da água do mar. Cerca de 15 larvas foram transferidas para tubos com solução salina para teste dos extratos (10, 50, 100, 500 e 1000 mg/mL) em triplicata e contagem de animais vivos e mortos após 24h. Citotoxicidade pelo teste de LDH Macrófagos RAW 264.7 cultivados em DMEM-F12 + 10%SFB foram ativados com LPS (1mg/mL) e tratados com os extratos (4, 20, 100 e 500 mg/mL). Após 24 h foi avaliada a citotoxicidade (CT) pela análise do LDH. Critério de seleção a partir de 40% de CT. Atividade antiinflamatória: Os macrófagos foram cultivados, ativados e tratados idem a CT e a inibição do NO foi II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Figura 3. Inibição da prodrução de NO por macrófagos RAW 264.7. Os percentuais de inibição foram comparados com os controles positivos: 100,00 0,75 e negativos: 0,00 2,25. Conclusões Nas análises toxicológicas em Artemia salina nenhum extrato foi considerado ativo, apresentando LC50 (mg/mL) >1000. Pela análise dos níveis de IN do NO com o percentual de CT, os extratos, com exceção do hexânico, apresentaram IN do NO com baixa CT. O mecanismo pode estar relacionado ao sequestro de NO ou à modulação enzimática da óxido nítrico sintase (iNOS), o que torna promissor o seu estudo e uso terapêutico. Agradecimentos ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹ Silva, S. N. et al. The toxicity evaluation of Syzygium cumini leaves in rodents. Brazilian Journal of Pharmacognosy, 22(1): 102-108, 2012; ² Boscolo, O. H. e Valle, L. S. Plantas de uso medicinal em Quissamã. Iheringia. Série Botânica, 63: 263-277, 2006; 3 Meyer, B. N. et al. Brine shrimp: a convenient general bioassay for active plant constituents. Planta Medica, 45: 31-34, 2006; 4 Ventura, T. L. B. et al. XXI Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil, João Pessoa. Livro de Resumos, 2010. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 77 TRIAGEM VIRTUAL DE METABÓLITOS DE ALGAS MARINHAS DO GÊNERO Laurencia COM PROTEÍNAS QUINASES Sávio de Souza Tavares (IC)¹,²*, Nelilma Correia Romeiro (PQ)¹,², Angélica Ribeiro Soares (PQ)¹. *[email protected] 1Grupo de Produtos Naturais de Organismos Aquáticos (GPNOA), UFRJ-Macaé-NUPEM, RJ. Integrado de Computação Científica (LICC) – UFRJ-Macaé-NUPEM, RJ. 2Laboratório Palavras-chave: p38 MAPK, p56lck, Laurencia sp, metabólitos Introdução As proteínas quinases ativadas por mitógenos (MAPKs) são serina-treonina quinases amplamente expressas que se encontram ativadas em doenças com sobrecarga de espécies reativas, e.g. câncer, mediando sinais regulatórios celulares.¹ Outra via importante ligada ao câncer é a das proteínas tirosinas quinases, como a p56lck, que são alvos interessantes pela sua participação na modulação da sinalização de fatores de crescimento.² A literatura tem mostrado que metabólitos isolados de algas do gênero Laurencia possuem atividades biológicas variadas, principalmente citotóxicas.³ Nesse trabalho, o objetivo foi realizar a triagem virtual de metabólitos de Laurencia com as proteínas quinases p38 MAPK e p56lck utilizando o docking como ferramenta para planejamento racional de substâncias inovadoras contra o câncer. MAPK (score de 40,52 vs. 47,10 para o BIRB796) (Fig. 1). O docking mostrou várias possíveis interações do metabólito 16 com resíduos de aminoácidos na região do sítio de ligação do BIRB796 com p38 MAPK (Fig. 2). Essas interações podem ser otimizadas se o metabólito for modificado quimicamente, de modo a preencher melhor o sítio de ligação. Figura 1. Metabólitos 12 e 16 (L. viridis) que se destacaram na triagem virtual. Materiais e Métodos As proteínas-alvo foram obtidas no site www.rcsb.org/pdb/, com os códigos 2pl0 para p56lck e 1kv2 para p38 MAPK. Os inibidores de referência e moléculas propostas foram construídos com o programa Spartan’08. As moléculas selecionadas foram separadas por espécie da alga Laurencia e os estudos de ancoramento molecular foram realizados no programa GOLD. Resultados e Discussão As moléculas foram ancoradas à p38 MAPK e à p56lck, visando à comparação com o modo de ligação no cristal observado para os compostos de referência (BIRB796 e Imatinibe, respectivamente). Após a realização de cinco corridas no programa GOLD e feita a média dos scores obtidos, os complexos que se destacaram foram: metabólito 12 com a p56lck (32,89 vs. 45,65 para o imatinibe) e metabólito 16 com a p38 II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Figura 2. Metabólito 16 em lilás, preenchendo o espaço do sítio ativo da p38 MAPK ocupado pelo inibidor de referência (BIRB 796) em vermelho. Conclusões Observou-se um melhor encaixe dos metabólitos ao sítio de ligação da p38 MAPK em comparação com a p56lck, devido à menor variação nos valores de score. Essa diferença ocorre, provavelmente, devido à diferença no volume do sítio de ligação, que é de 400ų para a p38 MAPK e 555Å3 para a p56lck. Esses dados nos permitem propor modificações moleculares nos metabólitos com síntese de derivados, visando otimizar as interações com as proteínas-alvo. ----------------------------------Referências Bibliográficas: ¹. Kyriakis, J. M.; Avruch, J. Physiol. Rev. 2001, 81, 807; ². Madhusudan, S. e Ganesan, T. S. Clin. Biochem. 2004, 37, 618; ³. Machado; F. L. da S.; Kaiser, C. R.; Costa, S. S.; Gestinari, L. M.; Soares, A. R. Rev. bras. farmacogn. 2010, 20,441 Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 78 METABÓLITOS ESPECIAIS ISOLADOS DE MADEIRA DE Simira eliezeriana E S. glaziovii. Marcelo F. de Araújo (PG)¹*, Ivo J. Curcino Vieira (PQ) 2, Raimundo Braz-Filho (PQ)1,2, Mário G. de Carvalho (PQ)1,3. [email protected]. mailto:[email protected] 1Programa de Pós-Graduação em Química, Departamento de Química, ICE, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, BR 465 KM 07, CEP: 23890-000Seropédica-RJ. 2Laboratório de Ciências Químicas, LCQUI, Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, A. Alberto Lamego, 2000, Campos dos Goytacazes-RJ. Palavras-chave: Simira, Rubiaceae, Metabólitos especiais. Introdução Espécies do gênero Simira (Rubiaceae) são conhecidas popularmente como araribas ou quinas devido à coloração vermelha adquirida pela madeira quando cortada e exposta ao ar1. Em estudos anteriores divulgamos o isolamento e determinação estrutural de alcalóides2,3, triterpenos2,3 e outros metabólitos especiais de S. glaziovii. Neste trabalho descrevemse novas informações resultantes do estudo fitoquímico de Simira eliezeriana e S. glaziovii. Materiais e Métodos O material para estudo foi coletado na reserva florestal da Vale do Rio Doce em Linhares-ES (CVRD). As exsicatas Nº 5004 de S. glaziovii e 5000 S. eliezeriana estão depositadas no herbário CVRD. Os extratos obtidos em metanol de ambas foram particionados em CH2Cl2, AcOEt e nbutanol. A fração em CH2Cl2 de cada espécie foi submetida a procedimentos clássicos de fracionamento e purificação de metabólitos especiais. Foram identificadas 22 substâncias, entre as quais onze são inéditas no gênero. As estruturas foram propostas através de análise de espectros de IV, RMN 1H e 13C, massas e dicroísmo circular. Resultados e Discussão De S. eliezeriana isolaram-se nove substâncias: mistura de esteróis sitosterol, estigmasterol e campesterol (1+2+3); dois aldeídos coniferaldeído (4)4, siringaldeído (5), a lignana pinocebrina (6)4, os diterpenos simiranos A (7)5 e B (8) 5 e o alcaloide -carbolínico harmana (9)2. De S. glaziovii foram isolados 13 substâncias, dentre elas estão (1+2+3), (7), (8) e (9), além dos triterpenos lupeol (10)6, lupenona (11)6, 1, 2-dihidróxi-olean-12-eno (12)7, a II Jornada Fluminense de Produtos Naturais lignana siringaresinol (13)8, as cumarinas escopoletina (14)4, isofraxidina (15)4, 6,7,8trimetóxicumarina (16)4. Além das análises dos espectros de RMN incluindo técnicas especiais de alguns constituintes (NOEDIFF, 2D COSY, HSQC, HMBC), fezse análise dos espectros de massas HRESIMS, CG-EM, comparação dos dados com a literatura2,4-8 e análise da curva de Dicroísmo Circular para definição de estereoquímica absoluta dos diterpenos. O R MeO O H MeO (4) HO (5) OMe HO O HO (1): R= Me; 22-23-diidro (2): R= Et; 22-23-diidro (3): R= Et; 22-23 O OH OMe MeO H HO NH (9) R (7): R= OH (8): R= H N CH3 OMe O HO OH OH (6) O OMe HO MeO (12) R (10): R= OH (11): R= (=O) R2 O R1 R O (13) HO R3 O OMe (14): R=R3= H, R1= OMe, R2=OH (15): R=R2= OMe, R1= OH, R4= H (16): R= H, R1=R2=R3= OMe Conclusões Apesar de estudos anteriores de S. glaziovii e do trabalho não estar concluído, registram-se novos constituintes nas espécies. Há varias substâncias candidatas a avaliação de atividade biológica. Agradecimentos CAPES, CNPq, FAPERJ. ----------------------------------Peixoto, A.L. Arq. Univ. Fed. Rur, Rio de Janeiro, 1982, 5,115.2Bastos A.B.F.D.O., Carvalho M.G.; Velandia J.R.; Braz-Filho R. Quim. Nova, 2002, 25, 241. 3Alves, C.C.S., Cranchi, D.C., Carvalho, M.G., Silva, S.J. Floresta e Ambiente. 2001, 8, 174. 4 I.J.C. Vieira, Uma contribuição à Química da Família Simaroubaceae, Tese de Doutorado, PPGQ, CCET-DQ-UFSCar, 1995, 81-117. 5Araújo, M.F., Vieira, I.J.C., Braz-Filho, R., Carvalho, M.G. Natural Product Research. 2011, v. 25(18), p. 1713-9. 6 Mahato, S.R.; Kundu. A. Phytochemistry. 1994, v. 37(6) p. 13171575. 7Pant, P., Rastogi, R. P. Phytochemistry, 1977, 16(11), 1787. 8Monteiro, M.C.M.; Leptokarydi S, I.H.; Silva, G.H.; Da Silva, V.C.; Bolzani, V. S.; Young, M.C.M.; Lopes, M.N. Eclética Química. 2007, v. 32(3), p. 13-18. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 Painel 79 FEOFITINAS ISOLADAS DE Talinum triangulare Ana Paula de Oliveira Amorim (PG)1*, Almir R. de Carvalho Junior (IC)1, Márcia Cristina C. de Oliveira (PQ)1 e Mário G. de Carvalho (PQ)1,2. [email protected] de Pós-Graduação em Química, Departamento de Química - ICE – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 23890-000, Seropédica, RJ, 2Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, Bloco H, CCS-UFRJ, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, RJ. 1Programa Palavras-chave:Portulacaceae,Talinum, feofitinas. Introdução A espécie Talinum triangulare (Jacq.) Willd, conhecida no Brasil como João Gomes ou caruru do Pará, é consumida na região norte por apresentar um alto teor nutritivo. É utilizada na alimentação infantil como substituinte do espinafre, além de possuir atividade antioxidante e antibacteriana1. Neste trabalho descreve-se o isolamento e identificação de metabólitos especiais do extrato em CH2Cl2 de folhas de T. triangulare. Materiais e Métodos assimétricos de 1 e 6 foi definida através da análise de espectros de NOESY. O registro do espectro de DC de 1 e 6 permitiu propor a configuração absoluta como 17R, 18R para as feofitinas com EC+ em máx 408 nm (1) e 412 nm (6).As feofitinas 1 a 6 estão representados na Figura 1. Resultados e Discussão A análise dos espectros permitiu identificar o sistema heterocíclico das fitinas e do grupo fitila. A diferença entre elas está apenas em alguns grupos funcionais. As configurações relativas dos centros II Jornada Fluminense de Produtos Naturais 3 21 7 81 8 N 10 NH N 16 171 17 172 31 131 2 19 18 171 172 17 N H H 16 17 R1 1 20 181 8 N 11 15 132 N 16 H 17 15 172 82 9 19 173 PhyO 82 N H H 18 H 7 14 3 R 13 81 N 10 N 3 OPhy 6 71 21 81 N 1 20 H3C O 71 CH3 H 5 H 5 4 32 31 13 Hc 3 21 121 Hb 32 OPhy 1 R1= OH R2= COOCH3 2 R1= H R1= COCH3 3 R1= CH3 R2= COOH 12 15 132 R2 Ha 11 14 R1 173 181 82 9 1 19 18 O 6 NH 20 181 71 5 4 2 O O material foi coletado em Guapimirim-RJ e identificado pelo Prof. Dr. Pedro G. Filho (IB–UFRRJ). Uma exsicata desta espécie (SBR 26906) está depositada no herbário RBR, IB-UFRRJ. As folhas de T. triangulare secas e trituradas (1,5 Kg) foram submetidas a maceração com CH2Cl2. O extrato seco (5,5 g) foi submetido a CC em gel de sílica eluído inicialmente com hexano e mistura com outros solventes em polaridade crescente. Recolheram-se 76 frações. As fraçõe 21-29 (A) e 30-34 (B) foram recromatografada em CC (hex:AcOEt) onde as frações 23-25 e 34 de A forneceu a feofitina 1 e a mistura de feofitinas 4+5, respectivamente. A fração 7 e 8 de B forneceram as feofitinas 4 e 5. As frações 35-42 foram reunidas e submetidas a CCDP (CHCl3:MeOH 99%), fornecendo 7 frações, sendo a primeira fração recromatografada em CCDP (C6H12:AcOEt 75%) fornecendo a feofitina 6. As estruturas foram propostas através de análise de espectros de IV, RMN 1H e 13C, EM e comparação com dados da literatura2,3,4,5,6. Hb 32 Hc 31 Ha 10 N H 11 14 CH3 121 O 132 O 131 O 1 O 17 121 6 12 13 O 131 O 4 R= CH3 R1= CHO 5 R= OCH3 R1= CHO O Conclusões O estudo químico do extrato diclorometano das folhas de T. triangulare possibilitou o primeiro registro de seis feofitinas em Portulacaceae. Duas estruturas com proposta da configuração absoluta. Agradecimentos FAPERJ/CNPq/CAPES ----------------------------------1 Amorim, A.P.O. Dissertação de mestrado, Instituto de Ciências Exatas, UFRRJ. 2007. 2Silva, T. M. et. al. Feoforbídeo (etoxi-purpurina-18) isolado de GossYpium mustelinum (Malvaceae). Quím Nova, 3 (3), 571-573, 2010. 3 Schwikkard, S, et al. Phaeophytins from Tapura fischeri. Phytochemistry 49 (8), 2391-2394, 1998. 4Matsuo,A. et al. Phaeophytins from a cell suspension culture of the liverwort Plagiochila ovalifolia. Phytochemistry 47 (2), 427-430, 1996. 5Breitmaier, E, et al. 13C NMR Spectroscopy Methods and applications in Organic Chemistry. 2 nd Ed. New York, 124, 1978. 6Lin, H. et al. Ficuschlorins A-D, Lactone Chlorins from the leaves of Ficus microcarpa. Chemistry & biodiversity, 8, 1701-1707, 2011. Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 “Interfaces na Química de Produtos Naturais” Participantes Adriana Lima De Sousa Adriana Rocha Dutra Alan Menezes Do Nascimento Alessandra Leda Valverde Alexandre M.R.G. Carneiro Aline Da Silva Rodrigues Aline Do Couto Freire Amaro Chaves Ramos Ana Maria Landeira Fernandez Ana Maria Pereira Da Silva Andre Gustavo Calvano Bonavita André Vitor Nascimento Dos Santos Anete Souza Mecenas Angelica Nakamura Angelica Ribeiro Soares Annie Caroline Da Silva Goulart Anny Muniz De Souza Santos Antônio Vinícius Doriguetto Ferreira Arthur Ladeira Macedo Beatriz Cristina Luna De Melo Bianca Barros Da Costa Bianca Ortiz Bianca Rangel Antunes Da Silva Bianka De Oliveira Soares Bruno Meirelles Paes Camila Alves Enne Daumas Camilla Dayane Ferreira Carvalho Carolina Miranda Gasparetto Caroline Teixeira Do Nascimento Caroline Vianna Velasco Castilho Catharina Eccard Fingolo Christian Ferreira Daniela Bueno Sudatti Daniela Kafuri Monteiro Danielle Chipoleschi Meireles Danielle Simone De Carvalho Lugato Dayane Magalhães Coutinho Débora Nascimento Eiriz Dego Rangel Cardoso Silva Deivid Costa Soares Denise Oliveira Guimarães Deuzilane Maria Silveira Ferreira Eduardo Rodrigues Da Silva Elaine Cristina De O. Braga II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 “Interfaces na Química de Produtos Naturais” Ellen Fonseca Bezerra Felipe Marciano Soares Felipe Stanislau Candido Fernanda Cunha Do Nascimento Fernanda Da Silva Cardeal Fernanda Lacerda Da Silva Machado Fernanda Leitão Dos Santos Fernanda Moreira Do Amaral Fernando B. Da Costa Flávia Bento Lana Henriques Gabriela Calegario Georgia Pacheco Peters De Almeida Gilda Guimarães Leitão Gisella Britto Perez Guilherme Campos Moreira Halliny Siqueira Ruela Hannah Carolina Tavares Domingos Heitor Monteiro Duarte Ingrid De Jesus Magdalena Isabela Francisca De Jesus Borges Costa Isabela Moreira Baumgratz De Paula Isabella Boaventura Moura Isabella Cardoso Serrado Isabella Do Vale De Souza Israelle Netto Freitas Jeane Andréia Pedrosa Nogueira Jéssica Azevedo De Moraes Jéssica Cok Ventura João Lomba Xavier Jonatas Vicente Milato José Carlos Borges De Carvalho Juliana Montani Raimundo Julyana Rosa Machado Kamilla Coelho Morais Rodrigues Karen Danielle Borba Dutra Kênia De Paula Costa Leandro Machado Rocha Leonardo De Araujo Leal Leticia Lima Dias Moreira Ferreira Liane Peixoto Rocha Lílian Mariane De Oliveira Bento Lisia Monica De Souza Gestinari Lorena Rodrigues Riani Luana Gonçalves De Souza Luana Rodrigues Guimarães Pereira Luciana Moreno Dos Santos II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 “Interfaces na Química de Produtos Naturais” Luis Armando Candido Tietbohl Luiz Fernando Soldati Duarte Luzineide W. Tinoco Maíra Barcellos Marini Marcela Gomes Vianna Marcella Szlachta Macedo Marcelo Guerra Santos Marcio Vinicius Da Silva Gomes Marcos Paulo Melo Villar Maria Carolina Anholeti Da Silva Maria Raquel Figueiredo Maria Raquel Garcia Veja Maria Sandra Ramos Queiroz Mariana Martinelli Junqueira Ribeiro Mariela Justiniano Simão Marina Meirelles Paes Mário Geraldo De Carvalho Marlon Heggdorne De Araújo Marta Correa Ramos Leal Mathias Moraes Abrão Mayara Antunes Da Trindade Silva Michelle Frazão Muzitano Millena Campos Vidal Milton Masahiko Kanashiro Monica Barcelos De Souza Lopes Monica Regina Pimentel Siqueira Muiara Aparecida Moraes Narjara Silveira Natália Ramos Pacheco Nathália Peixoto Nocchi Carneiro Nayara Peixoto Nocchi Carneiro Nelilma Correia Romeiro Ozeias Batista Dos Santos Paula Borges De Negreiros E Souza Paula Monteiro Lopes Pedro Passos Couteiro Priscila Elias Alves Priscila Vieira Pontes Queli Cristina Fidelis Rafael Ferreira Da Silva Rafael Portugal Rizzo Franco De Oliveira Rafaela Oliveira Ferreira Ramon Gredilha Paschoal Rayane Natashe Gonçalves Rayssa Rodrigues Dias Renan Alves De Paiva II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012 “Interfaces na Química de Produtos Naturais” Renan Fernandes Vianna Renata De Jesus Mello Renato Crespo Ricardo Diego Duarte Galhardo De Albuquerque Roberta Nunes Silvares Rodrigo Negrelli Guzzo Rogério Jatobá Figueiredo Junior Rosangela De Almeida Epifanio Rossy Moreira Bastos Junior Sanderson Dias Calixto Sarah Barbara Campagnolo Selma Ribeiro De Paiva Shaft Correa Pinto Taiane S. Carvalho Talita Shewry De Medeiros Rocha Tathyanna Bichara De Souza Neves Tatiana Jotha Mattos Simen Tatyana Albuquerque Fajardo De Oliveira Tereza Auxiliadora Nascimento Ribeiro Thabata De Souza Santos Thais De Arêdes Rodrigues Thais Valentim Alberto Westermann Thamyris Almeida Moreira Thatiana Lopes Biá Ventura Thayssa Da Silva Ferreira Fagundes Thiago Saide Martins Merhy Valéria De Fátima Leão Valkíria Elizabete Moreira Vanessa Dos Santos Temponi Víctor De Carvalho Martins Victor Moebus Farias Viviane Souza Da Silva William Romão Batista Yasmin Carneiro De Souza Alves II Jornada Fluminense de Produtos Naturais Arraial do Cabo – RJ, 09 a 12 de maio de 2012
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